sexta-feira, julho 09, 2004

Thank God, he's back

Após algumas provocações, conseguimos que Titta Maurício nos voltasse a escrever. Aqui vai...


Quem só sabe dizer mal... julga que tem graça... mas fica pelo banal!
Meu Caro,
Você tanto provoca, tanto provoca que lá consegue forçar-me a responder.

Gosto imenso de consultar o vosso espaço, até porque verdadeiramente gosto bastante de Alhos Vedros... e bem gostaria que tratassem mais desse nobre assunto (no que, suspeito, serão bem mais capazes de encantar do que com as graçolas sobre a política).

Agradeço a leitura das minhas "escrituras"... só é pena que pereça não saber ler, senão:
- explique lá o nonsense que insinua encontrar no texto?
- depois acusa-me de usar "cartilha de donos". Fale por si, meu caro, fale por si! É que o meu texto foi escrito no sossego da minha casa, com o que sei e o que penso! Não sigo cartilha e dono nunca tive nem terei: antes a morte que tal sorte! Por isso, admito muita brincadeira... mas não estou disponível para graçolas de mau-gosto (como o é esta)! Preferia que usasse do bom senso e não me confundisse...
- se algo tem contra o conteúdo do texto informe e fundamente. Brinque se quiser, mas não confunda nemme confunda!
- e sempre poderá informar onde é que eu disse que a coligação havia ganho ou que o PS não ganhou!?! Até comecei por dar os parabéns!!! Apenas disse que não via motivos para tanta "enferrujada" euforia! E parece que tinha razão: 2 dias depois no PS "abriu a corrida ao cargo de secretário-geral"... deve ser consequência do enorme "contentamento" que todos sentiram pelos resultados obtidos... ou então... sei lá... talvez me posso elucidar com a sua douta opinião!

E, apesar de tudo, ousaria solicitar a V. Exa. o benefício de poder emitir a minha opinião... mesmo que sirva para explicar o que penso?

Continuem o bom trabalho... e sejam menos analistas "chapa 4": dizer mal por dizer, pode ter piada... mas não vos cansa?!?

segunda-feira, julho 05, 2004

Não vos esqueceis II

Para além do fotoblog não se esqueçam de nos contactar sempre que precisarem para avedros@clix.pt.

Nús iscrevão vái...

domingo, julho 04, 2004

Assim é que é

Temos aqui um site sobre Alhos vedros que vale mais do que aquelas tretas da Câmara.
O rapaz é um bom rapaz e até usa uma foto nossa, com todo o bom gosto e a devida citação.
Bem haja, João Aldeia.

sábado, julho 03, 2004

Não vos esqueceis.

Já sabem que devem sempre ir visitar-nos ao AVedros Visual, o nosso fotoblog sempre em actualização.

Grau zero

O nível da análise política local faz lembrar a análise dos jogos de futebol por hooligans, embora sempre se possa dizer que o exemplo vem de cima.
No último O Rio temos direito a três discursos escritos oficiais sobre os resultados das eleições. Lado a lado na página 5 temos as posições dos CDS/PP e do PS; na página 7 temos o colectivo bloquista.
Como a conversa do Bloco de Esquerda é assim um bocado para o irrelevante bem-intencionado e politicamente correcto (garanto que me correm sempre lágrimas quando os leio e esvoaçam pombas brancas do papel) ficamo-nos com as divertidas leituras que CDS e PS fazem dos resultados e que parecem directamente saídas de um qualquer manual de nonsense.
Será que, por uma vez, senhoras e senhores, poderiam abandonar a cartilha dos donos e terem uma ideia própria fundamentada e que, só por uma vezinha, nos surpreendesse por um lampejo de originalidade.
É que quase não vale a pena ler, porque já se sabe o que lá vem. O nosso atento leitor Titta Maurício parece aqueles matrecos que chutam sempre para o mesmo lado, nunca vê mais nada, mesmo que veja. A suave Eurídice enrola-nos naquele discurso redondinho e sem arestas que se tornou a especialidade xuxalista local.
Quanto aos laranjinhas locais aguarda-se que também reclamem vitória brevemente, assim como a CDU, o POUS, o MPT, o PDA, etc, etc.
Ganharam todos, como de costume. E se não ganharam, os outros também não ganharam.
Caramba, será que são mesmo assim ou, como o nosso colaborador José Silva escreveu há uns tempos, ganham créditos por cada cliché que passam a letra de imprensa.

sexta-feira, julho 02, 2004

Beleza pura

Caetano Veloso escreveu uma bela canção, mas a mim ocorreu-me esta expressão ao ver os protagonistas da página 5 do jornal O Rio desta quinzena (edição 157).
Não sei o estado civil dos simpáticos (serão certamente casados, a moral e os bons costumes o exigem), mas lá que fazem um belo par (repare-se que não escrevo casal, para não ferir susceptibilidades mais conservadoras e moralistas, que isso connosco não se faz), fazem.
Como diria o outro, a couple made in heaven (na verdade, o outro dizia marriage made in heaven, mas pelas razões atrás mencionadas é melhor não pisarmos o risco).

Cultura (moiteira) da treta

Pelourinho de Alhos Vedros
Tem fuste liso assente numa base encordoada e encimado por capitel tronco-piramidal rematado por uma esfera armilar em ferro.
Local: Alhos Vedros, Largo da Misericórdia
Classificação: IIP. Dec. n.º 23122 de 11-10-1993

No site da Câmara Municipal da Moita, isto é tudo o que se pode ler sobre o pelourinho de Alhos Vedros. Nem datação, nem material, nem referência ao estilo, nada.
É a chamada qualidade do serviço público moiteiro.
Se não sabem mais, são ignorantes. Se sabem, é pura má vontade.
Enfim.
Isto devia ser cultura, estúpidos (não é ofensa, queridos, estou apenas a aludir ao título de uma peça de teatro).

terça-feira, junho 29, 2004

Material alheio (direitos de autor para o JPPereira)

Não é nosso hábito mas hoje merece transcrição um texto do blog do Pacheco Pereira sobre a situação política nacional.
O texto é o que se segue, mas podem sempre visitar o original.


POBRE PAÍS

o nosso.

Há uns anos, nos momentos mais complicados de dissolução da URSS, nada funcionava na Rússia. Todos os dias de manhã, no Hotel Ukraina, o pequeno almoço era uma saga. Chegava o samovar com o chá e não havia chávenas lavadas. Chegavam as chávenas, não havia colheres. Chegavam as colheres e não havia chá outra vez. Os estrangeiros recém-chegados protestavam em vão. Os russos e os velhos habitantes do Hotel Ukraina, que já conheciam todas as rotinas, iam buscar chávenas à cozinha, acumulavam duas ou três chávenas em cima da mesa para armazenar o precioso chá, etc. Um amigo meu disse-me: “vais ver, ao quinto dia já estamos como eles, a ir buscar chá à cozinha, muito caladinhos”. Ao terceiro dia já íamos buscar chá à cozinha.

Não há nada como o hábito e como o sentimento de impotência para que se aceite tudo. Não há nada como a ecologia envolvente para se achar tudo normal. O resvalar contínuo para a mediocridade, o abaixamento dos requisitos mínimos, que antes juraríamos nunca aceitar. Que eram mesmo inimagináveis. Não, meus amigos, é na cozinha que está o chá, que estão as chávenas, que está o açúcar. É na cozinha. O que é que querem mais? Qualidade no serviço? Isso não é aqui. Nem no Hotel Rossya, do outro lado.

E à coerência...

E o nosso "primeiro" à coerência do discurso político, como o outro aos costumes, disse nada...

Para quê fingir que se reflectiu muito e que a decisão não está tomada, se não se reflectiu muito e a decisão já está tomada ?

O Zezinho das RGA's e o Paulinho das Feiras (bem como Pedrocas da Kapital) são as várias faces de uma e mesma moeda.

Sei que este blog não se destina a discutir questões nacionais, mas sinceramente não há pachorra para estes tipos e para os seus emissários cá no burgo.
vejam-se as apressadas reuniões partidárias locais e o zero de conteúdo ou originalidade das posições (não) tomadas para se ver a que estado chegou a nossa mediocridade.

quarta-feira, junho 23, 2004

21 razões para detestar os espanhóis e os seus aliados na nossa região - os moiteiros

1. A mania que eles têm de invadir-nos de 200 em 200 anos só para levarem nos cornos. Será masoquismo?!?
2. Tratado de Tordesilhas, em que eles ficaram com o ouro e a prata toda e nós com as mulatas e a caipirinha... pensando bem, o negócio até nem foi tão mal para nós porque, entretanto, o ouro e a prata acabaram-se.
3. As sevilhanas: que raio de gente com auto-estima se veste com vestidos às bolinhas tipo joaninha e saltita enquanto um parolo de cabelo oleoso geme como quem está com uma crise de hemorróidas?
4. Castilla la Macha, Estremadura e Andaluzia: todos eles desertos áridos e monótonos, mas sem camelos nem tipos de turbante para tirar fotos com os turistas.
5. O antigo costume espanhol de reclamarem para si terras às quais não têm direito (como Gibraltar, Ceuta, Olivença - que é nossa! - e as Canárias). Em contrapartida, esqueceram-se de levar a Moita.
6. Enrique Iglesias, y su magnifica verruga en la tromba.
7. A língua castelhana: esse prodígio da linguagem, em que seres humanos são capazes de emitir ruídos imitando perfeitamente o som de um cão a roer um osso.
8. Filipe I.
9. Filipe II.
10. Filipe III.
11. Os Seat, os piores automóveis que existem a oeste da Varsóvia. Boca chauvinista, a treinar diante do espelho: «Yo esborracho tu Seat Marbella com mi pujante UMM»!
12. A Guardía Civil (a GNR espanhola), e a sua mania de arrear porrada em políticos portugueses na fronteira: mesmo que eles estivessem a pedi-las, nos nossos políticos somos nós quem "molha a sopa".
13. Badajoz, a segunda cidade mais feia do mundo, a seguir a Ayamonte.
14. Os nomes que ostentam: quer queiram, quer não, Pilar é nome de uma viga de betão e Mercedes é tudo menos nome de mulher!
15. A mania que têm de se afirmarem como uma nação unida quando três quintos da população tem um ódio de morte a Espanha (já os moiteiros adoram-nos).
16. El Córte Inglés... Até eles tiveram vergonha da sua criação,pelo que não lhe chamaram "El Córte Español", optando por atirar as culpas a outro povo, totalmente inocente.
17. Café espanhol: uma zurrapa intragável e, além disso,para se conseguir uma bica em Espanha, o cliente tem que especificar expressamente que a quer «sin leche». E, à cautela, convirá também pedir sem Sonasol, sem gelo, sem pêlos do peito do empregado...
18. A riquíssima culinária espanhola: paella de carne, paella de peixe, paella de gambas... Claro que galegos, bascos e catalães têm uma culinária riquíssima, mas esses não são espanhóis (ver ponto 15).
19. O hábito cínico de nos tratarem por "nuestros hermanos". Aí o português deve, com ênfase, esclarecer: «Xô, bastardo! Vai prá p*** que te pariu».
20. A televisão espanhola: 100% parola, e onde é considerado top de audiências um concurso em que a corrente, chamada Mercedes (vrumm! vrumm!), tem que dançar sevilhanas (arrghh!) com o Enrique Iglesias (vómitos!) para ganhar um Seat (keep it!) ou um T2 em Ayamonte (nãaaaaaaaao!).
21. Já imaginando a contra-argumentação que alguns tentarão contra esta minha lista, devo lembrar que os filmes do Canal 18 NÃO são feitos em Espanha, nem por espanhóis. Vejam o genérico. São americanos e dobrados em espanhol porque os espanhóis ficariam logo murchos se ouvissem as senhoras a gemer noutra língua que não a sua.
Aliás, os espanhóis nunca foram muito dotados: sabiam que a DUREX comercializa em Portugal preservativos com uma média de 1 cm mais compridos do que aqueles que comercializa em Espanha?!? Agora, agradeçamos todos: «Obrigado D. Afonso Henriques, por nos teres
separado dessa raça, para que hoje possamos dizer, com orgulho, eu sou português (e alhosvedrense)!»

Apelo do Roldão Preto

Apelo !
Alhos Vedrenses chegou a hora da acção directa !
Vamos lutar contra o poder moiteiro com todas as nossas forças !
As razões do declínio e do estado desesperado a que chegou Alhos Vedros são todas culpa do poder moiteiro: a construção de fábricas e anexos de fábricas que destruiram toda a malha urbana de Alhos Vedros, para enriquecer o poder moiteiro, à custa do bem estar da população Alhos Vedrense são culpa do poder moiteiro, agora restam ruínas e um cenário tipo pós-guerra, mas não terminam aqui as agressões à nossa terra. Não ! O Cais Novo que se pretendia na sua construção ser um porto de transportes fluviais, foi logo em 1977 arrendado a uma empresa de desmantelamento de barcos que tem desde essa altura destruído toda essa zona ribeirinha de valor imenso a nível de flora e fauna ribeirinhas e também todas as salinas da Baixa da Banheira, que é para todos os efeitos zona vital de Alhos Vedros e como tal será anexada ao futuro concelho de Alhos Vedros
O Parque das Salinas é um mega projecto que não tem as
infraestruturas básicas necessárias para a sua existência, além de os esgotos correrem a céu aberto desembocando directamente no rio para gáudio das ratazanas do tamanho de coelhos que lá habitam...
É demasiado grande e a relva não tem nada a ver com a flora ribeirinha, e gasta imensas quantidades de água para ser regada e muita mão de obra de funcionários da Câmara da
Moita, que são pagos à custa de todos os Alhosvedrenses.
Basta ! Gritamos nós !
Abaixo o poder moiteiro ! Independência do concelho de Alhos Vedros !
Secessão !
Os moiteiros que se orientem sem Alhos Vedros, com as suas touradas e largadas e festas e morteiros, estamos fartos desta miséria vaidosa que são os moiteiros !
Nada nos une a esta sub-raça de bastardos amantes de espanha subservientes lacaios de sevilha e das sevilhanas, vamos acabar com eles !
Apelo ao povo de Alhos Vedros, gente orgulhosa do seu passado que boicote tudo o
que vier da Moita !
A palavra de ordem é :
- Fora que é da Moita !
Todos os caixotes do lixo que têm o brazão moiteiro têm de ser pintados por cima e deve-se escrever Alhos Vedros, o LIDL da moita não é da Moita pertence ao nobre território de Alhos Vedros, o Intermaché da Moita está dentro do
território de Alhos Vedros, a estação de comboios da Moita, será sempre Alhos Vedros B,
Vivam as Brigadas Restauracionistas de Alhos Vedros, se for preciso partiremos para a luta armada, e lutaremos até à morte contra o poder moiteiro que nos atrofia e não nos deixa respirar !
Viva Alhos Vedros !
Saudações Restauracionistas de Roldão Preto !


domingo, junho 20, 2004

Movimento "Moita para Espanha, Já"

Por mão amiga chegou-nos mais um dado importante para apoiar o movimento "Moita para Espanha, Já", o qual revela que este é um desejo que está a ser cuidadosamente preparado pelos moiteiros.
Com efeito, na Escola Básica do 2º e 3º Ciclo D. Pedro II já existe a disciplina de Espanhol (deveria ser Castelhano, mas enfim) a ser ensinada às criancinhas que o desejam.
Aprendido o idioma já se podem tornar Procunas e emigrarem para Espanha atrás dos touros. Não é por nada, mas porque é que não fazem cursos intensivos para adultos, de maneira a acelerar o processo de integração em Espanha ?
Depois, é só mais umas aulas de sevilhanas e uns colóquios sobre peñas e eles recebem-nos de braços abertos.
Olé !

sexta-feira, junho 18, 2004

António da Costa sobre a Tradição - Parte II

António da Costa volta a abordar a questão das tradições moiteiras, investindo de novo contra aqueles que defendem que o futuro do concelho está em fugir à frente de touros e novilhos pelas ruas da terreola.
Estes últimos dias é só cultura nos nossos posts.


A tradição já não é o que era !


Tendo começado um texto anterior sobre este tema com uma referência a Hobsbawm que se destacou, entre muitas outras áreas, pela sua análise do fenómeno nacionalista, começaria este com outro autor, politólogo, que também estudou o nacionalismo e as estratégias usadas pelos movimentos nacionalistas para se apropriarem daquilo que gostam de apresentar como as tradições imemoriais das comunidades humanas cujos direitos afirmam defender.
Ernest Gellner afirma, entre outras passagens deliciosas, que «os fragmentos e remendos culturais usados pelo nacionalismo são muitas vezes invenções históricas arbitrárias. Qualquer velho fragmento ou remendo teria servido na mesma. (...) O nacionalismo não é o que parece e, acima de tudo, não é o que parece para si mesmo. As culturas que reclama defender e reviver são muitas vezes invenções suas, ou são modificadas para além de qualquer reconhecimento» (Nations and Nationalism, 1983, p. 56).
Ocorreu-me esta passagem que tanto pode ser aplicada aos nacionalismos como a muitos regionalismos e localismos, a propósito de alguns argumentos usados recentemente por um defensor das tradições tauromáquicas da Moita que, inadvertida ou voluntariamente, acabou por confessar que as mesmas não passam de uma estratégia para que a Moita não seja apenas um dormitório na orla de Lisboa (Vitor P. Mendes, Jornal da Moita de 3 de Junho de 2004, p. 6), mesmo se as afirma tricentenárias (o que me parece de difícil prova) ou obra de «sucessivas gerações que persistiram num rumo cultural próprio, fortemente identitário».
O autor em causa baralha-se e tropeça um pouco na própria argumentação, pois embora reclame a ancestralidade da identidade cultural da Moita, acaba por declarar que a mesma acaba por não passar de um recurso actual para que os moiteiros afirmem a sua auto-estima (o que nunca me pareceu um problema de que padecessem após várias décadas de maravilhada observação da impedância e incontinência em particular das suas elites tauromáquicas e pseudo-intelectuais), à semelhança de Paços de Ferreira, Gondomar ou a Marinha Grande (apresentadas como capitais nacionais de diversas actividades económicas, o que não é bem o mesmo que fazer largadas em Maio e Setembro). Depois, embora se utilizem critérios de ancestralidade para defender as pretensões identitárias da Moita, consideram-se anacrónicas as pretensões alhosvedrenses de recuperação de um poder usurpado. Em primeiro lugar, essas pretensões têm raízes bem mais ancestrais que os touros na Moita e, em segundo, se tomarmos como critério de unidade administrativa «o querer viver com dignidade e criar os filhos em paz e numa terra de oportunidades» teremos de criar uma superestrutura transnacional para albergar todos o que o desejam, tornando-se obsoletos os concelhos. Para além de que qualificar a Moita e o seu concelho como «terra de oportunidades» suplanta em humor subliminar tudo o que Manuel Pedro escreveu no seu artigo sobre o Imposto Taurino.
Por outro lado, criticando também de forma sinuosa o Manuel Pedro, V.P.M. parece acreditar que quem critica as questões de touros na Moita é porque não conhece a coisa em si. Nada de mais errado, pelo menos na minha perspectiva, pois só conhecendo algo é que podemos saber se gostamos ou não. As expressões taurinas que usa como exemplos do que os pretensos leigos não seriam capazes de perceber são uma forma de pegar de cernelha o assunto, não sei se me faço entender.
Reagindo ainda de forma muito implícita a pretensões como as dos animadores do blog Alhos Vedros ao Poder (parece que uma reacção explícita não ficaria muito bem), V.P.M. considera anacrónicas as posições que criticam o poder actual da Moita e passa a questionar o que é Alhos Vedros neste momento. Ora bem, V.P.M. coloca aqui o dedo na ferida mas de forma distorcida porque a questão certa seria «No que tornaram Alhos Vedros?», pois Alhos Vedros não chegou ao que é por obra do acaso, mas sim por muita acção (moiteira) e inacção (alhosvedrense, por certo) que procurou apagar (a primeira) ou deixou desbaratar (a segunda) um passado e uma memória que mereciam melhor sorte.
A Moita é o que é (se é rica, não sei, pois sempre me pareceu querer ser mais do que é) graças a um poder que centralizou e não partilhou durante mais de um século, deixando definhar quem lhe poderia fazer frente em termos históricos e patrimoniais, mesmo se beneficiando da apatia de quem devia ter defendido os seus direitos mas preferiu calar-se ou aliar-se ao poder do momento. Pois, porque não podemos comparar a história de Alhos Vedros e o seu património com as identidades culturais (legítimas ou inventadas é questão em aberto) da Moita. Não nos esqueçamos que a autonomização da Moita em relação a Alhos Vedros (amputando o seu concelho) resultou da atribuição de mercês a um nobre poderoso e não de qualquer movimentação das suas populações. As discussões que marcaram o final do século XVII na zona são elucidativas sobre a perturbação que a divisão provocou, quebrando laços de solidariedade e cooperação económica que existiam e só se recompuseram de forma desiquilibrada em favor da Moita, graças às pressões do seu novo senhor.
Só para dar um exemplo do abandono a que está votado o património histórico da região, lembre-se que nos arquivos da CMM existem cerca de duas dezenas de livros de vereações de Alhos Vedros que permitem acompanhar a história do seu concelho desde, pelo menos, 1624 (se os não destruiram como muita da documentação da Misericórdia de Alhos Vedros, uma das primeiras dos país, deitada para o lixo no meio de restos de seringas usadas, algodão ensanguentado e outros detritos do hospital) até 1839 (o último livro que vai até 1855 estava pelo Barreiro há uns anos atrás). Infelizmente, ninguém se preocupou em transcrevê-los e publicá-los. Provavelmente porque os recursos económicos para publicações só existem se forem para revistas sobre tauromaquia.
Continuando com alguns exemplos de atitudes que, mais do que um atentado ao património são um ataque à mera inteligência humana, relembremos a ideia peregrina, de há uma década atrás, mais coisa menos coisa, de desmontar o pelourinho quinhentista de Alhos Vedros, com o pretexto que esta vila já não era sede de concelho, para o levar para a Moita. Será que o pelourinho do Estado Novo não chega ? Ou não transmitirá a dignidade histórica suficiente ?
Passando para outra área, da gestão do espaço urbano, lamentavelmente conduzida durante anos por um alhosvedrense seduzido pelo poder (político e económico, apesar da pretensa ortodoxia), quem foi que ao arrepio do então nóvel PDM aceitou construir enormes barracões por Alhos Vedros, em nome de um desenvolvimento económico de que hoje restam apenas as carcaças ? Porventura na Moita foram aceites tais desmandos ? Quem concebeu para Alhos Vedros um plano urbanístico que apenas obedece a interesses privados, dando autorização à construção de blocos de apartamentos ao sabor do momento e sem qualquer tipo de qualidade arquitectónica ?
Qual foi o poder que nunca deu um passo institucional para recuperar, em termos de preservação do património de uma forma capaz, o eixo histórico de Alhos Vedros, desde a Igreja até à cadeia medieval, passando pelo Largo do Pelourinho e Misericórdia, assim como o largo do chamado Cais Velho ? Alguém acha que é um parque com charcos de água estagnada e uns arbustos a tapar o cadáver da Gefa que resolvem o assunto ?
E quem foi que deixou toda a zona ribeirinha, de salinas, moinhos de maré e sapal, de Alhos Vedros à disposição de quem tem toda a qualidade de monos (pneus, frigoríficos, etc) para se livrar ?
Realmente, só resta rir de tudo isto, pois é o que nos resta depois de 30 anos de poder autárquico democrático, incapaz de inverter as décadas anteriores de poder salazarista.
Há mais de 15 anos, ao falar com António Nabais, um investigador de património local da Margem Sul, ele dizia-me que a sorte de Alhos Vedros era ter ficado esquecida no meio dos desmandos que se viam no urbanismo da zona. O problema é que, para além de esquecida, Alhos Vedros foi asfixiada e, quando se lembraram, foi para começar a destruir, ou ajudar a cair, o que restava.
Caiu o cinema ? Ceda-se às pressões imobiliárias e façam-se apartamentos e lojas dos 300 !
A velha cadeia está em ruínas ? O que querem, são apenas pedras velhas !
Os barracões das velhas indústrias da cortiça já caíram ? Coragem porque ainda há os barracões das indústrias têxteis para saquear e cair !
É verdade que o mais triste de tudo foi que boa parte dos alhosvedrenses com alguma iniciativa, quando não decidiram fazer carreira nas nomenklaturas partidárias do establishment, convertendo-se à inanidade das práticas correntes, foram-se embora da freguesia, entre a tristeza e a necessidade. Agora, não sei se é tarde mas, pelo menos, alguém que tenha a vontade e o ânimo de escrever o que muitos pensa(ra)m mas não tiveram a coragem de afirmar publicamente, por apatia, conveniência, sei lá. E não venham com a história que só nos conhecem o nome e etc, porque quando mostrámos a cara e inquirimos os responsáveis, não nos responderam ou nos trataram como irresponsáveis opositores ao desenvolvimento local (leia-se, da Moita).
Se tenho lágrimas ? Tenho ! Por isso é que preciso de rir, porque, caso contrário, é difícil suportar tanta estupidez junta. Aliás, há quem diga que o humor, como sinal de inteligência reflexiva e auto-crítica, é o que nos distingue entre os animais. Há quem o tenha, há quem o não consiga ter.

António da Costa
(editor cultural do blog www.alhosvedrosaopoder.blogspot.com)
Junho de 2004

quarta-feira, junho 16, 2004

Colaboração de José Silva - Regresso em grande

O nosso colaborador José Silva voltou e decidiu (provavelmente para prazer do nosso leitor Titta Maurício) atirar-se com força aos jovens socialistas locais.
Leiamo-lo e rejubilemos.

O cosmopolitismo das jovens esperanças partidárias locais – o caso do PS
Eu tinha prometido aos meus amigos do blog Alhos Vedros ao Poder contribuir com um texto sobre o aparente cosmopolitismo de alguns jovens vultos do PS local mas, ao começar a escrever o texto, apeteceu-me alargar o seu alcance.
Na verdade, comecei a pensar que a adesão dos jovens aos partidos é um bocado como a simpatia pelos clubes de futebol: é tanto maior quanto o sucesso da equipa. Sem o sucesso do Porto desde finais dos anos 70 era impensável haver um número razoável de miúdos adeptos do Porto abaixo do Mondego nos anos 90. Assim como a atracção do Sporting diminuiu muito para a juventude no mesmo período.
Com as “jotas” dos partidos passa-se um bocado o mesmo. Só que é necessário considerar duas variáveis, a do sucesso a nível nacional (domínio do aparelho estatal central) e a do sucesso a nível local (domínio do aparelho autárquico)
Diz-me o meu irmão, já entrado nos 40, que no tempo dele (década de 70, após o 25 de Abril) na Moita e em Alhos Vedros só havia duas ou três hipóteses: a malta era do PC, da UDP ou do MRPP, quanto mais à esquerda melhor. O PS era de direita e o resto nem abria pio. Com o tempo, os do MRPP passaram-se quase em bloco para o PSD, os da UDP ficaram na mesma (agora estão no Bloco, mas mais velhos) e os do PC alaparam-se às vantagens do poder local (um até já chegou a Presidente da Câmara).
Quando a nível nacional os ventos mudaram, assim se foram mudando as vontades e crenças de alguns (muitos!!!).
No meu tempo, fim de anos 80 e primeira metade de 90, assisti por cá e em Lisboa a fenómenos muito giros. Primeiro, tudo alaranjou; a seguir, tudo rosou. Agora, mais para o fim, tem sido a febre do Bloco de Esquerda, que ninguém percebe ser uma estrutura para os velhos mais velhos e empedernidos herdeiros dos anos 60, sempre ávidos de poder, captarem a juventude tenra e inocente (estes não comem crianças, mas gostam de jovens).
Como a nível local, o PC foi resistindo, os dilemas dos jovens do concelho da Moita foram muitos porque, se queriam vantagens imediatas a nível local, deviam permanecer em domínios tradicionais (no PC), enquanto se pretendiam carreiras mais promissoras a médio/longo prazo as apostas tinham que ser outras. A JSD teve o seu período áureo a meio do cavaquismo e muito foi o menino que se governou; quando a laranja começou a apodrecer, foi ver a migração juvenil (e não só, pois os seniores já foram jovens e sabem como as coisas se fazem) para o PS. Cá no concelho, com o avanço eleitoral dos socialistas, foi um ver se te avias de jovens a descobrirem a sua vocação socialista, versão guterrista, tudo a salivar pela hipótese de um sucesso, mesmo que à tangente, como no Barreiro.
Como a viragem nacional para o PSD foi muito rápida, e ainda está trémula, é mais seguro o pessoal apostar na rosinha e tentar dar nas vistas nas estruturas locais do PS.
Vem isto tudo a propósito de alguns textos que surgem na imprensa local de jovens activistas partidários de um socialismo que eu gostaria que me soubessem dizer qual é (o dos livros que o Soares pai guardou na gaveta e agora desenterrou ? o guterrista, versão católica ? o soarista júnior, que ninguém percebe ? o do Ferro, que tem inveja de não ser bloquista ? o da esperança pragmática do tacho local ?), que produzem aquele tipo de texto redondo, que não vai dar a lado nenhum, mas que satisfaz muito o ego por se ver a cara estampada nas páginas de um jornal (ou o que por vezes passa por isso) ou o nome impresso em letra de forma.
Com efeito, o discurso de alguns dos “jovens” actuais é muito pobrezinho pois, à falta de conhecimentos ou convicções, restam os lugares comuns ou as tácticas do momento com vista a alcançar ou manter o poder. Ou se refugiam em banalidades vagas de carácter geral (supostamente sobre o mundo), ou em banalidades vagas de carácter particular (supostamente sobre o concelho).
Vem tudo isto a propósito da leitura de dois textos de uma jovem luminária socialista do concelho que padece do chamado vazio de ideias coberto de muita conversa fiada com floreados inúteis ou redundantes.
Embora não goste de fazer acusações às pessoas, mas aos percursos ou às ideias, não posso deixar de identificar o jovem (é da minha geração, pelo que isto não se trata de paternalismo) Hélder Pinhão como um destes activistas políticos locais que com muita pretensão nada trazem de novo ao debate. No texto “Concelho da Moita – Uma responsabilidade de todos” (O Rio nº 153), HP perora sobre o oportunismo político das obras e publicações da Câmara Municipal da Moita. Ora bem, o caríssimo terá razão, mas nada disso é novo e até tem barbas brancas, para além de que está por provar que os socialistas sejam melhores, a avaliar por muitos exemplos de autarcas socialistas com a camarada Edite à cabeça, condenada por aproveitamento indevido de publicações autárquicas para fins eleitoralistas, seguida da camarada Fátima (em fuga aos tribunais), do camarada Abílio (preso no momento em que escrevo e me lêem) ou dos camaradas Narciso e Manuel (prontos para formar milícias de peixeiras em Matosinhos). Por isso, estas superioridades morais de quem tem o rabo mais que preso não ficam lá muito bem, mas sempre se pode tomar a coisa por ignorância da juventude ou falta de leitura da imprensa nacional.
Quanto ao texto “As Europeias” (Jornal da Moita nº 209), em que o jovem já se assina como “autarca” (bela profissão) entramos já no domínio da pura exibição do lugar-comum mais rematado sobre temas de dimensão nacional. Não sei se a publicação destes textos dá créditos para a subida nas estruturas partidárias, mas é o que parece. A defesa da imagem do cartão amarelo ao governo é feita com uma subtileza e uma riqueza argumentativas ímpares, conseguindo-se em poucos parágrafos uma acumulação de clichés que o Jorge Coelho ou o João Soares, apesar da prática, teriam alguma dificuldade em igualar. Populações espoliadas, pânico dos agentes económicos, falta de sensibilidade social, expectativa do ser humano, obsessão do défice, hipotecar a saúde, são tudo mimos que, mesmo que referindo-se a realidades, podiam ser menos rasteiros e óbvios. Por uma vez, podia-se tentar a via da originalidade, sei lá, de uma ideia própria que não papagueasse a cartilha. Enfim, é o que se pode arranjar nos tempos que correm.
Se o último governo do Guterres e este do Durão é o que se arranja para governar o país nos dois maiores partidos do sistema (mais o PP), o que se poderá exigir das esperanças autárquicas locais ?
Então o parágrafo final, de crítica à CDU, é um outro espectáculo do que estas esperanças socialistas consideram ser discurso de combate político

Nota final: Já repararam que não há líder da JS que algures antes dos 30 anos não se passe para o Parlamento Europeu, como estratégia para governar a vidinha ? Ele foi o Tó Zé Seguro (já é quase um veterano, esta jovem ex-esperança), ele foi o Sérgio Sousa Pinto (aquele empertigadote que parece querer assumir a herança do Marocas), ela é a Djamila Madeira (que bem gritou até ficar em lugar elegível). Só não me lembro se foi o Sócrates, mas de calhar apenas foi a excepção que confirma a regra.

José Silva

segunda-feira, junho 14, 2004

Eleições - comentário

De acordo com os resultados, o pessoal em Alhos Vedros foi votar acima da média do concelho, pois votaram 41,17% dos inscritos na freguesia contra 38,57% no concelho.
Poderia fazer comentários sobre o elevado civismo dos alhosvedrenses, mas eu também me abstive, o que contribuiu decisivamente para que o MPT descesse de 27 para 25 votos em relação a 1999.
Mas, confessemo-lo, estava calor e tinham-me convidado para uma caracolada.
Para além disso, o Roldão Preto e Manuel Pedro não param de dizer que temos que formar o Partido Restauracionista Alhosvedrense (ou algo parecido) e votar em outro partido era coisa que cheirava a adultério pré-conjugal. E, para votar em branco ou fazer um boneco malcriado no boletim, preferi ficar sossegado.
Só gostava de saber quem são os 7 resistentes do POUS, os 8 açorianos distraídos do PDA ou os 15 neo-fascistas do PNR. Quanto ao resto, a coisa tá perigosa pois o Bloco de Esquerda ficou a menos de 90 votos da Força Portugal. Mesmo com aquele desdobrável em que diziam que eram eles que batiam mais forte e depois mostravam fotos de prisioneiros iraquianos é uma proeza. Quanto ao resto, rosinhas xuxalistas e vermelhuscos andaram taco a taco. A coisa promete para as autárquicas. Para finalizar, nada como assinalar o crescimento dos amigos do Leonel Coelho (vulgo PCTP/MRPP, e quem souber o significado completo da sigla sem erros ganha uma senha para a Feira do Livro)que subiram de 102 para 104 desde 1999 (os votos foram 103 e 105, mas penso que ele também votou).

Eleições - Serviço Público

Pronto, as eleições já acabaram. Se quiserem ver os resultados em Alhos Vedros, sigam o link.

sexta-feira, junho 11, 2004

Novidades

Anuncia-se para breve o regresso do José Silva ao nosso blog com um texto sobre o "cosmopolitismo xuxalista", o qual versa, como deveis calcular, as pretensões que alguns adeptos socialistas da região têm de grande cosmopolitismo intelectual.
Não é para aguçar a curiosidade, mas a coisa adivinha-se verrinosa.

quinta-feira, junho 10, 2004

Há tradições e tradições

Na Moita a tradição em Maio é andar-se atrás ou à frente de touros +pelas ruas da terra.
Em Alhos Vedros a tradição é comprarem-se livros na Feira do Livro da Academia, pobrezinha, mas honrada.
Há tradições e tradições.

segunda-feira, junho 07, 2004

Figuras Desprezíveis e Louváveis, parte II

Saudações Restauracionistas de Roldão Preto !

Figuras Desprezíveis: Vitor Cabral (o rei camaleão)

A ascensão política de Vitor Cabral, presidente da SFRUA de Alhos Vedros (A Velhinha) deve-se à sua grande capacidade de mudar de cor, consoante se mudam
os tempos. Começou no PSD, que o designou nos princípios da década de 90 do século 20 como cabeça de lista para a junta de freguesia de Alhos Vedros.
O vento mudou... e ele mudou...
Quando entra Guterres e o País parecia ter ficado todo rosa, Vitor Cabral acompanha a evolução dos tempos e torna-se "XuXaLista".
Nas últimas eleições autárquicas dá a cara pelo PS, mas consta que também sondou a CDU para um possivel lugarzinho de vereador, porque os tempos começaram a correr mal para o PS...
Com quase todo o espectro político esgotado, agora só resta a Vitor Cabral o BE o PP e o MRPP, mas esse em Alhos Vedros já tem um rei...
Resta a Vitor Cabral esperar que O PS local ganhe as próximas eleições autárquicas, o que se aparenta tarefa difícil por estar minado com tantas contradições e aliado ao facto de se prever a médio prazo, o aparecimento de uma lista restauracionista, para a independência do Concelho de Alhos Vedros.

Figuras Louváveis: Manuel Tavares (um amigo do mar)

Por vezes há nortadas do lado de Palmela, diz o Manuel Tavares a rir, esta atitude perante o rídiculo da vida aliada ao conhecimento das artes do mar,fazem deste senhor um verdadeiro patriarca do cais de Alhos Vedros.
Quando passamos pelo cais de Alhos Vedros, sempre nos deparamos com este indivíduo.
Sempre descalço, os seus pés são uma ferramenta dura e robusta, diz-se no cais que quando ele calça sapatos, estes têm tendência a rebentar.
A ironia perante as adversidades é uma arma que só os sábios possuem, a capacidade de sabermos rir de nós própios é para alguns uma questão de sobrevivência.
O poder da actuação !
A teoria é nada, a acção é tudo !
Manuel Tavares busca o espírito de entreajuda entre os utentes de barcos típicos em Alhos Vedros.
Quem no cais velho nunca pediu ao Manuel Tavares que abrisse uma vela que apanhasse um cabo...
O desenrolar dum cabo é coisa digna de ser vista...Quando o Manuel o faz.

A constante vida ribeirinha.

As fases de desenvolvimento do MODECOCA

Este texto destina-se a aprofundar a análise inicial, superficial, daquilo que entendo por MODECOCA – Modelo de Desenvolvimento Económico do Cafezinho.
Como em outros objectos de estudo das ciências económicas e sociais, também o MODECOCA se caracteriza por alguma complexidade conceptual, sendo necessário distinguir as suas diversas fases, à semelhança da industrialização ou mesmo dos modos de produção.
Nesta perspectiva, o MODECOCA caracteriza-se por três fases de desenvolvimento, num sentido ascendente de sofisticação mas que podem coexistir no tempo, em diferentes espaços, ou numa mesma unidade de espaço, conforme adiante veremos.
O MODECOCA I corresponde à fase inicial do processo em que o cafezinho/bica é servido na sua formulação mais básica, com chaveninha, colher e embalagem de açúcar, servindo para suprir as necessidades mais básicas do consumidor, o qual se caracteriza, por sua vez, por alguma simplicidade, quando não rusticidade. Este consumidor, quando regular, pode completar a sua bica com a leitura dos principais títulos de A Bola ou Record (homens) ou da TV 7Dias, Nova Gente ou 24 Horas, quando disponíveis em cima de uma das mesas do estabelecimento, seguindo-se comentário em voz alta com os(as) acompanhantes, bem como o sacramental cigarrinho que se aprendeu a fumar na saída da infância, início da adolescência quando isso era sinal de se ser “fixe”. Em alguns casos, com destaque para os meses do ano com temperatura média acima dos 20 graus tende a aparecer de calção, t-shirt ou camisola de cavas e sandalocha (homens) ou então com calça de lycra coleante de cor viva, maquilhagem generosa e cabeleira (quase legítima) loura (senhoras). É esta a fase dominante, se não exclusiva, em Alhos Vedros.
O MODECOCA II, fase seguinte, surge com o início da sofisticação do serviço: já se oferece um chocolatinho com o café e, por vezes, existe um recipiente com pauzinhos de canela para mexe o líquido, assim lhe transmitindo um aroma mais rico. O consumidor regular que escolhe este serviço já tem pretensões mais cosmopolitas e, para além da imprensa fornecida pelo estabelecimento, chega mesmo a comprar um jornal ou revista que leva para ler, ou mostrar que lê, em especial ao fim de semana. O Correio da Manhã é uma opção, chegando-se mesmo a ousar o Diário de Notícias. As senhoras optam pela Caras, Lux ou Vip. O calção e a sandalocha já rareiam, mas o gel azeiteiro espreita à esquina de braço dado com os óculos escuros, mesmo em dia de nevoeiro. Contam-me que em alguns locais da Moita esta fase já chegou, demonstrando a faceta cosmopolita da urbe.
O MODECOCA III, por fim, já é uma fase de grande desenvolvimento e sofisticação do modelo, pois acarreta o serviço de variantes complexas da velha bica, como o capuccino, mokaccino ou mesmo, delírio total, um irish coffee. Esta é uma fase ainda só atingida em bolsas espaciais diminutas, e fora dos limites do concelho da Moita, sendo necessária a deslocação a centros comerciais das redondezas. Aqui o público é claramente mais cosmopolita, pois já consomem o Público e o Expresso (as senhoras arriscam uma Máxima, uma Holla em castelhano), conheceram o interior de um cinema já neste milénio e sabem que a FNAC já não é uma marca de ares condicionados. O gel impera, em camadas generosas, o óculinho escuro é de marca de renome e, no caso do belo sexo, a indumentária procura mimetizar o estilo jovem e fresco de Cinha Jardim ou mesmo da astróloga Maya. O porte é altivo e a atitude de domínio. Já se conduz apenas carro de marca alemã, e turbodiesel, estacionado em diagonal no espaço reservado aos deficientes ou às motas. Encontramo-nos, portanto, já na fase final da evolução, no topo da pirâmide social suburbana. Em Alhos Vedros, esta fase é apenas uma miragem (só mesmo para estrangeirados) e, no conjunto do concelho, um objectivo a alcançar em duas gerações. Por enquanto, resta ir a um estabelecimento de um qualquer Fórum da Margem Sul ou ousar atravessar o rio e visitar Lisboa.

António da Costa, 6 de Junho de 2004

domingo, junho 06, 2004

Comentários breves

No último nº de O Rio o Carlos Vardasca bate no Titta Maurício com um texto que segue em muito a lógica da nossa réplica neste blog ao texto de TM sobre o 25 de Abril.
Das duas uma, ou o Carlos anda numa linha de raciocínio muito próxima da nossa (o que é possível) ou então recebeu inspiração na leitura do nosso blog (também é possível).
Não é que a primeira hipótese não seja razoável mas, no caso da segunda, aceitamos que prá próxima nos dê um pequeno creditozinho.

Quanto ao Jornal da Moita contém um texto do antropólogo Vitor P. Mendes que pretende responder em parte ao Manuel Pedro e, não sabemos, ao texto que já tinha sido publicado aqui pelo António da Costa e entregue para publicação n'O Rio. A análise ao texto em causa não nos cumpre, pois o A.C. é que está a preparar a coisa, mas desde já se sublinha que, na palavra de um seu defensor, a tradição taurina da Moita é uma forma de a terra não ser apenas um dormitório de Lisboa. Agora sabemos que é um dormitório, mas com touros à solta duas vezes por ano.
Boa onda, como diria o Unas.

Por fim, o nosso fotoblog está com mais umas imagens que valerá a pena ver.

sexta-feira, junho 04, 2004

Brigado, brigado

O nosso leitor Guerreiro (não confundir com Luís Guerreiro, o azulejista que há umas semanas nos enviou colaboração)faz-nos um elogio e chama a atenção para outro dos escândalos que há anos marca Alhos Vedros, ou seja, o desparecimento do campo de jogos do CRI com justificações mais do que insatisfatórias.


Desporto em Alhos Vedros

FINALMENTE, alguma coisa boa para Alhos Vedros(este blog), espero que continuem, não parem por favor. Gostaria de felicitá-los por isso.

O que se passa com o desporto a nivel do concelho da Moita é outra vergonha. Porque continua o C.R.I.(www.cri.web.pt) sem ajuda para o campo de jogos, aquele que foi aprovado há anos e que não avança nem por nada.
Neste ultimos tempos, já avançaram o complexo desportivo de Sarilhos Pequenos, o Campo de jogos do Moitense, o Campo do Banheirense e um projecto no Vale da Amoreira. Todos esses apareceram depois do CRI.
Será que se esqueceram de Alhos Vedros?


Cumprimentos

Guerreiro

quinta-feira, junho 03, 2004

Não esquecer

Para colaborações e protestos aqui vai o nosso endereço avedros@clix.pt.
Ultimamente a caixa anda cheia, mas mais de metade são mensagens com vírus. Anda para aí moiteiro rebarbado a tentar vingar-se.

Salsaparrilha ao Poder

Na sequência do que se passa com os novos matadores moiteiros, também nós vamos iniciar o nosso movimento para que novos matadores, neste caso alhosvedrenses, consigam a alternativa.
Vamos começar pelo apoio a Salsaparrilha, o nosso melhor matador de moscas. Irá correr uma petição para juntar fundos para que ele faça uma viagem de estudo e trabalho a uma zona tropical em África ou na América Latina onde consta que existem as maiores moscas do planeta, para que ele se exercite, treine e aperfeiçoe.
Na calha, está ainda Coroconita, jovem de 10 anos que já revela imenso potencial como matador de pulgas, outra especialidade que carece do devido reconhecimento e apoio oficial.

Justiça seja feita

O jornal «O Rio» publicou, enfim, o texto do nosso colaborador António da Costa sobre as tradições tauromáquicas moiteiras.
Bem haja ao director, sr. Brito Apolónia, pela coragem.

terça-feira, junho 01, 2004

A bica como motor do desenvolvimento local

Embora não seja caso único, Alhos Vedros é um exemplo daquilo a que se pode chamar (e deveria ser objecto de estudo académico) com propriedade o modelo de desenvolvimento económico da bica.
Esclareçamos, desde já, o conceito. Por modelo de desenvolvimento económico da bica/cafezinho (MODECOCA) designo o modelo em que a economia de uma zona (localidade, concelho, região, país) assenta no comércio do cafezinho servido em chaveninha, com pires por baixo, colherinha e pacotinho de açúcar, incluindo nos estádios de maior avanço o pauzinho de canela e um chocolatinho como brinde (em Alhos Vedros ainda não chegou a esta fase). Na fase final do desenvolvimento, inclui-se a hipótese do comércio de capuccino, mokaccino e afins.
Nas zonas em que o MODECOCA se inscreve e se torna o motor da economia, todos os sectores tradicionais da economia faliram: a agricultura desapareceu, a indústria faliu e o comércio e os serviços definham.
Como é fácil constatar para quem vive em Alhos Vedros há algumas décadas, este é o retrato perfeito do panorama económico alhosvedrense sob dominação moiteira.
A agricultura não existe, por muito que brade aos céus um vereador contra a PAC. Existe alguma produção de palha em terrenos meios deixados ao abandono, mas isso não conta. Ao contrário de outros concelhos com zonas rurais e com potencial agrícola, no concelho da Moita só se cultivam urbanizações.
A indústria faliu nos seus principais sectores, a cortiça, por definhamento, os têxteis, por ganância patronal e irresponsabilidade/incompetência política. Depois da fase em que se instalaram em velhos armazéns (origens da GEFA, BORE, HELLY-HANSEN, para não designar as várias mutações que assumiu a Lander), chegou a da expansão em enormes edifícios pré-fabricados de mau gosto, inscritos em zonas habitacionais contra quaisquer padrões urbanísticos (a centopia disforme que se tornou a Helly-Hansen) ou que deviam ser protegidas em termos de paisagem (a GEFA/GUSTON quase engoliu a beira-rio junto ao Cais e a Igreja). Acredito que alguém ganhou com o negócio e as autorizações dadas para a expansão à custa de subsídios comunitários. Quem lá trabalhou nesta fase, ganhou menos do que mereceria pelas condições em que fez esse trabalho. Depois, vieram as pseudo-falências e fechos justificados com as consequências da globalização da economia e a deslocalização das empresas. Nada que não se pudesse antecipar e que deveria ter aberto os olhos dos autarcas moiteiros (a começar pelos alhosvedrenses assimilados pelo poder), mas que foi ignorado em nome de “interesses”, de quem em concreto não se pode dizer, por causa dos processos judiciais. Agora restam “monos” esventrados a grande escala para recordar esses tempos áureos em que a CEE pagou muito carrinho novo e lubrificou, rejuvenescendo, algumas contas bancárias. Entre-se do lado da Moita (Helly-Hansen), do Barreiro (Corticeira Ibérica, Gefa) ou circule-se pela terra (Bore, velhos barracões das corticeiras) temos direito a visões semelhantes às de uma povoação abandonada após uma qualquer guerra; aliás, se seguirmos do Barreiro ou do Vale da Amoreira para a Moita pela estrada, o que mais se vê da terra são ruínas.
O terciário, por seu lado, nunca passou da cepa-torta, cada vez mais torta com a concorrência banheirense nos anos 70 e das grandes superfícies desde fins de 80. À semelhança de Portugal no mercado global, também o mercado interno de Alhos Vedros não chega para manter um comércio próspero, sendo nulo o seu potencial de atracção para as populações circundantes.
Ficámos, por isso, reduzidos aos numerosos cafezinhos de esquina e vão de escada, agora em que até as tradicionais tascas se tornaram relíquias da memória.
Com poder económico baixo e margens para gastos curtas, mas muita vontade de não fazer nada de útil, falar do irrelevante, roçar o traseiro por cadeiras alheias, mirar e ser mirado(a) pela vizinhança, o(a) alhosvedrense típico(a) aderiu ao modelo de comportamento da modernidade suburbana, migrando para os cafés em diversos períodos do dia, de manhãzinha («é para acordar, que eu sem um cafezinho não faço nada»), a seguir à refeição («é para a digestão») ou em qualquer outra parte do dia/noite («é para espairecer um bocadinho»).
Assim nasceu e se expandiu o MODECOCA, fonte da única actividade económica que nas últimas décadas se expandiu em Alhos Vedros e parece capaz de resistir, mesmo que com crises ocasionais, à transição para o novo milénio.
Um modelo secundário (o MODECOCERTRE – Modelo de desenvolvimento económico da cerveja e tremoço), para além de ser mais difícil de pronunciar tem uma natureza mais sazonal e um potencial menor de crescimento pois, mesmo que existam heróis que começam um dia com a “bejeca e tramoço” e cada vez mais mulheres alinhem, o seu período forte está associado ao aumento da temperatura, à época dos caracóis e ao período vespertino. É um bom complemento ao MODECOCA mas não tem condições para o substituir.

Em texto(s) posterior(es), aprofundaremos algumas destas questões que, como dissemos, deveriam merecer estudo académico, da teoria económica à psicologia, não esquecendo a antropologia e a sociologia.

António da Costa, aos 31 dias de Maio do ano da graça (graçola !) de 2004

sábado, maio 29, 2004

Quintas ao abandono

Antecipando o texto do nosso colaborador António da Costa sobre o fracasso do desenvolvimento de Alhos Vedros e do abandono a que é votada a freguesia em termos económicos, começamos no nosso fotoblog a divulgar a reportagem fotográfica feita a propósito.
Mais tardeseguir-se-ão imagens das carcaças industriais que estão a apodrecer por Alhos Vedros.

terça-feira, maio 25, 2004

Ide ao fotoblog e não vos arrependereis

O nosso fotoblog está enriquecido com novas e belas imagens do interior (as águas estagnadas em forma de charcos) e do exterior (a bela ruína industrial) do grandioso Parque de Alhos Vedros.
Ide e deleitai-vos.

segunda-feira, maio 24, 2004

Crónicas do Cótidiano - Moiteiro in the bush

Sábado ao cair da tarde.
Estrada Moita-Palmela.
Trânsito interrompido.
Reboque atravessado na estrada.
O que se passa ? O que se passa?
Nada de mais.
Apenas o que acontece todos os anos com jovens moiteiros, por ocasião das festas de Maio ou Setembro.
Muita água gaseificada (aqui são todos abstémios). Muita habilidade para a condução (aqui ninguém comprou cartas de condução com envelopinhos).
Carrinho enfiado nos arbustos em plena recta, sem mais ninguém à vista.
Boa onda.
E viva a fe’ta.

sábado, maio 22, 2004

TM reage a quente

Titta Maurício parece ter percebido que não queríamos mais a sua colaboração. Não é o caso. Apenas gostaríamos que debatesse ou apresentasse ideias sobre o concelho de Alhos Vedros/Moita. Mas, aqui vai aquilo que parece ser a sua última palavra. Se não for, cá estamos nós sempre para publicar.



Pois, pois... comprendi-vos!!!
Envio um ou dois comentários após mais de mês e meio de silêncio para um blog que, no entretanto, na minha ausência,... "fervihou" de posts e comentários. Foram tantos os comentários de leitores que presumo hajam recebido queixas por excesso de uso de espaço virtual! A internet ficou engarrafada tal a colaboração enviada... mas, a vida é assim!
Esclareça-se que o alvo não são só os autores deste blog!

Fica então esta como última palavra! Agradeço que me a haja concedido! Não respondo porque seria abusar da elegância e da oportunidade encerrar um debate do qual não me arrependo de ter participado.
Daí que o comentário que enviarei como resposta ao seu comentário peço-lhe que a entenda como correspondência privada... se não se incomodar, eu não me importarei de dialogar e-epistolarmente consigo!

Quantos aos outros, neófitos (e que bem aplaudo queiram preservar...), fiquem com eles... virei cá de vez em quando... só para apreciar a produção!

Bem hajam, boa sorte e disponham sempre,
João Titta Maurício

sexta-feira, maio 21, 2004

Post muito pretensioso para responder a TM

Sei que faça o que fizer, serei obrigado a dar a TM a última palavra pois, caso contrário, ele continuará sempre a desafiar-nos a paciência.
O seu último texto fez com que perdesse a vontade lhe explicar algumas coisas básicas que, no fundo, ele saberá mas que por questões de estratégia política faz por ignorar.
TM parece confundir estridência (daí aqueles textos com maiúsculas a substituir o volume da voz) com veemência. Os desafios para a arena de luta – os constantes ziguezagues acusatórios quanto à nossa e minha afinidade partidária, as provocações quanto à identidade, etc, etc – são um pouco cansativos e, por isso começam a desmotivar as respostas (será, talvez, esse um dos seus objectivos). Não é possível argumentar com quem traz as respostas feitas e camufla com o nome de questões o que são afirmações.
Para além disso, este não é um blog destinado a discutir questões de âmbito nacional ou estritamente de luta partidária. Não cabe aqui ilustrá-lo sobre as origens revolução/golpe de estado/whatever de 25 de Abril de 1974 ou da democratização portuguesa na segunda metade dos anos 70, os seus protagonistas, acções ou intenções.
Não faz parte deste blog explicar-lhe a minha cosmovisão nem endereçá-lo para textos meus em outros espaços, como faz com os seus no Diário Digital. Não sendo este blog um projecto pessoal, mas a emanação de um conjunto de vontades que se confederaram para o construir num espírito de constestação às práticas locais, não me compete dirigi-lo para o meu blog pessoal.
Talvez o faça, apenas se achar que esta discussão se começa a personalizar em excesso e que começa a obstruir os objectivos originais do blog e os meus colegas (o Roldão Preto já não quer ouvir falar em si e começam a chegar alguns mails a protestar com esta monopolização do discurso).
Por isso, ficarei por algumas notas avulsas de carácter mais letrado, para o descansar quanto ao volume e profundidade das minhas leituras nas áreas que mais o interessam.
Quanto a definições políticas, a seguir Norberto Bobbio que distingue a esquerda e a direita tendo como base a crença na (necessária) igualdade entre os homens (a esquerda professá-la-ia e agiria para a implementar, enquanto a direita estaria conformada com a desigualdade existente, tendo-a como natural), se calhar sou mesmo de direita. Aliás, cada vez que leio algo sobre as questões da igualdade – John Kekes publicou recentemente um óptimo livro sobre o assunto com o título “The Illusions of Egalitarianism” (Cornell University Press, 2003), bem como o volume editado por Tibor Machan sobre “Liberty and Equality” em 2002 na Hoover Institution Press é excelente para analisar as fronteiras entre liberdade e igualdade e o que são os erros do igualitarismo (e está disponível na net) – fico com a sensação que sou um reaccionário empedernido. No entanto, quando leio coisas como as da nossa direita actual, sinto-me logo esquerdista. Então as do actual CDS, nem se fala. A começar pelo Pires de Lima Jr., distinto porta-voz da agremiação.
Li pouco Marx, porventura. Mas acho-o um bom autor e as suas teses são extremamente interessantes para compreender o mundo até à II Guerra Mundial. A partir daí explicam muito pouco e, entre apaniguados e adversários, era melhor que se conformassem a encará-lo como um autor decisivo no seu contexto histórico. As apropriações posteriores pelo leninismo e outros “ismos” do que escreveu Marx e as suas pretensas aplicações práticas são outra coisa com a qual não me preocupo muito. O seu tempo passou.
Mas, para quem gosta do tema e seus desenvolvimentos, podem sempre ler-se obras de referência: olhe, tem o acessível “100 anos de Socialismo” de Donald Sassoon no Círculo de Leitores ou, para os afrancesados, de Michel Dreyfus “L’Europe des Socialistes” (Editions Complexe, 1991) e de Jean-François Revel o fortíssimo texto crítico do comunismo “La Grande Parade – Essai sur la survie de l’utopie socialiste” (Plon, 2000).
O meu relativo desinteresse por Marx terá muito a ver com a precoce leitura de Max Weber, autor bem mais universal nas suas análises: “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” só faz bem e depois tente achar uma edição de escritos de Weber (em Portugal é pouco e mal publicado) como os dois volumes de “Économie et Société” da Plon.
Já agora, para dar consistência à critica do marxismo enquanto filosofia da História leia “The Poverty of Historicism” de Karl Popper e, já agora, o que puder apanhar dele (“A Sociedade Aberta e os seus Inimigos” entre outros com tradução portuguesa), mas evite os pedantismos do João Carlos Espada, o apóstolo popperiano para estas terras.
A seguir, ou antes, leia (se ainda não leu) Raymond Aron em especial “Démocratie et totalitarisme” (na colecção Folio da Gallimard há uma edição recente, muito acessível para bolsos como o meu) e siga com “L’Oppium des Intellectuels” ou mesmo com “As Etapas do Pensamento Sociológico” (é grande mas há em português, o que sempre acelera a leitura).
Se quiser começar a fazer as comparações entre regimes totalitários. A Gradiva publicou um simpático livrinho em 1999 de François Furet e Ernst Nolte sobre “Fascismo e Comunismo”. Depois sobre as derivas autoritárias europeias, existe tanta coisa que nem sei o que lhe diga. Fiquemo-nos por alguns autores clássicos de centro-direita (não os mostre a historiadores ou políticos de esquerda que se torcem logo todos): de novo Ernst Nolte e “Les mouvements fascistes – L’Europe de 1919 à 1945” (é de 1969 nas foi reeditado pela Pluriel em 91 com a queda do Muro) ou Pierre Milza e “Les Fascismes” (1985 e, de novo, 1991).
Se gostar de aprofundar a análise entre as várias famílias históricas da direita que tal o volume “Fascists and Conservatives – The radical right and the establishment in 20th century Europe” editado por Martin Blinkhorn ? Penso que se lhe propuser o livro “Fascism, Past, Present and Future” de Walter Laqueur (Oxford Univ. Press, 1996) poderá sentir-se ofendido, mas não é essa a ideia.
Depois, para compreender melhor o que considero ser um debate de ideias e quais as causas do seu desaparecimento quase completo, nada como revisitar o muito conservador “The House of Intellect” de Jacques Barzun (1959, mas reeditado em 2002 nos Perenial Classics). Autor académico mais conservador, mas delicioso, é quase impossível.
Para perceber o prazer da leitura e apreciar o estilo de um escritor, mesmo quando não gosta dele, tem disponível “A Experiência de Ler” de C. S. Lewis (outro bem conservador) na lusa Âmbar.
E para melhor perceber os efeitos perniciosos da estupidez humana, é inultrapassável o artigo sobre as leis fundamentais da estupidez humana no voluminho “Allegro ma non troppo” de Carlo Cipolla (de caminho apanhe o “Comment voyager avec un saumon” de Umberto Eco, embora este já fuja um bocado para a esquerda)..
Para acabar com o caso português, depois da tareia que deu em Freitas do Amaral fiquei limitado nas propostas. Grande parte do que li deve ser para si propaganda do PC e amigos.
Com receio, atiro para o ar um livro sobre “A Teoria da Democracia e as Realidades da Europa do Sul” de Nancy Bermeo (Difel, 2000) para enquadramento.
Sei lá. O quê mais ? Um Manuel Braga da Cruz ser-lhe-á agradável ? “O Partido e o Estado no Salazarismo” ajudará a compreender os antecedentes do 25 de Abril ?
Ou só aceita mesmo Jaime Nogueira Pinto, detestável como é ao vivo, mesmo se intelectualmente acutilante ? “A Direita e as Direitas” (Difel, 1996) é bem razoável.
Como o homem andou pelas águas da AD, ouso sugerir o “Ensaio Histórico sobre a Revolução do 25 de Abril – O período Pré-Constitucional” do Medeiros Ferreira (o meu volume até está autografado, veja lá), mas renego tudo o que é livro da malta do Bloco de Esquerda e afiliados. Antes fascistas que sociais-fascistas, digam lá o que disserem, sempre é menos uma palavra.
Sobre os excessos de direita, “A Invasão Spinolista” de Eduardo Dâmaso ganhou um prémio de reportagem do Círculo de Leitores, mas acho que o tipo é lá pr’ás esquerdas.
E, pois é, reflexões de direita sobre o 25/A são um bocado escassas, para além de alguns testemunhos pessoais. Teorizações não são muitas. Vá-se lá saber porquê.
Não sei, mas acho que o Costa Pinto (grande promotor do “Abril é Evolução”) tem andado a bandear-se para a direita e até escreve benzinho, mas não chega a estas datas.

Mesmo para acabar, porque isto como que está a ficar pretensioso de mais, mas foi TM que pediu as referências, um último comentário sobre VPV. Quem escreveu o que escreveu foi TM, eu apenas disse que o homem bebia água. O passo em falso não foi meu. Cada um sabe do que sabe.
Mas, confesso, desde o volume “Tentar perceber” do início dos anos 80 e das crónicas até meados dessa década que não vejo que o homem esteja muito focado. Primeiro no Independente, depois na saudosa K e por fim no DN o indivíduo tem vindo a resvalar para o desvario e mera impercação contra quase tudo e todos. Com o António Barreto, que também acha que merecia um destino maior do que o que teve, fazem um belo par de velhotes dos Marretas, só que com menos graça e mais ressabiamento. Sempre achei que antifascistas tardo-juvenis dos anos 60 que acabam em Oxford a doutorar-se não combinam bem com o meu modo de vida (referência implícita à crónica autobiográfica que VPV deixou para a posteridade a páginas 135-138 da K nº 4 de Janeiro de 91).
E, mesmo para acabar, não critique o Freitas por ter colaborado com o Marcello (ou por apagar essa memória), pois até VPV escreveu que “vinte anos depois os valores de Marcello não se distinguem da actual ortodoxia política do poder” (VPV, “Marcello, as desventuras da razão” in K, nº 2, p. 162). Ele escrevia então a meio do consulado do Cavaco mas, verdade seja dita, se calhar agora escreveria o mesmo.

Começam as críticas

Eu tinha avisado. Alguns leitores começam a chatear-se com o rumo que isto toma. Ora vejam:

«Leio com curiosidade o vosso blog. Não percebo o que pretendem a sério, mas por vezes tem graça. Ultimamente parece que tudo se resume a discussões com um leitor.
São assuntos que não revelam interesse para as pretensões que declaram. Quando é que acabam com essas trocas de impressões. Porque é que não vão para o cafe discutir ?
Ficávamos todos a ganhar.

Luis Miguel Ferreira»


quinta-feira, maio 20, 2004

Só mais uma coisinha, ou duas...

Ainda voltando a uns posts atrás, por causa do nosso leitor Titta Maurício.
Ó TM, desta vez nem explicando que desta vez ia começar pelos comentários que, “embora irrelevantes, são impossíveis de evitar”. Caramba, você gosta da confusão.
PSN. Partido Humanista. Partido da Gente. And so on, and so on (POUS, LCT, OCMLP – do Pacheco quando era ainda mais esquerdista do que é, AOC...).
E quanto ao imposto taurino ? Isso sim são assuntos sérios.
Eurídice. Pronto. Acho que é assim. Consegui escrever.
Outra coisa. Mesmo para acabar. Bacalhau é bom. Mim gostar.

Desenvolvimento ? O que é isso ?

Em textos que se seguirão, irei procurar analisar com a atenção possível de que forma Alhos Vedros e a sua freguesia têm sido repetidamente negligenciados em termos de desenvolvimento, económico, urbanístico, social, etc.
Se procurarmos identificar os traços definidores do espaço, das gentes e das actividades de Alhos Vedros encontramos a face ribeirinha e o mundo rural mais tradicionais, bem como a mais recente tendência industrial (a cortiça durante grande parte do século passado e, mais tarde, os têxteis num surto terceiro-mundista nas últimas décadas).
A situação de todos estes aspectos, nos tempos que correm, é de profunda degradação.
A zona ribeirinha há muito foi deixada ao abandono, ao lixo e a esporádicas iniciativas individuais (as salinas desapareceram, mesmo como curiosidade patrimonial). O espaço rural, com as suas outrora numerosas quintas, foi retalhado a gosto por interesses urbanísticos ou foi-se desertificando com a morte dos antigos e o desinteresse dos novos (há vereadores que falam muito do declínio da agricultura nacional mas têm as calças rotas quanto ao assunto). Por fim, a industrialização com base na cortiça foi-se dissipando com a perda da importância da matéria-prima para as nossas exportações, sendo sustituída por um fogacho de indústria têxtil com todos os defeitos do vale do Ave e nenhuma das suas qualidades, deixando a nu a ganância dos empresários e a falta de visão – para não dizer a subserviência – do poder político local. Hoje, em Alhos Vedros, as antigas estruturas corticeiras estão praticamente todas em ruínas e o mesmo se vai passando com as têxteis.
Será sobre a tristeza que nos causa tudo isto que iremos falando ao longo do tempo, mostrando em imagens (no fotoblog “AvedrosVisual”) do que falamos, para que as evidências não permitam os desmentidos de quem não vê porque, pior do que não ver, não olha.

António da Costa, 20 de Maio de 2004

A cada um a escolha do que interessa

Através de diversas fontes, sabemos que o texto do nosso colaborador Manuel Pedro, divulgado primeiro neste blog e depois no jornal O Rio, suscitou grande polémica e, muito em especial, grande apoio nas reacções chegadas à redacção daquele periódico. Infelizmente, alguns números depois, a avaliar pelas suas últimas edições, nada parece ter acontecido.
Será que, perante a fraqueza das reacções adversas (pelos vistos, sendo necessário encomendá-las), fica mal demonstrar como a temática taurina está longe de ser um traço de união do concelho e muito mais um pretexto para algumas camadas se promoverem, com base no seu poder económico e influência política ?
Ficamos na expectativa.
Com sorte, e a avaliar pelo que vimos nas últimas edições, lá teremos de noivo o Luís Carlos a perorar pela enésima vez sobre o Agostinho da Silva (já não há pachorra, deixa lá o homem transmigrar em paz!!!), o Vitor Barros a escrever – pelo menos, admitindo o quase plágio – sobre o que dificilmente percebe, o jovem Hélder Pinhão dissertar sobre não sei exactamente o quê do concelho ou a juvenil Inês perguntar ao vento tudo aquilo que só a juventude pergunta com tanta ingenuidade e lirismo de subúrbio. Isto para não falar daquele rapaz que fala da necessidade dos “diestros” moiteiros (com aqueles nomes assim meio bichosos como Parrita) irem trabalhar para Espanha para conseguirem sobreviver. Cá por nós, não eram só eles que deviam ir, mas isso será outra “converseta”, como escreve outro dilecto colunista.

Ó c'um caraças

TM volta responder-nos, desta vez tão depressa que nem houve tempo de fazer o segundo texto de resposta (aquele com os argumentos sérios de que ele gosta e com muitas referências literárias).
Quem tem razão é o Manuel Pedro, o homem está apaixonado por nós ou, arre, mesmo por mim. Acho que nunca ninguém lhe tinha estimulado assim os neurónios.
Mas, prontossss. Cá vai.
O que se pode dizer ? Espaireça. Vá ver o nosso fotoblog.


Meu grande amigo Paulo,
Folgo em saber que vê bons filmes... rogo a Deus que deles tenha retirado proveito. E que se não compreendeu o setido da mensagem de Redenção que Cristo nos veio anunciar, pelo menos deixou algumas sementes. Parece muito mais tolerante... ácido como sempre... mas tolerante! Quanto à apatia do Deus feito Homem durante a Paixão... não se espante: há muitos homens que muito suportaram, suportam e suportarão em ordem às suas convicções! E as de Cristo são as maiores... ele que é Caminho, Verdade e Vida!
Mas isto é outra questão... e não quero abrir uma nova frente!
À não resposta à primeira parte do meu comentário apenas posso manifestar o meu pesar... e tanto trabalhinho que me deu... e depois eu é que sou mau!
Quantos ao seus comentários:
a) tem piada... mas não pensei nesse trocadilho. Mas, "prontos", teve a sua piada!
b) não é do PS. Nem eu o disse. Mas não deixo de ficar aliviado (sem trocadilhos, please...) pelo facto: agora já só falta negar que é do PPD/PSD, PCP, PEV, a variante "renovadores", BE, PCTP-MRPP, POUS, PRP-BR, FEC-ML, Política XXI, PC(R), PC(M-L), PNR, MIRN, PDC, FN (eh pá... não me lembro de mais)... e fico à sua espera para preencher a ficha de militante do CDS-PP!
c) porém não tenho muita esperança... tão lesto e claro foi na negação à pretensa pertença ao "bando" socialista... e tão cuidadoso quanto ao "comunas"... apenas deixe claro que, a admiti-lo se excluí daqueles que o envergonham pelos seus vis actos (os «torturadores de criancinhas e simpatizantes de choques eléctricos»)... desses não é, já percebi!
d) parabenizo-o pelo resultado obtido no teste de QI... só é pena que não lhe permita soletrar o nome da Senhora chefe dos "xuxalistas" moiteiros (é assim que dizem, não é?!?). Mas, cada um nasce p'ró que nasce... essa é que é essa!
e) leu pouco do Marx... bom aqui divido-me. Por um lado, saúdo uma mente vazia... mas não poluída! Por outro lado, lamento a mente vazia... porque tais leituras poderiam ter vacinado! Diga-me ao menos que a leitura do "Manifesto..." operou em si o milagre da rejeição... e não lhe deu ideias de que a leitura de demagógicos panfletos p'ra entreter chegava para conhecer tais quejandas ideias!
f) quanto ao modo como me refiro, por escrito, aos ministros... sempre o fiz como manda o protocolo... os bajuladores lá dirão "Sua Excelência, o Ministro...". Isso era no tempo da "outra Senhora" (reparou? Com maísculas...). O meu modelo é anglo-saxónico e até prefiro tratá-los sem títulos académicos ou profissionais! Já agora, não sei se reparou, mas partido também escrevo com minúsculas! Com maísculas só os nomes próprios, as designações oficiais de instituições e substantivos como Povo, Portugal, Portugueses, Nação, etc... Não sei se concorda?
g) Quanto ao que ele escrevia como colunista e director do Indy... algumas pessoas deviam saber que ou não escrevem certas coisas ou então não deviam ir para ministros. Mas acho que ele se deu bem com ambos... foi a sua opção. Mas muitas vezes o que se diz a título de opinião (onde o desejo se confunde com a palavra) com o que se pode dizer e fazer quando não liberto de responsabilidades governativas... O mal de Paulo Portas foi ter tido tanto sucesso com o que escreveu... e ter feito tantos "amigos" à conta dessas prosas! Amigos cheios de memória e raivinhas incontroladas! Porém, cada um deita-se na cama que faz... e suporta os danos por ter tido opinião... Engraçado é aqueles que nunca ousaram publicar a sua verdadeira opinião e são meras "Marias-vão-com-as-outras"... alguns defende-nos. Não vejo porquê... apesar de suspeitar para quê!
h) ninguém se queixou do "tacho" da Dra. Maria de Jesus. O que não suporto é que quem teve "tacho" à custa do partido se queixe quando outros partidos entendem que o lugar será melhor desempenhado por seus militantes. Repito: não gosto de "tachos"; compreendo quem por eles faça a sua vida político-partidária; só não percebo é que essas pessoas usem desses métodos para entrar e depois, quais "virgens-talvez-já-só-nas-orelhas", se queixem quando provam do mesmo remédio...
i) a Dra. Maria José Nogueira Pinto... parece que, ao contrário da Dra. Maria de Jesus,... tem feito carreira na área... assim como o Dr. José Luís Nogueira de Brito (que havia sido vogal da direcção da CV... a convite da Dra. Maria de Jesus!). Mas que são belos "tachos", ah isso são! Mas ficam bem melhor quando são ocupados pelos nossos... é a minha opinião! Mas isso sou eu a falar... e eu sou sectário.
j) quanto à Sra. Paulo Portas... presumindo que o Paulo (o do blog) é homem, julgo, por isso, que não se está a habilitar para o cargo? Ou será para alguma sua conhecida... uma que nutra pelo ministro de Estado e da Defesa alguma paixão "assolapada"?!? De qualquer modo, não podia ser útil... sou militante do partido e não tenho a meu cargo o pelouro da "alcoviteirice"... sem ofensa!
k) quanto ao rigor... aqui, desculpe, está a usar de desonestidade académica: eu não disse que o discurso político é desprovido de rigor! Repetindo o texto do seu post: «Então não é que TM, que nos critica pela nossa linguagem, usa expressões como "cobardes", "bárbaros", "canalhas" a propósito daqueles que encara comos seus adversários políticos. A adjectivação é colorida mas o rigor analítico fica curto, mesmo que tenha muita razão por trás». A minha resposta foi: «Quarto, o rigor analítico. O texto é político e não académico! Mas será que quando um texto (mesmo académico que seja) se refere ao nazismo... é rigor analítico dizer "a barbárie nazi"? Resposta: SIM! ASSIM COMO O COMUNISMO!!!»
Descodificando: o que eu disse é que o rigor (na sustentação e demonstração) num texto académico é mais exigente (nomedamente pela necessidade de identificação mais precisa das fonte e pela necessidade de as confrontar todas...). Um texto político, pelo público a que se destina, pelo tipo de mensagem e pelo objectivo a que se destina é muito menos exigente. Tente ler um texto de tese de doutoramento como um texto político e veja os seus leitores ou apoiantes a cairem que nem moscas... mortos de tédio! Modéstia à parte... bem tento que os meus textos sejam intelectualmente honestos e explicativos. A resposta dos leitores foi... "escreve p'ra gente ler e deixa-te de presunções intelectualóides"!
Além disso, como a sua objecção estava na adjectivação ("cobardes", "bárbaros", "canalhas!) eu limitei-me a notar que, mesmo em textos académicos, há sistemas políticos que são adjectivados do mesmo modo... citei o exemplo da "barbárie nazi"!
Compreendido?!?
Eu não escrevo o que me vem à cabeça... isso é coisa para quem o pode fazer... acolitado por detrás do conforto proporcionado pelo anonimato de um nick! Eu leio, estudo, reflicto, depois escrevo, publico, dou a cara, e coloco-me à disposição da publicidade crítica... e a única resposta tem sido insultos... e "brincadeiras"! Sendo justo: também tenho tido muito interessantes diálogos epistulares com militantes comunistas e socialistas. Umas vezes eles aprendem com as informações que eu forneço... outras eu com as deles! Conversas entre homens sérios, tolerantes e intelectualmente honestos!
l) Acha que escrevo mal... Será por causa de alguns erros ortográficos? Fraca argumentação! Não gosta do estilo? Eu também não gosto do do Saramago... e ele ganhou um prémio Nobel! As ideias não são correctas... porquê? Porque, em relação a si, li mais e diferentes livros?!? Quanto às argumentações serem fracas... engraçado, nunca você as tentou rebater... limitando-se a entrar por "brincadeiras" (assim as gosta de classificar) onde o seu alvo não são as ideias mas a pessoa! Fraca técnica para quem julga tudo saber... Sempre cuidei de saber porque será que aqueles que se gabam de não ler e de não ter estudado, se julgam mais sabedores do que aquele que confessa ignorar?!? Os meus argumentos são fracos mas os seus são mais "profundos" e "substanciais": diz que «TM incorre em vários equívocos» (mas não diz quais, nem os corrige... menos pontos para o seu afamado rigor); pretende usar de elevação... mas de vez em quando... a escrita resvala no ataque pessoal: «O resto do texto é um descabelado arrazoado anti-comunista, como já não líamos há muito tempo» (posição que denota uma profundidade e esclarecimento que extasiariam o melhor dos académicos e o mais inspirados dos poetas!!!). Não serve de nada (pelo menos comigo) essas suas afirmações de fé: rebata a argumentação sem atacar o sujeito; esclareça e não tente usar de linguagem de "cassete pirata" para criar nuvens de fumo para tentar obnibular as ideias.
Argumente, não fuja!
Debata, não insulte!!
Rebata, não agrida!!!
m) quanto ao que acredita que sou... lamento informar mas sou sócio do Sporting Clube de Portugal e do GD Fabril do Barreiro!
n) competência profissional...
o) tolerância... quem a tem chama-lhe sua!
Será que não sou tolerante quando respondo às bocas tuas?!?
Aguardo com esperança por um texto rigoroso, com argumentos que ataquem argumentos, com factos (e indicação das fontes a que recorreu) e não com demagogia de cassete (nem CD, nem DVD, ou outros meios de reproduzir argumentos aprendidos "de ouvido"...)!
Se não fôr pedir muito...
Só mais umas coisinhas:
1. Nunca afirmei que Sanches Osório fosse «um farol do rigor histórico e do amor à democracia». Essas são palavras suas. Limitei-me a ler um livro que ele excreveu, a nele constatar perplexidades (que contradiziam os factos que são repetidamente colocadas nos "media" portugueses) e a colocar questões... Tenho pena que elas incomodem! Só o deveriam fazer a quem disso tem consciência pouco segura!
2. Quanto ao Prof. Freitas do Amaral. Compreendo o incómodo que lhe causou a parceria com o PDC... ainda que ele não nos haja esclarecido sobre os sentimentos que lhe causaram ser eleito com votos de eleitores do PDC! Por outro lado, sabendo-se (e é ele que o conta) que o CDS foi fundado a pedido do Conselho da Revolução, recordando-nos da missiva dirigida ao "Companheiro Vasco" (que cobria de encómios e onde tecia louvores à revolução e às nacionalizações...), ao modo cobarde como tenta fazer a "limpeza" do seu passado ao lado de Marcelo Caetano (e do servilismo que lhe devotou) e à traição a que votou aqueles que o elegeram ao desdizer hoje aquilo que bradou para lhes procurar o voto... até aos finais do anos 90, nunca o Prof. Freitas do Amaral se afirmou com rigorosamente ao centro... calou as suas desinteligências com o eleitorado e os dirigentes do CDS... para lhes sacar o voto! Porém, o elogio que lhe faz (tornando-o fonte credível de direita) duvido que ele lhe agradeça... não agora, pois ele está... rigorosamente ao centro! Ao resto ele nunca pertenceu, não conhece, nem ninguém o apresentou!
3. Nunca disse que não houve o ELP ou o MDLP. Nem sequer que eles não foram autores de actos bombistas. Só não percebo porque é que os que lutaram contra o comunismo e pela Liberdade... não merecem uma "medalhinha"... mas também, com tais companhias! Se quer a minha opinião, quem luta contra a Democracia nunca deveria receber uma medalha da Liberdade! Como vê não sou selectivo... essa é mais doença que lastimo o meu amigo padecer! Selectivo seria se eu reclamasse a "medalhinha" para os que citou e não para a "bombista" que referiu. Ora eu apenas disse que ela não a merecia! Mas, "prontos", sou eu que sou tendencioso, faccioso e sofro de "tendencionite aguda"...
Com argumentos desses... rapidamente aprendo o significado de elevação e rigor argumentativos... coisa que muito bem decorre do seu argumento final...o VPV não tem razão... porque alguém espalhou o (conveniente) boato de que ele é bêbado! Só espero que a sua (Paulo) sobriedade permanente lhe permita sequer tentar perceber o que ele diz... porque, uma vez mais, argumentar que é sério... ficou-se apenas pelas intenções!
É a elevação e o rigor no seu expoente! São técnicas... ou tácticas de esclarecimento!
Como diria o outro, «Pois, pois... compreendi-te»!
Post scriptum - se erros de ortografia houver... deixe lá: para quem é, bacalhau basta!

João Titta Maurício (isto fomos nós que acrescentámos, que é para não haver confusões)

quarta-feira, maio 19, 2004

Coisa bovinas

Vimos o nº 4 da revista «Tauromaquia».
O dinheiro anda muito mal distribuído nesta terra. Enquanto há falta de dinheiro para publicações com interesse, sobra dele para revistas de grande formato sobre temáticas bovinas, em papel couché, de distribuição gratuita, mas que nem ficha técnica apresentam.
Claro que, na tradição acastelhanada da Moita, temos direito a muito Velazquez (não é o pintor das Ninãs, é claro) e a referências bastas ao Procuna (as piadas com este nome são demasiado simples, demasiado fáceis, para cairmos em tal armadilha). Parece que não existem nomes portugueses adequados a esta actividade, por isso é necessário recorrer a tais lindezas onomásticas. O Roldãoi Preto é que tem razão.
O mosaico das páginas centrais dedicado aos “óscares da tauromaquia” (!!!!), atribuídos pela Sociedade Moiteira de Tauromaquia a pretexto da Feira Taurina, estimula sensações que a transposição em palavras não aconselha.
Digamos assim, tudo isto tem imenso interesse antropológico.
Pena que não existam, títulos à parte, antropólogos em actividade na região.

José da Silva

terça-feira, maio 18, 2004

Não se esqueçam

Agora temos um fotoblog. É só visitar-nos.

A pedido de várias famílias respondo a TM

O nosso grande amigo Titta Maurício (o TM) voltou a responder-nos e, como não gostamos de dar a outra face (vimos “A Paixão de Cristo” e aquela apatia enervou-nos a valer) aqui vou replicar. Como sou interpelado directamente – o sôr Paulo é dirigido a quem edita os posts e esse sou eu – assim responderei mais uma vez.
À primeira parte do texto de TM, como aos costumes, direi nada, porque a validade do prazo das questões em apreço já expirou.
Quanto à segunda, mais substancial, vejo-me forçado – e peço desculpa aos nossos outros ocasionais ou habituais leitores – a responder a TM em duas levas, para melhor se distinguir o acessório do essencial e o tentar desviar dos seus equívocos, que não são poucos.
É impossível responder seriamente a tudo, pelo que começarei pelos comentários que, embora irrelevantes, são impossíveis de evitar:



a) O pessoal aqui do blog não (se) bufa. O espaço é pequeno e, mesmo em tempos de narizes entupidos pela rinite alérgica, o cheiro não se aguentaria. Por outro lado, também não somos gatos, mesmo se alguns de nós são assim para o peludo, para bufarmos em qualquer outro sentido. Também não somos canídeos para termos raiva, embora – como se viu pelo nosso Top 10 – não nos coíbamos de uma mijadela contra o poste da electricidade.
b) Não sou do PS, por estranho que isso lhe pareça (embora também insinue que serei um canalha comunista torturador de criancinhas e simpatizante de choques eléctricos). Aliás só o facto de TM me tomar por um dos rosinhas de Alhos Vedros da minha geração, me deixa os cabelos em pé. Vamos lá a ver, modéstia à parte, prezo-me de ter um QI razoável para a minha idade, origem social e habilitações académicas. O facto de não batermos regularmente na líder rosinha da região deve-se apenas à dificuldade que temos em soletrar e escrever o seu nome (qual dos “i” é que se acentua ?, por essas e por outras é que os nomes de baptismo são uma contingência tão incómoda) e ao facto de ela já vir com o chamado “rabo ripado” de Setúbal.
c) Já percebemos que leu qualquer coisa do Marx e que dele recolheu algumas ideias e vocabulário (“traição à classe” e mimos quejandos). Eu, muito sinceramente, tirando uma professora que na Secundária me obrigou a ler o Manifesto do Partido Comunista, li muito pouco e retive apenas o essencial para a minha cultura geral. Por isso, não tenho esse tipo de tiques.
d) Noto com agrado que se refere a Paulo Portas como Sr. ministro, assim com minúsculas. Só lhe fica bem. Realmente, o homem no Indy até escrevia coisas com sentido, em especial que nunca iria entrar na vida partidária. Viu-se.
e) Deixe lá a pobre da Maria Barroso. A Cardona quando lá chegar se calhar está pior. E a srª Paulo Portas nunca saberemos, não é ? E, se calhar, já se esqueceu que do tacho de que ela comeu uns tempos, também já comeram outras senhoras da sua área política (o nome Maria José Nogueira Pinto toca-lhe alguma campainha da memória ?).
f) Fiquei a saber que para si no discurso político não há rigor. Não preciso de mais argumentação para demonstrar porque nunca poderemos concordar com a forma de fazer política entre nós (em Portugal, em Setúbal, na Moita), pois se alguém com responsabilidades na estrutura distrital de um partido afirma que o discurso político só serve para dizer o que vem à cabeça, estamos falados. O pessoal, e eu em particular, gostamos de lhe “bater” não porque é do CDS, ou por qualquer antipatia pessoal (nunca o vi à minha frente e acredito que seja um excelente chefe de família, do Benfica e isso tudo), mas apenas porque acho que escreve mal, com base em ideias pouco correctas e com argumentações muito fracas, como em outro dia tentarei demonstrar.
g) Registo que não gosta que ponham em causa a sua competência profissional. Ó homem, se nos disser que é engenheiro, mais ninguém goza consigo e passamos todos a ter muito apreço por si, pois até consegue alinhavar umas frases com sequência.
h) Se fosse a si ia ao dicionário ler o significado de “tolerância”. Os seus textos são tudo menos uma demonstração de tal. Pelo menos, nós aqui no blog, demonstramos na prática o que é tolerância.
i) Tente usar menos maiúsculas nos textos. Percebemos a ideia mas faz-nos gastar mais tinta e papel quando imprimimos os seus textos para darmos a ler às nossas crianças, nas sessões de Educação Cívica que promovemos.

Por fim, prometo que na segunda leva desta resposta – mais em particular sobre as questões dos 24, 25 ou 26 de Abril – procurarei não me basear em autores esquerdistas, mas apenas em gente respeitável, do PPD/PSD para a direita embora, para quem toma Sanches Osório como farol do rigor histórico e do amor à democracia, toda esta malta não passe de bandalhos revolucionários, cripto-comunistas e afins. Até tenho medo de lhe citar aquelas partes das memórias do Freitas do Amaral (esse maldito fundador de um partido de extrema-esquerda, “companheiro de estrada” dos mais impenitentes marxistas-leninistas deste país) em que ele fala do incómodo que lhe causou a aliança com o PDC. Ou então do testemunho dos operacionais das redes bombistas de direita que, com o aval de Spínola, Alpoim Calvão, o dito Sanches Osório e outros democratas, andaram também a fazer obras de caridade pelo país em 74 e 75.
Pois, porque não foi só a Isabel do Carmo que foi bombista nesse tempos.
A memória é curta e selectiva, mas nem todos padecemos de tal maleita.

PS (salvo seja e vade retro, isto só quer dizer “post-scriptum” e mais nada) – Só mesmo para acabar. Não sei se sabe, mas o VPV parece que bebe uns copitos de água antes de escrever os textos de opinião. Parece que é para lubrificar as meninges.


segunda-feira, maio 17, 2004

Complemento visual.

Quem quiser aceder à faceta visual deste blog, é só seguir o seguinte endereço:

http://www.phlog.net/user/AVedrosVisual

'Brigados

domingo, maio 16, 2004

Titta Maurício revive

O nosso já habitual colaborador Titta Maurício reage, lamentando o atraso, a dois textos nossos.
Desta vez não corrigimos as gralhas, porque temos outros entreténs (hobbies para os mais sofisticados).
Em particular sobre o 25 de Abril, TM incorre em vários equívocos que a seu tempo tentaremos esclarecer de forma "elevada", como nos pede, embora não saibamos se conseguiremos.
De qualquer modo, e infelizmente, TM continua a não identificar a ironia onde ela existe e, naquilo que é sério, a enveredar por caminhos esquisitos.
Mas fiquemos com o seu simpático texto.



Senhor "Paulo" (escrevo entre aspas porque, como usam usar pseudónimo,...),
Depois de tanto silêncio, já pensavam que de mim estavam livres e descançados!!! Nã... Olá, cá estou eu!
Oh homem, trate-me como quiser: o nome você sabe; os títulos académicos ou profissionais não nasci (nem hei-de morrer) com eles; a idade ainda não trouxe cãs que justifiquem um tratamento mais respeitoso! E... como nem parece ser vosso hábito tratar bem e tolerar os outros... estejam à vontade!
Comentemos então os seus 2 textos:
Jovem Cunhal em 75?!? Bom, são opinões... apesar de eu achar queo homem já nasceu velho! E nem a madrinha de baptismo lhe valeu...

Há quem transmita oralmente... a mim não: não conheço nenhum de vós e nenhum de vós se me dirigiu! Quanto aos intermediários anónimos... essa, de certeza, não é comigo!

Os deuses da onomástica foram deveras cruéis convosco... assim se compreende a necessidade do nick! Só espero que ao menos os apelidos sejam audíveis!!!

Quanto à divulgação... se entenderem que posso ajudar.. por quem sois!?! Quanto ao resto da frase, nunca paguei anúncios... e faltou-vos acrescentar os jornais pagos pelos contribuintes (a mando e ao serviço das câmaras municipais e juntas de freguesia... "amigas")!

Registo o significativo louvor expendido ao "bons rapazes e raparigas" do BE em Alhos Vedros! Uns "cachopos" exemplares...

Já encaro com preocupação a referência a um suposto (ainda que aparente) carácter "fresco e inovador" do discurso do Dr. Manuel Monteiro... agora quem não entende sou eu!!! E quando juntam a afirmação (a contrario sensu) de que o Dr. Paulo Portas dizia coisas de aproveitar quando era director do Indy... então, só me resta... entregar-vos as fichas de inscrição para o CDS!!!
Quanto ao Dr. Soares... têm razão: o velho nem se reforma, nem deixa de estar sempre a provocar o Sr. ministro! E este que não aprende e não o manda plantar coqueiros... até porque o velho não o deixa trabalhar! O Portas até deixou a senhora Maria de Jesus ir para casa... o tipo devia era aproveitar! Sim porque, como não parece que ela tenha muito que fazer lá na fundação que o maridinho lhe arranjou e na "casinha" que o PS lhe atribuíu (e das quais ela "não dá nem novas nem mandados"... deve estar ainda a arrumar as "tralhas" que trouxe da Cruz Vermelha!),... bem podia ir tomar conta da netinha!

Dizem que são "bad" e batem a toda a gente. Ok... acredito! Não preciso de demonstrações... hehehehe
Mas que poupam os "rosinhas"... lá isso poupam! Fingem é que não... por causa da imagem!!!

Foram ameaçados?!? Por quem?!?

Fico contente por saber que "a malta" gosta de mim... Porém, infelizmente não apareço sempre que quero... mas sempre que posso! Até porque tenho hobbies bem mais agradáveis... mas aprecio-vos muito! A sério...

Quanto à "nota cultural final": não sei se sabia... claro que sabe!... mas "O nome da Rosa" é um romance... histórico, é verdade, mas um romance! Et pour couse...

Agora coisas bem mais interessantes: o meu artigo sobre o 25 de Abril.
Leu o texto todo? Com espírito democrático e tolerante? Ou ficou tão perturbado com o título que, a partir daí, subiram-lhe os calores e, bufando de raiva, só pensava em apanhar-me num qualquer beco escuro!?!
Assim: os comunistas soviéticos (e outros que tais... lá na estranja) não são meus adversários!
Segundo, o texto dizia "implantação do bárbaro e canalha totalitarismo comunista – que ceifou centenas de milhões de vidas!" Referia-me ao modelo, ao regime, ao sistema, ao... que quiser chamar! Não a pessoas.
Terceiro, os vossos excessos de linguagem dirigidos a pessoas concretas (que não conhecem e suportadas, as ofensas, apenas em processos de intenções...) comparados com os qualificativos que usei. É mentira? Não foi o comunismo (invocado por tantos... e tão louvado na boca de outros) causador de CENTENAS DE MILHÕES DE MORTOS?!? Isso é o quê? Civilizado ou bondoso? NÃO! É PURO BARBARISMO e CANALHICE?
Quarto, o rigor analítico. O texto é político e não académico! Mas será que quando um texto (mesmo académico que seja) se refere ao nazismo... é rigor analítico dizer "a barbárie nazi"? Resposta: SIM! ASSIM COMO O COMUNISMO!!!

Quinto, a revisitação da História! Engraçado: tudo o que nesse texto referi são documentos coevos, textos e imagens da época! E, curiosamente, tudo o que lá escrevi, foi muito mais denunciado pelo texto do VPV... é a vantagem de ser mais velho! E eu de, sendo mais novo, poder com ele aprender!
E a propósito de revisitação... o quem têm a dizer do relatório sobre as brutalidade e torturas nas prisões do COPCON? Já sei: quandos os "nossos" são torturados... coitadinhos! Se são os "outros"... são fdp e mereciam! Como para mim são todos iguais...

A questão da coragem: perceba uma coisa! Eu sou um produto do 25 de Abril! Sou Livre! Digo o que penso e não vale a pena tentar encostar-me ao regime do "antigamente" porque não cola: eu não sou do 24... nem quero o "vosso" 26! Estou rigorosamente no 25! Com a Democracia e a Liberdade!
Já quem defendeu o comunismo e procurou implantá-lo (e ainda o diz com orgulho) não pode dizer o mesmo. Fascismo e comunismo são dois regimes iguais: bárbaros e canalhas!!!

Quanto à domesticação da imprensa... concordo! Mas, não me cole a essa "imprensa"!

Sentado à mesa do poder?!? AHAHAHAHAHA
Essa até teve piada... deve ser por isso que estou gordo! Só me falta o charuto e o chapéu alto para fazerem de mim a caricatura do fascista e capitalista!!! Desengane-se: mais facilmente o rico entrava no paraíso...
Isto é engraçado: mal com o poder por dizer a verdade! E depois "levo" com insinuações destas... mas, pronto, sempre dá pra rir um pouco...

O livro. Uma vez mais não leu o texto: faça lá o favor de reler e verificar que eu cito excertos do livro e pergunto se aquilo é verdade! Posso?!? Não cotejo o que aí é relatado? Com o quê? Com as não respostas? Ou com as verdades que por aí vão começando a ver a luz do dia? É que elas parecem estar a dar razão às afirmações que citei de Sanches Osório... (já agora, sempre quero ver que repercussão vai ter esta história das torturas... vamos ver quantos vão pegar na coisa - na televisão ainda nada!!! Mas, já sabiamos... os "media" estão domesticados... vamos lá saber por quem!?!).

Quanto às insinuações sobre as minhas capacidades profissionias... dou-de-barato e por conta da raiva! Mas acho argumentação soez... e de muito mau-gosto e que não gostaria de ver repetida. Ok!

O resto do texto é o quê?!? Se fosse anti-fascista e anti-nazi merecia-lhe os maiores incómios, não?!? Como faço perguntas incómodas que (a serem verdade - e acredito que o são) colocam os "camaradas" em maus-lençóis é um "descabelado e arrazoado"...! Como diria o outro... "compreendi-te"!

Cuidado com as referências ao General Galvão de Melo: parece que o Dr. Cunhal o elogia numa moção aprovado num congresso do PCP...

Eu não defendo a ditadura (nem do proletariado nem dos camisas... da cor que quiser)!
Eu não defendo o "homem novo" (só socialista ou só loirinho de olhos azuis... até porque prefero as morenas)!!
Eu defendo a Liberdade e a Tolerância (e não a morte dos que de mim discordam... nem mesmo daqueles que pretendem a minha eliminação)!!!
Repito: não tente colar-me a lados que não são os meus! Resolvam lá entre vocês (comunistas e nazi-fascistas) as vossas questões e não me confunda!

Quanto aos seus comentários finais... são como os outros: "cada cavadela, uma minhoca"!
Acalme-se lá e corija lá a pontaria!

Realmente, ninguém das minhas relações ficou com salários em atraso no tempo dos governos do PS/CDS nem da AD... Mas já o meu pai (operário da LISNAVE... não sei se serve de exemplo!?!) sentiu isso com o governo PS/PSD! É que só aí é que apareceram!!!
'Tá enganado no alvo! Tenho muito orgulho nas origens operárias e camponesas... e se julga que pega a tanga da "traição de classe"... será mais um tiro na água!
E se quer saber... é bem verdade que a culpa foi dos esquerdistas... e dos idiotas úteis que nunca perceberam que a estratégia do partido comunista sempre foi (e é) quanto pior melhor! Os trabalhadores (e as suas famílias) são alegremente sacrificados pelos comunistas... até porque sempre serão... heróis da revolução... Mesmo que dela nada percebam, que ninguém nada lhes tenha perguntado... Serão como as "catarinas eufémias": comunistas depois de mortos... porque convém... não a eles... mas ao partido!

Quanto a misturar-me com o Avelino... eu sou dos "copos-de-leite"... daqueles que ele não gosta! Como de si nada sei, não posso devolver o "cumprimento"... mas é bem provável que se possa encontrar equivalente: sei lá, uma Odete ou um Jerónimo; um Alberto João ou um Valentim; um Barnabé ou uma das suas "meninas"; um Joãzinho ou um Magalhães (verde não vale: ou é do Sporting ou é melancia!)...
É à escolha!

Podemos manter este diálogo num nível um pouco mais aceitável... e responda lá: o que tem a dizer das torturas feitas pelos "camaradas"?!? Ou foram "bolachadas e choques eléctricos de amor"!?!

sexta-feira, maio 14, 2004

Reacções ?

Como é seu costume, Roldão Preto brindou-nos com um novo texto polémico.
Agradecem-se as reacções para avedros@clix.pt.
Moiteiros, sabemos que alguns de vocês sabem ler, e que até nos lêem. Não tenham vergonha de reagir.

Moita para Espanha, Já !!!

Ao ler a agenda de «eventos» do concelho da Moita para este mês de Maio, surgiu-me a ideia definitiva para nos livrarmos de todos os problemas causados pelo facto de convivermos com a terra moiteira.
O programa de actividades da chamada «Feira Regional» (Regional ???) de Maio, está repleto de iniciativas de conteúdo e forma claramente locais, ou regionais:
· No dia 20 de Maio temos a abertura do espaço do «I Encontro de Aficionados de Tertúlias, Peñas e Clubes Taurinos» às 21.15 e às 22.00 um Colóquio sobre tema semelhante.
· A 21 de Maio é a vez de se realizarem Danças de Salão na Sociedade Capricho Moitense pelo grupo de Sevilhanas da Sociedade Estrela Moitense (22.00), estando guardado para uma hora depois um Concerto de Pasodobles.
· Para 22, prevê-se uma actividade com a designação de «El Maleno y su Quadro Flamenco».
Deixam-se aqui de fora, dando de barato, as Largadas, Novilhadas e Corridas de Toiros, que já são da praxe e muito contribuem para o tédio de tantos.
Perante isto, a minha proposta final é a seguinte: Peça a acastelhanada Moita a adesão a Espanha, sendo devolvida a Portugal a lusa vila de Olivença.
Penso que esta ideia é genial e que só nos traria vantagens. Afinal, os moiteiros não parecem muito interessados na preservação das verdadeiras e legítimas actividades e tradições da região, pois se repararem tudo o que é Grupo Foclórico e Etnográfico é da Barra Cheia, da Baixa da Serra, das Arroteias ou de outros locais do concelho menos da sua sede. A Moita, vilória jovem de 300 anos, está mais interessada em tudo o que é coisa que cheire a espanholada, de quem se mostram acirrados apóstolos.
Em contrapartida, ganharíamos em Olivença uma terra que foi 600 anos portuguesa e cujas origens são quase contemporâneas da nossa nacionalidade, só deixando de ser portuguesa pela força das armas. E, por certo, lá se falará algo mais próximo do português do que o dialecto moiteiro com os seus «treuzes», as suas «igreiijas», os seus «carangueiijos» e as suas «cerveiiijas».
A Moita ficaria como um enclave, sendo para Portugal e Espanha, assim como Gibraltar para a Espanha e Inglaterra. Assim nos livraríamos, para retomar a terminologia de Mário Soares em relação ao Paulo Portas, de um «tumor» que não desejamos. Assim, a Moita seria apenas um «abcesso».
A Moita não nos pode pertencer, e muito menos ser sede de concelho de uma região em cujas tradições não se revê, antes preferindo reclamar para si hábitos forasteiros.
Moita para Espanha, já.
Olivença para cá, pois essa, sim, é nossa.


Roldão Preto
Alhos Vedros em Maio de 2004