domingo, dezembro 19, 2004

Obras Moiteiras em Alhos Vedros


Já repararam na amplidão da via resultante das obras feitas pela CMM na "zona histórica" de Alhos Vedros ?
Imaginem um pequeno acidente e vejam lá por onde é que se consegue passar.
E estacionamento ?
A desculpa é o alargamento da zona pedonal.
Mas será que costumam passar hordas de transeuntes por aqui ? Ninguém informou a CMM que as fábricas de têxteis que deixaram instalar-se ao desbarato em Alhos Vedros já fecharam há muito e as operárias desapareceram ?
O problema actual era o mau ordenamento do estacionamento que, agora, pura e simplesmente, se vai evaporar.
E onde estacionam as pessoas que queiram "fruir" da ampla zona pedonal ?

(foto cedida pelo nosso leitor LR)

sábado, dezembro 18, 2004

Pelourinho de Alhos Vedros


Isto é um momento histórico.
A nossa primeira imagem no blog.
E claro que teria que ser o símbolo maior do perdido poder municipal de Alhos Vedros, usurpado pela Moita.
Estamos comovidos.
Lacrimejamos, mesmo.



Repórter Estrábico

O Disco dos Repórter Estrábico é uma boa prenda para o Natal, vejam mais sobre o grupo em: http://www.reporterestrabico.com/

Quebra de tensão

Jorge Sampaio sentiu-se hoje mal quando passava pelo Pinhal Novo, aparentemente devido a uma quebra de tensão.
Parece que foi por causa do cheiro a bosta, trazido pelo vento que soprava de oeste.

Reflexão política

Deixam-se aqui as 12 razões, sem uma ordem específica, porque o nosso sistema político é a miséria que é:

1) Alberto João Jardim é Presidente da RAM há cerca de 30 anos.
2) Jaime Ramos, o braço direito de AJJ tem lugar de destaque num partido político.
3) Nuno Morais Sarmento faz-se passar por alguém com importância política.
4) Os irmãos Portas são líderes de duas agremiações políticas, teoricamente em extremos opostos do espectro partidário.
5) Fernando Gomes, Nuno Cardoso, Narciso Miranda, Fátima Felgueiras, Abílio Curto, etc, etc, foram autarcas eleitos (pelo PS).
6) Luís Filipe Meneses, Valentim Loureiro, etc, etc, foram autarcas eleitos (pelo PSD).
7) Avelino Ferreira Torres é autarca eleito há décadas (pelo CDS/PP).
8) João Lobo é Presidente da CMM (pelo PCP), sem ter sido eleito para o cargo.
9) Dias Loureiro, Duarte Lima, Ângelo Correia, etc, etc, surgem como referências respeitáveis e têm espaço reservado na comunicação social como opinadores políticos, depois do que foram como governantes.
10) António Pires de Lima é porta-voz de um partido político.
11) Fernando Rosas foi candidato à Presidência da República.
12) Pedro Santana Lopes foi Primeiro-Ministro de um país europeu, que não o Mónaco, Andorra ou o Lichtenstein.
13) O PCP foi formado nas últimas décadas por muita gente que, aparentemente, tem vergonha de ter sido comunista.
14) O POUS ainda existe.
15) António Guterres tem sérias hipóteses de ser Presidente da República.
16) Celeste Cardona foi Ministra da Justiça.
17) ...................

Eh lá !!!
Isto já são mais de 12 razões e ainda não esgotei metade do rol !!!
O resto fica para a próxima.

EXPORÁDICO 2005

Divulgamos aqui os contactos para o EXPORÁDICO 2005, Exposição de Artes, a realizar em data a marcar, em Alhos Vedros.
Os artistas interessados em participar poderão inscrever-se até ao dia 31 de Dezembro de 2004.
Contactos: Organização T.A.L. 919677432, 917663342, 212045410 ou 210817012.
Assim que recebermos mais notícias sobre este evento, serão aqui publicitadas.
A imagem de divulgação do evento está no Alhos Vedros Visual.

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Espírito natalício

Chegou o espírito do Natal ao nosso bom AVV.

Fabuloso

Grande blog.
Lindo blog
Quando for grande quero fazer isto.

(a sugestão foi colhida na Visão desta semana e vou ver se meto link permanente)

Preparem-se

Malta, é preparar para não haver referendo sobre o Tratado Constitucional da EU.
Primeiro, foi aquela pergunta digna dos Monthy Python.
Depois, com a dissolução, o Burroso veio de Bruxelas dizer que era pouco oportuno um referendo no meio de tantas eleições.
Agora, com o chumbo (merecido) da pergunta pelo Tribunal Constitucional, já estamos a ver as desculpas do Bloco Central e anexos para escaparem com o rabo à seringa.

Colaboração de Paulo Guinote

Após muito o aborrecermos por email, finalmente o nosso (se calhar ex-) amigo Paulo Guinote acedeu a mandar-nos uma anotação crítica do volume de actas das I Jornadas de História e Património Local publicado pela autarquia moiteira. Quanto à sua pergunta final, somos obrigados a confessar que gostámos.

Jornadas de História e Património Local
A insistente pedido de dois dos autores do blog Alhos Vedros ao Poder, venho aqui fazer uma curta apreciação do volume saído recentemente sobre as I Jornadas de História e Património Local e publicado pela CMM.
A minha autoridade no assunto é nula, àparte a minha formação em História, o facto de ter vivido a idade de Cristo na terra (não na Terra, apenas na terra de Alhos Vedros) e ter escrito um livro com um breve roteiro do património da margem sul. Contra mim, o facto de não colaborar em nenhuma iniciativa de carácter meramente local desde início dos anos 90 (incluindo estas Jornadas), nem de trabalhar normalmente em História Local.
Por isso, ao que acrescento a simpatia com que fui atendido na Divisão Socio-Cultural da CMM, quando lá fui solicitar um exemplar da obra em apreço, sinto algum incómodo em fazer uma crítica muito aprofundada e mordaz.
No entanto, e sublinhando a importância ímpar desta iniciativa, tanto mais ímpar porque a única com esta dimensão (evento+publicação), existe um pequeno reparo a fazer, que julgo do agrado de todos os que vêem na acção da CMM uma tendência (in)voluntária para a subalternização constante de Alhos Vedros.
O reparo relaciona-se com a forma como foram organizados os painéis das comunicações constantes na publicação e que não sei se corresponderão ao da sua apresentação pública, a que não assisti.
Se repararem, estas actas dividem-se em três partes (Painel de Arqueologia, Painel do Património Artístico, Painel de História Local). Quem anda nestas lides de colóquios e congressos, sabe que a uma organização temática como esta corresponde, por regra, uma organização cronológica no interior de cada tema.
Ora, não é este o caso.
Se bem atentarem, nos dois painéis em que surgem textos sobre Alhos Vedros e a Moita (2º e 3º), estes surgem sempre primeiro que aqueles mesmo quando a sequência cronológica é a inversa. É o caso óbvio da comunicação de Fernando A. B. Pereira sobre a imagem gótica de N. S. Anjos da Matriz de Alhos Vedros, que devia surgir antes da de Manuel Batoreo sobre as pinturas maneiristas da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Boa Viagem (para mais, um texto de conteúdo mínimo e fundamentação ausente, constituindo um mero resumo), bem como o do texto de António Ventura sobre os Pinhais de Alhos Vedros nos séculos XV e XVI, de novo antecedido por um outro texto muito curto sobre a Moita nos Índices de Chancelaria da Torre do Tombo, o qual me escuso, por razões éticas, a comentar.
Não sendo pormaior, este pormenor não deixa curioso: o facto de a Moita surgir sempre antes de Alhos Vedros, o que não parece justificável segundo qualquer critério a que esteja habituado neste tipo de obras, a menos que seja uma questão de precedência ditada pela hierarquia actual do poder autárquico. Quanto a outros critérios, e tenho várias dezenas de colóquios e congressos na bagagem, dentro e fora do país, não os consigo vislumbrar.
E assim espero, apesar de tudo, ter deixado uma pequena prenda no sapatinho de quem tanto me chateou para fazer este texto.
Gostaram ?

Paulo Guinote
Quinta do Anjo, 15/Dez/04

Colaboração de Manuel Pedro

Estratégia dos partidos de direita para as próximas eleições (PSD e CDS)

De fracasso em fracasso, de trapalhada em trapalhada, e por pura incompetência, Santana Lopes obrigou o Presidente da República, contra a sua vontade, a dissolver a Assembleia da República.
Elas não matam mas moem é o que se poderá dizer a Santana Lopes e elas são as Santanetes e as noitadas.
Como é que alguém que vive à noite pretende governar de dia ?
O ser humano não é de ferro e nem com transfusões contínuas de sangue novo Santana Lopes foi lá !
A demissão deste governo, anunciada com seriedade e gravidade pelo ex-Primeiro Ministro, assumindo uma postura de vitimização e pseudo-incompreensão pelo sucedido só pode ser explicada pela necessidade imperiosa por parte de Santana Lopes sobreviver politicamente dentro do seu próprio partido, porque cá fora está completamente queimado pela opinião pública devido a erros sucessivos ma sua pseudo-governação e a não possuir a mínima ideia das soluções para Portugal.
O PSD, ao concorrer sozinho às eleições, sofrerá a maior derrota da sua história e isto por três motivos: o primeiro é Durão Barroso, o fugitivo; o segundo é Santana Lopes, o incompetente; o terceiro é a desgraça em que deixaram o país.
Santana Lopes fez todos os possíveis por concorrer coligado com o CDS, para concretizar assim a sua ideia primária que é a da extinção pura e simples do CDS, passando o PPD/PSD a ocupar todo esse espectro político.
Pois bem, parece que Paulo Portas não tinha essas tendências de se suicidar politicamente e terminar com o seu PP.
O CDS/PP vai concorrer sozinho como qualquer norma de bom senso o aconselharia, conseguindo talvez o seu sonho de ter dois dígitos, ou seja, passará a ter de 2,9 a 4,5% e perderá grande parte da sua expressão na A.R., ficando de novo com 4 ou 5 deputados e arriscando-se a ser naturalmente ultrapassado pelo Bloco de Esquerda. Mas esta solução será ainda a única hipótese de sobrevivência do CDS como partido autónomo.
De qualquer modo, com coligação ou concorrendo separadamente, esta AD sofrerá sempre uma derrota histórica nas próximas eleições porque menosprezaram a inteligência dos portugueses.
Ao concorrerem sozinhos, o PS pode não atingir a maioria absoluta, mas o CDS continuará com uma percentagem muito reduzida de apoio entre os portugueses, o que estará mais de acordo com a realidade nacional do que a percentagem que tem actualmente e que conquistou à custa da demagogia utilizada em campanha, pelo voto das camadas mais envelhecidas e frágeis da população, quando prometeu pensões e reformas mais dignas e pelo apelo aos combatentes do Ultramar, prometendo a dignificação desses portugueses através de apoios do Estado, que nunca se reflectiram na realidade. Porque, a realidade do PP não corresponde à realidade de Portugal, mas sim à sua própria realidade – a de Paulo Portas !
E a andorinha de Manuel Monteira ainda não será desta que fará a sua Primavera do neo-Marcelismo (Caetanista).

Manuel Pedro,
16 de Dezembro de 2004

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Corram a comprar

Saiu, ou está a sair, a tradução lusa do livro Retratos Nus de Gente Famosa de Jon Stewart, o pivô do Daily Show da Comedy Central, que cá passa com semanas de atraso na Sic Radical, em horário flutuante.
Corram a comprar, porque vale mesmo a pena.
Ou então peçam como prenda de Natal.

Colaborem

Confrades alhosvedrenses,

Embora nos leiam, não fazia mal colaborarem, porque nós também temos vida e gostaríamos de dar a palavra a quem a tem.
Por isso, e enquanto não fazemos o upgrade de Ano Novo do blog, reparem que temos a indicação do nosso email no topo da página (avedros@clix.pt).
Serve para nos mandarem textos e imagens que julguem apropriados para divulgação aqui ou no Alhos Vedros Visual.
Sabem que garantimos confidencialidade a quem o pretender. Já alguém se queixou de divulgarmos coisas sem autorização ?
Vá lá...
Esforcem-se um bocadinho.
Sejam críticos.
Até parece que gostam do marasmo em que a Moita nos tem deixado.

(Nota final: Não sei se sabem mas existem terras deste país que têm vários blogs, que discutem questões locais e não só e servem de fórum de debate. Por cá, somos nós e...)

Para breve

Anuncia-se para breve a colaboração de Manuel Pedro com uma análise da situação política actual.
Como complemento ou aperitivo, leia-se esta prosa divulgada no site do Clube de Jornalistas sobre os bastidores da entrevista em que Morais Sarmento chamou "caudilho" ao PR.

Incentivo ao jornal O Rio

Saiu o último número do corrente ano do jornal O Rio.
Apesar das dificuldades são 166 números de trabalho sério e aberto a sectores da opinião local que, de outro modo, não conseguiriam divulgar a sua voz.
Esperamos que os problemas que atravessa, fruto dos tempos, não ponham em causa a sua continuidade.
Aqui deixamos ao seu director, José de Brito Apolónia, os votos de um 2005 de sucesso e de continuidade de um trabalho corajoso e persistente.
E que todos aqueles que convosco estiveram em dias melhores, não debandem quando as dificuldades apertam.

Obras, obras

Avançam as obras da CMM em Alhos Vedros. Já se vê o que se adivinhava.
Para ganhar um par de metros de empedrado, a via por onde passam os carros estreitou até ao mínimo imaginável, tendo desaparecido o espaço para estacionamento ou mesmo para qualquer descarga.
Será que quem tem estas ideias é naturalmente genial ou apenas não tem necessidade de usar estes espaços e os outros que se lixem ?
Se, por mera infelicidade, existir um pequeno acidente, fica tudo logo obstruído.
Será que não se vislumbram os problemas concretos quando se concebem estas asneiras ?
Não venham com a conversa que é para aumentar a zona pedonal, porque ali ninguém se queixava de falta de espaço para andar.
O que era preciso era ordenar e dar qualidade ao espaço existente, ao nível dos equipamentos e tentar que ele não se desertificasse cada vez mais na tradicional zona residencial envolvente, cada vez mais degradada.
Em vez disso, alguém com pretensões a qualquer coisa, apenas descobriu uma solução que dificultará o trânsito e o comércio da zona.
Parabéns.
A vantagem é que, desta maneira, tenho a impressão que não ganharão muitos votos.

Ciclovias

Aparentemente, o PS também parece interessado na questão das ciclovias no concelho, tomando por bom o que é dito no texto do excelentíssimo senhor Rui Mourinha do PS/Moita incluído no último O Rio (e que também deve aparecer, como é costume, igualzinho, no Jornal da Moita).
Como diz o Manuel Pedro, a malta do PS por cá está sempre na rectaguarda da vanguarda.
Como o tempo não chegou para mais, a análise ficou-se pelo que passa ser uma ciclovia que corre paralela à Estrada Nacional entre a zona do Pinhal Castanho e as proximidades da Moita, passando pela Fonte da Prata.
Quanto aos erros de que enferma aquilo a que chamam ciclovia nem sequer vou perder muito tempo, de tão gritantes que são.
Quanto à posição do PS, gostaria de lamentar que não faça qualquer análise sobre o plano global das ciclovias previstas para o concelho e, por exemplo, situações como a que aqui denunciámos sobre a ciclovia Moita-Rosário. Em seguida, lamentar que se equivoque sobre o traçado da ciclovia que dizem analisar, pois a mesma atravessa apenas uma parte da freguesia de Alhos Vedros (ficando às portas do seu núcleo central), não chegando à da Moita. Por fim, que não apresente propostas concretas (calendarização, traçados, etc) para um plano próprio de ciclovias.

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Agitação na blogosfera

O mundo anda louco e alguns dos blogs da moda não fogem à regra.
No Barnabé a censura está institucionalizada.
No Blasfémias deu-se uma cisão.
O João Pereira Coutinho zangou-se com um amiguinho chamado Ricardo porque não o acha o melhor.
Arrufos.
Isto há-de passar.
E a vida local há-de animar para nos dar assunto sobre que escrever.

Só o nome vale a pena

Só o nome deste blog vale a visita.

terça-feira, dezembro 14, 2004

Love is in the air

Assisti, ao vivo, ao comovente anúncio feito por Pedro Santana Lopes e Paulo Portas de que não vai haver casamento.
Foi interessante a espera, apesar de já se saber da coisa há que tempos.
No entanto, os pré-nubentes que o não foram, estiveram bem.
As trocas de olhares foram ternas.
As promessas de fidelidade foram bonitas.
A assinatura pública dos papéis, embora meio atrapalhada, teve simbolismo.
Temos união de facto.

(só faltou a Cinha, qual anjo da guarda, para abençoar os presentes)

Utilidades

Eu tenho tentado adicionar uns links úteis na barra do lado direito mas, pelo menos no meu computador, não os consigo visualizar.
Por isso, aqui vai o link para a Biblioteca do Conhecimento Online, com montes de recursos para investigadores em diversas áreas, embora mais pobrezinha para as Ciências Sociais e Humanas.
Para quem não tem possibilidade ou não quer registar-se pode efectuar pesquisas e fazer descarga de artigos como utilizador anónimo.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Intervalo para a actualidade nacional - Parte II

Estava a rever na RTP as declarações do muito excelente ministro (demissionário) da Defesa quando, enquanto líder do CDS(-PP?), afirmou que no minuto seguinte ao Presidente da República anunciar oficialmente a dissolução do Parlamento ele divulgaria a posição do seu partido quanto à existência, ou não, de uma coligação pré-eleitoral com o (PPD/)PSD.
Está registado para a posteridade o tom (como sempre) altaneiro com que o disse e o rompante com que arrancou no seu caminho.
Bem...
Não é que ele não tenha cumprido a palavra.
Este minuto é que tem sido muuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiittttttttttttttooooooooooooooooo
lllllllllllloooooooooooonnnnnnnnnnnnggggggggggggggggoooooooooooooooo.

Sugestão

Vale sempre a pena ler os textos de apoio ao blog Causa Nossa produzidos por Vital Moreira e incluídos no Aba da Causa. Muito bom o post de 7 de Dezembro sobre os antecedentes desta dissolução parlamentar.

Intervalo para a actualidade nacional

Alguém se lembra do que disse Paulo Portas, há cinco meses, quando Jorge Sampaio viabilizou o governo agora finado ?
Eu lembro-me.
Disse que, independentemente da decisão do PR, a posição do CDS-PP seria sempre de respeito pela Presidência, mesmo que dela discordasse. E aproveitou para zurzir os socialistas mais histéricos com Sampaio na altura.
Cinco meses volvidos, veja-se o comportamento da criatura, bradando aos ventos contra a integridade e imparcialidade do PR.
Nada como a falta de memória quando mais convém.
Agarrem-no, caso contrário o disparate puro e simples não vai parar.
Já parece o irmão mais velho.

sábado, dezembro 11, 2004

Mordomias

Não sei se repararam mas os ocupantes de cargos autárquicos arranjaram agora um método para, ainda no exercício das suas funções ou depois de as abandonarem, completarem os seus proventos com uns extras à maneira.
Não falo apenas das empresas municipais que, em boa verdade, aqui na Moita ainda não têm a implantação que ganharam em outras paragens, mas principalmente daquelas instituições supra/inter-camarárias que, a coberto de diversos pretextos, passaram a ser criadas por tudo e por nada e servem de abrigo a actuais ou ex-autarcas.
Há pouco tempo, a propósito de reportagens na imprensa local sobre a entrega de prémios gastronómicos da Região de Setúbal, lá encontrei o ex-autarca do Seixal como Presidente da Região de Turismo. Em outra peça, foi um conjunto de senhores que foi passear para o Brasil, a propósito de uns prováveis, possíveis, hipotéticos, acordos de cooperação económica.
Se procurarmos com um pouco mais de atenção, damos com estes organismos de duvidosa eficácia que são criados, principalmente, para canalizar mordomias para quem acha que o que tem ainda é pouco.
Nada como tornar mais atractivo e compensador o serviço à causa pública.

Por falar em passeios...

Voz amiga da Moita, que não moiteira, fez-me chegar a queixa de muitos adeptos dos passeios em bicicleta quanto ao estado da ciclovia Moita-Rosário, aparentemente em águas de bacalhau de há uns tempos para cá.
Parece que depois de já feito o traçado descobriram que parte dos terrenos a atravessar tinham dono e que o dito cujo não estava muito cooperante com a coisa.
Entretanto, o tempo tem vindo a passar e a ciclovia ficou-se a meio (aguarda-se entrada para breve de fotos amigas no Alhos Vedros Visual).
Resta saber se o plano de obras anunciado para arrancar brevemente na zona da marginal moiteira se estenderá à conclusão da ciclovia.
Eu apostaria que não, porque é obra que não enche muito o olho, enquanto que a remodelação da zona da Marginal fica ali mesmo à vista e dá a ideia de grande obra, o que em tempos pré-eleitorais é decisivo como critério.
Por isso, ciclistas ou cicloturistas da Moita, Gaio ou Rosário, se não fizerem pressão, aguentem-se e esperem pelas próximas eleições autárquicas.

sexta-feira, dezembro 10, 2004

Vamos passear ?

Podíamos fingir que não há crise e ir dar uns passeios culturais neste fim de semana.
Mas como infelizmente, a crise não fugiu (os dados do INE estiveram aí para o demonstrar), restam-nos uns passeios virtuais pelos sites de alguns dos melhores museus do mundo.
Dois deles, o Museum of Modern Art e o Metropolitan Museum de Nova York nunca visitei e talvez nunca visite porque não aguento mais de umas 2-3 horas num avião (já estive num avião em queda, não é preciso perguntarem mais nada...). Os outros, o Louvre e o British Museum, felizmente já os visitei em tempos mais gordos e não está fora de hipótese de lá voltar (ficam a menos de 3 horas de avião).
Nunca fica mal cultivarmo-nos um pouco, em especial quando vivemos num dos poucos concelhos da faixa litoral urbana em que não há um museu capaz.

Ainda as obras

No Diário do Barreiro também se fala nas obras previstas para a cosmopolita Moita (a CMM ataca em todas as frentes).
Atentemos:

Caldeira da Moita
Requalificação da envolvente exclui intervenção no dique

A Requalificação da Envolvente à Caldeira da Moita, no âmbito do Programa Polis, não inclui uma intervenção no dique. No entanto, esse é um problema que os membros do Centro Náutico anseiam ver resolvido para poderem navegar com liberdade naquela área. O Diário do Barreiro questionou o presidente da Câmara Municipal da Moita sobre esta temática e João Lobo afirmou que a questão ainda está em estudo e será uma obra “demorada e prolongada”.

Traduzindo: não há dinheiro do Polis para desfazer o que foi feito há pouco tempo, só porque foi mal planeado, mal concebido ou, simplesmente, mal pensado.
Para além disso, registamos que de acordo com João Lobo a obra será "demorada e prolongada". Se fosse demorada, mas não prolongada, talvez se fizesse já. Até se fosse prolongada, mas não tão demorada, também seria possível. Agora, demorada e prolongada é que não dá para fazer.
Aliás, pensamos que D. João V teve o mesmo problema quando ponderou iniciar a obra do Aqueduto das Águas Livres, mas parece que embora demorada a obra foi apenas longa, o que é completamente diferente de prolongada, pelo que o monarca viabilizou a coisa.

O quê ? Onde ?

Estive a ler com mais atenção a propaganda da CMM sobre as novas obras na zona da Marginal.
Pelo que percebo, a estrada vai passar mais perto do edifício da CMM (belos acrescentos para trás, já agora, tipo borbulha a crescer sem parar), para que a malta possa "fruir" da zona ribeirinha (!!!).
Deixem lá ver se percebo.
Onde agora há uma estreita faixa junto ao rio, uma estrada e um estacionamento, querem colocar uma larga faixa de lazer, a estrada e...
O que é que fazem ao estacionamento ?
Onde é que vão parar os carros ?
É que o espaço não se multiplica.
Qualquer coisa me está a falhar.
Se fica a estrada e se alarga a zona de lazer, para onde vão os carros ?
Se agora, em dias de Verão, já vão para cima do passeio junto às árvores para apanharem sombra, é de pensar que a partir destas obras, o espaço de lazer passará a ser misto com estacionamento incorporado.
Espero estar errado.
Espero mesmo.

Boas maneiras

«Baixem o tom. Baixem a voz. Tentem ouvir. É assim que funciona: quando outra pessoa está a falar, prestem atenção ao que ele ou ela diz. Mantenham contacto visual. Não interrompam. Quando ele ou ela acabar, reflictam um pouco no que ouviram. Não digam nada. Sintam como aquilo que escutaram estimula os pensamentos, conceitos, sentimentos e ideias na vossa cabeça. »

É o Michael Moore (Brancos Estúpidos, C. Leitores, 2004, p. 183) a aconselhar os americanos sobre como se devem comportar, mas podia ser sobre a aconselhar os senhores que nos governam a partir da CMM.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Sinais dos tempos – A decadência dos carteiros

Antigamente, ser carteiro era uma das profissões mais respeitadas nas aldeias e vilas deste país, quando os CTT eram uma empresa séria e decente, sem correio de várias cores e sabores.
O carteiro conhecia toda gente e diligentemente entregava a correspondêrncia com rigor.
Os tempos mudaram, os CTT começaram a esquecer-se do serviço público e a lembrar-se mais do lucro e a qualidade dos carteiros começou a descer. Mesmo em terras relativamente pequenas como Alhos Vedros começou a aparecer correio extraviado, a desaparecerem revistas ou a serem entregues danificadas (fui obrigado a cancelar assinaturas de tão dobradas e vincadas que me enfiavam as revistas na caixa do coreio), para não falar de coisas piores.
Agora com os CTT em bandalheira completa, como um estudo recente da DECO provou, mais interessados em distribuir publicidade que correio a horas, os carteiros desceram ao nível mais básico possível. São putos mal saídos da escola, com níveis de alfabetização funcional mínimos e regras de bom senso e educação perdidas em combate. Tudo se troca, contas, reformas, cartas normais, revistas, com o ar mais natural deste mundo, tratando quem reclama como se fosse um maníaco da exigência. Desde correspondência de ruas completamente diferentes a cartas para números e andares que não existem na rua e prédio onde habito, tudo passou a ser possível. Estupidamente continuei a assinar revistas: desde o puro e simples desaparecimento do que parece mais atractivo (a Maxmen e as suas meninas quase despidas) ao estragar do que é menos fácil de colocar na caixa, sem tocar à campaínha (a National Geographic, a Volta ao Mundo), a um pouco de tudo temos direito nesta selva em que se tornou a distribuição postal entre nós.
Tendo reclamado uma vez por telefone para a central de distribuição, disseram-me que o carteiro que fazia o meu giro até tinha frequência universitária.
Nada mais me poderia provar o miserável estado a que chegou a nossa educação.
Na estação, a dona Lucinda já faz por não ouvir, embora ela ainda faça os possíveis porque, de quando em vez, aparece com cada mal encarada lá pela estação, que mais vale comprar selos nas máquinas que existem à porta das estações do Barreiro ou mesmo da Moita.
É o que temos e aquilo a que chegámos.
Que saudades do senhor Silvestre.

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Dinheiro não parece faltar

Leio no Distrito Online a notícia sobre o possível arranque, já na próxima semana, das obras na Moita, com o dinheirinho do programa Polis, para "deslocalizar" a Marginal para mais perto da Câmara e etc.
Eis um excerto do texto:

Esta primeira fase, orçamentada em 1,4 milhões de euros, vai consistir na deslocalização da marginal para perto do edifício da Câmara Municipal e na renovação e adequação das infra-estruturas de saneamento e abastecimento de água desta zona antiga da Moita ao novo traçado da via.
A aproximação da marginal ao Paços do Concelho leva a que seja criado um “maior espaço de contacto entre os cidadãos e a zona da Caldeira da Moita”. Para o edil este é o “primeiro passo” de uma intervenção que irá permitir que uma maior proximidade com a zona ribeirinha.
João Lobo acrescenta ainda que esta primeira fase do Programa Polis da Moita deverá estar concluída em Julho de 2005.

Em primeiro lugar, quando fizeram há relativamente pouco tempo obras na Marginal não devem ter percebido que ela estava mal localizada, para agora ser preciso a sua deslocalização.
Em segundo, parece não haver falta de dinheiro para obras na sede do concelho. Nas outras freguesias e terras é que é pior, de Alhos Vedros ao Penteado, passando pelo Chão Duro e Carvalhinho, incluindo deficientes acessos a zonas residenciais, saneamento deficiente e outros mimos do género.
Em terceiro, parece que só a Moita tem zona ribeirinha e que só os moiteiros é que merecem desfrutar da "zona envolvente à Caldeira", como também se diz na peça.
Em quarto, parece que "o nosso Santana" deu o tiro de partida para a sua tentativa de eleição nas próximas autárquicas.
Agora, é só abrir o olho e ir apontando a data das inaugurações.

Os guerreiros estão de volta

Com a promessa de eleições antecipadas, regressa o tom guerreiro ao discurso político.
Prepara-se a luta.
Define-se a estratégia para o combate que se adivinha.
Cerram-se fileiras.
Etc, etc...
Com destaque para o CDS (o mano Portas Jr deixou a pouco e pouco cair o PP de sua invenção), mas também para o BE (o mano Portas Sr e o Louçã também se deixam ir nestes arrobos) e um pouco todos os outros, assume-se o discurso da "guerra" (à direita, à esquerda, ao centro, ao cimo, ao baixo, enfim...).
Mas, afinal, que "guerra" se avizinha ?
O beijo nas criancinhas ranhosas e nas velhotas de pelo na venta (e não só) ?
A travessia dos mercados e feiras ?
O ataque à bifana e à sandocha entre comícios ?
Tenham juízo.
O engraçado é que gostava de saber quantos destes senhores foram à tropa (a começar pelo actual e futuro ex-ministro da Defesa).
Era tão bom que deixassem de se armar em grandes homens e se limitassem a portar como homenzinhos que são.

Por falar em nostalgia

Por estarmos a chegar à época, lembrei-me (algo aterrorizado) dos bailes de fim de ano e Carnaval da Velhinha de há 20-25 anos quando havia sempre alguém a encostar-se à namorada ou mulher de outrém ou a entornar o copo de cerveja lá de cima por sobre quem estava cá em baixo e depois acabava tudo em boa e velha porradaria.
A tradição ainda é o que era ?

Secção Nostalgia

Estamos numa de Nostalgia no Alhos Vedros Visual.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Olimpíadas, já !!!

Fala-se de novo em candidatar Lisboa e a sua área metropolitana à realização de uns Jogos Olímpicos.
Não podia estar mais de acordo e, para me chegar à frente, proponho mesmo a introdução de novas disciplinas na competição, com origem nos hábitos e costumes da zona, como sejam:
- Os 200 metros cócós, em que os atletas devem percorrer aquela distância nos passeios da Moita, Baixa da Banheira e Alhos Vedros sem pisarem nenhum cagalhoto de canídeo.
- Os 1500 metros de telemóvel ao ombro, falando o mais alto possível para toda a gente ouvir nas ruas mais próximas.
- O lançamento do lixo, em que os competidores devem lançar sacos de lixo da janela das suas residências na direcção dos Ecopontos tentando acertar no buraquinho certo, conforme a natureza dos detritos. Ganha quem romper mais sacos e espalhar mais porcaria.
- O lançamento da escarreta, prova já tradicional na zona e com candidatos fortíssimos ao título mundial.

Penso que se o Comité Olímpico tiver conhecimentos destes contributos nos dará certamente a organização da prova o mais rápido possível.

Reparo Justo

Fizeram-me o reparo que ainda não divulgámos aqui a iniciativa da CACAV - "Escola Aberta Agostinho da Silva".
Têm razão.
Não é por não colaborar com os rapazes que lhes nego o mérito de remarem um bocadinho (não da maneira que eu acho melhor, mas isso são outras conversas) contra a maré do marasmo.
Por isso, quem não tiver a alma pequena que compareça e colabore, que não faz mal nenhum.

domingo, dezembro 05, 2004

De volta

O Anacleto está de volta.
Até que enfim.
Recomeçou com posts curtinhos ao fim de 3 semanas mas voltou.

sábado, dezembro 04, 2004

Efeitos da idade

Quando as décadas começam a acumular-se em cima de nós, os efeitos são vários.
Quanto à música, em mim são dois.
Por um lado, um retorno às origens e ao que envolveu aquele período que o MEC chamou "um quarto da quarta década do rock", tanto ao que então ouvi e não quis esquecer como ao que agora revisita esses tempos de forma criativa. Vejam lá que, mais de uma década depois, esta semana até comprei o Blitz.
Por outro, o constatar da importância do que são valores clássicos que na juventude nem sempre consideramos devidamente. Dito isto, vejam lá se compram, pedem emprestado ou descarregam o álbum praticamente póstumo de Ray Charles, Genius Loves Company. Se riscarmos a faixa com o Elton John o resto é um bálsamo para os ouvidos.

PS - Quem não sabe o que ou quem é o MEC, também não precisa de ler isto.

Cinco razões para gostar do Outono

Castanhas assadas
Marmelo cozido com açúcar amarelo e canela
Romãs (das verdadeiras, não é daquelas espanholas de aviário)
Coscorões
Filhós recheadas com batata doce (há quem lhes chame azevias, mas isso é nome de peixe e não de doce)
Sonhos

Olha !!! Afinal, são seis razões...

(isto devia sair com cores, mas está a correr mal)

Curiosidades históricas IV

Nos anos fiscais de 1845-46, de acordo com o Diário da Câmara dos Deputados, o concelho de Alhos Vedros gerou 3.142$798 de receita fiscal, contra 1.973$378 da Moita e 1.285$907 do Barreiro, e quase atingindo os 3.491$128 da Aldeia Galega, que tinha área muito maior (imagem do DCD de 13/ago/48 onde vêm as contas entrará brevemente no Alhos Vedros Visual).
Atendendo a que a população de Alhos Vedros era então já relativamente baixa, a receita per capita era bem superior à dos concelho limítrofes, ou seja, gerava-se maior riqueza.
No entanto, uma década volvida, o concelho era extinto.
Vá-se lá perceber os designíos dos tempos.

Curiosidades históricas III

Ainda acerca de António Hipólito da Costa, visconde de Alhos Vedros, a carta de mercê que lhe concedeu esse título, de 26 de Janeiro de 1836, encontra-se na folha 245 vº do livro 4 das Mercês de D. Maria II no Arquivo da Torre do Tombo.
Quando estiver com muita, muuuuiiiita, paciência eu prometo que a transcrevo.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Um blog local

Só para variar, referência a um blog local com interesse: o Estarreja Efervescente.

Curiosidades históricas II

No dia 14 de Outubro de 1976 entrava na Assembleia da República uma carta de Júlio do Rosário Branco, habitante de Alhos Vedros, «chamando a atenção para a inoperância dos trabalhadores da Câmara da Moita e também do posto da GNR da mesma localidade» (cópia do Diário da AR no Alhos Vedros Visual).
Foi há 28 anos mas quase diríamos que o tempo entre nós como que parou.

Curiosidades históricas

A 13 de Novembro de 1818 era nomeado como cirurgião da vila de Alhos Vedros, com ordenado anual de 50$000 (cinquenta mil réis), Valentim Inácio Rosa.
Como se deve ter portado bem, e gostado da terra, dois anos depois foi aumentado em mais 40$000 (isto é que eram bons tempos de aumentos para a função pública).
Bons tempos, em que Alhos Vedros tinha dos melhores recursos médicos da região.

Fonte: Chancelaria de D. João VI - Comuns, Livro 31, folha 70 vº e Livro 35, folha 45.

Novo link

Uma vez que no blog está o link do Diário do Barreiro,
porque não colocar o do Jornal do Barreiro?
Aqui fica o link: http://www.jornaldobarreiro.com.pt/
Continuem com o bom trabalho!

José Luís Pinto


PS. Assim faremos e obrigado

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Más notícias

Infelizmente, alguns dos mais blogs mais críticos e não alinhados da blogosfera nacional atravessam momentos difíceis, por esta ou aquela razão. A Trombeta do Casal da Burra acabou em 10 de Novembro, embora se mantenham online os seus arquivos. Pela mesma altura, o Anacleto também parou quase por completo.
Por outras razões (o sucesso, meus amigos...), o Gato Fedorento está quase parado e só notícia as outras iniciativas do grupo.
Felizmente, o Jumento está de saúde e o Bolas com Creme apareceu para nos alegrar.
Os links estão por aí ao lado, não mos obriguem a incluir aqui.

E agora, ó meu ?

No último O Rio, na página logo a seguir ao texto do nosso colaborador António da Costa, aparece um relato "na primeira pessoa" de um heróico laranjinha moiteiro "por casamento", de seu nome Luís Nascimento, que em tom épico e com fanfarra descreve como apresentou e conseguiu ver aprovada no Congresso do PSD uma moção visando a descentralização das decisões sobre a possibilidades de touradas de morte, por forma a serem as autarquias as responsáveis pela sua aprovação ou não.
Está-se mesmo a ver que era meio caminho andado para a Moita se chegar à frente nesta modalidade de corridas de touro à espanhola.
O autor rejubila com o feito mas esquece-se que foi nesse mesmo Congresso que Santana Lopes se viu confirmado como líder do (PPD) /PSD e chefe do Governo para, dias depois, se ver dissolvido.
E agora, meu bom rapaz e aficionado, no que é que ficamos ?
Tanta faena para quê ?
Quem é que acabou com as orelhas e o rabo cortado ?

Debate interno

Entre nós, para além da discussão entre restauração ou secessão, também temos um debate sobre as causas da má qualidade do poder moiteiro. Em especial o Manuel Pedro e o António da Costa tersam argumentos sobre a origem da desgraça.
Será pura má-fé (António da Costa) ?
Será apenas ignorância (Manuel Pedro) ?
Como escrevi nos primeiros tempos do blog, acho que tamanho vazio de visão estratégica para o concelho e em especial para Alhos Vedros, só pode ser causado por uma conjugação de factores, aliando ignorância, má-vontade (mais do que má-fé), presunção (muita e sem qualquer fundamento) e cedência a interesses.
Só esta combinação poderá explicar porque a CMM nos governa (alhosvedrenses) da forma como governa, mesmo quando o poder está (esteve) nas mãos de indígenas da terra.


Moedas...

À semelhança do que pediu Cavaco para o país, também nós devemos exigir ou fazer com que a moeda má (leia-se, políticos incompetentes) sejam afastados da CMM.
O problema é encontrarmos moeda boa (leia-se, políticos competentes e, já agora, sérios) cá pelo burgo.
É que, como há uns tempos aqui se escreveu, a oposição por cá anda de olhos em outras andanças e, apesar da tristeza com que somos obrigados a viver, as alternativas também deixam muito a desejar.
A solução passaria por cunhar nova moeda, mas isso leva tempo, ou escavar até ver o que se encontra escondido e com medo de aparecer.
Mas, numa semana em que a moeda má levou ordem de despejo, podemos sempre ter esperança.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Actualidades no AVV

Para outros comentários sobre a actualidade política, ide ao Alhos Vedros Visual. O link está aí do lado direito de quem olha ou aqui.

O bebé finou-se

Depois de tão mal tratado, com um pai distraído e uma mãe descuidada, para não falar das estaladas que lhes davam os alegados irmãos, alguém desligou a incubadora.
Atendendo à posição sobre o aborto, ficamos sem saber o que os progenitores acham do infanticídio.


terça-feira, novembro 30, 2004

Enfim...

Por fim, um pingo de bom senso neste país.
Acabou a mama do Orçamento para os amigos do Paulo e do Pedro.
Roda e bota fora.

Nota: Luís Delgado reagiu afirmando, e passo a citar de memória pelo que ouvi dizer a um primo do porteiro do prédio ao lado da prima dele, "o Primeiro Ministro mostrou todo o seu valor político e a sua visão estratégica na forma como foi demitido. Se alguém soube ser demitido em Portugal, foi ele".

Feira das Vaidades

Nas pesquisas feitas no Google sobre Alhos Vedros já chegámos ao 2º lugar.
O ego incha.

segunda-feira, novembro 29, 2004

A Festa do Livro

A Câmara da Moita decidiu, para espanto geral, promover uma Festa do Livro no Pavilhão Municipal de Exposições. Não deve ser Feira, para não chatear o Leonel Coelho e nisso fazem bem.
Como fanático por livros (e por uma vez) só posso aplaudir com pés e mãos.
As boas notícias é que, também por uma vez, aquele espaço se encontra cheio de livralhada e sem gado vacuum e respectivos odores e dejectos.
A má notícia é que, como de costume, a CMM trata a coisa com a indiferença habitual, ou seja, com o mínimo dos mínimos de investimento: puseram umas mesas, enfiaram com os livros em cima e pouco mais, se descontarmos umas cadeiritas de plástico. A separação entre editoras ou tipos de livros é inexistente. Alguns estão meramente empilhados nos caixotes em que chegaram. Temos Sade ao lado de livros infantis. Sei que tudo é educativo, mas...
Banda Desenhada erótica do Manara junto com os Astérixes.
Enfim, quem não sabe é como quem não vê.
E quem não lê, então, não faz a mínima ideia como promover a leitura.
A senhora que me atendeu era simpática e prestável, lá isso era, mas até penso que não é funcionária camarária.
Quanto ao resto é um vasto espaço sem qualquer tipo de arranjo especial, sem o mínimo dos mínimos exigíveis numa iniciativa deste tipo. Ao menos que pedissem material promocional às editoras, como sejam catálogos das publicações ou cartazes promocionais das obras mais emblemáticas.
As editoras que mandaram etiquetas com preços ainda nos permitem perceber o desconto. Quanto às outras, são muitos os livros sem preços ou os que, sabendo-se o preço original, não se percebe qual foi a percentagem aplicada.
Bem, do mal o menos.
Sempre são milhares de livros à disposição.
Só espero é que a coisa tenha a afluência necessária para repetir a iniciativa.
Eu sei que é difícil em terra que só corre ao cheiro de bosta, mas a esperança é a última a morrer.

O circo da Moita

No dia 9 de Outubro de 1948, o saudoso Século Ilustrado noticiava as obras para construção da praça de toiros Daniel do Nascimento na Moita.
O curioso, como poderão comprovar pela imagem que vai a caminho do Alhos Vedros Visual, é que a coisa a certa altura do texto passa a ser designada como "circo".
No fundo, nada mais correcto, se atendermos a que, para além das correrias dos bovinos, o que mais se lá encontram é palhaçadas.

A pique

Mais depressa do que esperaria aproximamo-nos do grau zero na nossa governação.
O fundo do buraco aproxima-se com grande rapidez.
Tenhamos esperança.
Já não falta muito para que seja impossível ficar pior.
Só um reparo.
Quando batermos no fundo, devemos agradecer ao nosso Presidente da República.
A ele devemos tudo isto.

domingo, novembro 28, 2004

Publicidade enganosa

Afinal, a montanha pariu um rato.
O coleccionável do Jornal de Notícias faz a História dos concelhos e freguesias mas a partir dos seus moldes actuais.
Ou seja, à História falta algo pois até as freguesias que já foram concelhos só surgem inseridas nos limites dos municípios agora existentes.
Lá foram quase 6 euros deitados à rua, pois a treta até vem envolta em plástico e não dá para ver antes de comprar.
Agora é esperar pelo volume em que vem a Moita (arghhh) e tentar ver a coisa antes de gastar o dinheiro.

Ai, ai, ai...

As obras na Praça da República e rua 5 de Outubro em Alhos Vedros já estão em curso – quase dois anos e meios depois de publicamente anunciadas mas ainda a tempo de ficarem concluídas antes das próximas eleições autárquicas.
Todo eu tremo de temor pelas consequências das ditas, pois o cartaz de propaganda (o “nosso Santana” cada vez está mais parecido com o outro) não permite adivinhar com exactidão e as descrições dos projectos sempre ocultam.
Ainda me lembro da última grande intervenção feita naquela zona feita nos anos 70 para abrir a variante da estrada no sentido Barreiro/Moita: foram palmeiras centenárias abaixo, reduziu-se a zona pedonal de forma drástica e ficámos com aquela sucessão disparatada de curvas antes da Igreja, alegadamente para não tocar em excesso nos terrenos da dita.
Agora, por enquanto, parece que só vão os arbustos, para “abrir” visualmente o local, etc, etc, naquela conversa redondinha que alia um pseudo rigor técnico à prosápia política.
Pois, pois, pois.
Ver para crer.
Já agora, existe alguma ideia para revitalizar a zona residencial envolvente, cada vez mais degradada e abandonada ?
Ou espera-se que tudo caia, para depois erguer os caixotes da ordem em nome da modernidade ?
Ah, e para acabar, não nos venham com a conversa de que estas são obras de recuperação ou requalificação do centro histórico da vila porque ou não sabem o que é um centro histórico, ou não sabem onde foi o centro histórico de Alhos Vedros ou pensam que a História começou só em finais do século XIX, quando a terra já estava em decadência e sob o poder moiteiro.

sábado, novembro 27, 2004

Caso interesse

Amanhã começa a sair um coleccionável com o Jornal de Notícias com a história das freguesias e concelhos do país.
Como Alhos Vedros vem logo no I volume, com menos de 6 euros resolvem o problema.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Indústria florescente

Aparentemente a única empresa alhosvedrense com um historial de sucesso, mesmo em tempos de crise, e em expansão para a própria sede actual do concelho, com sucursal junto à Igreja da Moita, é a Funerária Central de Alhos Vedros (acho que o nome é assim).
Eu sei que podia fazer imensos comentários jocosos a propósito desta situação mas, confesso, garanto que seriam de gosto ainda mais duvidoso que o habitual.
Por isso, deixo-os à vossa imaginação.

Isto é que é ser importante

No último Jornal da Moita a chefe do PS local, Eurídice Pereira, alinhava os seus cargos com tal afã e profusão que, encandeado pelo brilho, perdi de vista qualquer ideia que o seu artigo pudesse conter.
Coisa equivalente pela noção do próprio destino grandioso, talvez para melhor porque inadvertidamente mais cómico, só a protagonizada por Titta Maurício há um par de anos quando assinou um texto como sendo “Por enquanto, apenas, militante do CDS-PP da Moita” (n’O Rio nº 111 de 1 a 15 de Julho de 2002, pg. 6).

Para ambos serve a profecia: Amanhã a Moita, no Domingo o Mundo.

quinta-feira, novembro 25, 2004

Andam todos muito distraídos

Por uma vez o Jornal da Moita lança olhos sobre Alhos Vedros e faz título de 1ª página:

Antiga cadeia escondia vestígios arqueológicos

Segue-se um artigo onde se dá conta do espanto dos intervenientes em todo o lamentável processo que levou à demolição do que restava do edifício, assim como do próprio arqueólogo agora envolvido na coisa, quanto à natureza (quantidade, qualidade, antiguidade) dos vestígios encontrados.
Realmente a ignorância campeia entre nós.
Será que ninguém deste núcleo de História Local conhece a história da região ?
Ou o facto de Alhos Vedros ser sede de concelho na época medieval e moderna só servir para repetir em conferências, papagueando lugares-comuns por demais sabidos, não se retirando daí as devidas ilações ?
Será que não se deduz do facto anterior (AV como sede de um vastíssimo concelho da Margem Sul e um dos poucos centros municipais da época) a existência necessária de vestígios arqueológicos de relevo ?
Lá porque a terra tem sido dizimada com a complacência dos poderes instituídos nos últimos 150 anos não quer dizer que assim sempre tenha sido.
Será que os senhores arquólogos já ouviram falar de arqueologia urbana ?
Não ?
Não sabem "ler" a cartografia de uma localidade com origens medievais ou anteriores, quando situada em terreno plano e em zona ribeirinha ?
Também não ?
Não deduzirão de, sendo AV um local de refúgio do próprio monarca em inícios do século XV quando a peste assolava a capital (ler Zurara, se possível e se tempo houver), ser difícil pensar que a terra seria composta por pardieiros e sem nada que se aproveitasse ?
Não seria óbvio discorrer que nas vias com origens mais antigas na terra, as edificações foram sendo substituídas, acompanhando a evolução da terra num sentido de menor monumentalidade quando os tempos foram ficando mais difíceis ?
E que foram ficando soterrados os testemunhos anteriores ?
Hmmmm ? Não ?
Não interessa conhecer nada disso, pois não ?
Será que só interessa a história taurina da Moita ?
Que o senhor Rui Garcia não perceba de património tudo bem, quando andou na Escola deve ter sido mau aluno a História e acharia as aulas uma seca no meio do forrobodó de meados de 70, se bem me lembro, mas agora que historiadores que se dizem locais se mostrem surpreendidos é que é de causar maior estranheza.
Enfim, restam-nos aquelas patéticas declarações, a posteriori, do vereador e vice-presidente de serviço que consegue juntar termos como "arquitectónicos" e "memórias" numa mesma frase.
Talvez o mundo não esteja perdido.
Até pode ser que os alhosvedrenses a quem resta um mínimo de ânimo metam esta malta na ordem, porque já não há pachorra para mais desta ignorância.
Arre, burro, que não há arreata que te faça ver o caminho certo!

quarta-feira, novembro 24, 2004

Canas de Senhorim e Alhos Vedros

O incansável Manuel Pedro desafiou-me para esclarecer a posição deste blog perante a questão de Canas de Senhorim e, muito em especial, do seu paralelismo com a situação de Alhos Vedros e com as estratégias a desenvolver pelo nosso movimento restauracionista.
Bem, quanto à questão de fundo é verdade que Canas perdeu o seu estatuto municipal pela mesma altura que Alhos Vedros, embora não conheça todos os detalhes da problemática, pelo que talvez volte a ela mais tarde.
Quanto às estratégias a usar, o problema é outro.
Se quisermos cortar uma estrada por aqui, o que é que podemos impedir de sair de cá com algum interesse ou que seja de manter sem sair ?
Os de Canas bloquearam o urânio.
E nós ?
Hmmmmm.....
Os moiteiros não vale a pena bloqueá-los. É deixá-los sair e quanto muito impedi-los de voltar.
A bloquear algo só mesmo se, por altura do final das festas, bloquearmos as saídas da Moita e impedirmos que eles levem o resto das bostas e da areia das touradas e largadas para outras paragens e os obrigarmos a viver com a bosta debaixo dos narizes durante um bom bocado.
Este tipo de bloqueio ainda vá ?
O que é que acham ?
Em Maio, tamos nessa ?

Nobres dígitos

Sua Eminência Parda do CDS/PP, de seu nome Luís Nobre Guedes, veio dizer, perante os desamores do PSD(PPD, como diria o nosso Primeiro) só fica satisfeito se o seu partido atingir os dois dígitos no caso de concorrer sozinho (chuiffff, chuiffff....) às próximas eleições legislativas.
Isto desperta-me dois pensamentos:
Em primeiro lugar, que o CDS já tem dois dígitos, porque 8,5% é um numeral com dois dígitos, um de cada lado da vírgula.
Em segundo, que o CDS até poder ter os cinco dígitos de uma mão, tipo 0,1234% , que a mim não me incomoda nada.

terça-feira, novembro 23, 2004

Em expansão

Pessoal, se fizerem uma pesquisa sobre Alhos Vedros no Google já aparecemos em 8º lugar (a hierarquia é ditada através de um algoritmo que contabiliza os acessos às URL's).
Mesmo se a maior parte de vocês só nos lêem e não colaboram (não fazia mal ajudarem-nos com qualquer coisita, porque o tempo escasseia e nós garantimos anonimato a quem o pedir) parece que já são em número razoável.
Como temos mantido o 1º lugar nos blogs regionais do PTBloggers, estamos bem.
Gostávamos era que nos dessem, já que não escrevem textos, pelo menos materiais (fotos, imagens de jornais ou publicações antigas sobre a terra) ou ideias para posts.

Como diria o outro:
First we take a Moita, than we take Berlin.

Boletim Municipal

Há muito desaparecido de colaboração regular neste blog José Silva volta com um pequeno reparo contabilístico-iconográfico.


No nº 33 do Boletim Municipal temos direito a 9 fotos do shôr Presidente e 3 do shôr Vice-Presidente da edilidade.
Regista-se (sempre com apreço) o respeito pelas hierarquias, embora achemos que um ratio de 3/1 será um pouco elevado, merecendo o shôr Rui Garcia um mínimo que 4 a 5 fotos por número mesmo não sendo (nem de longe) tão fotogénico como o shôr Presidente.

José Silva

Notícia sobre canil de Alhos Vedros

Recebemos esta notícia sobre o canil de Alhos Vedros, por via de um nosso leitor (L. Mendes), que passamos a divugar:

Canil de Alhos Vedros Desespera por Novas Instalações
Terça-feira, 23 de Novembro de 2004

"Há dez dias que não durmo", explica Isabel Lopes, vice-presidente da Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita. "Sou uma pessoa com uma saúde mental forte mas esta é uma situação muito difícil." Com 300 animais a seu cargo na Quinta do Império, em Alhos Vedros, dos quais 150 são gatos e outros 150 são cães, a associação vive dias de desassossego e desespero. "Recebemos uma ordem de despejo há dez dias e deram-nos um mês e meio para mudar tudo", explica, entre lágrimas. Tudo começou quando a senhoria, que tinha emprestado o terreno à associação durante mais de quatro anos, anunciou que tinha uma proposta de compra do mesmo no valor de 700 mil contos [3,5 milhões de euros]. "Disse-nos que tínhamos o direito de preferência, mas onde é que nós temos esse dinheiro?", diz a enfermeira Isabel, que há quatro anos, juntamente com outras duas colegas, assumiu a presidência da associação. "A nossa associação já existe há cerca de oito anos mas foi há quatro anos que eu e umas colegas minhas nos juntámos para recolher e tratar dos animais abandonados", explica Isabel. "Quando começámos eram uns 70 animais, no máximo 80, agora temos 300. As pessoas vêm-nos pôr aqui ou prendem-nos com cordas à porta da quinta e alguns abandonam-nos aqui durante a noite". Neste momento, a associação já garantiu o aluguer de um terreno para onde os animais poderão mudar, mas continua a precisar urgentemente de material, mão-de-obra e dinheiro para construir os canis e os gatis até dia 15 de Dezembro. "A Câmara da Moita ajuda no que pode, já emprestou uma máquina para trabalhar o terreno novo, mas temos falta de muita coisa", afirma Isabel Lopes. Quem quiser ajudar a associação pode contactá-la através do "e-mail" animaisdamoita@sapo.pt ou do telefone 934854724. Nuno Ferreira
Nota final da redacção: Se disserem que são bois, por certo que a CMM dará maior ajuda.

domingo, novembro 21, 2004

Sugestões para prendas de Natal

Quem quiser oferecer-nos qualquer coisa neste Natal, não hesite, comunique-nos esse desejo (justo, compreensível, incontrolável), que arranjamos maneira de nos fazer chegar todo o tipo de oferenda. Garantimos que esse tipo de simpatia será mantido em segredo e não será considerado como pressão, pelo que não passaremos a elogiá-lo(a) neste espaço.
Lista de ofertas admissíveis e que também podrá ser utilizada como ideias para usar com os amigos(as) e familiares:

DVD dos Gato Fedorento; embora por certo venha a aparecer na pirataria, a admiração pelos rapazes faz com que achemos justo que recebam todos os direitos de autor que consigam pelo seu trabalho. São cerca de 28 euros mas os rapazes merecem-no.
DVD dos Monthy Python (“E Agora para uma Coisa Completamente Diferente”) com uma colectânea dos melhores sketches do seu programa Monthy Python’s Flying Circus, pai e mãe da maioria do humor decente nos últimos 30 anos. São menos de 20 euros por quase hora e meia de puro delírio.
DVD, penso que por fim em edição nacional, das primeiras séries do Seinfeld. A opção era ir pacientemente gravando o que está a passar na SIC Radical, com cuidadinho, mas acabei por não conseguir apanhar todos os episódios (saltaram da 3ª para a 4ª feira) e misturei-os com outras coisas, enfim.

Dois CD’s que são apostas fáceis, ganhas à partida, apesar da certa oposição de um colega de blog, com os novos álbuns dos U2 (música boa para as massas) e dos REM (música boa para as elites). Se quiser ser criativo e mais alternativo compre os últimos do Rufus Wainright ou dos Kings of Convenience se os conseguir encontrar em algum lado. Na Margem Sul, acho que com alguma sorte só na FNAC de Almada, pois ainda não lhes pus os olhos em cima.

Quanto a literatura, como não tenho ainda nenhum, podem mandar-nos o Antes do Degelo da Agustina Bessa-Luís. Li o princípio e parece que é desta que vou ler qualquer coisa da senhora, antes de ela completar o centenário. Se quiserem investir um pouco mais aceitam-se As Farpas de Eça de Queirós na edição recente da Maria Filomena Mónica. Acho que passa dos 25 euros, mas a prosa do homem é o melhor que a nossa literatura nos deu (tirando alguns artigos da revista Tauromaquia).

Utilidades

Longe de nós incentivar a pirataria online mas, para casos excepcionais de materiais que não se apanham no circuito comercial, os sites/programas P2P são uma dádiva. Tentem o Morpheus e, por exemplo, encontrem lá na secção áudio numerosos sketches de stand-up-comedy, músicas divertidas ou excertos de programas televisivos com o Adam Sandler, o Chris Rock, o Seinfeld, o Steve Martin ou o enorme Robin Williams com destaque para dois números com os títulos “God Gets Stoned” e “Donald Duck Gets a Blowjob”. De um desconhecido para mim Rodney Carrington tentem o “Things not to say during Sex”, número clássico mas sempre hilariante.

sábado, novembro 20, 2004

Os lugares da memória

«Ser membro de qualquer comunidade humana significa adoptar uma posição com respeito ao próprio (ao seu) passado, mesmo que esta seja de recusa. O passado é, portanto, uma dimensão permanente da consciência humana, um componente obrigatório das instituições, valores e demais elementos constitutivos da sociedade humana.»
(E. Hobsbawm, Sobre la historia, Barcelona, Ed. Critica, 2002, p. 23)


A indiferença das reacções dos responsáveis da CMM, e seus apoiantes, perante o progressivo apagamento da memória do passado municipal de Alhos Vedros e pela degradação, seguida de destruição, dos parcos vestígios patrimoniais que dele nos restam é algo que só posso qualificar como chocante ou, talvez mais correctamente, como sinal de uma profunda ignorância e insensibilidade pelo papel simbólico de determinados espaços e tradições na manutenção de uma identidade específica por parte das comunidades humanas.
Ou, pior do que isso, como uma estratégia consciente de, por omissão em primeiro lugar e por acção depois, apagamento dos elementos essenciais da memória de uma identidade muito própria e específica que Alhos Vedros já teve no passado e que, nos últimos 100-150 anos o poder da Moita fez os possíveis por obliterar.
As fases do processo de apagamento das memórias e da identidade de uma comunidade são várias. Para além dos efeitos naturais provocados pelo tempo que, ao escoar-se, leva sempre ao esfiapar dos vestígios do passado, temos a intervenção bem mais perniciosa, pela acção ou inacção dos homens.
A tentativa de destruição por vias violentas, embora mais rápida, leva normalmente a reacções de resistência igualmente violentas, mesmo que nem sempre com sucesso. São muitos os exemplos deste tipo de genocídio cultural ao longo da História. Por regra só damos atenção a este tipo de acções, por estarem associados a consequências mais trágicas, para não dizer espectaculares, e tanto mais atenção damos quanto maior é o grupo humano afectado.
Mais insidiosas, mesmo se a mais longo prazo e sem o recurso a meios aparentemente violentos, são as formas de destruição da identidade de uma comunidade pela via da inacção, pela ausência de estratégias de preservação, pela sua desvalorização perante as identidades vizinhas ou meramente por tácticas de esquecimento forçado. Como as consequências da inacção nem sempre têm uma dimensão facilmente perceptível no tempo curto, no curto prazo, só com a sua acumulação ao longo do tempo se vão fazer sentir os seus efeitos mais daninhos.
Neste tipo de estratégias, o tempo é um aliado natural, pois aposta-se, antes de mais, na instalação de um gradual esquecimento nas populações. Em primeiro lugar, as funções simbólicas de determinados espaços são deslocadas, deixando estes numa situação de progressivo abandono. Em seguida, procura-se fazer desaparecer, não as relembrando ou carregando fortemente nas que lhe são concorrentes, as memórias associadas a um determinado local/tradição que permanecem no imaginário colectivo. Por vezes, os nomes, de um edifício, de uma rua, são mudados. Em outros casos, graças a uma inacção criminosa, basta esperar que a decadência natural se instale para se justificar uma intervenção de posterior destruição.
Aos agentes, normalmente económicos e políticos, destas estratégias de obliteração da identidade podemos chamar constritores da memória, por oposição ao papel nobre de construtores da memória reservado por algumas sociedades a historiadores ou antropólogos, por exemplo.

A fase final deste processo, quando tudo está quase acabado e quando se fazem ouvir as poucas vozes críticas que restam, é a de alegar que, de qualquer maneira, já não adiantava preservar o que se encontrava num estado de irremediável degradação.
Este é o argumento mais cínico e hipócrita, quando surge na boca daqueles que, objectivamente, nada fizeram para inverter a situação, quando isso ainda era possível. Daqueles que, pela sua inépcia ou má-vontade, colaboraram na estratégia de esquecimento e destruição de memórias colectivas.
Este é o panorama que vivemos em Alhos Vedros e tudo isto vem a propósito do que se passou em nesta terra nos últimos 149 anos.
Em 2005, passam 150 sobre a sua perda de dignidade municipal, após perto de 500 anos em que foi sede de um concelho que foi sendo progressivamente amputado, originando diversas unidades administrativas: primeiro, o Barreiro; depois, o Lavradio (entretanto igualmente extinto); por fim, a Moita. Sob administração de Alhos Vedros, as terras que podiam ser suas concorrentes puderam prosperar e emancipar-se. Infelizmente, o inverso não foi verdadeiro.
Essa amputação física, embora dolorosa, não foi certamente tão dura como a sua progressiva subalternização na segunda metade do século XIX, dançando de acordo com as conveniências políticas e os interesses eleitorais da época entre o concelho do Barreiro e da Moita. Nem tão dura como o destino triste que lhe reservou todo um século XX de sujeição ao poder da Moita, terra de curtas tradições e que, à semelhança de todos os jovens poderes imperiais, espezinha os ascendentes ancestrais com a sua arrogância e ignorância.
A história de Alhos Vedros no século XX, apesar da exiguidade das suas gentes, é muito rica em si mesma, na sua vivência comum, mas muito triste quando verificamos tudo o que lhe foi feito pelos seus novos senhores.
Com antecedentes, mas com maior ímpeto durante o Estado Novo e sem inversão notória com o advento do Portugal democrático, a (in)acção do poder da Moita tem ajudado objectivamente a destruir tudo o que nos relembrava a Alhos Vedros de outros tempos, desde uma completamente esquecida Rua “Direita”, onde há 500 anos se centrava a vida da vila e o seu centro político-administrativo [1], aos humildes núcleos habitacionais de cariz popular que foram circundando a chamada “vila”.
De interesse económico cada vez menor devido ao seu abandono e degradação, sem um poder político com visão que perceba que o património e a identidade de um grupo humano não se faz apenas de edificações monumentais, tudo tem vindo a ficar corroído, a cair e a ser substituído pelo que de mais incaracterístico existe no urbanismo contemporâneo.
A ninguém com responsabilidades ocorreu nos últimos 20-25 anos que, com os vestígios de actividades dependentes do rio (as últimas salinas desapareceram na passada década de 90, um par de moinhos de maré ainda subsistem, a zona húmida do sapal resiste estoicamente aos avanços dos entulhos, das lixeiras e do cancro do Cais Novo) as suas abandonadas unidades fabris corticeiras, o resto do seu passado tardo-medieval e moderno, Alhos Vedros poderia ter sido preservada como uma espécie de museu vivo, não deixando degradar tudo o que se deixou, limitando os danos de um necessário progresso e investindo num tipo de qualidade de vida que está longe do mais óbvio mas que, nem por isso, tem menos valor.
Infelizmente, a nível local, o poder é detido por gente que associa o desenvolvimento a rotundas com touros, o progresso a urbanizações de 3ª ordem, a cultura à sua foto em cerimónias de inauguração de investimentos de utilidade duvidosa, feitos ao sabor dos calendários eleitorais, a preservação da natureza ao abate indiscriminado de árvores sempre que empecilham uma estrada ou uma urbanização de promotor amigo e a arte a qualquer coisa que se vê apenas em museus da capital.
E enquanto quem tiver o poder achar que um conjunto de pedras é sempre, e apenas, um conjunto de pedras (o templo de Diana em Évora, por exemplo não passa disso), dificilmente as coisas mudarão.

António da Costa


[1] Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento do traçado urbanístico medieval ainda consegue, mesmo se com um crescente esforço, identificar a malha urbana da Alhos Vedros de outros tempos, com as suas artérias paralelas ao rio, as ruelas de ligação, ou os espaços centrais de convivialidade.

sexta-feira, novembro 19, 2004

NÃO !!!

«Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?»

Caramba, se por um triz quase que nem percebo a pergunta, como querem que eu assine de cruz ?

Está xujo

O PS fez publicar na imprensa local um lamento pela sujidade que caracteriza os contentores, e as ruas em geral, no concelho da Moita.
É verdade, pelo menos em parte pois, no que às responsabilidades toca, se calhar em vez de baterem no ceguinho (é fácil acusar os serviços da CMM) deviam fazer acções de sensibilização da população para terem mais cuidado na forma como usam os ecopontos (o do papel não é para colocar sacos de plástico com papel lá dentro, é apenas para o papel, o dos vidros, não é para garrafas meio cheias ou com restos de azeite e óleo) e na higiene dos seus cãezinhos.
Gostava de saber, se lá no secretariado concelhio do PS ninguém leva o cãozinho a defecar na rua e não deixa lá a poia para o transeunte apreciar.
Porque isto de dizer mal, só por dizer, tem muito que se lhe diga.
Longe de nós defender o poder moiteiro mas também devemos respeito a quem anda pelas ruas a limpar o lixo que fazemos.
E o mínimo, dos mínimos aceitáveis, passa por não sujar desnecessariamente a via pública, tá bem rosinhas ?

Investimento ? Desenvolvimento ?

De acordo com os dados do INE para 2001 (ver gráfico respectivo no Alhos Vedros Visual), no contexto da Região de Lisboa e Vale do Tejo, a Península de Setúbal é a subregião, entre 5 (Oeste, Grande Lisboa, Península de Setúbal, Médio Tejo e Lezíria do Tejo), que menos investe per capita, embora sendo a que mais recebe em impostos (sisa, imposto sobre veículos e contribuição autárquica), logo a seguir à Grande Lisboa.
Eu sei que em alguns concelhos desta zona até se investe alguuma coisa.
Agora o que sei é que, por certo, o nível de investimento da Moita deve ser dos que mais puxa para baixo esta média.
Deve ser do modelo de desenvolvimento híbrido (comulista-capinista) que temos.

quinta-feira, novembro 18, 2004

Jogos de interesses

Um dos sociólogos portugueses que menos estimo (Boaventura Sousa Santos, um rebelde de serviço, sempre disponível para um subsídio do Estado) é o mais distinto arauto entre nós da teoria das interligações entre o local e o total ou global (Um Discurso sobre as Ciências, p. 46).
Significa isto que, para ele e para os que partilham esta teoria/crença, nos tempos do conhecimento pós-moderno e da globalização (económica, cultural, política) que correm tudo se encontra interrelacionado da microescala local à macroescala planetária.
Ocorreu-me tão profunda referência (!!!) ao pensar na incipiente classe política oposicionista local quando um amigo de longa data me perguntou que posição tomaria este blog nas próximas eleições autárquicas.
Por princípio, e penso que a generalidade dos colaboradores e amigos do blog concordarão, o nosso posicionamento deve ser de apoio a qualquer movimento cívico que se apresente a votos com um projecto que recupere para Alhos Vedros um protagonismo que lhe é há muito negado e que promova uma requalificação (a sério, não daquelas que a CMM apresenta no papel) das condições de vida existentes.
Não me querendo adiantar muito cedo, considero, porém, que na ausência de um movimento deste tipo, e perante o cenário que hoje observamos, a neutralidade é a única opção, seja ela expressa por voto branco, nulo ou mesmo abstenção.
E isto porquê ?
Sejamos claros. Ninguém, como nós, tem maior tristeza e aversão pela forma como os actuais detentores/ocupantes do poder moiteiro o exercem de forma discriminatória, desigual e, digamo-lo sem receios, ignorante e incompetente.
Diz-nos um historiador de renome (Carlo Cipolla) que são tantos maiores os danos da estupidez humana quanto maior poder tem uma pessoa estúpida. Para mim, é esse o caso actual do poder da Moita.
No entanto, não confundo essa aversão a personagens menores com as forças partidárias em que, transitoriamente e enquano dá, esses figurões militam. Significa isto que não confundo Joões Lobos e Ruis Garcias com todo o PC local. Existe nele melhor do que isso.
Por outro lado, tamanha recusa do actual poder moiteiro poderia levar-me para os braços das forças de oposição no concelho da Moita com capacidade de funcionarem como alternância ou alternativa.
Ora é aqui que o problema se coloca de forma grave.
Aparentemente inexistente, o PSD parece ter deixado o terreno da direita ao activismo do CDS/PP, enquanto à esquerda, mesmo se é devido respeito à presença de décadas do MRPP ou à moda actual do BE, resta-nos um PS em aparente crescendo.
Aliás, se tomarmos como referência a intervenção na comunicação social local/regional, são apenas os dirigentes locais do PS e do CDS/PP que aparecem com voz activa.
Ora, e volto a repetir para o sublinhar, aqui é que o problema se coloca de forma (muito) grave.
Porquê, dir-me-ão Eurídice Pereira (EP), Hélder Pinhão (HP) e Titta Maurício (TM), os escribas mais empenhados da oposição local ?
Porque, minha senhora e meus senhores, vocês estão noutra, estão a pensar em termos do que podem alcançar a nível nacional através dos vossos partidos (e não me venham com aquela de que estamos afazer juízos de intenção). A luta a nível local é apenas instrumental, um meio ao serviço de fins que estão muito para além deste concelho.
E isto é facilmente demonstrável, bastando ler o que escrevem, seja para O Rio, seja para o Distritonline.
Se passarmos a pente fino os vossos textos, em particular de EP e TM, o que encontramos é uma intensa tentativa de chegar à frente, ganhar visibilidade e posições nos órgãos nacionais das vossas agremiações partidárias. O que analisam ou debatem são assuntos de âmbito nacional, o que elogiam são os vossos líderes nacionais, o que criticam são os vossos adversários a nível nacional.
Quando é que, em todo este ano de 2004 por exemplo, se ocuparam em divulgar propostas concretas de acção para o concelho da Moita ou, mais importante para nós, para Alhos Vedros ?
As vossas críticas ao PC no poder na Moita são as tiradas vagas do costume, sem propostas alternativas – CON-CRE-TAS – que se vejam.
Há meses atrás, quando aqui no blog se desafiou TM para o fazer, ele acabou por reconhecer não estar em condições para apresentar desde já propostas concretas. Quanto ao PS, para além das críticas à gestão municipal moiteira (tarefa por demais fácil, que até nós conseguimos sem estarmos no poder em qualquer freguesia ou termos acesso a informação reservada), pouco ou nada se encontra, salvo umas tiradas fraquitas de HP (já agora, rico, estava muito bem naquelas fotos do Congresso do PS).
Por tudo isto, são muitas as minhas reservas ao papel da oposição local, muito mais interessada no plano nacional. A intervenção que por cá fazem é apenas uma forma, como já se disse várias vezes neste blog, de ganhar créditos nos aparelhos partidários nacionais.
Por tudo isto, não encontro uma oposição credível neste concelho, capaz de mobilizar qualquer réstia de entusiasmo que me tenha ficado após 30 anos de poder PC.
Será isto uma atitude de rendição, de capitulação, de abandono de terreno ao adversário, de ajudar a perpetuar o que está, por omissão ?
Talvez, talvez...
Só que prefiro um cenário de luta aberta contra o que discordo do que alianças de circunstância para a tomada do poder por parte de quem, com o manto do compromisso, apenas se prente promover a si mesmo.
Uma coisa vos garanto, a mim certamente não encontrarão a solicitar subsidiozinhos à CMM, seja qual for a cor do poder lá instalado no futuro, nem a negociar lugarzinhos em troca de apoios.
A mim, e a nós no blog, chega-nos o papel de consciência incómoda.
E já dá muito trabalho.

António da Costa, 16 de Novembro de 2004

Vergonha, porquê ?

A propósito e a despropósito das questões levantadas pelo blog Alhos Vedros ao Poder quanto à perda de identidade alhosvedrense, gostaria de partilhar convosco algumas recordações acerca do que foi ser de Alhos Vedros ao longo da adolescência e do início da idade adulta, ou seja, quando comecei a sair da terrinha. Quanto à infância, a questão não se punha, quer por inconsciência, quer porque não saía da terra se não com os meus pais.

Em primeiro lugar, lembro-me da sensação que foi ser o único aluno da Margem Sul na minha turma da Faculdade em meados dos anos 80. Em muitas dezenas de criaturas, eu era o único que fazia a travessia do rio todas as manhãs para receber uma educaçãozita universitária, enquanto o resto da malta era lisboeta indígena, das linhas de Sintra e Cascais e uns quantos perdidos da região do chamado Oeste.
Quando os meus colegas deram por isso fui rapidamente tido como “vermelho”. Com o aumentar da curiosidade perante o espécime, tentaram saber a minha proveniência exacta. Horror dos horrores, era da zona mais vermelha de todas, do concelho da Moita onde (juntamente com o Barreiro) o PC tinha regularmente votações que faziam corar de inveja grande parte do Alentejo.
Quanto eu tentava explicar que, mais exactamente, era de Alhos Vedros, recebia um olhar de espanto de volta, tipo, “O quê?”, “Donde?”, “O qu’é qu’é isso ?” ou “Alhos quê?”
Alhos Vedros era uma espécie de fim de mundo de que ninguém tinha ouvido falar. Digamos que, para todos os efeitos, a Damaia ou a nascente Chelas, gozavam de maior prestígio, se outra razão não existisse, porque eram conhecidas.

Por estranho que pareça, este tipo de reacção não era particularmente novo para mim.
Já desde a escola preparatória e a própria secundária da Moita que eu vivera, com muitos outros colegas de Alhos Vedros, o anátema de sermos de onde éramos. Nunca fiquei em turma com número ou letra muito adiante da penúltima – era sempre do 1º 11, do 2º 257 (ciclo), do 7º X, do 8ºY e do 9º Z (actual 3º ciclo). Nas minhas turmas, para além de 4 ou 5 de Alhos Vedros, existiam alunos do Rosário, do Chão Duro, de Sarilhos, do Carvalhinho mas quase nunca, valha-nos Deus, da própria Moita, do centro, digamos assim (quer dizer, acho que tínhamos um ou dois exilados, por qualquer razão estranha). Éramos um gueto multicultural à moda de então.
As meninas e os meninos da Moita ficavam nº 2º 1, nº 7º A, no 8º ou 9º B, quanto muito. Consequentemente, na Secundária, tinha sempre aulas lá para os cantos do fundo da Escola.
Para os maiorais pseudo-betos moiteiros da época, sempre com um humor de fino traço, éramos sempre o objecto de gozo e chacota: “Hé, hé, hé, és de Alhos Vedros ? Não tens vergonha ?”
Por acaso não tinha e, em situaçõs limite, a coisa resolveu-se à estalada.
Ser de Alhos Vedros era algo que nos queriam fazer sentir como vergonhoso, perante o poder político da Moita e o (crescente) poder económico da Baixa da Banheira.
Nuca percebi esta atitude de retardamento intelectual típica dos moiteiros perante o pessoal de Alhos Vedros.
Pior que tudo, nunca percebi porque muitos miúdos alhosvedrenses cediam à pressão e agiam como perfeitos moiteiros, aliando-se ao bando de imbecis que nos azucrinavam a mioleira.

Portanto, meus amigos(as), grande parte das décadas de 70 e 80 foram passadas num ambiente de defesa e quase auto-justificação pelo facto de ser de Alhos Vedros.
Com o tempo, e um pouco de conhecimento, fui percebendo o porquê de tamanha discriminação: ignorância, desrespeito, arrogância e pura e simples estupidez, como escreveu já aqui o António da Costa.
Ignorância do passado e desrespeito pelo presente, causadoras de grave arrogância e estupidez nos actos.
Contra tudo isso, aprendi que a solução só passa em parte pela indiferença.
Porque se nos excedermos na indiferença, o pé estará sempre pronto para nos pisar, a língua para nos vilipendiar, o poder para nos manter no atraso.
Por isso, precisamos de falar, escrever, deitar sempre que necessário cá para fora o que nos vai na alma.
E nunca, por nunca ser, pactuar com a ignorância, o desrespeito, a arrogância e a estupidez.


Filipe Fonseca

Maravilhas da natureza

Uma equipa da National Geographic identificou em dois ecossistemas locais (um localizado na Praça da República da Moita e o outro dissemindado pelo concelho) duas novas espécies animais, de que se conheciam vestígios da acção mas não se provara cientificamente a existência.
São elas o comulista (o comunista com um exercício do poder tipicamente capitalista) e o capinista (o capitalista ávido do apoio do poder público para estender a sua acção daninha).
Elos perdidos na evolução humana, mas de poder destrutivo fortíssimo, espera-se que o seu estudo revele porque vastas áreas da região têm vindo a ficar inapelavelmente destruídas e a paisagem natural irremediavelmente irreconhecível.

De volta

Após tristes dias de combate com os meios de acesso à net, estamos de volta.
Abaixo a Cabovisão, pois duas semanas depois de uma reclamação por escrito e registada, nem um pio se lhes ouviu.
Experimentemos o ADSL.

domingo, novembro 14, 2004

Comprem e leiam

Já está na versão online e amanhã sai em papel O Rio nº 164 (o link está do lado direito, no sítio do costume), com destaque de capa e artigo do nosso colaborador Manuel Pedro sobre a destruição da velha cadeia de Alhos Vedros.
As justificações do echelentíchimo chôr Presidente são do calibre costumeiro.
Primeiro deixam a coisa ir-se degradando.
Depois, dizem que ficou degradada e por isso não serve para nada.
Se aos privados só interessa a rendibilidade financeira dos investimentos, a autoridades municipais responsáveis pede-se mais, em especial aos que (dizem eles) acham que a intervenção pública é essencial para regular os desvarios do mercado.
O melhor é pormos o plano restauracionista que delineámos anteontem em movimento e mandarmos esta malta para Espanha.

sábado, novembro 13, 2004

Com sorte

Há obras da Praça da República da Moita.
Não sei o objectivo, mas se tivermos sorte pode ser que um dos condutores daquelas maquinetas que lá andam, a seguir a um almoço bem regado, se descuide e deite abaixo aquele simulacro de pelourinho que lá está.
Sempre as obras teriam servido para alguma coisa.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Grande plano restauracionista

Temos um grande plano para restaurar o concelho e ainda ganhar uns territórios anexos para Portugal

Passo 1:
Trocamos a Moita pela Galiza, levando os espanhóis o Rui Garcia e o João Lobo

Passo 2:
Os galegos são boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário). A indústria têxtil alhosvedrense é revitalizada. A Espanha fica encurralada pelos Bascos e pelos moiteiros.

Passo 3:
Desesperados os espanhóis tentam devolver a Moita (e o Rui Garcia e o João Lobo). A malta não aceita.

Passo 4:
Oferecem também o pais basco. A malta mantém-se firme e não aceita.

Passo 5:
A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência. Cada vez mais desesperados os espanhóis oferecem-nos: a Moita, o país basco e a Catalunha; a contrapartida é termos que ficar com o Rui Garcia, o João Lobo e os Etarras. A malta arma-se em difícil mas aceita.

Passo 6:
Dá-se a independência ao país basco, a contrapartida é eles ficarem com o Rui Garcia e o João Lobo. A malta da Eta pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar. Sem o Rui Garcia a Moita torna-se um paraíso. A Catalunha não causa problemas (no fundo no fundo são mansos)

Passo 7:
Afinal a Eta não aguenta com o Rui Gacia e o João Lobo, que entretanto assumem o poder. O país basco pede para se tornar território português. A malta aceita apesar de estarem lá o Rui Garcia e o João Lobo ;)

Passo 8:
No país basco não há touradas. O João Lobo emigra para o Brasil. O Rui Garcia fica, mas ninguém o deixa pôr bombas, porque a Eta abandona luta rmada.

Passo 9:
O governo brasileiro pede para voltar a ser território português. A malta aceita e manda o João Lobo para a Madeira.

Passo 10:
Com os jogadores brasileiros mais os portugueses (e apesar do João Lobo), Portugal torna-se campeão do mundo de futebol!
João Lobo enfraquecido pela prolongada falta de touradas na Madeira e Brasil, não aguenta a emoção.
O Rui Garcia sem ter poder para mandar destruir casas antigas, também não aguenta.

Passo 11:
E todos viveram felizes para sempre ;)

Justiça seja feita

Apesar de meio parado, chegou-me às mãos um publicação recente da Câmara da Moita com o título Retrato em Movimento – concelho da moita (as minúsculas são mesmo assim na capa, não é ironia).
Confesso que, para meu enorme espanto, o conteúdo é sério, útil e, digamos mesmo sem pudores, bom (!!!).
Atendendo à desgraça que caracteriza os textos do site da CMM e a pobreza dos materiais de divulgação do património local, não estava à espera e mais de 150 páginas globalmente classificáveis como francamente aproveitáveis.
Por uma vez, se deixa clara a ancestralidade de Alhos Vedros como unidade municipal tardo-medieval e a Moita como um aglomerado populacional que, em virtude de alterações nas ligações fluviais para Lisboa, só cresce a partir de finais do século XVII.
Por uma vez se reconhece a importância das festas em honra de N. S. dos Anjos, centradas na Igreja de São Lourenço, que no século XVI eram as mais importantes desta parte da margem sul do Tejo, estando obrigados a nela comparecerem as populações de todas as localidades dos actuais concelhos da Moita e Barreiro, mesmo se é esticada ao máximo da plausibilidade (à 1ª metade do século XVII) a origem dos festejos em honra da N. S. da Boa Viagem da Moita.
Por uma vez, se faz um inventário razoável do património edificado de relevo que resta no concelho.
Por uma vez, é deixada de parte aquela visão foclórica das tradições taurinas multisseculares da Moita, confirmando-se que a realização de espectáculos com touros na Moita só têm registo documental depois de 1834 e que só existiu o que se pode chamar como Praça de Touros em 1872.
Por uma vez, se faz uma abordagem dos elementos naturais (flora e fauna) do ecossistema das zonas húmidas ribeirinhas, cada vez mais soterradas por entulhos.
Se fica ainda muito por fazer – nomeadamente a reconstituição da cartografia da vila medieval de Alhos Vedros, da qual a memória os vestígios têm vindo a ser paulatinamente apagados ou uma transcrição das actas das vereações do concelho de Alhos Vedros no século XVII – não se pode deixar de dizer que este parece ter sido um trabalho feito com seriedade.
E, por vezes, isso chega.
Já não se pede talento, esforço, profundidade, etc.
Por vezes, já chega um mínimo de seriedade na atitude com que se enfrentam as coisas.
Para mim, que já tenho poucas esperanças, já me chega.


O micro-clima moiteiro

A única explicação que encontro para as raparigas da Moita da minha geração estarem todas louras é o facto dos níveis de humidade, combinados com o sentido dos fluxos eólicos e uma inclinação paradoxal dos raios solares na zona da Moita produzirem uma descoloração natural da cobertura pilosa feminina visível ao olhar público.

Trabalho, muito trabalho

Afazeres prementes, fizeram com que nos últimos dias o blog andasse mais parado. No entanto, esperamos recuperar o atraso e é possível que no próximo fim de semana esteja ultimada a transcrição da segunda cassete da reunião do CACETE.

terça-feira, novembro 09, 2004

Reescrevendo a História

No site da CMM é isto que temos sobre a história do concelho:

Concelho

Situado na margem sul do Estuário do Tejo, desde cedo as funções litorais estiveram na origem dos núcleos ribeirinhos primitivos no território que é hoje o concelho da Moita. A partir do século XIII, o quotidiano nesta região viveu-se entre a recolha de lenha e a extracção do sal, a agricultura, o fabrico de cal e vidro, a moagem de cereais em moinhos de maré e vento, e, sobretudo, a construção naval e o transporte de produtos e pessoas entre esta margem e a cidade de Lisboa. A evolução dos transportes terrestres e a instalação da grande indústria no Barreiro provocaram o declínio da actividade económica tradicional, que se mantivera até ao século XIX, ao mesmo tempo que atraía para a região novos habitantes. Com uma área territorial de 55 km2 (incluindo 1100 ha do domínio público marítimo) é repartida por seis freguesias.

Reparem como é apagado todo o passado do concelho quando a sua sede era em Alhos Vedros. Parece que a Moita sempre foi um território autónomo e que não foi parte integrante de uma unidade administrativa maior até final do século XVII só sendo sede de concelho com uma configuração próxima do actual em meados do século XIX.
A isto chama-se reescrita da História.

segunda-feira, novembro 08, 2004

Censuras

O nosso colaborador António da Costa costuma fazer uns raides pelos blogs da moda para ver o que se passa.
De vez em quando gosta de deixar uns comentários, quando acha que as coisas estão a ficar demasiado pedantes.
Também de vez em quando lixa-se, porque censura há em muitos lados.
A última vez foi no blog Barnabé do bloquista Daniel Oliveira.
Apesar de cordato, o seu comentário sobre a aparição televisiva do inteligente de esquerda foi pura e simplesmente eliminado.
E depois dizem coisas do Paes do Amaral. As diferenças não são muitas.

domingo, novembro 07, 2004

Para desanuviar

Para esquecer a tristeza em que isto anda por aqui nada como, para amantes de BD que tenham ou não ido ao Festival da Amadora, vistar umas lojinhas online ou uns sites de editoras de livros em quadrinhos (um ou outro link vai ficar em permanência nas nossas propostas).

Lojas:
BDMania (Bd nacional com destaque para o material da VitaminaBD)
Dr.Kartoon (muito boa, com grande stock de bd estrangeira)

Editoras:
Booktree
Devir
MaisBD
Witloof

Outros:
Bedeteca
Free Comic Book Day


Utilidades

Para quem anda com o computador muito lento sem perceber porquê, vistem este site (Spywareguide) que permite fazer scan e limpar tudo o que é spyware e adware.
Comigo funcionou e muito bem.

Para quem quiser descarregar música legalmente (são gostos..., não se discutem), a menos de 1 euro a dita, já é possível acedermos ao itunes na Europa.

sábado, novembro 06, 2004

Esperanças perdidas

Em tempos, tive alguma esperança que quando as velhas gerações no poder mudassem (no país e por aqui), as coisas pudessem mudar. Os vícios da geração de 60 e o seu apego desmedido ao poder poderiam ser substituídos por uma visão mais aberta, descomplexada e receptiva de quem já cresceu em democracia.
Infelizmente, estava redondamente enganado, no país e por aqui também.
Está a chegar ao pdoer a geração com 40 e poucos anos, pouco mais velha que eu, e nada parece ter mudado para melhor.
Nos país e por aqui que se nota é um evidente aumento da ignorânica.
Os outros podiam ter apego ao poder, mas estes nem sabem que uso lhe dar.
São como crianças mal educadas com armas de fogo nas mãos, rodeadas de inocentes e potenciais vítimas.

sexta-feira, novembro 05, 2004

A Destruição da "Cadeia Velha", património histórico de Alhos Vedros

Alhos Vedros, 5 de Novembro de 2004

Alhos Vedros foi mais uma vez vitima de um grave atentado ao seu património histórico, a cadeia velha, que se supõe ter sido a primeira sede dos Paços do Concelho, foi destruída no dia 4 de Novembro de 2004.
Os interesses económicos sobrepuseram-se à história. Esse monumento com mais de 500 anos, era por si próprio uma memória viva da importância que teve Alhos Vedros, mas de um dia para o outro acabaram com essa memória, pergunto-me o que conterá de importante o subsolo da cadeia, quantas moedas e objectos de valor, não estarão lá enterrados, penso que seria agora necessário fazerem-se escavações no local para se indagar desses vestígios, por isso faço aqui um pedido aos arqueólogos locais para fazerem pressões nesse sentido...
As pedras quinhentistas foram retiradas, não sei para onde e assim se acabou com mais um pedaço da nossa História, mas o atentado nunca será perdoado nem esquecido, por todos os Alhos Vedrenses que se orgulham da suas raízes.Desde que Alhos Vedros perdeu a sua condição de sede do concelho que estes atentados se vêm perpetuando.
Logo no principio do séc. 20, houve alguém da Moita que teve a brilhante ideia, de desmontar o pelourinho de Alhos Vedros e colocá-lo na Moita. Só com a intervenção de alguns Alhos Vedrenses menos acomodados e mais revoltados, se conseguiu que o pelourinho voltasse para Alhos Vedros.
Em 1926 a Igreja Matriz de Alhos Vedros foi vedada ao culto católico, passando a ser a sede dos bombeiros, e o seu espólio foi vendido em hasta pública, os santos e os azulejos que a revestiam também ...Foram de novo alguns Alhos Vedrenses que compraram algumas dessa peças, em leilão, onde as disputaram com antiquários, entregando-as depois novamente à Igreja.
O espólio da Stª Casa da Misericórdia de valor histórico incalculável, que era composto de livros de visitações e outras obras, algumas iluminadas, foram desaparecendo por puro desleixo ou má fé, desde que a Moita passou a ser a sede do concelho.
O próprio Foral Manuelino foi encontrado no lixo por um funcionário da Junta e isto recentemente.
O que a Moita tem feito em Alhos Vedros trata-se de um verdadeiro genocídio histórico e cultural, para acabar com a memória do passado nobre e ancestral desta localidade que já foi a sede do concelho que abrangia do Barreiro até à Aldeia Galega.
A tristeza que nos sufoca neste momento não pode dar lugar ao esquecimento e ao desalento, esta situação errada em que somos dominados por um poder (...da Moita) que nos é estranho, antagónico e não representa o sentir e o ser dos Alhos Vedrenses, não pode ele mesmo ser respeitado.
A destruição do nosso passado por parte da CMM, nesta caso especifico nem passou por uma consulta aos cidadãos de Alhos Vedros, nem aos seus órgãos locais democraticamente eleitos, porque nem a Junta de Freguesia foi avisada atempadamente que esta destruição iria ocorrer.
Esta forma de actuar que a CMM, utiliza em Alhos Vedros, a política do quero, posso e mando acontecerá sempre, até que haja uma luta organizada e suprapartidária que nos volte a devolver a nossa identidade e a nossa independência como concelho.

Manuel Pedro

quinta-feira, novembro 04, 2004

O nosso Morais Sarmento

Já tínhamos o nosso Santana, Presidente não eleito e designado como sucessor na Secretaria.
Agora, como já se suspeitava, descobrimos que o seu vice é o nosso Morais Sarmento, curto de ideias e visão, mero súbdito dos interesses alheios.
Como muitos que mamam no poder moiteiro, ele é comunista só de nome e por interesse.
O nosso cartaz de repulsa já está no Alhos Vedros Visual.

Luto

Os restos da cadeia de Alhos Vedros foram derrubados em virtude de interesses privados.
Os poderes autárquicos, como em muitas outras situações, deixaram a coisa cair.
A memória do passado de Alhos Vedros continua a ser apagada, paulatinamente.
Em outras paragens, os vestígios de uma cadeia medieval, símbolo de um poder municipal multissecular, seriam objecto de preservação.
Por cá, temos apenas incúria e incompetência.
A Câmara Municipal está certamente preocupada com questões mais elevadas. Onde meter mais uma rotunda rodeada de betão. Onde gastar uns milhares de contos numa estátua de mau gosto que ninguém recordará daqui a duas ou três gerações.
A capela de São Sebastião da Moita (com menos de 200 anos e valor arquitectónico pouco mais que nulo) merece colóquios e encontros de História Local. O património de Alhos Vedros com seis, sete e mais séculos é deixado ao desbarato.
As paredes que restavam da cadeia de Alhos Vedros aguentavam de pé há mais de 500 anos.
Nem um décimo desse tempo durará a recordação dos detentores do poder moiteiro na memória das gentes.
Em especial do inefável Rui Garcia, vice-presidente da Câmara e aparatchik sem talento, arte ou valor, que não seja presença cativa nas publicações da CMM, que deu autorização a esta vergonha.
O nosso desprezo para ele e todos os que, por acção ou omissão, são responsáveis por isto.
Isto é uma vergonha com nome – o nome de quem mandou derrubar as paredes que sobreviviam e o nome dos poderes que o permitiram.
O nome de Rui Garcia, por exemplo.
Que a sua memória tenha o destino vergonhoso que a sua lamentável acção exige.
Como não era negócio passível de render, deite-se abaixo.
Viva o novo bloco de apartamentos que se prepara para nascer.
Vai-se manter “a traça” por certo.
Seria patético se não fosse tão triste.
Pela primeira vez, usamos aqui uma expressão que sempre evitámos:
Bardamerda para si, senhor vereador.