Mais um excerto de um blog alheio, de um conterrâneo nosso, que prefere manter-se incógnito do grande público. Não pretende manter-se anónimo, porque tem nome, não quer é que o conheçam.
Pois, porque é normal (com jornalistas à cabeça) confundir-se alguém que quer manter-se incógnito ou que não quer que se conheça o seu nome, com alguém anónimo, ou seja quem não tem mesmo nome.
Mas nós cá no blog semos munta cultos.
Mais leiamos a curta e incisiva observação do nosso amigo:
Sem travões...
Confesso que sinto um mórbido prazer em ser governado por um executivo dirigido pela dupla Santana/Portas.
É como ver um carro desgovernado, sem travões, numa descida, com um muro no fim da estrada.
Sabemos que vai acabar em desastre, mas há sempre a tentação de espreitar para ver até que ponto chegam os danos.
Mea culpa, mea maxima culpa...
quarta-feira, julho 14, 2004
Novas iniciativas
Apesar da preguiça causada pelo calor cá na terra, iremos lançar algumas novas rubricas neste blog.
a) Os Malucos da Terra - crónicas sobre figuras típicas de Alhos Vedros caracterizadas por um certo desvio à normalidade (respiraram ar moiteiro mais de 5 horas seguidas ou 10 intercaladas num espaço de 48)como sejam o Aldemiro ou "Mosca", o Alexandre, a Teresa Tramouca e outros que a terra foi e é pródiga nestes figurões.
b) As Tascas Perdidas - reportagem antológica sobre as tascas que foram desaparecendo em Alhos Vedros, desde a do Martinho à que foi agora abaixo na esquina da Bela Rosa com a Humberto Delgado para dar lugar a um novo e belo caixote de T2s, T3s ou T4s «de primeira qualidade e acabamentos de luxo» como 112% dos anúncios dos construtores civis escrevem). Começaremos com a tsca O Mosquito situada antigamente junto à bombas da BP (pois, eram da BP antes de seren GALP, onde fica há duas décadas o Luso-Chinês.
Para o efeito mobilizaremos todos os nossos recursos humanos e um ou outro colaborador que andamos a sondar, neste defeso, para contratação para a nova estação (Outono/Inverno).
a) Os Malucos da Terra - crónicas sobre figuras típicas de Alhos Vedros caracterizadas por um certo desvio à normalidade (respiraram ar moiteiro mais de 5 horas seguidas ou 10 intercaladas num espaço de 48)como sejam o Aldemiro ou "Mosca", o Alexandre, a Teresa Tramouca e outros que a terra foi e é pródiga nestes figurões.
b) As Tascas Perdidas - reportagem antológica sobre as tascas que foram desaparecendo em Alhos Vedros, desde a do Martinho à que foi agora abaixo na esquina da Bela Rosa com a Humberto Delgado para dar lugar a um novo e belo caixote de T2s, T3s ou T4s «de primeira qualidade e acabamentos de luxo» como 112% dos anúncios dos construtores civis escrevem). Começaremos com a tsca O Mosquito situada antigamente junto à bombas da BP (pois, eram da BP antes de seren GALP, onde fica há duas décadas o Luso-Chinês.
Para o efeito mobilizaremos todos os nossos recursos humanos e um ou outro colaborador que andamos a sondar, neste defeso, para contratação para a nova estação (Outono/Inverno).
Material alheio II (direitos de autor para o R.A.Pereira)
Como a inspiração anda curta com o regresso do calor, recorremos a material alheio outra vez. Desta vez é do pessoal do Gato Fedorento, no melhor blog (Reanimado depois de algum abandono) nacional.
Ora leiam lá.
A ESTABILIDADE ESTÁ ESTÁVEL: A estabilidade foi, ao que parece, um factor decisivo na escolha de Jorge Sampaio. E, como é óbvio, a solução de ter um governo chefiado por um homem que, um dia, ameaçou deixar a vida política por causa de um sketch de João Baião, é, indiscutivelmente, a que dá mais garantias de estabilidade. Sobretudo quando comparada com a outra hipótese, a das eleições – essas malandras, sempre a provocarem instabilidade e outros sarilhos. Escuso de lembrar a estabilidade que se vivia neste país no tempo em que só havia eleições de 48 em 48 anos.
Outro argumento forte contra as eleições foi este: nas legislativas, vota-se num partido e é esse partido que deve governar até ao fim do mandato. Aqui, lamento mas discordo. Porque o partido que foi eleito não é o mesmo que vai governar a partir de agora. A maioria elegeu o PSD, e o partido que está no poder desde anteontem é um tal PPD-PSD. Há uma diferença. Não é, objectivamente, o mesmo partido. Dizem alguns: o Santana refere-se ao PSD dessa maneira porque, quando se fez militante, o partido chamava-se PPD; ou seja, ele diz o nome de ambos os partidos em que militou. É argumento que não colhe, porque se Santana Lopes quisesse dizer o nome de todos os partidos em que esteve filiado, teria de dizer MIRN-PPD-PSD.
Em todo o caso, não sou catastrofista. Creio que Santana Lopes pode fazer um bom trabalho. Vi-o a dizer, na SIC, que enquanto houver um desempregado em Portugal, não dormirá descansado. Acredito. Aliás, julgo que é exactamente por isso que aproveita as noites para fazer outras coisas que não dormir. RAP
Ora leiam lá.
A ESTABILIDADE ESTÁ ESTÁVEL: A estabilidade foi, ao que parece, um factor decisivo na escolha de Jorge Sampaio. E, como é óbvio, a solução de ter um governo chefiado por um homem que, um dia, ameaçou deixar a vida política por causa de um sketch de João Baião, é, indiscutivelmente, a que dá mais garantias de estabilidade. Sobretudo quando comparada com a outra hipótese, a das eleições – essas malandras, sempre a provocarem instabilidade e outros sarilhos. Escuso de lembrar a estabilidade que se vivia neste país no tempo em que só havia eleições de 48 em 48 anos.
Outro argumento forte contra as eleições foi este: nas legislativas, vota-se num partido e é esse partido que deve governar até ao fim do mandato. Aqui, lamento mas discordo. Porque o partido que foi eleito não é o mesmo que vai governar a partir de agora. A maioria elegeu o PSD, e o partido que está no poder desde anteontem é um tal PPD-PSD. Há uma diferença. Não é, objectivamente, o mesmo partido. Dizem alguns: o Santana refere-se ao PSD dessa maneira porque, quando se fez militante, o partido chamava-se PPD; ou seja, ele diz o nome de ambos os partidos em que militou. É argumento que não colhe, porque se Santana Lopes quisesse dizer o nome de todos os partidos em que esteve filiado, teria de dizer MIRN-PPD-PSD.
Em todo o caso, não sou catastrofista. Creio que Santana Lopes pode fazer um bom trabalho. Vi-o a dizer, na SIC, que enquanto houver um desempregado em Portugal, não dormirá descansado. Acredito. Aliás, julgo que é exactamente por isso que aproveita as noites para fazer outras coisas que não dormir. RAP
sábado, julho 10, 2004
António da Costa sobre a política local
Melhorar como ?
Alguns artigos da imprensa local em clima pós-eleitoral e textos inseridos neste blog nos últimos tempos, principalmente o do José Silva mas também os remoques entre Titta Maurício e o nosso editor-em-chefe, acabaram por me convencer das dificuldades existentes em melhorar a vida política a nível local, atendendo à crise de qualidade dos seus intervenientes e à ausência de vias alternativas para um desenvolvimento do concelho que fuja às práticas herdadas do passado e que imperam na generalidade dos nossos municípios.
No concelho da Moita, 30 anos de governação do PC deixam uma herança que está longe de ser gloriosa e que, em comparação com outras autarquias comunistas da margem sul, fica muito aquém do que seria possível realizar. O adormecimento foi patente durante mais de 20 anos e, um pouco como no Barreiro, razões demográficas – envelhecimento do núcleo duro do PC e incapacidade de mobilizar os jovens eleitores, em fuga para os partidos da moda como o Bloco de Esquerda e do regime a nível nacional como o PS e o PSD – vão levar a breve prazo ao final do domínio do PC no município da Moita. A incapacidade de renovação não conseguiu ser contrariada e mesmo os esforços dos últimos anos para dar uma nova face ao concelho chegaram tarde, de forma desarticulada e quando os eleitores já dificilmente se encontrar em situação de ser convencidos por sprints de última hora, quando o rabo está a arder.
Com base nas tendências verificadas, a mudança irá favorecer o PS que irá, sem muito mérito, herdar a criança mas numa situação algo ambígua, pois não se antevê uma maioria absoluta nas próximas autárquicas. Perante o cenário de uma maioria relativa socialista, e partindo do princípio que não se deseja uma aliança aos antigos senhores do poder, o PS vê-se na necessidade de, para assegurar alguma governabilidade, estabelecer alianças formais ou informais. À esquerda restam os bloquistas e à direita o PSD, pois não é crível uma aliança com o CDS, atendendo à sua fraca base eleitoral e à agressividade da sua liderança local para com a esquerda.
Ora, uma autarquia moiteira PS/BE iria ser um espectáculo lindo de se ver. Gostaria de ver como gente tão bem pensante e politicamente correcta iria conseguir sobreviver perante os interesses instalados no concelho e aqueles que estão em fila para se instalar (melhor). Que posição assumiriam os bloquistas perante o conhecido pragmatismo dos socialistas a nível local ?
Quando a uma aliança do tipo Bloco Central seria também coisa interessante de observar, em particular no plano das obras públicas e do urbanismo, pois há quem queira rapidamente uma fatia (maior) de um bolo que está à espera de dominar de forma mais directa que a actual.
Ms o pior nem é a questão das forças partidárias que eventualmente venham a governar o concelho, o pior é a questão das pessoas, em concreto, que se perfilam como alternativa, o seu perfil, a sua competência, os seus desígnios.
Pois, porque pelos documentos produzidos pelas estruturas partidárias locais são de uma pobreza confrangedora e oscilam entre a crítica ao existente sem proposta de alternativas convincentes, os textos vagos e enrolados sobre questões estratégicas que ultrapassam o plano concelhio e os declarados manifestos de ambições maiores dos que os da conquista do poder a nível concelhio.
Se existe algum Plano Estratégico para o desenvolvimento integrado do concelho da Moita alternativo ao do actual executivo que seja para cumprir verdadeiramente (e que contemple o que se prevê para cada freguesia, para cada sector de actividade, com que calendarização, com que meios disponíveis) gostaria de o conhecer, pois porque manifestos eleitorais que se rasgam no dia a seguir às eleições e à tomada do poder, alegando que se não conhecia a verdadeira realidade da situação, já é prática demasiado corrente e desculpa que de tão esfarrapada, já não consegue encobrir nada.
Entre muitos, muitos outros aspectos, e para Alhos Vedros, conviria saber:
- Para quando a recuperação da zona ribeirinha, pois parece que no concelho é a única freguesia em que as margens do rio passaram directamente de sapal a lixeira.
- Está Alhos Vedros destinada a ser mais um dormitório sem identidade à semelhança do que se passa em outras zonas da margem sul ?
- O património edificado de valor histórico está inventariado e existe algum plano para preservar o que resta do núcleo histórico ? Lá porque a Moita não o tem, ou o pouco que tem despreza, não significa que em Alhos Vedros se faça o mesmo.
- A oferta pública de espaços para a prática desportiva esgota-se na piscina ? Não há qualquer interesse em fomentar a prática de desportos colectivos fora da SFRUA e do Vinhense ?
- A malha urbana da vila é para continuar segundo uma pseudo-lógica que segue os interesses privados disfarçados de uma eventual herança árabe (é que, caso contrário, o desenho das ruas, mesmo nas zonas de mais recente urbanização, parece saído da pena de alguém fortemente ébrio ou com descolamento da retina) ?
- Existe alguma ideia para desenvolver de forma mais que pontual a freguesia do ponto de vista económico ou vai-se continuar a alternar períodos de profunda crise com picos de actividade nascida de subsídios colhidos apenas por alguns ?
- È suposto que aquele espaço tido como destinado a actividades culturais, atarracado, mal amanhado e mal-aproveitado, seja o único investimento público em recintos para fins culturais ?
Se não conhecem a realidade, ou se dedicam a descobri-la ou então dediquem-se a outra coisa e não nos aborreçam.
Se a conhecem, deixem-nos saber como irão agir. Expliquem o que querem mudar, o que acham que pode permanecer e aquilo que são as vossas apostas, no concreto.
Ou então digam apenas que é tempo para rodar as clientelas que vivem do poder autárquico actual, porque já é tempo de serem outros a mamar.
Pelo menos, isso seria um argumento realista, sincero e corajoso.
Quanto ao resto, às palavras, já todos nós temos a nossa conta.
António da Costa, aos 10 de Julho de 2004
Alguns artigos da imprensa local em clima pós-eleitoral e textos inseridos neste blog nos últimos tempos, principalmente o do José Silva mas também os remoques entre Titta Maurício e o nosso editor-em-chefe, acabaram por me convencer das dificuldades existentes em melhorar a vida política a nível local, atendendo à crise de qualidade dos seus intervenientes e à ausência de vias alternativas para um desenvolvimento do concelho que fuja às práticas herdadas do passado e que imperam na generalidade dos nossos municípios.
No concelho da Moita, 30 anos de governação do PC deixam uma herança que está longe de ser gloriosa e que, em comparação com outras autarquias comunistas da margem sul, fica muito aquém do que seria possível realizar. O adormecimento foi patente durante mais de 20 anos e, um pouco como no Barreiro, razões demográficas – envelhecimento do núcleo duro do PC e incapacidade de mobilizar os jovens eleitores, em fuga para os partidos da moda como o Bloco de Esquerda e do regime a nível nacional como o PS e o PSD – vão levar a breve prazo ao final do domínio do PC no município da Moita. A incapacidade de renovação não conseguiu ser contrariada e mesmo os esforços dos últimos anos para dar uma nova face ao concelho chegaram tarde, de forma desarticulada e quando os eleitores já dificilmente se encontrar em situação de ser convencidos por sprints de última hora, quando o rabo está a arder.
Com base nas tendências verificadas, a mudança irá favorecer o PS que irá, sem muito mérito, herdar a criança mas numa situação algo ambígua, pois não se antevê uma maioria absoluta nas próximas autárquicas. Perante o cenário de uma maioria relativa socialista, e partindo do princípio que não se deseja uma aliança aos antigos senhores do poder, o PS vê-se na necessidade de, para assegurar alguma governabilidade, estabelecer alianças formais ou informais. À esquerda restam os bloquistas e à direita o PSD, pois não é crível uma aliança com o CDS, atendendo à sua fraca base eleitoral e à agressividade da sua liderança local para com a esquerda.
Ora, uma autarquia moiteira PS/BE iria ser um espectáculo lindo de se ver. Gostaria de ver como gente tão bem pensante e politicamente correcta iria conseguir sobreviver perante os interesses instalados no concelho e aqueles que estão em fila para se instalar (melhor). Que posição assumiriam os bloquistas perante o conhecido pragmatismo dos socialistas a nível local ?
Quando a uma aliança do tipo Bloco Central seria também coisa interessante de observar, em particular no plano das obras públicas e do urbanismo, pois há quem queira rapidamente uma fatia (maior) de um bolo que está à espera de dominar de forma mais directa que a actual.
Ms o pior nem é a questão das forças partidárias que eventualmente venham a governar o concelho, o pior é a questão das pessoas, em concreto, que se perfilam como alternativa, o seu perfil, a sua competência, os seus desígnios.
Pois, porque pelos documentos produzidos pelas estruturas partidárias locais são de uma pobreza confrangedora e oscilam entre a crítica ao existente sem proposta de alternativas convincentes, os textos vagos e enrolados sobre questões estratégicas que ultrapassam o plano concelhio e os declarados manifestos de ambições maiores dos que os da conquista do poder a nível concelhio.
Se existe algum Plano Estratégico para o desenvolvimento integrado do concelho da Moita alternativo ao do actual executivo que seja para cumprir verdadeiramente (e que contemple o que se prevê para cada freguesia, para cada sector de actividade, com que calendarização, com que meios disponíveis) gostaria de o conhecer, pois porque manifestos eleitorais que se rasgam no dia a seguir às eleições e à tomada do poder, alegando que se não conhecia a verdadeira realidade da situação, já é prática demasiado corrente e desculpa que de tão esfarrapada, já não consegue encobrir nada.
Entre muitos, muitos outros aspectos, e para Alhos Vedros, conviria saber:
- Para quando a recuperação da zona ribeirinha, pois parece que no concelho é a única freguesia em que as margens do rio passaram directamente de sapal a lixeira.
- Está Alhos Vedros destinada a ser mais um dormitório sem identidade à semelhança do que se passa em outras zonas da margem sul ?
- O património edificado de valor histórico está inventariado e existe algum plano para preservar o que resta do núcleo histórico ? Lá porque a Moita não o tem, ou o pouco que tem despreza, não significa que em Alhos Vedros se faça o mesmo.
- A oferta pública de espaços para a prática desportiva esgota-se na piscina ? Não há qualquer interesse em fomentar a prática de desportos colectivos fora da SFRUA e do Vinhense ?
- A malha urbana da vila é para continuar segundo uma pseudo-lógica que segue os interesses privados disfarçados de uma eventual herança árabe (é que, caso contrário, o desenho das ruas, mesmo nas zonas de mais recente urbanização, parece saído da pena de alguém fortemente ébrio ou com descolamento da retina) ?
- Existe alguma ideia para desenvolver de forma mais que pontual a freguesia do ponto de vista económico ou vai-se continuar a alternar períodos de profunda crise com picos de actividade nascida de subsídios colhidos apenas por alguns ?
- È suposto que aquele espaço tido como destinado a actividades culturais, atarracado, mal amanhado e mal-aproveitado, seja o único investimento público em recintos para fins culturais ?
Se não conhecem a realidade, ou se dedicam a descobri-la ou então dediquem-se a outra coisa e não nos aborreçam.
Se a conhecem, deixem-nos saber como irão agir. Expliquem o que querem mudar, o que acham que pode permanecer e aquilo que são as vossas apostas, no concreto.
Ou então digam apenas que é tempo para rodar as clientelas que vivem do poder autárquico actual, porque já é tempo de serem outros a mamar.
Pelo menos, isso seria um argumento realista, sincero e corajoso.
Quanto ao resto, às palavras, já todos nós temos a nossa conta.
António da Costa, aos 10 de Julho de 2004
sexta-feira, julho 09, 2004
Meu caro TM
Queixa-se de novo Titta Maurício de ser pouco compreendido e banalmente atacado pelos nossos argumentos.
Notemos que o texto em causa visava três textos, por ordem de publicação n'O Rio, do CDS/PP, do PS e do BE.
Criticou-se então a falta de originalidade dos textos. É verdade, pois aí se repetem argumentos ouvidos às luminárias dos diversos partidos na noite das eleições.
No caso específico de TM, aplica-se principalmente a crítica de apenas se preocupar em disfarçar a rotunda derrota eleitoral do centro-direita com os problemas de liderança do PS. Percebe-se a táctica, mas não se é obrigado a aceitá-la.
Ninguém aqui é defensor do PS ou de qualquer outra agremiação, mas há um mínimo de objectividade a ter quando se analisam os resultados e não é baralhando os números de diferentes eleições, quando se criticam os outros por baralharem diferentes eleições, que chegamos a algum lado.
O PS ganhou de forma assinalável as eleições a nível nacional, depois de uma campanha eleitoral vergonhosa em especial devido às intervenções dos políticos envolvidos, nos quais se encontra um colega de partido de TM, que aparentemente ainda é jovem e não pensa ou então pensa que é engraçado, mas é apenas estúpido (fala-se do copinho de leite aguado João Almeida).
Quanto ao texto de TM, não adiante nada ao que sabemos das eleições e apenas repete o que Pires de Lima Jr e outros dizem quando apanham um microfone, uma câmara ou um jornalista por perto. E a análise esquece que ninguém votou em Ferro Rodrigues mas maioritariamente no PS e resto da Oposição.
Como o líder da coligação, qual Guterres, deu às vilas-diogo e se livrou ao veredicto eleitoral de 2006, agora teremos Santaninha e Paulinho (com Cinha Jardim a organizar eventos) a liderar novo governo que dará certamente mais ímpeto à nossa direita impulsiva. Mas acerca disso, e da incoerência argumentativa da coligação em situações quase similares, TM não fala. Acredito que esteja consciente de tudo isso, mas como é incómodo isso é esquecido. E é isso que lhe apontamos, pois ninguém o obriga a admitir fraquezas próprias, mas pelo menos devia existir o pudor de não atacar as alheias à outrance.
Mas como criticamos esta forma de tergiversar acerca dos resultados eleitorais de TM, também não concordamos com o texto da líder local do PS que extrapola (com um conteúdo argumentativo vazio) resultados para consequências a nível local. Ou de quaisquer outros que façam pouco mais do que servir de câmara de eco às direcções nacionais.
Seremos banais, porventura.
Mas não tão banais como isso.
Nota final: Da última vez que TM pediu para fundamentar as minhas opiniões acerca das minhas convicções intelectuais fi-lo sem receber (a prometida/ameaçada) réplica. Desmontar por completo a argumentação deste seu texto não é ocupação que me atraia dada a facilidade extrema da tarefa. Apenas me interessa, a mim como ao José Silva, ao António da Costa, ao Manuel Pedro, apontar as limitações daqueles que aspiram ao poder no nosso concelho, porque quanto ao país é aquilo que se vê e não se acredita.
Notemos que o texto em causa visava três textos, por ordem de publicação n'O Rio, do CDS/PP, do PS e do BE.
Criticou-se então a falta de originalidade dos textos. É verdade, pois aí se repetem argumentos ouvidos às luminárias dos diversos partidos na noite das eleições.
No caso específico de TM, aplica-se principalmente a crítica de apenas se preocupar em disfarçar a rotunda derrota eleitoral do centro-direita com os problemas de liderança do PS. Percebe-se a táctica, mas não se é obrigado a aceitá-la.
Ninguém aqui é defensor do PS ou de qualquer outra agremiação, mas há um mínimo de objectividade a ter quando se analisam os resultados e não é baralhando os números de diferentes eleições, quando se criticam os outros por baralharem diferentes eleições, que chegamos a algum lado.
O PS ganhou de forma assinalável as eleições a nível nacional, depois de uma campanha eleitoral vergonhosa em especial devido às intervenções dos políticos envolvidos, nos quais se encontra um colega de partido de TM, que aparentemente ainda é jovem e não pensa ou então pensa que é engraçado, mas é apenas estúpido (fala-se do copinho de leite aguado João Almeida).
Quanto ao texto de TM, não adiante nada ao que sabemos das eleições e apenas repete o que Pires de Lima Jr e outros dizem quando apanham um microfone, uma câmara ou um jornalista por perto. E a análise esquece que ninguém votou em Ferro Rodrigues mas maioritariamente no PS e resto da Oposição.
Como o líder da coligação, qual Guterres, deu às vilas-diogo e se livrou ao veredicto eleitoral de 2006, agora teremos Santaninha e Paulinho (com Cinha Jardim a organizar eventos) a liderar novo governo que dará certamente mais ímpeto à nossa direita impulsiva. Mas acerca disso, e da incoerência argumentativa da coligação em situações quase similares, TM não fala. Acredito que esteja consciente de tudo isso, mas como é incómodo isso é esquecido. E é isso que lhe apontamos, pois ninguém o obriga a admitir fraquezas próprias, mas pelo menos devia existir o pudor de não atacar as alheias à outrance.
Mas como criticamos esta forma de tergiversar acerca dos resultados eleitorais de TM, também não concordamos com o texto da líder local do PS que extrapola (com um conteúdo argumentativo vazio) resultados para consequências a nível local. Ou de quaisquer outros que façam pouco mais do que servir de câmara de eco às direcções nacionais.
Seremos banais, porventura.
Mas não tão banais como isso.
Nota final: Da última vez que TM pediu para fundamentar as minhas opiniões acerca das minhas convicções intelectuais fi-lo sem receber (a prometida/ameaçada) réplica. Desmontar por completo a argumentação deste seu texto não é ocupação que me atraia dada a facilidade extrema da tarefa. Apenas me interessa, a mim como ao José Silva, ao António da Costa, ao Manuel Pedro, apontar as limitações daqueles que aspiram ao poder no nosso concelho, porque quanto ao país é aquilo que se vê e não se acredita.
Thank God, he's back
Após algumas provocações, conseguimos que Titta Maurício nos voltasse a escrever. Aqui vai...
Quem só sabe dizer mal... julga que tem graça... mas fica pelo banal!
Meu Caro,
Você tanto provoca, tanto provoca que lá consegue forçar-me a responder.
Gosto imenso de consultar o vosso espaço, até porque verdadeiramente gosto bastante de Alhos Vedros... e bem gostaria que tratassem mais desse nobre assunto (no que, suspeito, serão bem mais capazes de encantar do que com as graçolas sobre a política).
Agradeço a leitura das minhas "escrituras"... só é pena que pereça não saber ler, senão:
- explique lá o nonsense que insinua encontrar no texto?
- depois acusa-me de usar "cartilha de donos". Fale por si, meu caro, fale por si! É que o meu texto foi escrito no sossego da minha casa, com o que sei e o que penso! Não sigo cartilha e dono nunca tive nem terei: antes a morte que tal sorte! Por isso, admito muita brincadeira... mas não estou disponível para graçolas de mau-gosto (como o é esta)! Preferia que usasse do bom senso e não me confundisse...
- se algo tem contra o conteúdo do texto informe e fundamente. Brinque se quiser, mas não confunda nemme confunda!
- e sempre poderá informar onde é que eu disse que a coligação havia ganho ou que o PS não ganhou!?! Até comecei por dar os parabéns!!! Apenas disse que não via motivos para tanta "enferrujada" euforia! E parece que tinha razão: 2 dias depois no PS "abriu a corrida ao cargo de secretário-geral"... deve ser consequência do enorme "contentamento" que todos sentiram pelos resultados obtidos... ou então... sei lá... talvez me posso elucidar com a sua douta opinião!
E, apesar de tudo, ousaria solicitar a V. Exa. o benefício de poder emitir a minha opinião... mesmo que sirva para explicar o que penso?
Continuem o bom trabalho... e sejam menos analistas "chapa 4": dizer mal por dizer, pode ter piada... mas não vos cansa?!?
Quem só sabe dizer mal... julga que tem graça... mas fica pelo banal!
Meu Caro,
Você tanto provoca, tanto provoca que lá consegue forçar-me a responder.
Gosto imenso de consultar o vosso espaço, até porque verdadeiramente gosto bastante de Alhos Vedros... e bem gostaria que tratassem mais desse nobre assunto (no que, suspeito, serão bem mais capazes de encantar do que com as graçolas sobre a política).
Agradeço a leitura das minhas "escrituras"... só é pena que pereça não saber ler, senão:
- explique lá o nonsense que insinua encontrar no texto?
- depois acusa-me de usar "cartilha de donos". Fale por si, meu caro, fale por si! É que o meu texto foi escrito no sossego da minha casa, com o que sei e o que penso! Não sigo cartilha e dono nunca tive nem terei: antes a morte que tal sorte! Por isso, admito muita brincadeira... mas não estou disponível para graçolas de mau-gosto (como o é esta)! Preferia que usasse do bom senso e não me confundisse...
- se algo tem contra o conteúdo do texto informe e fundamente. Brinque se quiser, mas não confunda nemme confunda!
- e sempre poderá informar onde é que eu disse que a coligação havia ganho ou que o PS não ganhou!?! Até comecei por dar os parabéns!!! Apenas disse que não via motivos para tanta "enferrujada" euforia! E parece que tinha razão: 2 dias depois no PS "abriu a corrida ao cargo de secretário-geral"... deve ser consequência do enorme "contentamento" que todos sentiram pelos resultados obtidos... ou então... sei lá... talvez me posso elucidar com a sua douta opinião!
E, apesar de tudo, ousaria solicitar a V. Exa. o benefício de poder emitir a minha opinião... mesmo que sirva para explicar o que penso?
Continuem o bom trabalho... e sejam menos analistas "chapa 4": dizer mal por dizer, pode ter piada... mas não vos cansa?!?
segunda-feira, julho 05, 2004
Não vos esqueceis II
Para além do fotoblog não se esqueçam de nos contactar sempre que precisarem para avedros@clix.pt.
Nús iscrevão vái...
Nús iscrevão vái...
domingo, julho 04, 2004
Assim é que é
Temos aqui um site sobre Alhos vedros que vale mais do que aquelas tretas da Câmara.
O rapaz é um bom rapaz e até usa uma foto nossa, com todo o bom gosto e a devida citação.
Bem haja, João Aldeia.
O rapaz é um bom rapaz e até usa uma foto nossa, com todo o bom gosto e a devida citação.
Bem haja, João Aldeia.
sábado, julho 03, 2004
Não vos esqueceis.
Já sabem que devem sempre ir visitar-nos ao AVedros Visual, o nosso fotoblog sempre em actualização.
Grau zero
O nível da análise política local faz lembrar a análise dos jogos de futebol por hooligans, embora sempre se possa dizer que o exemplo vem de cima.
No último O Rio temos direito a três discursos escritos oficiais sobre os resultados das eleições. Lado a lado na página 5 temos as posições dos CDS/PP e do PS; na página 7 temos o colectivo bloquista.
Como a conversa do Bloco de Esquerda é assim um bocado para o irrelevante bem-intencionado e politicamente correcto (garanto que me correm sempre lágrimas quando os leio e esvoaçam pombas brancas do papel) ficamo-nos com as divertidas leituras que CDS e PS fazem dos resultados e que parecem directamente saídas de um qualquer manual de nonsense.
Será que, por uma vez, senhoras e senhores, poderiam abandonar a cartilha dos donos e terem uma ideia própria fundamentada e que, só por uma vezinha, nos surpreendesse por um lampejo de originalidade.
É que quase não vale a pena ler, porque já se sabe o que lá vem. O nosso atento leitor Titta Maurício parece aqueles matrecos que chutam sempre para o mesmo lado, nunca vê mais nada, mesmo que veja. A suave Eurídice enrola-nos naquele discurso redondinho e sem arestas que se tornou a especialidade xuxalista local.
Quanto aos laranjinhas locais aguarda-se que também reclamem vitória brevemente, assim como a CDU, o POUS, o MPT, o PDA, etc, etc.
Ganharam todos, como de costume. E se não ganharam, os outros também não ganharam.
Caramba, será que são mesmo assim ou, como o nosso colaborador José Silva escreveu há uns tempos, ganham créditos por cada cliché que passam a letra de imprensa.
No último O Rio temos direito a três discursos escritos oficiais sobre os resultados das eleições. Lado a lado na página 5 temos as posições dos CDS/PP e do PS; na página 7 temos o colectivo bloquista.
Como a conversa do Bloco de Esquerda é assim um bocado para o irrelevante bem-intencionado e politicamente correcto (garanto que me correm sempre lágrimas quando os leio e esvoaçam pombas brancas do papel) ficamo-nos com as divertidas leituras que CDS e PS fazem dos resultados e que parecem directamente saídas de um qualquer manual de nonsense.
Será que, por uma vez, senhoras e senhores, poderiam abandonar a cartilha dos donos e terem uma ideia própria fundamentada e que, só por uma vezinha, nos surpreendesse por um lampejo de originalidade.
É que quase não vale a pena ler, porque já se sabe o que lá vem. O nosso atento leitor Titta Maurício parece aqueles matrecos que chutam sempre para o mesmo lado, nunca vê mais nada, mesmo que veja. A suave Eurídice enrola-nos naquele discurso redondinho e sem arestas que se tornou a especialidade xuxalista local.
Quanto aos laranjinhas locais aguarda-se que também reclamem vitória brevemente, assim como a CDU, o POUS, o MPT, o PDA, etc, etc.
Ganharam todos, como de costume. E se não ganharam, os outros também não ganharam.
Caramba, será que são mesmo assim ou, como o nosso colaborador José Silva escreveu há uns tempos, ganham créditos por cada cliché que passam a letra de imprensa.
sexta-feira, julho 02, 2004
Beleza pura
Caetano Veloso escreveu uma bela canção, mas a mim ocorreu-me esta expressão ao ver os protagonistas da página 5 do jornal O Rio desta quinzena (edição 157).
Não sei o estado civil dos simpáticos (serão certamente casados, a moral e os bons costumes o exigem), mas lá que fazem um belo par (repare-se que não escrevo casal, para não ferir susceptibilidades mais conservadoras e moralistas, que isso connosco não se faz), fazem.
Como diria o outro, a couple made in heaven (na verdade, o outro dizia marriage made in heaven, mas pelas razões atrás mencionadas é melhor não pisarmos o risco).
Não sei o estado civil dos simpáticos (serão certamente casados, a moral e os bons costumes o exigem), mas lá que fazem um belo par (repare-se que não escrevo casal, para não ferir susceptibilidades mais conservadoras e moralistas, que isso connosco não se faz), fazem.
Como diria o outro, a couple made in heaven (na verdade, o outro dizia marriage made in heaven, mas pelas razões atrás mencionadas é melhor não pisarmos o risco).
Cultura (moiteira) da treta
Pelourinho de Alhos Vedros
Tem fuste liso assente numa base encordoada e encimado por capitel tronco-piramidal rematado por uma esfera armilar em ferro.
Local: Alhos Vedros, Largo da Misericórdia
Classificação: IIP. Dec. n.º 23122 de 11-10-1993
No site da Câmara Municipal da Moita, isto é tudo o que se pode ler sobre o pelourinho de Alhos Vedros. Nem datação, nem material, nem referência ao estilo, nada.
É a chamada qualidade do serviço público moiteiro.
Se não sabem mais, são ignorantes. Se sabem, é pura má vontade.
Enfim.
Isto devia ser cultura, estúpidos (não é ofensa, queridos, estou apenas a aludir ao título de uma peça de teatro).
Tem fuste liso assente numa base encordoada e encimado por capitel tronco-piramidal rematado por uma esfera armilar em ferro.
Local: Alhos Vedros, Largo da Misericórdia
Classificação: IIP. Dec. n.º 23122 de 11-10-1993
No site da Câmara Municipal da Moita, isto é tudo o que se pode ler sobre o pelourinho de Alhos Vedros. Nem datação, nem material, nem referência ao estilo, nada.
É a chamada qualidade do serviço público moiteiro.
Se não sabem mais, são ignorantes. Se sabem, é pura má vontade.
Enfim.
Isto devia ser cultura, estúpidos (não é ofensa, queridos, estou apenas a aludir ao título de uma peça de teatro).
terça-feira, junho 29, 2004
Material alheio (direitos de autor para o JPPereira)
Não é nosso hábito mas hoje merece transcrição um texto do blog do Pacheco Pereira sobre a situação política nacional.
O texto é o que se segue, mas podem sempre visitar o original.
POBRE PAÍS
o nosso.
Há uns anos, nos momentos mais complicados de dissolução da URSS, nada funcionava na Rússia. Todos os dias de manhã, no Hotel Ukraina, o pequeno almoço era uma saga. Chegava o samovar com o chá e não havia chávenas lavadas. Chegavam as chávenas, não havia colheres. Chegavam as colheres e não havia chá outra vez. Os estrangeiros recém-chegados protestavam em vão. Os russos e os velhos habitantes do Hotel Ukraina, que já conheciam todas as rotinas, iam buscar chávenas à cozinha, acumulavam duas ou três chávenas em cima da mesa para armazenar o precioso chá, etc. Um amigo meu disse-me: “vais ver, ao quinto dia já estamos como eles, a ir buscar chá à cozinha, muito caladinhos”. Ao terceiro dia já íamos buscar chá à cozinha.
Não há nada como o hábito e como o sentimento de impotência para que se aceite tudo. Não há nada como a ecologia envolvente para se achar tudo normal. O resvalar contínuo para a mediocridade, o abaixamento dos requisitos mínimos, que antes juraríamos nunca aceitar. Que eram mesmo inimagináveis. Não, meus amigos, é na cozinha que está o chá, que estão as chávenas, que está o açúcar. É na cozinha. O que é que querem mais? Qualidade no serviço? Isso não é aqui. Nem no Hotel Rossya, do outro lado.
O texto é o que se segue, mas podem sempre visitar o original.
POBRE PAÍS
o nosso.
Há uns anos, nos momentos mais complicados de dissolução da URSS, nada funcionava na Rússia. Todos os dias de manhã, no Hotel Ukraina, o pequeno almoço era uma saga. Chegava o samovar com o chá e não havia chávenas lavadas. Chegavam as chávenas, não havia colheres. Chegavam as colheres e não havia chá outra vez. Os estrangeiros recém-chegados protestavam em vão. Os russos e os velhos habitantes do Hotel Ukraina, que já conheciam todas as rotinas, iam buscar chávenas à cozinha, acumulavam duas ou três chávenas em cima da mesa para armazenar o precioso chá, etc. Um amigo meu disse-me: “vais ver, ao quinto dia já estamos como eles, a ir buscar chá à cozinha, muito caladinhos”. Ao terceiro dia já íamos buscar chá à cozinha.
Não há nada como o hábito e como o sentimento de impotência para que se aceite tudo. Não há nada como a ecologia envolvente para se achar tudo normal. O resvalar contínuo para a mediocridade, o abaixamento dos requisitos mínimos, que antes juraríamos nunca aceitar. Que eram mesmo inimagináveis. Não, meus amigos, é na cozinha que está o chá, que estão as chávenas, que está o açúcar. É na cozinha. O que é que querem mais? Qualidade no serviço? Isso não é aqui. Nem no Hotel Rossya, do outro lado.
E à coerência...
E o nosso "primeiro" à coerência do discurso político, como o outro aos costumes, disse nada...
Para quê fingir que se reflectiu muito e que a decisão não está tomada, se não se reflectiu muito e a decisão já está tomada ?
O Zezinho das RGA's e o Paulinho das Feiras (bem como Pedrocas da Kapital) são as várias faces de uma e mesma moeda.
Sei que este blog não se destina a discutir questões nacionais, mas sinceramente não há pachorra para estes tipos e para os seus emissários cá no burgo.
vejam-se as apressadas reuniões partidárias locais e o zero de conteúdo ou originalidade das posições (não) tomadas para se ver a que estado chegou a nossa mediocridade.
Para quê fingir que se reflectiu muito e que a decisão não está tomada, se não se reflectiu muito e a decisão já está tomada ?
O Zezinho das RGA's e o Paulinho das Feiras (bem como Pedrocas da Kapital) são as várias faces de uma e mesma moeda.
Sei que este blog não se destina a discutir questões nacionais, mas sinceramente não há pachorra para estes tipos e para os seus emissários cá no burgo.
vejam-se as apressadas reuniões partidárias locais e o zero de conteúdo ou originalidade das posições (não) tomadas para se ver a que estado chegou a nossa mediocridade.
quarta-feira, junho 23, 2004
21 razões para detestar os espanhóis e os seus aliados na nossa região - os moiteiros
1. A mania que eles têm de invadir-nos de 200 em 200 anos só para levarem nos cornos. Será masoquismo?!?
2. Tratado de Tordesilhas, em que eles ficaram com o ouro e a prata toda e nós com as mulatas e a caipirinha... pensando bem, o negócio até nem foi tão mal para nós porque, entretanto, o ouro e a prata acabaram-se.
3. As sevilhanas: que raio de gente com auto-estima se veste com vestidos às bolinhas tipo joaninha e saltita enquanto um parolo de cabelo oleoso geme como quem está com uma crise de hemorróidas?
4. Castilla la Macha, Estremadura e Andaluzia: todos eles desertos áridos e monótonos, mas sem camelos nem tipos de turbante para tirar fotos com os turistas.
5. O antigo costume espanhol de reclamarem para si terras às quais não têm direito (como Gibraltar, Ceuta, Olivença - que é nossa! - e as Canárias). Em contrapartida, esqueceram-se de levar a Moita.
6. Enrique Iglesias, y su magnifica verruga en la tromba.
7. A língua castelhana: esse prodígio da linguagem, em que seres humanos são capazes de emitir ruídos imitando perfeitamente o som de um cão a roer um osso.
8. Filipe I.
9. Filipe II.
10. Filipe III.
11. Os Seat, os piores automóveis que existem a oeste da Varsóvia. Boca chauvinista, a treinar diante do espelho: «Yo esborracho tu Seat Marbella com mi pujante UMM»!
12. A Guardía Civil (a GNR espanhola), e a sua mania de arrear porrada em políticos portugueses na fronteira: mesmo que eles estivessem a pedi-las, nos nossos políticos somos nós quem "molha a sopa".
13. Badajoz, a segunda cidade mais feia do mundo, a seguir a Ayamonte.
14. Os nomes que ostentam: quer queiram, quer não, Pilar é nome de uma viga de betão e Mercedes é tudo menos nome de mulher!
15. A mania que têm de se afirmarem como uma nação unida quando três quintos da população tem um ódio de morte a Espanha (já os moiteiros adoram-nos).
16. El Córte Inglés... Até eles tiveram vergonha da sua criação,pelo que não lhe chamaram "El Córte Español", optando por atirar as culpas a outro povo, totalmente inocente.
17. Café espanhol: uma zurrapa intragável e, além disso,para se conseguir uma bica em Espanha, o cliente tem que especificar expressamente que a quer «sin leche». E, à cautela, convirá também pedir sem Sonasol, sem gelo, sem pêlos do peito do empregado...
18. A riquíssima culinária espanhola: paella de carne, paella de peixe, paella de gambas... Claro que galegos, bascos e catalães têm uma culinária riquíssima, mas esses não são espanhóis (ver ponto 15).
19. O hábito cínico de nos tratarem por "nuestros hermanos". Aí o português deve, com ênfase, esclarecer: «Xô, bastardo! Vai prá p*** que te pariu».
20. A televisão espanhola: 100% parola, e onde é considerado top de audiências um concurso em que a corrente, chamada Mercedes (vrumm! vrumm!), tem que dançar sevilhanas (arrghh!) com o Enrique Iglesias (vómitos!) para ganhar um Seat (keep it!) ou um T2 em Ayamonte (nãaaaaaaaao!).
21. Já imaginando a contra-argumentação que alguns tentarão contra esta minha lista, devo lembrar que os filmes do Canal 18 NÃO são feitos em Espanha, nem por espanhóis. Vejam o genérico. São americanos e dobrados em espanhol porque os espanhóis ficariam logo murchos se ouvissem as senhoras a gemer noutra língua que não a sua.
Aliás, os espanhóis nunca foram muito dotados: sabiam que a DUREX comercializa em Portugal preservativos com uma média de 1 cm mais compridos do que aqueles que comercializa em Espanha?!? Agora, agradeçamos todos: «Obrigado D. Afonso Henriques, por nos teres
separado dessa raça, para que hoje possamos dizer, com orgulho, eu sou português (e alhosvedrense)!»
2. Tratado de Tordesilhas, em que eles ficaram com o ouro e a prata toda e nós com as mulatas e a caipirinha... pensando bem, o negócio até nem foi tão mal para nós porque, entretanto, o ouro e a prata acabaram-se.
3. As sevilhanas: que raio de gente com auto-estima se veste com vestidos às bolinhas tipo joaninha e saltita enquanto um parolo de cabelo oleoso geme como quem está com uma crise de hemorróidas?
4. Castilla la Macha, Estremadura e Andaluzia: todos eles desertos áridos e monótonos, mas sem camelos nem tipos de turbante para tirar fotos com os turistas.
5. O antigo costume espanhol de reclamarem para si terras às quais não têm direito (como Gibraltar, Ceuta, Olivença - que é nossa! - e as Canárias). Em contrapartida, esqueceram-se de levar a Moita.
6. Enrique Iglesias, y su magnifica verruga en la tromba.
7. A língua castelhana: esse prodígio da linguagem, em que seres humanos são capazes de emitir ruídos imitando perfeitamente o som de um cão a roer um osso.
8. Filipe I.
9. Filipe II.
10. Filipe III.
11. Os Seat, os piores automóveis que existem a oeste da Varsóvia. Boca chauvinista, a treinar diante do espelho: «Yo esborracho tu Seat Marbella com mi pujante UMM»!
12. A Guardía Civil (a GNR espanhola), e a sua mania de arrear porrada em políticos portugueses na fronteira: mesmo que eles estivessem a pedi-las, nos nossos políticos somos nós quem "molha a sopa".
13. Badajoz, a segunda cidade mais feia do mundo, a seguir a Ayamonte.
14. Os nomes que ostentam: quer queiram, quer não, Pilar é nome de uma viga de betão e Mercedes é tudo menos nome de mulher!
15. A mania que têm de se afirmarem como uma nação unida quando três quintos da população tem um ódio de morte a Espanha (já os moiteiros adoram-nos).
16. El Córte Inglés... Até eles tiveram vergonha da sua criação,pelo que não lhe chamaram "El Córte Español", optando por atirar as culpas a outro povo, totalmente inocente.
17. Café espanhol: uma zurrapa intragável e, além disso,para se conseguir uma bica em Espanha, o cliente tem que especificar expressamente que a quer «sin leche». E, à cautela, convirá também pedir sem Sonasol, sem gelo, sem pêlos do peito do empregado...
18. A riquíssima culinária espanhola: paella de carne, paella de peixe, paella de gambas... Claro que galegos, bascos e catalães têm uma culinária riquíssima, mas esses não são espanhóis (ver ponto 15).
19. O hábito cínico de nos tratarem por "nuestros hermanos". Aí o português deve, com ênfase, esclarecer: «Xô, bastardo! Vai prá p*** que te pariu».
20. A televisão espanhola: 100% parola, e onde é considerado top de audiências um concurso em que a corrente, chamada Mercedes (vrumm! vrumm!), tem que dançar sevilhanas (arrghh!) com o Enrique Iglesias (vómitos!) para ganhar um Seat (keep it!) ou um T2 em Ayamonte (nãaaaaaaaao!).
21. Já imaginando a contra-argumentação que alguns tentarão contra esta minha lista, devo lembrar que os filmes do Canal 18 NÃO são feitos em Espanha, nem por espanhóis. Vejam o genérico. São americanos e dobrados em espanhol porque os espanhóis ficariam logo murchos se ouvissem as senhoras a gemer noutra língua que não a sua.
Aliás, os espanhóis nunca foram muito dotados: sabiam que a DUREX comercializa em Portugal preservativos com uma média de 1 cm mais compridos do que aqueles que comercializa em Espanha?!? Agora, agradeçamos todos: «Obrigado D. Afonso Henriques, por nos teres
separado dessa raça, para que hoje possamos dizer, com orgulho, eu sou português (e alhosvedrense)!»
Apelo do Roldão Preto
Apelo !
Alhos Vedrenses chegou a hora da acção directa !
Vamos lutar contra o poder moiteiro com todas as nossas forças !
As razões do declínio e do estado desesperado a que chegou Alhos Vedros são todas culpa do poder moiteiro: a construção de fábricas e anexos de fábricas que destruiram toda a malha urbana de Alhos Vedros, para enriquecer o poder moiteiro, à custa do bem estar da população Alhos Vedrense são culpa do poder moiteiro, agora restam ruínas e um cenário tipo pós-guerra, mas não terminam aqui as agressões à nossa terra. Não ! O Cais Novo que se pretendia na sua construção ser um porto de transportes fluviais, foi logo em 1977 arrendado a uma empresa de desmantelamento de barcos que tem desde essa altura destruído toda essa zona ribeirinha de valor imenso a nível de flora e fauna ribeirinhas e também todas as salinas da Baixa da Banheira, que é para todos os efeitos zona vital de Alhos Vedros e como tal será anexada ao futuro concelho de Alhos Vedros
O Parque das Salinas é um mega projecto que não tem as
infraestruturas básicas necessárias para a sua existência, além de os esgotos correrem a céu aberto desembocando directamente no rio para gáudio das ratazanas do tamanho de coelhos que lá habitam...
É demasiado grande e a relva não tem nada a ver com a flora ribeirinha, e gasta imensas quantidades de água para ser regada e muita mão de obra de funcionários da Câmara da
Moita, que são pagos à custa de todos os Alhosvedrenses.
Basta ! Gritamos nós !
Abaixo o poder moiteiro ! Independência do concelho de Alhos Vedros !
Secessão !
Os moiteiros que se orientem sem Alhos Vedros, com as suas touradas e largadas e festas e morteiros, estamos fartos desta miséria vaidosa que são os moiteiros !
Nada nos une a esta sub-raça de bastardos amantes de espanha subservientes lacaios de sevilha e das sevilhanas, vamos acabar com eles !
Apelo ao povo de Alhos Vedros, gente orgulhosa do seu passado que boicote tudo o
que vier da Moita !
A palavra de ordem é :
- Fora que é da Moita !
Todos os caixotes do lixo que têm o brazão moiteiro têm de ser pintados por cima e deve-se escrever Alhos Vedros, o LIDL da moita não é da Moita pertence ao nobre território de Alhos Vedros, o Intermaché da Moita está dentro do
território de Alhos Vedros, a estação de comboios da Moita, será sempre Alhos Vedros B,
Vivam as Brigadas Restauracionistas de Alhos Vedros, se for preciso partiremos para a luta armada, e lutaremos até à morte contra o poder moiteiro que nos atrofia e não nos deixa respirar !
Viva Alhos Vedros !
Saudações Restauracionistas de Roldão Preto !
Alhos Vedrenses chegou a hora da acção directa !
Vamos lutar contra o poder moiteiro com todas as nossas forças !
As razões do declínio e do estado desesperado a que chegou Alhos Vedros são todas culpa do poder moiteiro: a construção de fábricas e anexos de fábricas que destruiram toda a malha urbana de Alhos Vedros, para enriquecer o poder moiteiro, à custa do bem estar da população Alhos Vedrense são culpa do poder moiteiro, agora restam ruínas e um cenário tipo pós-guerra, mas não terminam aqui as agressões à nossa terra. Não ! O Cais Novo que se pretendia na sua construção ser um porto de transportes fluviais, foi logo em 1977 arrendado a uma empresa de desmantelamento de barcos que tem desde essa altura destruído toda essa zona ribeirinha de valor imenso a nível de flora e fauna ribeirinhas e também todas as salinas da Baixa da Banheira, que é para todos os efeitos zona vital de Alhos Vedros e como tal será anexada ao futuro concelho de Alhos Vedros
O Parque das Salinas é um mega projecto que não tem as
infraestruturas básicas necessárias para a sua existência, além de os esgotos correrem a céu aberto desembocando directamente no rio para gáudio das ratazanas do tamanho de coelhos que lá habitam...
É demasiado grande e a relva não tem nada a ver com a flora ribeirinha, e gasta imensas quantidades de água para ser regada e muita mão de obra de funcionários da Câmara da
Moita, que são pagos à custa de todos os Alhosvedrenses.
Basta ! Gritamos nós !
Abaixo o poder moiteiro ! Independência do concelho de Alhos Vedros !
Secessão !
Os moiteiros que se orientem sem Alhos Vedros, com as suas touradas e largadas e festas e morteiros, estamos fartos desta miséria vaidosa que são os moiteiros !
Nada nos une a esta sub-raça de bastardos amantes de espanha subservientes lacaios de sevilha e das sevilhanas, vamos acabar com eles !
Apelo ao povo de Alhos Vedros, gente orgulhosa do seu passado que boicote tudo o
que vier da Moita !
A palavra de ordem é :
- Fora que é da Moita !
Todos os caixotes do lixo que têm o brazão moiteiro têm de ser pintados por cima e deve-se escrever Alhos Vedros, o LIDL da moita não é da Moita pertence ao nobre território de Alhos Vedros, o Intermaché da Moita está dentro do
território de Alhos Vedros, a estação de comboios da Moita, será sempre Alhos Vedros B,
Vivam as Brigadas Restauracionistas de Alhos Vedros, se for preciso partiremos para a luta armada, e lutaremos até à morte contra o poder moiteiro que nos atrofia e não nos deixa respirar !
Viva Alhos Vedros !
Saudações Restauracionistas de Roldão Preto !
domingo, junho 20, 2004
Movimento "Moita para Espanha, Já"
Por mão amiga chegou-nos mais um dado importante para apoiar o movimento "Moita para Espanha, Já", o qual revela que este é um desejo que está a ser cuidadosamente preparado pelos moiteiros.
Com efeito, na Escola Básica do 2º e 3º Ciclo D. Pedro II já existe a disciplina de Espanhol (deveria ser Castelhano, mas enfim) a ser ensinada às criancinhas que o desejam.
Aprendido o idioma já se podem tornar Procunas e emigrarem para Espanha atrás dos touros. Não é por nada, mas porque é que não fazem cursos intensivos para adultos, de maneira a acelerar o processo de integração em Espanha ?
Depois, é só mais umas aulas de sevilhanas e uns colóquios sobre peñas e eles recebem-nos de braços abertos.
Olé !
Com efeito, na Escola Básica do 2º e 3º Ciclo D. Pedro II já existe a disciplina de Espanhol (deveria ser Castelhano, mas enfim) a ser ensinada às criancinhas que o desejam.
Aprendido o idioma já se podem tornar Procunas e emigrarem para Espanha atrás dos touros. Não é por nada, mas porque é que não fazem cursos intensivos para adultos, de maneira a acelerar o processo de integração em Espanha ?
Depois, é só mais umas aulas de sevilhanas e uns colóquios sobre peñas e eles recebem-nos de braços abertos.
Olé !
sexta-feira, junho 18, 2004
António da Costa sobre a Tradição - Parte II
António da Costa volta a abordar a questão das tradições moiteiras, investindo de novo contra aqueles que defendem que o futuro do concelho está em fugir à frente de touros e novilhos pelas ruas da terreola.
Estes últimos dias é só cultura nos nossos posts.
A tradição já não é o que era !
Tendo começado um texto anterior sobre este tema com uma referência a Hobsbawm que se destacou, entre muitas outras áreas, pela sua análise do fenómeno nacionalista, começaria este com outro autor, politólogo, que também estudou o nacionalismo e as estratégias usadas pelos movimentos nacionalistas para se apropriarem daquilo que gostam de apresentar como as tradições imemoriais das comunidades humanas cujos direitos afirmam defender.
Ernest Gellner afirma, entre outras passagens deliciosas, que «os fragmentos e remendos culturais usados pelo nacionalismo são muitas vezes invenções históricas arbitrárias. Qualquer velho fragmento ou remendo teria servido na mesma. (...) O nacionalismo não é o que parece e, acima de tudo, não é o que parece para si mesmo. As culturas que reclama defender e reviver são muitas vezes invenções suas, ou são modificadas para além de qualquer reconhecimento» (Nations and Nationalism, 1983, p. 56).
Ocorreu-me esta passagem que tanto pode ser aplicada aos nacionalismos como a muitos regionalismos e localismos, a propósito de alguns argumentos usados recentemente por um defensor das tradições tauromáquicas da Moita que, inadvertida ou voluntariamente, acabou por confessar que as mesmas não passam de uma estratégia para que a Moita não seja apenas um dormitório na orla de Lisboa (Vitor P. Mendes, Jornal da Moita de 3 de Junho de 2004, p. 6), mesmo se as afirma tricentenárias (o que me parece de difícil prova) ou obra de «sucessivas gerações que persistiram num rumo cultural próprio, fortemente identitário».
O autor em causa baralha-se e tropeça um pouco na própria argumentação, pois embora reclame a ancestralidade da identidade cultural da Moita, acaba por declarar que a mesma acaba por não passar de um recurso actual para que os moiteiros afirmem a sua auto-estima (o que nunca me pareceu um problema de que padecessem após várias décadas de maravilhada observação da impedância e incontinência em particular das suas elites tauromáquicas e pseudo-intelectuais), à semelhança de Paços de Ferreira, Gondomar ou a Marinha Grande (apresentadas como capitais nacionais de diversas actividades económicas, o que não é bem o mesmo que fazer largadas em Maio e Setembro). Depois, embora se utilizem critérios de ancestralidade para defender as pretensões identitárias da Moita, consideram-se anacrónicas as pretensões alhosvedrenses de recuperação de um poder usurpado. Em primeiro lugar, essas pretensões têm raízes bem mais ancestrais que os touros na Moita e, em segundo, se tomarmos como critério de unidade administrativa «o querer viver com dignidade e criar os filhos em paz e numa terra de oportunidades» teremos de criar uma superestrutura transnacional para albergar todos o que o desejam, tornando-se obsoletos os concelhos. Para além de que qualificar a Moita e o seu concelho como «terra de oportunidades» suplanta em humor subliminar tudo o que Manuel Pedro escreveu no seu artigo sobre o Imposto Taurino.
Por outro lado, criticando também de forma sinuosa o Manuel Pedro, V.P.M. parece acreditar que quem critica as questões de touros na Moita é porque não conhece a coisa em si. Nada de mais errado, pelo menos na minha perspectiva, pois só conhecendo algo é que podemos saber se gostamos ou não. As expressões taurinas que usa como exemplos do que os pretensos leigos não seriam capazes de perceber são uma forma de pegar de cernelha o assunto, não sei se me faço entender.
Reagindo ainda de forma muito implícita a pretensões como as dos animadores do blog Alhos Vedros ao Poder (parece que uma reacção explícita não ficaria muito bem), V.P.M. considera anacrónicas as posições que criticam o poder actual da Moita e passa a questionar o que é Alhos Vedros neste momento. Ora bem, V.P.M. coloca aqui o dedo na ferida mas de forma distorcida porque a questão certa seria «No que tornaram Alhos Vedros?», pois Alhos Vedros não chegou ao que é por obra do acaso, mas sim por muita acção (moiteira) e inacção (alhosvedrense, por certo) que procurou apagar (a primeira) ou deixou desbaratar (a segunda) um passado e uma memória que mereciam melhor sorte.
A Moita é o que é (se é rica, não sei, pois sempre me pareceu querer ser mais do que é) graças a um poder que centralizou e não partilhou durante mais de um século, deixando definhar quem lhe poderia fazer frente em termos históricos e patrimoniais, mesmo se beneficiando da apatia de quem devia ter defendido os seus direitos mas preferiu calar-se ou aliar-se ao poder do momento. Pois, porque não podemos comparar a história de Alhos Vedros e o seu património com as identidades culturais (legítimas ou inventadas é questão em aberto) da Moita. Não nos esqueçamos que a autonomização da Moita em relação a Alhos Vedros (amputando o seu concelho) resultou da atribuição de mercês a um nobre poderoso e não de qualquer movimentação das suas populações. As discussões que marcaram o final do século XVII na zona são elucidativas sobre a perturbação que a divisão provocou, quebrando laços de solidariedade e cooperação económica que existiam e só se recompuseram de forma desiquilibrada em favor da Moita, graças às pressões do seu novo senhor.
Só para dar um exemplo do abandono a que está votado o património histórico da região, lembre-se que nos arquivos da CMM existem cerca de duas dezenas de livros de vereações de Alhos Vedros que permitem acompanhar a história do seu concelho desde, pelo menos, 1624 (se os não destruiram como muita da documentação da Misericórdia de Alhos Vedros, uma das primeiras dos país, deitada para o lixo no meio de restos de seringas usadas, algodão ensanguentado e outros detritos do hospital) até 1839 (o último livro que vai até 1855 estava pelo Barreiro há uns anos atrás). Infelizmente, ninguém se preocupou em transcrevê-los e publicá-los. Provavelmente porque os recursos económicos para publicações só existem se forem para revistas sobre tauromaquia.
Continuando com alguns exemplos de atitudes que, mais do que um atentado ao património são um ataque à mera inteligência humana, relembremos a ideia peregrina, de há uma década atrás, mais coisa menos coisa, de desmontar o pelourinho quinhentista de Alhos Vedros, com o pretexto que esta vila já não era sede de concelho, para o levar para a Moita. Será que o pelourinho do Estado Novo não chega ? Ou não transmitirá a dignidade histórica suficiente ?
Passando para outra área, da gestão do espaço urbano, lamentavelmente conduzida durante anos por um alhosvedrense seduzido pelo poder (político e económico, apesar da pretensa ortodoxia), quem foi que ao arrepio do então nóvel PDM aceitou construir enormes barracões por Alhos Vedros, em nome de um desenvolvimento económico de que hoje restam apenas as carcaças ? Porventura na Moita foram aceites tais desmandos ? Quem concebeu para Alhos Vedros um plano urbanístico que apenas obedece a interesses privados, dando autorização à construção de blocos de apartamentos ao sabor do momento e sem qualquer tipo de qualidade arquitectónica ?
Qual foi o poder que nunca deu um passo institucional para recuperar, em termos de preservação do património de uma forma capaz, o eixo histórico de Alhos Vedros, desde a Igreja até à cadeia medieval, passando pelo Largo do Pelourinho e Misericórdia, assim como o largo do chamado Cais Velho ? Alguém acha que é um parque com charcos de água estagnada e uns arbustos a tapar o cadáver da Gefa que resolvem o assunto ?
E quem foi que deixou toda a zona ribeirinha, de salinas, moinhos de maré e sapal, de Alhos Vedros à disposição de quem tem toda a qualidade de monos (pneus, frigoríficos, etc) para se livrar ?
Realmente, só resta rir de tudo isto, pois é o que nos resta depois de 30 anos de poder autárquico democrático, incapaz de inverter as décadas anteriores de poder salazarista.
Há mais de 15 anos, ao falar com António Nabais, um investigador de património local da Margem Sul, ele dizia-me que a sorte de Alhos Vedros era ter ficado esquecida no meio dos desmandos que se viam no urbanismo da zona. O problema é que, para além de esquecida, Alhos Vedros foi asfixiada e, quando se lembraram, foi para começar a destruir, ou ajudar a cair, o que restava.
Caiu o cinema ? Ceda-se às pressões imobiliárias e façam-se apartamentos e lojas dos 300 !
A velha cadeia está em ruínas ? O que querem, são apenas pedras velhas !
Os barracões das velhas indústrias da cortiça já caíram ? Coragem porque ainda há os barracões das indústrias têxteis para saquear e cair !
É verdade que o mais triste de tudo foi que boa parte dos alhosvedrenses com alguma iniciativa, quando não decidiram fazer carreira nas nomenklaturas partidárias do establishment, convertendo-se à inanidade das práticas correntes, foram-se embora da freguesia, entre a tristeza e a necessidade. Agora, não sei se é tarde mas, pelo menos, alguém que tenha a vontade e o ânimo de escrever o que muitos pensa(ra)m mas não tiveram a coragem de afirmar publicamente, por apatia, conveniência, sei lá. E não venham com a história que só nos conhecem o nome e etc, porque quando mostrámos a cara e inquirimos os responsáveis, não nos responderam ou nos trataram como irresponsáveis opositores ao desenvolvimento local (leia-se, da Moita).
Se tenho lágrimas ? Tenho ! Por isso é que preciso de rir, porque, caso contrário, é difícil suportar tanta estupidez junta. Aliás, há quem diga que o humor, como sinal de inteligência reflexiva e auto-crítica, é o que nos distingue entre os animais. Há quem o tenha, há quem o não consiga ter.
António da Costa
(editor cultural do blog www.alhosvedrosaopoder.blogspot.com)
Junho de 2004
Estes últimos dias é só cultura nos nossos posts.
A tradição já não é o que era !
Tendo começado um texto anterior sobre este tema com uma referência a Hobsbawm que se destacou, entre muitas outras áreas, pela sua análise do fenómeno nacionalista, começaria este com outro autor, politólogo, que também estudou o nacionalismo e as estratégias usadas pelos movimentos nacionalistas para se apropriarem daquilo que gostam de apresentar como as tradições imemoriais das comunidades humanas cujos direitos afirmam defender.
Ernest Gellner afirma, entre outras passagens deliciosas, que «os fragmentos e remendos culturais usados pelo nacionalismo são muitas vezes invenções históricas arbitrárias. Qualquer velho fragmento ou remendo teria servido na mesma. (...) O nacionalismo não é o que parece e, acima de tudo, não é o que parece para si mesmo. As culturas que reclama defender e reviver são muitas vezes invenções suas, ou são modificadas para além de qualquer reconhecimento» (Nations and Nationalism, 1983, p. 56).
Ocorreu-me esta passagem que tanto pode ser aplicada aos nacionalismos como a muitos regionalismos e localismos, a propósito de alguns argumentos usados recentemente por um defensor das tradições tauromáquicas da Moita que, inadvertida ou voluntariamente, acabou por confessar que as mesmas não passam de uma estratégia para que a Moita não seja apenas um dormitório na orla de Lisboa (Vitor P. Mendes, Jornal da Moita de 3 de Junho de 2004, p. 6), mesmo se as afirma tricentenárias (o que me parece de difícil prova) ou obra de «sucessivas gerações que persistiram num rumo cultural próprio, fortemente identitário».
O autor em causa baralha-se e tropeça um pouco na própria argumentação, pois embora reclame a ancestralidade da identidade cultural da Moita, acaba por declarar que a mesma acaba por não passar de um recurso actual para que os moiteiros afirmem a sua auto-estima (o que nunca me pareceu um problema de que padecessem após várias décadas de maravilhada observação da impedância e incontinência em particular das suas elites tauromáquicas e pseudo-intelectuais), à semelhança de Paços de Ferreira, Gondomar ou a Marinha Grande (apresentadas como capitais nacionais de diversas actividades económicas, o que não é bem o mesmo que fazer largadas em Maio e Setembro). Depois, embora se utilizem critérios de ancestralidade para defender as pretensões identitárias da Moita, consideram-se anacrónicas as pretensões alhosvedrenses de recuperação de um poder usurpado. Em primeiro lugar, essas pretensões têm raízes bem mais ancestrais que os touros na Moita e, em segundo, se tomarmos como critério de unidade administrativa «o querer viver com dignidade e criar os filhos em paz e numa terra de oportunidades» teremos de criar uma superestrutura transnacional para albergar todos o que o desejam, tornando-se obsoletos os concelhos. Para além de que qualificar a Moita e o seu concelho como «terra de oportunidades» suplanta em humor subliminar tudo o que Manuel Pedro escreveu no seu artigo sobre o Imposto Taurino.
Por outro lado, criticando também de forma sinuosa o Manuel Pedro, V.P.M. parece acreditar que quem critica as questões de touros na Moita é porque não conhece a coisa em si. Nada de mais errado, pelo menos na minha perspectiva, pois só conhecendo algo é que podemos saber se gostamos ou não. As expressões taurinas que usa como exemplos do que os pretensos leigos não seriam capazes de perceber são uma forma de pegar de cernelha o assunto, não sei se me faço entender.
Reagindo ainda de forma muito implícita a pretensões como as dos animadores do blog Alhos Vedros ao Poder (parece que uma reacção explícita não ficaria muito bem), V.P.M. considera anacrónicas as posições que criticam o poder actual da Moita e passa a questionar o que é Alhos Vedros neste momento. Ora bem, V.P.M. coloca aqui o dedo na ferida mas de forma distorcida porque a questão certa seria «No que tornaram Alhos Vedros?», pois Alhos Vedros não chegou ao que é por obra do acaso, mas sim por muita acção (moiteira) e inacção (alhosvedrense, por certo) que procurou apagar (a primeira) ou deixou desbaratar (a segunda) um passado e uma memória que mereciam melhor sorte.
A Moita é o que é (se é rica, não sei, pois sempre me pareceu querer ser mais do que é) graças a um poder que centralizou e não partilhou durante mais de um século, deixando definhar quem lhe poderia fazer frente em termos históricos e patrimoniais, mesmo se beneficiando da apatia de quem devia ter defendido os seus direitos mas preferiu calar-se ou aliar-se ao poder do momento. Pois, porque não podemos comparar a história de Alhos Vedros e o seu património com as identidades culturais (legítimas ou inventadas é questão em aberto) da Moita. Não nos esqueçamos que a autonomização da Moita em relação a Alhos Vedros (amputando o seu concelho) resultou da atribuição de mercês a um nobre poderoso e não de qualquer movimentação das suas populações. As discussões que marcaram o final do século XVII na zona são elucidativas sobre a perturbação que a divisão provocou, quebrando laços de solidariedade e cooperação económica que existiam e só se recompuseram de forma desiquilibrada em favor da Moita, graças às pressões do seu novo senhor.
Só para dar um exemplo do abandono a que está votado o património histórico da região, lembre-se que nos arquivos da CMM existem cerca de duas dezenas de livros de vereações de Alhos Vedros que permitem acompanhar a história do seu concelho desde, pelo menos, 1624 (se os não destruiram como muita da documentação da Misericórdia de Alhos Vedros, uma das primeiras dos país, deitada para o lixo no meio de restos de seringas usadas, algodão ensanguentado e outros detritos do hospital) até 1839 (o último livro que vai até 1855 estava pelo Barreiro há uns anos atrás). Infelizmente, ninguém se preocupou em transcrevê-los e publicá-los. Provavelmente porque os recursos económicos para publicações só existem se forem para revistas sobre tauromaquia.
Continuando com alguns exemplos de atitudes que, mais do que um atentado ao património são um ataque à mera inteligência humana, relembremos a ideia peregrina, de há uma década atrás, mais coisa menos coisa, de desmontar o pelourinho quinhentista de Alhos Vedros, com o pretexto que esta vila já não era sede de concelho, para o levar para a Moita. Será que o pelourinho do Estado Novo não chega ? Ou não transmitirá a dignidade histórica suficiente ?
Passando para outra área, da gestão do espaço urbano, lamentavelmente conduzida durante anos por um alhosvedrense seduzido pelo poder (político e económico, apesar da pretensa ortodoxia), quem foi que ao arrepio do então nóvel PDM aceitou construir enormes barracões por Alhos Vedros, em nome de um desenvolvimento económico de que hoje restam apenas as carcaças ? Porventura na Moita foram aceites tais desmandos ? Quem concebeu para Alhos Vedros um plano urbanístico que apenas obedece a interesses privados, dando autorização à construção de blocos de apartamentos ao sabor do momento e sem qualquer tipo de qualidade arquitectónica ?
Qual foi o poder que nunca deu um passo institucional para recuperar, em termos de preservação do património de uma forma capaz, o eixo histórico de Alhos Vedros, desde a Igreja até à cadeia medieval, passando pelo Largo do Pelourinho e Misericórdia, assim como o largo do chamado Cais Velho ? Alguém acha que é um parque com charcos de água estagnada e uns arbustos a tapar o cadáver da Gefa que resolvem o assunto ?
E quem foi que deixou toda a zona ribeirinha, de salinas, moinhos de maré e sapal, de Alhos Vedros à disposição de quem tem toda a qualidade de monos (pneus, frigoríficos, etc) para se livrar ?
Realmente, só resta rir de tudo isto, pois é o que nos resta depois de 30 anos de poder autárquico democrático, incapaz de inverter as décadas anteriores de poder salazarista.
Há mais de 15 anos, ao falar com António Nabais, um investigador de património local da Margem Sul, ele dizia-me que a sorte de Alhos Vedros era ter ficado esquecida no meio dos desmandos que se viam no urbanismo da zona. O problema é que, para além de esquecida, Alhos Vedros foi asfixiada e, quando se lembraram, foi para começar a destruir, ou ajudar a cair, o que restava.
Caiu o cinema ? Ceda-se às pressões imobiliárias e façam-se apartamentos e lojas dos 300 !
A velha cadeia está em ruínas ? O que querem, são apenas pedras velhas !
Os barracões das velhas indústrias da cortiça já caíram ? Coragem porque ainda há os barracões das indústrias têxteis para saquear e cair !
É verdade que o mais triste de tudo foi que boa parte dos alhosvedrenses com alguma iniciativa, quando não decidiram fazer carreira nas nomenklaturas partidárias do establishment, convertendo-se à inanidade das práticas correntes, foram-se embora da freguesia, entre a tristeza e a necessidade. Agora, não sei se é tarde mas, pelo menos, alguém que tenha a vontade e o ânimo de escrever o que muitos pensa(ra)m mas não tiveram a coragem de afirmar publicamente, por apatia, conveniência, sei lá. E não venham com a história que só nos conhecem o nome e etc, porque quando mostrámos a cara e inquirimos os responsáveis, não nos responderam ou nos trataram como irresponsáveis opositores ao desenvolvimento local (leia-se, da Moita).
Se tenho lágrimas ? Tenho ! Por isso é que preciso de rir, porque, caso contrário, é difícil suportar tanta estupidez junta. Aliás, há quem diga que o humor, como sinal de inteligência reflexiva e auto-crítica, é o que nos distingue entre os animais. Há quem o tenha, há quem o não consiga ter.
António da Costa
(editor cultural do blog www.alhosvedrosaopoder.blogspot.com)
Junho de 2004
quarta-feira, junho 16, 2004
Colaboração de José Silva - Regresso em grande
O nosso colaborador José Silva voltou e decidiu (provavelmente para prazer do nosso leitor Titta Maurício) atirar-se com força aos jovens socialistas locais.
Leiamo-lo e rejubilemos.
O cosmopolitismo das jovens esperanças partidárias locais – o caso do PS
Eu tinha prometido aos meus amigos do blog Alhos Vedros ao Poder contribuir com um texto sobre o aparente cosmopolitismo de alguns jovens vultos do PS local mas, ao começar a escrever o texto, apeteceu-me alargar o seu alcance.
Na verdade, comecei a pensar que a adesão dos jovens aos partidos é um bocado como a simpatia pelos clubes de futebol: é tanto maior quanto o sucesso da equipa. Sem o sucesso do Porto desde finais dos anos 70 era impensável haver um número razoável de miúdos adeptos do Porto abaixo do Mondego nos anos 90. Assim como a atracção do Sporting diminuiu muito para a juventude no mesmo período.
Com as “jotas” dos partidos passa-se um bocado o mesmo. Só que é necessário considerar duas variáveis, a do sucesso a nível nacional (domínio do aparelho estatal central) e a do sucesso a nível local (domínio do aparelho autárquico)
Diz-me o meu irmão, já entrado nos 40, que no tempo dele (década de 70, após o 25 de Abril) na Moita e em Alhos Vedros só havia duas ou três hipóteses: a malta era do PC, da UDP ou do MRPP, quanto mais à esquerda melhor. O PS era de direita e o resto nem abria pio. Com o tempo, os do MRPP passaram-se quase em bloco para o PSD, os da UDP ficaram na mesma (agora estão no Bloco, mas mais velhos) e os do PC alaparam-se às vantagens do poder local (um até já chegou a Presidente da Câmara).
Quando a nível nacional os ventos mudaram, assim se foram mudando as vontades e crenças de alguns (muitos!!!).
No meu tempo, fim de anos 80 e primeira metade de 90, assisti por cá e em Lisboa a fenómenos muito giros. Primeiro, tudo alaranjou; a seguir, tudo rosou. Agora, mais para o fim, tem sido a febre do Bloco de Esquerda, que ninguém percebe ser uma estrutura para os velhos mais velhos e empedernidos herdeiros dos anos 60, sempre ávidos de poder, captarem a juventude tenra e inocente (estes não comem crianças, mas gostam de jovens).
Como a nível local, o PC foi resistindo, os dilemas dos jovens do concelho da Moita foram muitos porque, se queriam vantagens imediatas a nível local, deviam permanecer em domínios tradicionais (no PC), enquanto se pretendiam carreiras mais promissoras a médio/longo prazo as apostas tinham que ser outras. A JSD teve o seu período áureo a meio do cavaquismo e muito foi o menino que se governou; quando a laranja começou a apodrecer, foi ver a migração juvenil (e não só, pois os seniores já foram jovens e sabem como as coisas se fazem) para o PS. Cá no concelho, com o avanço eleitoral dos socialistas, foi um ver se te avias de jovens a descobrirem a sua vocação socialista, versão guterrista, tudo a salivar pela hipótese de um sucesso, mesmo que à tangente, como no Barreiro.
Como a viragem nacional para o PSD foi muito rápida, e ainda está trémula, é mais seguro o pessoal apostar na rosinha e tentar dar nas vistas nas estruturas locais do PS.
Vem isto tudo a propósito de alguns textos que surgem na imprensa local de jovens activistas partidários de um socialismo que eu gostaria que me soubessem dizer qual é (o dos livros que o Soares pai guardou na gaveta e agora desenterrou ? o guterrista, versão católica ? o soarista júnior, que ninguém percebe ? o do Ferro, que tem inveja de não ser bloquista ? o da esperança pragmática do tacho local ?), que produzem aquele tipo de texto redondo, que não vai dar a lado nenhum, mas que satisfaz muito o ego por se ver a cara estampada nas páginas de um jornal (ou o que por vezes passa por isso) ou o nome impresso em letra de forma.
Com efeito, o discurso de alguns dos “jovens” actuais é muito pobrezinho pois, à falta de conhecimentos ou convicções, restam os lugares comuns ou as tácticas do momento com vista a alcançar ou manter o poder. Ou se refugiam em banalidades vagas de carácter geral (supostamente sobre o mundo), ou em banalidades vagas de carácter particular (supostamente sobre o concelho).
Vem tudo isto a propósito da leitura de dois textos de uma jovem luminária socialista do concelho que padece do chamado vazio de ideias coberto de muita conversa fiada com floreados inúteis ou redundantes.
Embora não goste de fazer acusações às pessoas, mas aos percursos ou às ideias, não posso deixar de identificar o jovem (é da minha geração, pelo que isto não se trata de paternalismo) Hélder Pinhão como um destes activistas políticos locais que com muita pretensão nada trazem de novo ao debate. No texto “Concelho da Moita – Uma responsabilidade de todos” (O Rio nº 153), HP perora sobre o oportunismo político das obras e publicações da Câmara Municipal da Moita. Ora bem, o caríssimo terá razão, mas nada disso é novo e até tem barbas brancas, para além de que está por provar que os socialistas sejam melhores, a avaliar por muitos exemplos de autarcas socialistas com a camarada Edite à cabeça, condenada por aproveitamento indevido de publicações autárquicas para fins eleitoralistas, seguida da camarada Fátima (em fuga aos tribunais), do camarada Abílio (preso no momento em que escrevo e me lêem) ou dos camaradas Narciso e Manuel (prontos para formar milícias de peixeiras em Matosinhos). Por isso, estas superioridades morais de quem tem o rabo mais que preso não ficam lá muito bem, mas sempre se pode tomar a coisa por ignorância da juventude ou falta de leitura da imprensa nacional.
Quanto ao texto “As Europeias” (Jornal da Moita nº 209), em que o jovem já se assina como “autarca” (bela profissão) entramos já no domínio da pura exibição do lugar-comum mais rematado sobre temas de dimensão nacional. Não sei se a publicação destes textos dá créditos para a subida nas estruturas partidárias, mas é o que parece. A defesa da imagem do cartão amarelo ao governo é feita com uma subtileza e uma riqueza argumentativas ímpares, conseguindo-se em poucos parágrafos uma acumulação de clichés que o Jorge Coelho ou o João Soares, apesar da prática, teriam alguma dificuldade em igualar. Populações espoliadas, pânico dos agentes económicos, falta de sensibilidade social, expectativa do ser humano, obsessão do défice, hipotecar a saúde, são tudo mimos que, mesmo que referindo-se a realidades, podiam ser menos rasteiros e óbvios. Por uma vez, podia-se tentar a via da originalidade, sei lá, de uma ideia própria que não papagueasse a cartilha. Enfim, é o que se pode arranjar nos tempos que correm.
Se o último governo do Guterres e este do Durão é o que se arranja para governar o país nos dois maiores partidos do sistema (mais o PP), o que se poderá exigir das esperanças autárquicas locais ?
Então o parágrafo final, de crítica à CDU, é um outro espectáculo do que estas esperanças socialistas consideram ser discurso de combate político
Nota final: Já repararam que não há líder da JS que algures antes dos 30 anos não se passe para o Parlamento Europeu, como estratégia para governar a vidinha ? Ele foi o Tó Zé Seguro (já é quase um veterano, esta jovem ex-esperança), ele foi o Sérgio Sousa Pinto (aquele empertigadote que parece querer assumir a herança do Marocas), ela é a Djamila Madeira (que bem gritou até ficar em lugar elegível). Só não me lembro se foi o Sócrates, mas de calhar apenas foi a excepção que confirma a regra.
José Silva
Leiamo-lo e rejubilemos.
O cosmopolitismo das jovens esperanças partidárias locais – o caso do PS
Eu tinha prometido aos meus amigos do blog Alhos Vedros ao Poder contribuir com um texto sobre o aparente cosmopolitismo de alguns jovens vultos do PS local mas, ao começar a escrever o texto, apeteceu-me alargar o seu alcance.
Na verdade, comecei a pensar que a adesão dos jovens aos partidos é um bocado como a simpatia pelos clubes de futebol: é tanto maior quanto o sucesso da equipa. Sem o sucesso do Porto desde finais dos anos 70 era impensável haver um número razoável de miúdos adeptos do Porto abaixo do Mondego nos anos 90. Assim como a atracção do Sporting diminuiu muito para a juventude no mesmo período.
Com as “jotas” dos partidos passa-se um bocado o mesmo. Só que é necessário considerar duas variáveis, a do sucesso a nível nacional (domínio do aparelho estatal central) e a do sucesso a nível local (domínio do aparelho autárquico)
Diz-me o meu irmão, já entrado nos 40, que no tempo dele (década de 70, após o 25 de Abril) na Moita e em Alhos Vedros só havia duas ou três hipóteses: a malta era do PC, da UDP ou do MRPP, quanto mais à esquerda melhor. O PS era de direita e o resto nem abria pio. Com o tempo, os do MRPP passaram-se quase em bloco para o PSD, os da UDP ficaram na mesma (agora estão no Bloco, mas mais velhos) e os do PC alaparam-se às vantagens do poder local (um até já chegou a Presidente da Câmara).
Quando a nível nacional os ventos mudaram, assim se foram mudando as vontades e crenças de alguns (muitos!!!).
No meu tempo, fim de anos 80 e primeira metade de 90, assisti por cá e em Lisboa a fenómenos muito giros. Primeiro, tudo alaranjou; a seguir, tudo rosou. Agora, mais para o fim, tem sido a febre do Bloco de Esquerda, que ninguém percebe ser uma estrutura para os velhos mais velhos e empedernidos herdeiros dos anos 60, sempre ávidos de poder, captarem a juventude tenra e inocente (estes não comem crianças, mas gostam de jovens).
Como a nível local, o PC foi resistindo, os dilemas dos jovens do concelho da Moita foram muitos porque, se queriam vantagens imediatas a nível local, deviam permanecer em domínios tradicionais (no PC), enquanto se pretendiam carreiras mais promissoras a médio/longo prazo as apostas tinham que ser outras. A JSD teve o seu período áureo a meio do cavaquismo e muito foi o menino que se governou; quando a laranja começou a apodrecer, foi ver a migração juvenil (e não só, pois os seniores já foram jovens e sabem como as coisas se fazem) para o PS. Cá no concelho, com o avanço eleitoral dos socialistas, foi um ver se te avias de jovens a descobrirem a sua vocação socialista, versão guterrista, tudo a salivar pela hipótese de um sucesso, mesmo que à tangente, como no Barreiro.
Como a viragem nacional para o PSD foi muito rápida, e ainda está trémula, é mais seguro o pessoal apostar na rosinha e tentar dar nas vistas nas estruturas locais do PS.
Vem isto tudo a propósito de alguns textos que surgem na imprensa local de jovens activistas partidários de um socialismo que eu gostaria que me soubessem dizer qual é (o dos livros que o Soares pai guardou na gaveta e agora desenterrou ? o guterrista, versão católica ? o soarista júnior, que ninguém percebe ? o do Ferro, que tem inveja de não ser bloquista ? o da esperança pragmática do tacho local ?), que produzem aquele tipo de texto redondo, que não vai dar a lado nenhum, mas que satisfaz muito o ego por se ver a cara estampada nas páginas de um jornal (ou o que por vezes passa por isso) ou o nome impresso em letra de forma.
Com efeito, o discurso de alguns dos “jovens” actuais é muito pobrezinho pois, à falta de conhecimentos ou convicções, restam os lugares comuns ou as tácticas do momento com vista a alcançar ou manter o poder. Ou se refugiam em banalidades vagas de carácter geral (supostamente sobre o mundo), ou em banalidades vagas de carácter particular (supostamente sobre o concelho).
Vem tudo isto a propósito da leitura de dois textos de uma jovem luminária socialista do concelho que padece do chamado vazio de ideias coberto de muita conversa fiada com floreados inúteis ou redundantes.
Embora não goste de fazer acusações às pessoas, mas aos percursos ou às ideias, não posso deixar de identificar o jovem (é da minha geração, pelo que isto não se trata de paternalismo) Hélder Pinhão como um destes activistas políticos locais que com muita pretensão nada trazem de novo ao debate. No texto “Concelho da Moita – Uma responsabilidade de todos” (O Rio nº 153), HP perora sobre o oportunismo político das obras e publicações da Câmara Municipal da Moita. Ora bem, o caríssimo terá razão, mas nada disso é novo e até tem barbas brancas, para além de que está por provar que os socialistas sejam melhores, a avaliar por muitos exemplos de autarcas socialistas com a camarada Edite à cabeça, condenada por aproveitamento indevido de publicações autárquicas para fins eleitoralistas, seguida da camarada Fátima (em fuga aos tribunais), do camarada Abílio (preso no momento em que escrevo e me lêem) ou dos camaradas Narciso e Manuel (prontos para formar milícias de peixeiras em Matosinhos). Por isso, estas superioridades morais de quem tem o rabo mais que preso não ficam lá muito bem, mas sempre se pode tomar a coisa por ignorância da juventude ou falta de leitura da imprensa nacional.
Quanto ao texto “As Europeias” (Jornal da Moita nº 209), em que o jovem já se assina como “autarca” (bela profissão) entramos já no domínio da pura exibição do lugar-comum mais rematado sobre temas de dimensão nacional. Não sei se a publicação destes textos dá créditos para a subida nas estruturas partidárias, mas é o que parece. A defesa da imagem do cartão amarelo ao governo é feita com uma subtileza e uma riqueza argumentativas ímpares, conseguindo-se em poucos parágrafos uma acumulação de clichés que o Jorge Coelho ou o João Soares, apesar da prática, teriam alguma dificuldade em igualar. Populações espoliadas, pânico dos agentes económicos, falta de sensibilidade social, expectativa do ser humano, obsessão do défice, hipotecar a saúde, são tudo mimos que, mesmo que referindo-se a realidades, podiam ser menos rasteiros e óbvios. Por uma vez, podia-se tentar a via da originalidade, sei lá, de uma ideia própria que não papagueasse a cartilha. Enfim, é o que se pode arranjar nos tempos que correm.
Se o último governo do Guterres e este do Durão é o que se arranja para governar o país nos dois maiores partidos do sistema (mais o PP), o que se poderá exigir das esperanças autárquicas locais ?
Então o parágrafo final, de crítica à CDU, é um outro espectáculo do que estas esperanças socialistas consideram ser discurso de combate político
Nota final: Já repararam que não há líder da JS que algures antes dos 30 anos não se passe para o Parlamento Europeu, como estratégia para governar a vidinha ? Ele foi o Tó Zé Seguro (já é quase um veterano, esta jovem ex-esperança), ele foi o Sérgio Sousa Pinto (aquele empertigadote que parece querer assumir a herança do Marocas), ela é a Djamila Madeira (que bem gritou até ficar em lugar elegível). Só não me lembro se foi o Sócrates, mas de calhar apenas foi a excepção que confirma a regra.
José Silva
segunda-feira, junho 14, 2004
Eleições - comentário
De acordo com os resultados, o pessoal em Alhos Vedros foi votar acima da média do concelho, pois votaram 41,17% dos inscritos na freguesia contra 38,57% no concelho.
Poderia fazer comentários sobre o elevado civismo dos alhosvedrenses, mas eu também me abstive, o que contribuiu decisivamente para que o MPT descesse de 27 para 25 votos em relação a 1999.
Mas, confessemo-lo, estava calor e tinham-me convidado para uma caracolada.
Para além disso, o Roldão Preto e Manuel Pedro não param de dizer que temos que formar o Partido Restauracionista Alhosvedrense (ou algo parecido) e votar em outro partido era coisa que cheirava a adultério pré-conjugal. E, para votar em branco ou fazer um boneco malcriado no boletim, preferi ficar sossegado.
Só gostava de saber quem são os 7 resistentes do POUS, os 8 açorianos distraídos do PDA ou os 15 neo-fascistas do PNR. Quanto ao resto, a coisa tá perigosa pois o Bloco de Esquerda ficou a menos de 90 votos da Força Portugal. Mesmo com aquele desdobrável em que diziam que eram eles que batiam mais forte e depois mostravam fotos de prisioneiros iraquianos é uma proeza. Quanto ao resto, rosinhas xuxalistas e vermelhuscos andaram taco a taco. A coisa promete para as autárquicas. Para finalizar, nada como assinalar o crescimento dos amigos do Leonel Coelho (vulgo PCTP/MRPP, e quem souber o significado completo da sigla sem erros ganha uma senha para a Feira do Livro)que subiram de 102 para 104 desde 1999 (os votos foram 103 e 105, mas penso que ele também votou).
Poderia fazer comentários sobre o elevado civismo dos alhosvedrenses, mas eu também me abstive, o que contribuiu decisivamente para que o MPT descesse de 27 para 25 votos em relação a 1999.
Mas, confessemo-lo, estava calor e tinham-me convidado para uma caracolada.
Para além disso, o Roldão Preto e Manuel Pedro não param de dizer que temos que formar o Partido Restauracionista Alhosvedrense (ou algo parecido) e votar em outro partido era coisa que cheirava a adultério pré-conjugal. E, para votar em branco ou fazer um boneco malcriado no boletim, preferi ficar sossegado.
Só gostava de saber quem são os 7 resistentes do POUS, os 8 açorianos distraídos do PDA ou os 15 neo-fascistas do PNR. Quanto ao resto, a coisa tá perigosa pois o Bloco de Esquerda ficou a menos de 90 votos da Força Portugal. Mesmo com aquele desdobrável em que diziam que eram eles que batiam mais forte e depois mostravam fotos de prisioneiros iraquianos é uma proeza. Quanto ao resto, rosinhas xuxalistas e vermelhuscos andaram taco a taco. A coisa promete para as autárquicas. Para finalizar, nada como assinalar o crescimento dos amigos do Leonel Coelho (vulgo PCTP/MRPP, e quem souber o significado completo da sigla sem erros ganha uma senha para a Feira do Livro)que subiram de 102 para 104 desde 1999 (os votos foram 103 e 105, mas penso que ele também votou).
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