Para além do texto sobre a diva Angelino, prometem-se para breve textos sobre as comemorações do final da II Guerra Mundial em Alhos Vedros, sobre as touradas e a pretensa coragem taurina moiteira (António da Costa) e, pela pena do José Silva, um texto nostálgico sobre o Carnaval alhosvedrense em idos de 70 e 80, quando nesta terra sem lei se emboscavam os carros na esquina da taberna do Zé António e da velha papelaria e se mimoseavam os ocupantes com belos sacos de água estagnada do poço vizinho.
quarta-feira, setembro 01, 2004
Figuras mediáticas alhosvedrenses (ou aparentadas) - A Diva
Iam os anos 90, salvo erro, nos seus inícios quando na papelaria onde me abastecia regularmente de jornais (em Alhos Vedros, na prática, só existia e existe uma papelaria vagamente digna desse nome), em especial nos fins de semana, me apareceu a ajudar os proprietário e família uma jovem morena, de tez pálida, olhos pró claro e conjunto harmonioso, sempre com uma carranca como se a vida lhe corresse o pior possível.
Por muito prestáveis que os clientes fossem, a cara da santa criatura raramente mudava, oscilando entre o enfado mal encoberto e o desprezo ostensivo.
Então se fosse homem em idade fértil, a rapariga dava-se sempre uns ares como se não houvesse suficiente espaço no mundo para a conter. Para os distraídos podia passar por embaraço, mas para os atentos via-se claramente que achava uns falhados todos aqueles que frequentavam o estabelecimento e a obrigavam a dispender o míniomo esforço.
Com o passar do tempo, acabei por a ignorar e tratá-la na mesma moeda, chegando mesmo a não me aperceber quando ela deixou de aparecer na papelaria.
Qual o meu espanto quando, tempos imprecisos depois, vi uma figura vagamente familiar na televisão, em funções variadas como adereço de programas de entretenimento.
Qual o meu espanto quando li a legenda e o nome de Isabel Angelino e, ao fim de anos, soube finalmente quem me vendeu tantos Expressos e Públicos ao fim de semana.
Confesso que não segui a carreira meteórica da jovem, embora me fosse apercebendo que, à custa de tanto querer sobressair e tanta madeixa loira e maquilhagem, a diva de outrora ia acabando por se tornar uma trintona precoce.
Quando li, em capa de revista light, já há pouco, que a rapariga confessava estar há anos sem namorado e com pouco trabalho na televisão, o meu coração quase sangrou de tanta comoção e lamento.
Então quando a vi, nos últimos meses, a apresentar um programa (semanal ?) com o Eládio Clímaco, fiquei mesmo destroçado.
Como a vida pode ser cruel para os nossos jovens valores alhosvedrenses.
Como se pode descer tão rapidamente !
De diva de papelaria em Alhos Vedros a partenaire do nosso Eládio Clímaco em pouco mais de uma década !
How (much) low(er) can you go ?
Por muito prestáveis que os clientes fossem, a cara da santa criatura raramente mudava, oscilando entre o enfado mal encoberto e o desprezo ostensivo.
Então se fosse homem em idade fértil, a rapariga dava-se sempre uns ares como se não houvesse suficiente espaço no mundo para a conter. Para os distraídos podia passar por embaraço, mas para os atentos via-se claramente que achava uns falhados todos aqueles que frequentavam o estabelecimento e a obrigavam a dispender o míniomo esforço.
Com o passar do tempo, acabei por a ignorar e tratá-la na mesma moeda, chegando mesmo a não me aperceber quando ela deixou de aparecer na papelaria.
Qual o meu espanto quando, tempos imprecisos depois, vi uma figura vagamente familiar na televisão, em funções variadas como adereço de programas de entretenimento.
Qual o meu espanto quando li a legenda e o nome de Isabel Angelino e, ao fim de anos, soube finalmente quem me vendeu tantos Expressos e Públicos ao fim de semana.
Confesso que não segui a carreira meteórica da jovem, embora me fosse apercebendo que, à custa de tanto querer sobressair e tanta madeixa loira e maquilhagem, a diva de outrora ia acabando por se tornar uma trintona precoce.
Quando li, em capa de revista light, já há pouco, que a rapariga confessava estar há anos sem namorado e com pouco trabalho na televisão, o meu coração quase sangrou de tanta comoção e lamento.
Então quando a vi, nos últimos meses, a apresentar um programa (semanal ?) com o Eládio Clímaco, fiquei mesmo destroçado.
Como a vida pode ser cruel para os nossos jovens valores alhosvedrenses.
Como se pode descer tão rapidamente !
De diva de papelaria em Alhos Vedros a partenaire do nosso Eládio Clímaco em pouco mais de uma década !
How (much) low(er) can you go ?
segunda-feira, agosto 30, 2004
Interregno no país real
Continuo em interregno pelo país real (leia-se, interior rural).
Não é que, normalmente, viva no país virtual, mesmo se o poder moiteiro nos deixa um tanto ou quanto sem saber a quantas andamos.
Mas, voltando ao país real só posso dizer que me está a deixar meio deprimido.
O país real está cada vez mais feio.
O país real está cada vez mais deserto.
O país real está cada vez mais queimado.
Há SCUT's mas há muito pouco mais.
Há emigrantes e as suas casas em construção.
Há supermercados, mas não há jornais.
Há espaço, mas a paisagem desapareceu.
Há rotundas, mas não há senso comum.
O país real está cada vez mais amoitado.
O mau gosto venceu em quase toda a linha.
Bem ditos os estrangeiros que nos compram os montes alentejanos e as casas de pedra da serra.
Esses ainda lutam contra a maré.
Os portugueses renderam-se em quase toda a linha ao pior que tinham dentro de si.
Apenas temos aquilo que merecemos.
O país está a transformar-se numa enorme Moita.
Não é que, normalmente, viva no país virtual, mesmo se o poder moiteiro nos deixa um tanto ou quanto sem saber a quantas andamos.
Mas, voltando ao país real só posso dizer que me está a deixar meio deprimido.
O país real está cada vez mais feio.
O país real está cada vez mais deserto.
O país real está cada vez mais queimado.
Há SCUT's mas há muito pouco mais.
Há emigrantes e as suas casas em construção.
Há supermercados, mas não há jornais.
Há espaço, mas a paisagem desapareceu.
Há rotundas, mas não há senso comum.
O país real está cada vez mais amoitado.
O mau gosto venceu em quase toda a linha.
Bem ditos os estrangeiros que nos compram os montes alentejanos e as casas de pedra da serra.
Esses ainda lutam contra a maré.
Os portugueses renderam-se em quase toda a linha ao pior que tinham dentro de si.
Apenas temos aquilo que merecemos.
O país está a transformar-se numa enorme Moita.
quinta-feira, agosto 26, 2004
Interregno
Também temos direito ao descanso.
Estamos em merecido repouso até final do mês, por isso não se esperam grandes novidades até dia 31.
Se puderem façam o mesmo.
Estamos em merecido repouso até final do mês, por isso não se esperam grandes novidades até dia 31.
Se puderem façam o mesmo.
domingo, agosto 22, 2004
Serviço público
O nosso Alhos Vedros Visual está numa de serviço público.
Se lá forem não vos arrependereis. Tem material de grande actualidade.
Se lá forem não vos arrependereis. Tem material de grande actualidade.
sábado, agosto 21, 2004
Paradoxos e interesses
Hoje sinto-me profundo, deve ser do Agosto frescal, pelo que me digno partilhar convosco uma reflexão política digna de um Manuel Pedro ou um António da Costa.
No modelo europeu ocidental do Estado-Providência, todos devem participar com a sua quota-parte para o esforço do Estado em assegurar as suas funções.
Em termos ideais, o modelo redistributivo baseia-se em que os indvíduos, empresas, etc, com mais meios contribuam mais, para assegurar que os que têm menos recebam a ajuda de que necessitam.
Em Portugal existe um modelo alternativo; os que têm pouco contribuem todos para que a redistribuição se faça para os que têm mais, sejam os que fazem grandes negócios com o Estado, sejam aquelas empresas que nunca dão lucros, mas funcionam anos a fio, permitindo visível prosperidade aos seus proprietários.
Porque se passa isto assim ?
Porque após os curtos anos revolucionários em que o chamado «grande capital» foi afastado, se seguiu um longo processo em que aqueles que se opuseram (vitoriosamente) contra a tomada do poder pelas facções marxistas estatizantes se dedicaram a um longo namoro no sentido de fazerem esse grande capital regressar.
Nos últimos 20 anos, mais coisa menos coisa, interesse políticos e económicos emaranharam-se de tal forma que é difícil desmanchar o nó. Os políticos dos partidos à direita do PC entretiveram-se a tentar atrair para seu proveito os dinheiros dos interesses económicos privados sob a promessa de, conquistado o poder, retribuirem com vantagens concorrenciais ou, mais prosaicamente, com o dinheiro do Estado.
A formação dos imberbes grupos económicos nacionais actuais passou quase sempre por este processo.
Os interesses económicos apostam em determinados grupos ou indivíduos para conquistarem o poder político (principalmente nos partidos centrais da nossa democracia, PS e PSD) e depois, quando ele é conquistado rotativamente, a retribuição fica na ordem do dia. O equilíbrio só é ameaçado quando uma determinada facção exagera no desmando ou no tempo em que controla o poder (foi o caso da década cavaquista).
Por isso, Portugal é dificilmente governável, seja a nível nacional ou local.
O problema não está necessariamente nos portugueses, em geral, por serem preguiçosos, pouco produtivos, pouco empenhado numa ética do trabalho ou com má formação (profissional, cultural, etc). Embora isso seja parte do problema, não é todo, ou mesmo o essencial, do problema.
O pior deve-se à ganância das elites que se consideram no direito de dominar o aparato estatal em seu proveito e no daqueles que os conduziram ao poder, via financiamentos chorudos para campanhas eleitorais e outros mimos.
Claro que é isso que impede uma reforma do sistema político a começar pelo financiamento dos partidos e pelos limites de despesas das campanhas.
Em nome da liberdade, movem-se interesses que, a existirem esses limites, perderiam margem de manobra.
Claro que, em primeiroa e última instância, os maiores culpados são os políticos que em vez de dedicação à coisa pública se movem por interesses privados, pessoais, em que o exercício do poder político apenas funciona como meio para atingir objectivos mais elevados.
Um exemplo paradigmático desta atitude, deste estar e depois não estar, estando, na política, é o de Dias Loureiro, bem respaldado nos dividendos da sua actividade privada, conseguida graças aos 10 anos de estadia no poder político, que agora se esquiva ao exercício de cargos executivos mas que não foge a manobrar nos bastidores aqueles que, a seu mando e graças à sua influência, são colocados em postos-chave da governação.
Ao contrário do que dizem alguns, mesmo que com boas intenções, os cargos políticos não são mal remunerados pois essa remuneração, desde a sua criação na Atenas do século V a. C., se destinava apenas a compensar minimamente quem servia o interesse público e não tinha outros meios de subsistência e não a compensar eventuais perdas de rendimentos mais elevados.
Não percebo que um ministro se sinta mal ao ganhar menos do que um gestor de uma empresa, pois a sua posição e autoridade não deve residir na sua capacidade económica mas na dignidade da sua função e da sua acção. E o problema está aí, muitas vezes o exercício das funções públicas é feito de forma indigna por aqueles quie as encaram como mero trampolim no seu currículo, como etapa necessária para conhecer os meandros do aparelho estatal que permitirá, mais tarde, colher dividendos.
O percurso tipo deste género (menoríssimo) de político é o seguinte: até aos vintes dar nas vistas nas jotas, gritando até chegar a ser alguém numa Associação de Estudantes, escrevendo artigos inflamados na imprensa partidária ou local e exercendo cargos locais/regionais de relevo discutível; até aos trintas conseguir um posto de chefia intermédia na estrutura partidária nacional, ascendendo a deputado, assessor ou (sub)secretário de Estado nos casos mais afortunados; aos quarentas chegar a administrador de empresa com participação no Estado ou ministro e, no fim dos quarenta, estar já em posição de viver dos rendimentos, depois de ser chamado para cargo bem pago num grupo económico privado, acidentalmente bafejado pela sorte na sequência da sua acção política.
Assim se constrói uma figura política respeitável de sucesso.
O passo seguinte é passar a ser comentador residente na SIC-Notícias ou no noticiário da noite de um dos canais generalistas, ganhando o estatuto de reserva moral da Nação.
Assim se (nunca) constrói um Portugal de sucesso.
No modelo europeu ocidental do Estado-Providência, todos devem participar com a sua quota-parte para o esforço do Estado em assegurar as suas funções.
Em termos ideais, o modelo redistributivo baseia-se em que os indvíduos, empresas, etc, com mais meios contribuam mais, para assegurar que os que têm menos recebam a ajuda de que necessitam.
Em Portugal existe um modelo alternativo; os que têm pouco contribuem todos para que a redistribuição se faça para os que têm mais, sejam os que fazem grandes negócios com o Estado, sejam aquelas empresas que nunca dão lucros, mas funcionam anos a fio, permitindo visível prosperidade aos seus proprietários.
Porque se passa isto assim ?
Porque após os curtos anos revolucionários em que o chamado «grande capital» foi afastado, se seguiu um longo processo em que aqueles que se opuseram (vitoriosamente) contra a tomada do poder pelas facções marxistas estatizantes se dedicaram a um longo namoro no sentido de fazerem esse grande capital regressar.
Nos últimos 20 anos, mais coisa menos coisa, interesse políticos e económicos emaranharam-se de tal forma que é difícil desmanchar o nó. Os políticos dos partidos à direita do PC entretiveram-se a tentar atrair para seu proveito os dinheiros dos interesses económicos privados sob a promessa de, conquistado o poder, retribuirem com vantagens concorrenciais ou, mais prosaicamente, com o dinheiro do Estado.
A formação dos imberbes grupos económicos nacionais actuais passou quase sempre por este processo.
Os interesses económicos apostam em determinados grupos ou indivíduos para conquistarem o poder político (principalmente nos partidos centrais da nossa democracia, PS e PSD) e depois, quando ele é conquistado rotativamente, a retribuição fica na ordem do dia. O equilíbrio só é ameaçado quando uma determinada facção exagera no desmando ou no tempo em que controla o poder (foi o caso da década cavaquista).
Por isso, Portugal é dificilmente governável, seja a nível nacional ou local.
O problema não está necessariamente nos portugueses, em geral, por serem preguiçosos, pouco produtivos, pouco empenhado numa ética do trabalho ou com má formação (profissional, cultural, etc). Embora isso seja parte do problema, não é todo, ou mesmo o essencial, do problema.
O pior deve-se à ganância das elites que se consideram no direito de dominar o aparato estatal em seu proveito e no daqueles que os conduziram ao poder, via financiamentos chorudos para campanhas eleitorais e outros mimos.
Claro que é isso que impede uma reforma do sistema político a começar pelo financiamento dos partidos e pelos limites de despesas das campanhas.
Em nome da liberdade, movem-se interesses que, a existirem esses limites, perderiam margem de manobra.
Claro que, em primeiroa e última instância, os maiores culpados são os políticos que em vez de dedicação à coisa pública se movem por interesses privados, pessoais, em que o exercício do poder político apenas funciona como meio para atingir objectivos mais elevados.
Um exemplo paradigmático desta atitude, deste estar e depois não estar, estando, na política, é o de Dias Loureiro, bem respaldado nos dividendos da sua actividade privada, conseguida graças aos 10 anos de estadia no poder político, que agora se esquiva ao exercício de cargos executivos mas que não foge a manobrar nos bastidores aqueles que, a seu mando e graças à sua influência, são colocados em postos-chave da governação.
Ao contrário do que dizem alguns, mesmo que com boas intenções, os cargos políticos não são mal remunerados pois essa remuneração, desde a sua criação na Atenas do século V a. C., se destinava apenas a compensar minimamente quem servia o interesse público e não tinha outros meios de subsistência e não a compensar eventuais perdas de rendimentos mais elevados.
Não percebo que um ministro se sinta mal ao ganhar menos do que um gestor de uma empresa, pois a sua posição e autoridade não deve residir na sua capacidade económica mas na dignidade da sua função e da sua acção. E o problema está aí, muitas vezes o exercício das funções públicas é feito de forma indigna por aqueles quie as encaram como mero trampolim no seu currículo, como etapa necessária para conhecer os meandros do aparelho estatal que permitirá, mais tarde, colher dividendos.
O percurso tipo deste género (menoríssimo) de político é o seguinte: até aos vintes dar nas vistas nas jotas, gritando até chegar a ser alguém numa Associação de Estudantes, escrevendo artigos inflamados na imprensa partidária ou local e exercendo cargos locais/regionais de relevo discutível; até aos trintas conseguir um posto de chefia intermédia na estrutura partidária nacional, ascendendo a deputado, assessor ou (sub)secretário de Estado nos casos mais afortunados; aos quarentas chegar a administrador de empresa com participação no Estado ou ministro e, no fim dos quarenta, estar já em posição de viver dos rendimentos, depois de ser chamado para cargo bem pago num grupo económico privado, acidentalmente bafejado pela sorte na sequência da sua acção política.
Assim se constrói uma figura política respeitável de sucesso.
O passo seguinte é passar a ser comentador residente na SIC-Notícias ou no noticiário da noite de um dos canais generalistas, ganhando o estatuto de reserva moral da Nação.
Assim se (nunca) constrói um Portugal de sucesso.
sexta-feira, agosto 20, 2004
História Local
Para os amantes e amadores de História Local, aqui fica o texto introdutório do site da Torre do Tombo sobre o assunto. Não faz mal nenhum seguir algumas das recomendações aí existentes. Sempre se evitam asneiras ou lacunas desnecessárias.
HISTÓRIA LOCAL
Fazer a história de uma localidade ou região implica recuperar memórias disseminadas por um conjunto de vestígios onde o espaço e as sociedades se inscrevem.
Face à diversidade dos temas possíveis de abordar, em consonância com a trajectória da vida das comunidades, a investigação é complexa, exigindo que se percorram arquivos, bibliotecas, museus, etc., ou seja todos os locais onde a memória da presença humana se encontra preservada.
1. Antes mesmo de se procurar um documento de arquivo, e a fim de se obter uma visão de conjunto e se gizarem os contornos do estudo que se pretende fazer, importa conhecer, desde logo, a bibliografia já publicada sobre a localidade ou região, recorrendo, em primeira instância, a obras de índole geral, tais como enciclopédias e dicionários.
De entre outras, consideramos de uma enorme utilidade as seguintes obras de síntese e de referência:
Bibliografia corográfica de Portugal. Lisboa: Biblioteca Popular de Lisboa, 1962-1975;
COSTA, Américo - Dicionário corográfico de Portugal Continental e Insular: hidrográfico, histórico, orográfico, biográfico, arqueológico, heráldico, etimológico, 12 vol. Porto: Livraria Civilização, 1929-1949;
COSTA, Padre António Carvalho da - Corografia portuguesa e descripçam topográfica. Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouvea, 1868;
Dicionário de História de Portugal, dir. de Joel Serrão,4 vol. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1961-1971;
LEAL, Augusto Soares d´Azevedo Barbosa de Pinho . Portugal Antigo e Moderno. 12 vol. Lisboa: Livraria Ed. Matos Moreira, 1873-1890;
LIMA, João Baptista de - Terras Portuguesas, 8 vol. Póvoa do Varzim, 1931;
RODRIGUES, Guilherme; PEREIRA, João Manuel Esteves - Portugal: dicionário histórico, chorográfico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico, 7 vol. Lisboa: João Romano Torres e Cª,1904-1915;
VASCONCELOS, José Leite de - Etnografia Portuguesa: tentame de sistematização, 6 vol. Lisboa: Imprensa Nacional, 1933-1975.
Dever-se-á, em seguida, inventariar a bibliografia especializada, com especial destaque para as monografias.
2. A identificação de documentos de arquivo exige que a investigação se processe em vários fundos. O IAN/TT dispõe de um instrumento indispensável ao investigador, que simultaneamente lhe permite a selecção dos fundos arquivísticos e o orienta no acesso aos documentos, através da indicação dos respectivos IDD (Instrumentos de Descrição Documental). Trata-se dos volumes I e II do Guia Geral dos Fundos da Torre do Tombo, publicados em 1998 e 1999, reportando-se às Instituições do Antigo Regime (os restantes volumes deste Guia estão em curso de elaboração e publicação).
No contexto de uma abordagem global, merece-nos uma referência especial o manuscrito conhecido por Memórias Paroquiais de 1758, organizado alfabeticamente por freguesias. O índice L 321, que se lhe refere, remete de imediato para a localidade pretendida.
Os forais, cuja importância e interesse são por demais reconhecidos, encontram-se dispersos por diversos fundos e colecções, tais como Chancelarias Régias, Gavetas, Leitura Nova, etc. Torna-se, pois, de primordial valor o contributo de Francisco Nunes Franklin, cuja obra Memórias para servir de índice dos forais (...) fornece todas as indicações necessárias. A referida obra encontra-se na Sala de Referência à disposição dos leitores (L 483).
Relativamente à história contemporânea é de grande utilidade o Roteiro das Fontes da História Portuguesa Contemporânea, com coordenação de Joel Serrão e direcção de Maria José da Silva Leal e Miriam Halpern Pereira, disponível igualmente na Sala de Referência (L 534).
Para um estudo mais detalhado revestem-se de grande interesse os seguintes fundos e colecções documentais, existentes no IAN/TT, e aos quais se pode facilmente aceder percorrendo os respectivos instrumentos de descrição disponíveis:
Alfândegas de Lisboa, índice L 266. Inventário publicado;
Alfândega do Funchal, índice F 77;
Alfândega do Porto, índice L 533;
Capelas da Coroa, índices L 11 e F 45;
Casa do Infantado, índices L 13, catálogo C 7;
Casa das Rainhas, índice L 13, catálogo C 8;
Chancelarias das Ordens Militares: Ordem de Cristo, índices L 393 a 434; Ordem de Santiago de Espada, índices L 436 a 444; Ordem de São Bento de Avis, índices L 385 a 392;
Chancelarias régias, índices L 20 a 206, por ordem sequencial de reinados, de D. Afonso I a D. Pedro IV. As Chancelarias de D. Duarte e de D. João II dispõem de índices informatizados e impressos;
Corpo Cronológico, índices L 223 a 234; inventários 299 e 299A, catálogo C 79 a 169A;
Conselho da Fazenda, índices L 212 a 512, C 27. Inventário publicado;
Desembargo do Paço - Repartição da Corte, Estremadura e Ilhas, guia de remessa L 237, índices L 246 a 255; Repartição do Alentejo e Algarve, inventário L 570 e índices L 257 e 258, F 48 a 56; Repartição da Beira, guia de remessa L 237 e índices L 256, F 57 a F59; Repartição do Minho e Trás-os-Montes, guia de remessa L 237, índices L 238 a 242, F 47, F 98 e F 99 e inventário L 569;
Documentos do Reino do Algarve, índice L 487;
Gavetas, índices e catálogo L 267 a 273;
Impostos, índices L 510 e 511;
Inquirições, índices L 278 a 280;
Instituições religiosas, catálogo;
Junta do Comércio, índices L 305, C 466 a C 467 (refere as alfândegas do Alentejo, Algarve, Beira, Minho e Trás--os-Montes);
Leis, índices L 306 a 310A;
Leitura Nova – índices das chancelarias régias;
Ministério da Instrução Pública, índice L 378 a 379;
Ministério do Interior, índice L 497;
Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça,índice L 380;
Ministério do Reino, índices L 210 e 382. Inventário publicado;
Núcleo Antigo, índice L 574. Inventário publicado;
Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal, índices L 266, F 77;
Provedorias de Santarém e Tomar, índice L 446, catálogo C 742 a 916;
Provedoria de Setúbal, catálogo C 917 a 970;
Provedoria de Torres Vedras, catálogo C 791;
Provedorias de Torres Vedras e Ourique, índice L 447;
Registo geral de mercês, informatizado;
Registo geral de testamentos, índices L 479 e 480, catálogo C 992 a 1060;
Registos notariais, índices L 435, 439-443, 388-392, 418-434, C 268, 270, 638-643, 654-656, 730, F 61-67.
3. Para representações iconográficas sugerimos a consulta dos fundos e colecções seguintes:
Armorial de Francisco Coelho, intitulado Thesouro da Nobreza, CF 169, onde se representam brasões de vilas e cidades com assento nas Cortes;
Casa Real. Cartório da Nobreza; maço 73, constituído por uma colecção de gravuras representando brasões municipais;
Casa Cadaval, índice L 523;
Livro das fortalezas situadas no extremo de Portugal e de Castela, fac-símile disponível na Biblioteca de apoio à Referência;
Ministério do Reino. Colecção de plantas, mapas e outros documentos iconográficos, índice L 523. Inventário. Desdobrável;
Colecção Olissiponense, catálogo C 635 a 637.
HISTÓRIA LOCAL
Fazer a história de uma localidade ou região implica recuperar memórias disseminadas por um conjunto de vestígios onde o espaço e as sociedades se inscrevem.
Face à diversidade dos temas possíveis de abordar, em consonância com a trajectória da vida das comunidades, a investigação é complexa, exigindo que se percorram arquivos, bibliotecas, museus, etc., ou seja todos os locais onde a memória da presença humana se encontra preservada.
1. Antes mesmo de se procurar um documento de arquivo, e a fim de se obter uma visão de conjunto e se gizarem os contornos do estudo que se pretende fazer, importa conhecer, desde logo, a bibliografia já publicada sobre a localidade ou região, recorrendo, em primeira instância, a obras de índole geral, tais como enciclopédias e dicionários.
De entre outras, consideramos de uma enorme utilidade as seguintes obras de síntese e de referência:
Bibliografia corográfica de Portugal. Lisboa: Biblioteca Popular de Lisboa, 1962-1975;
COSTA, Américo - Dicionário corográfico de Portugal Continental e Insular: hidrográfico, histórico, orográfico, biográfico, arqueológico, heráldico, etimológico, 12 vol. Porto: Livraria Civilização, 1929-1949;
COSTA, Padre António Carvalho da - Corografia portuguesa e descripçam topográfica. Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouvea, 1868;
Dicionário de História de Portugal, dir. de Joel Serrão,4 vol. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1961-1971;
LEAL, Augusto Soares d´Azevedo Barbosa de Pinho . Portugal Antigo e Moderno. 12 vol. Lisboa: Livraria Ed. Matos Moreira, 1873-1890;
LIMA, João Baptista de - Terras Portuguesas, 8 vol. Póvoa do Varzim, 1931;
RODRIGUES, Guilherme; PEREIRA, João Manuel Esteves - Portugal: dicionário histórico, chorográfico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico, 7 vol. Lisboa: João Romano Torres e Cª,1904-1915;
VASCONCELOS, José Leite de - Etnografia Portuguesa: tentame de sistematização, 6 vol. Lisboa: Imprensa Nacional, 1933-1975.
Dever-se-á, em seguida, inventariar a bibliografia especializada, com especial destaque para as monografias.
2. A identificação de documentos de arquivo exige que a investigação se processe em vários fundos. O IAN/TT dispõe de um instrumento indispensável ao investigador, que simultaneamente lhe permite a selecção dos fundos arquivísticos e o orienta no acesso aos documentos, através da indicação dos respectivos IDD (Instrumentos de Descrição Documental). Trata-se dos volumes I e II do Guia Geral dos Fundos da Torre do Tombo, publicados em 1998 e 1999, reportando-se às Instituições do Antigo Regime (os restantes volumes deste Guia estão em curso de elaboração e publicação).
No contexto de uma abordagem global, merece-nos uma referência especial o manuscrito conhecido por Memórias Paroquiais de 1758, organizado alfabeticamente por freguesias. O índice L 321, que se lhe refere, remete de imediato para a localidade pretendida.
Os forais, cuja importância e interesse são por demais reconhecidos, encontram-se dispersos por diversos fundos e colecções, tais como Chancelarias Régias, Gavetas, Leitura Nova, etc. Torna-se, pois, de primordial valor o contributo de Francisco Nunes Franklin, cuja obra Memórias para servir de índice dos forais (...) fornece todas as indicações necessárias. A referida obra encontra-se na Sala de Referência à disposição dos leitores (L 483).
Relativamente à história contemporânea é de grande utilidade o Roteiro das Fontes da História Portuguesa Contemporânea, com coordenação de Joel Serrão e direcção de Maria José da Silva Leal e Miriam Halpern Pereira, disponível igualmente na Sala de Referência (L 534).
Para um estudo mais detalhado revestem-se de grande interesse os seguintes fundos e colecções documentais, existentes no IAN/TT, e aos quais se pode facilmente aceder percorrendo os respectivos instrumentos de descrição disponíveis:
Alfândegas de Lisboa, índice L 266. Inventário publicado;
Alfândega do Funchal, índice F 77;
Alfândega do Porto, índice L 533;
Capelas da Coroa, índices L 11 e F 45;
Casa do Infantado, índices L 13, catálogo C 7;
Casa das Rainhas, índice L 13, catálogo C 8;
Chancelarias das Ordens Militares: Ordem de Cristo, índices L 393 a 434; Ordem de Santiago de Espada, índices L 436 a 444; Ordem de São Bento de Avis, índices L 385 a 392;
Chancelarias régias, índices L 20 a 206, por ordem sequencial de reinados, de D. Afonso I a D. Pedro IV. As Chancelarias de D. Duarte e de D. João II dispõem de índices informatizados e impressos;
Corpo Cronológico, índices L 223 a 234; inventários 299 e 299A, catálogo C 79 a 169A;
Conselho da Fazenda, índices L 212 a 512, C 27. Inventário publicado;
Desembargo do Paço - Repartição da Corte, Estremadura e Ilhas, guia de remessa L 237, índices L 246 a 255; Repartição do Alentejo e Algarve, inventário L 570 e índices L 257 e 258, F 48 a 56; Repartição da Beira, guia de remessa L 237 e índices L 256, F 57 a F59; Repartição do Minho e Trás-os-Montes, guia de remessa L 237, índices L 238 a 242, F 47, F 98 e F 99 e inventário L 569;
Documentos do Reino do Algarve, índice L 487;
Gavetas, índices e catálogo L 267 a 273;
Impostos, índices L 510 e 511;
Inquirições, índices L 278 a 280;
Instituições religiosas, catálogo;
Junta do Comércio, índices L 305, C 466 a C 467 (refere as alfândegas do Alentejo, Algarve, Beira, Minho e Trás--os-Montes);
Leis, índices L 306 a 310A;
Leitura Nova – índices das chancelarias régias;
Ministério da Instrução Pública, índice L 378 a 379;
Ministério do Interior, índice L 497;
Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça,índice L 380;
Ministério do Reino, índices L 210 e 382. Inventário publicado;
Núcleo Antigo, índice L 574. Inventário publicado;
Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal, índices L 266, F 77;
Provedorias de Santarém e Tomar, índice L 446, catálogo C 742 a 916;
Provedoria de Setúbal, catálogo C 917 a 970;
Provedoria de Torres Vedras, catálogo C 791;
Provedorias de Torres Vedras e Ourique, índice L 447;
Registo geral de mercês, informatizado;
Registo geral de testamentos, índices L 479 e 480, catálogo C 992 a 1060;
Registos notariais, índices L 435, 439-443, 388-392, 418-434, C 268, 270, 638-643, 654-656, 730, F 61-67.
3. Para representações iconográficas sugerimos a consulta dos fundos e colecções seguintes:
Armorial de Francisco Coelho, intitulado Thesouro da Nobreza, CF 169, onde se representam brasões de vilas e cidades com assento nas Cortes;
Casa Real. Cartório da Nobreza; maço 73, constituído por uma colecção de gravuras representando brasões municipais;
Casa Cadaval, índice L 523;
Livro das fortalezas situadas no extremo de Portugal e de Castela, fac-símile disponível na Biblioteca de apoio à Referência;
Ministério do Reino. Colecção de plantas, mapas e outros documentos iconográficos, índice L 523. Inventário. Desdobrável;
Colecção Olissiponense, catálogo C 635 a 637.
quinta-feira, agosto 19, 2004
Propostas de Verão - BD
quarta-feira, agosto 18, 2004
Material alheio (ao quadrado)
Para compensar os horrores que se encontram no blog anterior, e para melhor compreender (verdadeiramente) aquilo que são os actuais «anos de chumbo» (para usar a expressão de TM) temos aqui um poemito de Francisco de Quevedo inserto no blog do Pacheco Pereira.
Mais que não seja prova que de Espanha não vêm só maus ventos e maus casamentos.
Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues, de puro enamorado,
de contino anda amarillo:
que, pues, doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña;
viene a morir en España
y es en Génova enterrado.
Y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
Poderoso caballero
es don Dinero
Es galán y es como un oro,
tiene quebrado el color,
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Son sus padres principales
y es de noble descendiente,
porque en la venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Mas, ¿a quién no maravilla
ver su gloria sin tasa
que es lo menos de su casa
doña Blanca de Castilla?
Pero pues da al baxo silla
y al cobarde hace guerrero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Sus escudos de armas nobles
son siempre tan principales,
que sin sus escudos reales
no hay escudos de armas dobles;
y pues a los mismo robles
da codicia su minero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos,
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos.
Y pues él rompe recatos
y ablanda al juez más severo,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Y es tanta su majestad
(aunque son sus duelos hartos),
que con haberle hecho cuartos
no pierde su autoridad:
pero pues da calidad
al noble y al por diosero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas.
Y pues las hace bravatas
desde una bolsa de cuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Más valen en cualquier tierra,
(mirad si es harto sagaz),
sus escudos en la paz,
que rodelas en la guerra.
Y pues al pobre lo entierra
y hace propio al forastero,
Poderoso caballero
es don Dinero
(Francisco de Quevedo)
Mais que não seja prova que de Espanha não vêm só maus ventos e maus casamentos.
Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues, de puro enamorado,
de contino anda amarillo:
que, pues, doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña;
viene a morir en España
y es en Génova enterrado.
Y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
Poderoso caballero
es don Dinero
Es galán y es como un oro,
tiene quebrado el color,
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Son sus padres principales
y es de noble descendiente,
porque en la venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Mas, ¿a quién no maravilla
ver su gloria sin tasa
que es lo menos de su casa
doña Blanca de Castilla?
Pero pues da al baxo silla
y al cobarde hace guerrero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Sus escudos de armas nobles
son siempre tan principales,
que sin sus escudos reales
no hay escudos de armas dobles;
y pues a los mismo robles
da codicia su minero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos,
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos.
Y pues él rompe recatos
y ablanda al juez más severo,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Y es tanta su majestad
(aunque son sus duelos hartos),
que con haberle hecho cuartos
no pierde su autoridad:
pero pues da calidad
al noble y al por diosero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas.
Y pues las hace bravatas
desde una bolsa de cuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Más valen en cualquier tierra,
(mirad si es harto sagaz),
sus escudos en la paz,
que rodelas en la guerra.
Y pues al pobre lo entierra
y hace propio al forastero,
Poderoso caballero
es don Dinero
(Francisco de Quevedo)
Proposta de TM
Segue-se uma proposta do nosso leitor Titta Maurício.
Não faz bem o nosso género de blog, mas gostos não se discutem.
Penso que é um blog... interessante!
Espero que gostem... e que pelo menos possam ter acesso a mais uma fonte de informação! Não sei se é verdade, ou se é mais uma teoria da conspiração... pero que las ay, ay!
De qualquer modo, merece que o leiamos com atenção crítica! Há lá muita informação para melhor compreendermos os "dias de chumbo" que vivemos... e os interesses que se movem!
Não faz bem o nosso género de blog, mas gostos não se discutem.
Penso que é um blog... interessante!
Espero que gostem... e que pelo menos possam ter acesso a mais uma fonte de informação! Não sei se é verdade, ou se é mais uma teoria da conspiração... pero que las ay, ay!
De qualquer modo, merece que o leiamos com atenção crítica! Há lá muita informação para melhor compreendermos os "dias de chumbo" que vivemos... e os interesses que se movem!
terça-feira, agosto 17, 2004
O Foral de Alhos Vedros
Gente amiga comentou off the record que os os nossos reparos sobre a obra de Maria Clara Santso e José Manuel Vargas sobre o foral de Alhos Vedros eram algo injustos na apreciação do estudo, da bibliografia e no comentário algo personalizado sobre o que esperávamos dos autores.
Esclareçamos as questões por pontos:
Quanto ao estudo, se à parte técnica da transcrição e comentário pouco haverá a acrescentar, tirando uma ou outra questão de critério paleográfico, o mesmo se não poderá dizer do estudo de enquadramento histórico pois a primeira parte limita-se a debitar um discurso dezenas de vezes repetido por todo o país sempre que se publica um foral manuelino, sem nada de mais original, enquanto a segunda sobre Alhos Vedros se acomoda aos elementos do próprio foral, aos dados de uma publicação de Ana Leal e Francisco Pires sobre as Visitações e muito pouco mais, sendo bastante pobre, porque meramente descritiva do que as fontes dizem de forma directa e não fazendo um enquadramento espacial no âmbito da região em que Alhos Vedros se inseria.
A propósito da bibliografia mais haverá a dizer, pois são ignoradas positivamente todas as publicações existentes sobre documentos similares da margem sul ou do distrito de Setúbal (já nem falo de outro tipo de textos ou fontes), as quais não sendo muitas sempre são algumas: António Nabais publicou o foral de Alcochete e Aldeia Galega em 1995 para as respectivas Câmaras Municipais; o mesmo autor e Alexandre Flores já tinham publicado um estudo sobre os forais de Palmela em 1992 (CM Palmela); Alexandre Flores também tem obra publicada sobre Almada e até o foral de Canha foi publicado em 1999 pela Câmara do Montijo com transcrição de Rosa Bela Azevedo. Como se vê, tudo publicações anteriores à ques está sob análise e que, sendo da iniciativa de autarquias vizinhas, os autores teriam obrigação de conhecer. Se as não conhecem, talvez estejam no ofício errado; se as conhecem e, por comodidade, preguiça ou imposições externas, as não usaram, o caso talvez até seja pior.
Em relação aos autores, e em atenção aos antecedentes, esperaria certamente que o José Manuel Vargas fosse mais além do que foi, pois há já bastantes anos atrás fez trabalhos de boa qualidade que até já recomendámos neste blog. Quando à Drª Maria Clara Santos não lhe conhecemos obra historiográfica original em extensão suficiente para depositarmos nela mais ou menos esperanças e acreditamos que certamente o trabalho na autarquia lhe deverá ter ocupado o tempo em outras actividades que não o estudo da memória histórica e doo património do antigo concelho de Alhos Vedros.
Justificar-se-ão os autores que esta era uma obra despretensiosa, de divulgação, patati, patátá, sem grandes ambições e todo o rosário que costuma acompanhar estes textos. Ora aí está o problema !
A ambição não pode faltar nestas iniciativas e o comodismo preguiçoso típico da burocracia autárquica não se deve instalar. Se nem com apoio vão lá, como é que querem que se faça alguma coisa. E para que é que servem Núcleos de Amigos da História Local se o trabalho produzido se reduz a papaguear o que já é conhecido e a transcrever facsímiles ?
E depois temos ainda de suportar aqueles textops introdutórios dos Presidentes e Vereadores de serviço que, não percebendo nada da coisa, escrevem sobre esta “maravilhosa obra”. Tenho a sensação que as obras de que percebem são outras e quanto a maravilhas nem se fala.
Esclareçamos as questões por pontos:
Quanto ao estudo, se à parte técnica da transcrição e comentário pouco haverá a acrescentar, tirando uma ou outra questão de critério paleográfico, o mesmo se não poderá dizer do estudo de enquadramento histórico pois a primeira parte limita-se a debitar um discurso dezenas de vezes repetido por todo o país sempre que se publica um foral manuelino, sem nada de mais original, enquanto a segunda sobre Alhos Vedros se acomoda aos elementos do próprio foral, aos dados de uma publicação de Ana Leal e Francisco Pires sobre as Visitações e muito pouco mais, sendo bastante pobre, porque meramente descritiva do que as fontes dizem de forma directa e não fazendo um enquadramento espacial no âmbito da região em que Alhos Vedros se inseria.
A propósito da bibliografia mais haverá a dizer, pois são ignoradas positivamente todas as publicações existentes sobre documentos similares da margem sul ou do distrito de Setúbal (já nem falo de outro tipo de textos ou fontes), as quais não sendo muitas sempre são algumas: António Nabais publicou o foral de Alcochete e Aldeia Galega em 1995 para as respectivas Câmaras Municipais; o mesmo autor e Alexandre Flores já tinham publicado um estudo sobre os forais de Palmela em 1992 (CM Palmela); Alexandre Flores também tem obra publicada sobre Almada e até o foral de Canha foi publicado em 1999 pela Câmara do Montijo com transcrição de Rosa Bela Azevedo. Como se vê, tudo publicações anteriores à ques está sob análise e que, sendo da iniciativa de autarquias vizinhas, os autores teriam obrigação de conhecer. Se as não conhecem, talvez estejam no ofício errado; se as conhecem e, por comodidade, preguiça ou imposições externas, as não usaram, o caso talvez até seja pior.
Em relação aos autores, e em atenção aos antecedentes, esperaria certamente que o José Manuel Vargas fosse mais além do que foi, pois há já bastantes anos atrás fez trabalhos de boa qualidade que até já recomendámos neste blog. Quando à Drª Maria Clara Santos não lhe conhecemos obra historiográfica original em extensão suficiente para depositarmos nela mais ou menos esperanças e acreditamos que certamente o trabalho na autarquia lhe deverá ter ocupado o tempo em outras actividades que não o estudo da memória histórica e doo património do antigo concelho de Alhos Vedros.
Justificar-se-ão os autores que esta era uma obra despretensiosa, de divulgação, patati, patátá, sem grandes ambições e todo o rosário que costuma acompanhar estes textos. Ora aí está o problema !
A ambição não pode faltar nestas iniciativas e o comodismo preguiçoso típico da burocracia autárquica não se deve instalar. Se nem com apoio vão lá, como é que querem que se faça alguma coisa. E para que é que servem Núcleos de Amigos da História Local se o trabalho produzido se reduz a papaguear o que já é conhecido e a transcrever facsímiles ?
E depois temos ainda de suportar aqueles textops introdutórios dos Presidentes e Vereadores de serviço que, não percebendo nada da coisa, escrevem sobre esta “maravilhosa obra”. Tenho a sensação que as obras de que percebem são outras e quanto a maravilhas nem se fala.
segunda-feira, agosto 16, 2004
Léxico moiteiro III
O Manuel Pedro avança um passo e recria diálogos quotidianos em lares moiteiros:
Quando a mãe moiteira vê o filho muito sujo diz-lhe para ele ir tomar BOInho:
- Ó Toinho, vai tomar BOInho e limpa-me esse rainho !
Quando a mãe moiteira vê o filho muito sujo diz-lhe para ele ir tomar BOInho:
- Ó Toinho, vai tomar BOInho e limpa-me esse rainho !
Esclarecimento (tá bem...)
A propósito de um comentário nosso sobre obras coercivas da CMLisboa na sede do CDS-PP o sempre atento leitor Titta Maurício mandou-nos o seguinte esclarecimento (achamos que seja para nós embora ele se dirija a um sr. Pedro, será o Manuel Pedro, nosso colaborador ?):
Meu Caro Pedro (???),
Só umas pequeninas achegas:
1º As obras coercivas não são realizadas na sede do CDS-PP (essa é a forma de vender uma notícia nesta já recorrente "silly season"): se-lo-ão no prédio que, entre outras, também está parcialmente arrendado ao CDS-PP;
2º As obras no imóvel são, supletivamente, responsabilidade do proprietário - ainda que, no caso em concreto, contratualmente, o CDS-PP haja assumido como sua a responsabilidade de o fazer no espaço que arrendou;
3º Porém, subsiste a responsabilidade do proprietário sobre o restante espaço do imóvel;
4º Parte dele (e não parte despicienda) é composta por espaço devoluto ou arrendado (nos quais, como sabe, a realização de obras depende da autorização do proprietário ou de quem o tomou de arrendamento);
5º Assim, não obstante o CDS-PP se ter disponibilizado a proceder a obras de recuperação... só o poderia fazer no seu espaço e, no restante, apenas e só com o acordo e comparticipação financeira quer do proprietário quer dos restantes inquilinos (o que não foi possível por estes não haveram concordado);
6º Agora sim as obras serão realizadas, e o CDS-PP, assim que a conta lhe for apresentada, pagará as despesas efectuadas no espaço que tomou de arrendamento;
7º Assim, se alguém beneficia de um empréstimo sem juros (como alguns acusam), não será o CDS-PP!
Quanto ao que esta ou outras câmaras façam a outros inquilinos não sei, mas esta é a realidade... por muito pouco sumarenta que seja! Ainda não é desta que apanham o CDS e o seu líder... mais uma invenção ou uma tempestade num copo de água! Continua o tiro ao Salvado... e aos que a esquerda extrema e a extrema-esquerda juraram vingança.
Que não o seu caso... que é, sobre o assunto, um exemplo de falta de informação... que espero haja contribuído para debelar!
Com os melhores cumprimentos,
João Titta Maurício
Meu Caro Pedro (???),
Só umas pequeninas achegas:
1º As obras coercivas não são realizadas na sede do CDS-PP (essa é a forma de vender uma notícia nesta já recorrente "silly season"): se-lo-ão no prédio que, entre outras, também está parcialmente arrendado ao CDS-PP;
2º As obras no imóvel são, supletivamente, responsabilidade do proprietário - ainda que, no caso em concreto, contratualmente, o CDS-PP haja assumido como sua a responsabilidade de o fazer no espaço que arrendou;
3º Porém, subsiste a responsabilidade do proprietário sobre o restante espaço do imóvel;
4º Parte dele (e não parte despicienda) é composta por espaço devoluto ou arrendado (nos quais, como sabe, a realização de obras depende da autorização do proprietário ou de quem o tomou de arrendamento);
5º Assim, não obstante o CDS-PP se ter disponibilizado a proceder a obras de recuperação... só o poderia fazer no seu espaço e, no restante, apenas e só com o acordo e comparticipação financeira quer do proprietário quer dos restantes inquilinos (o que não foi possível por estes não haveram concordado);
6º Agora sim as obras serão realizadas, e o CDS-PP, assim que a conta lhe for apresentada, pagará as despesas efectuadas no espaço que tomou de arrendamento;
7º Assim, se alguém beneficia de um empréstimo sem juros (como alguns acusam), não será o CDS-PP!
Quanto ao que esta ou outras câmaras façam a outros inquilinos não sei, mas esta é a realidade... por muito pouco sumarenta que seja! Ainda não é desta que apanham o CDS e o seu líder... mais uma invenção ou uma tempestade num copo de água! Continua o tiro ao Salvado... e aos que a esquerda extrema e a extrema-esquerda juraram vingança.
Que não o seu caso... que é, sobre o assunto, um exemplo de falta de informação... que espero haja contribuído para debelar!
Com os melhores cumprimentos,
João Titta Maurício
domingo, agosto 15, 2004
Léxico moiteiro - II
Continuemos com a parte dos vegetais:
Aboicate - abacate, para as pessoas normais.
Ceboilinho - cebolinho.
Agora parte do corpo começando pela caboiça (é mesmo assim que o moiteiro fala, acentuando bem a sílaba tónica no meio da caboiça):
Boica - a boca, que estão sempre a usar.
Boilhos - os olhinhos, é claro.
Boirelhas - orelhas, que raramente usam quando a conversa lhes não interessa.
Aboicate - abacate, para as pessoas normais.
Ceboilinho - cebolinho.
Agora parte do corpo começando pela caboiça (é mesmo assim que o moiteiro fala, acentuando bem a sílaba tónica no meio da caboiça):
Boica - a boca, que estão sempre a usar.
Boilhos - os olhinhos, é claro.
Boirelhas - orelhas, que raramente usam quando a conversa lhes não interessa.
sábado, agosto 14, 2004
Aleluia
Eis que se não quando nos aparece na net em formato pdf (requere o Acrobat Reader para ler) o texto de uma publicação da CMM, da autoria de Maria Clara Santos e José Manuel Vargas, uma obra sobre "O Foral de Alhos Vedros", datada de 2000.
Bem, àparte as gralhas logo nas primeiras páginas, que acontecem até nas melhores publicações (quanto mais nas da CMM), a obra em si não é má, mesmo se eu nunca a tenha visto em lado algum (problema certamente meu).
A bibliografia é quase boa, embora o estudo seja muito sofrível, pois queda-se por Alhos Vedros no século XVI, pouco indo atrá e nada indo à frente.
E aqui fica o busílis da questão.
Aguardamos a publicação das actas da vereação do concelho de Alhos Vedros, mais de 20 livros que cobrem o período de 1625 a 1855, para percebermos o que se passou no crucial século XVII e dos problemas da elevação da Moita a vila e, no século XIX, da forma como o declínio de Alhos Vedros se acentuou ao ponto de se extinguir enquanto sede de município.
Pelo menos do José Manuel Vargas esperamos um pouco melhor do que este estudo, pouco ousado e convencional até à raíz dos cabelos.
Ficamos à espera da próxima.
Por nós, nem que seja nos 600 anos do Foral (é já em 2014) faremos certamente melhor, esperando já ter devolvido a Alhos Vedros a dignidade municipal vilmente subtraída.
sexta-feira, agosto 13, 2004
Para distrair
Embora as propostas de Verão estejam meio paradas, para quem gosta de BD, e a pedido de várias famílias (foi mais de uma família só, mas...), podem sempre dar um salto ao blog Beco das Imagens. É como o dos Marretas: mesmo não sendo genial, sempre alivia.
quinta-feira, agosto 12, 2004
Brasão
O nosso leitor José Luís Pinto mandou-nos o endereço de um site onde se podem encontrar as imagens das armas e brasão de Alhos Vedros. O endereço é este.
A descrição das armas é a que se segue, prometendo nós que tentaremos incluir as imagens no nosso fotoblog. Veremos só se o formato das imagens é aceite.
Armas - Escudo de prata, dois remos passados em aspa, acompanhados em chefe da cruz da Ordem de Santiago, de púrpura, de duas flores-de-lis de vermelho nos flancos e de uma cabaça de verde em ponta. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas : “ ALHOS VEDROS “.
A descrição das armas é a que se segue, prometendo nós que tentaremos incluir as imagens no nosso fotoblog. Veremos só se o formato das imagens é aceite.
Armas - Escudo de prata, dois remos passados em aspa, acompanhados em chefe da cruz da Ordem de Santiago, de púrpura, de duas flores-de-lis de vermelho nos flancos e de uma cabaça de verde em ponta. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas : “ ALHOS VEDROS “.
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