Mostrar mensagens com a etiqueta O Povo é quem mais ordenha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O Povo é quem mais ordenha. Mostrar todas as mensagens

domingo, agosto 12, 2007

O ataque ao poder moiteiro - O perfil

Engana-se quem pense que se vai aqui falar em nomes e muito menos nos nomes que alguns pensarão.
Aqui apenas se pretende demonstrar que para atacar em força o poder moiteiro instalado, nos moldes actuais, é necessário alguém com um perfil diferente dos tradicionais actores da oposição local.
Exacto.
Após paciente e elaborada reflexão, chegámos à conclusão algo metafórica que o fogo só se consegue combater com o fogo.
Ou traduzindo a coisa: que ninguém pense que, para já, qualquer candidato alinhado com uma outra força partidária consegue derrotar a máquina do Partido do Colectivo, a máquina que na recta final consegue bater a todas as portas, cobrando fidelidades e recordando favores.
Pois é.
Para combater alguém do Partido do Colectivo é preciso alguém que tenha o mesmo tipo de inscrição na vida local, que seja reconhecido, que não apareça por aqui só em altura de eleições ou que, estando cá, seja visto pelas "bases" como sendo do "inimigo", sendo que o Partido do Colectivo encara quase toda a gente como inimiga desde que não se acocore à sua passagem e obedeça às suas ordens.
É inútil pensar-se que é possível - em confronto de tipo tradicional - conseguir mais do que retirar a maioria absoluta ao actual poder moiteiro.
E para o derrotar é preciso muito. Não é muito dinheiro, que esse já se sabe por onde e para onde corre.
É preciso vontade.
É preciso credibilidade.
É preciso raízes.
Isto ainda é, apesar da crescente dormitorização, um reduto político muito fechado que não cai de repente.
Por isso, para concorrer contra o poder moiteiro em 2009, é necessário alguém que seja proveniente sensivelmente da mesma área política mas da qual se tenha afastado por desalinhamento com a sua orientação, que seja conhecido pela sua intervenção local empenhada, que mais do que atacar activamente o poder moiteiro, possa apresentar-se como alguém atacado por esse mesmo poder.
Nomes?
Ocorre-me um ou dois, mas não é isso que interessa.
Nem é quem vocês estão já a pensar.
Por agora chega ficar, a traço grosso, o perfil desejável.
Assim mesmo.
Em termos algo abstractos.
Fazer ao contrário (escolher alguém e depois delinear o perfil) é a prática comum de outros.

quarta-feira, julho 04, 2007

Declaração Cívica de Cidadãos da Moita

Este Projecto de novo PDM da Moita não passará!

Se tal Projecto viesse a ser aprovado em última instância,
a Moita ganharia o vergonhoso estatuto de laboratório clandestino
dos mais desprezíveis cozinhados fora-da-lei, próprios de um novo País,
sem rei nem roque e abandonado na mão de poderes obscuros

Projecto de novo PDM é um monstro:
O Projecto de novo PDM para a Moita, em preparação desde Julho de 1996 e sem fim previsível à vista, da autoria da direcção política da Câmara Municipal da Moita, presidida por João Manuel de Jesus Lobo, é
  • um monstro de ilegalidades,
  • de escuridão
  • e de mau governo
  • e pior planeamento local.

O Projecto de novo PDM para a Moita tem traços distintivos maiores:

  • tripudia sobre a Lei e contra a Lei e os Cidadãos,
  • escarnece na cara dos altos funcionários do aparelho de estado e dos representantes dos órgãos de coordenação e de governo regional e central,
  • ofende os interesses legítimos e as justas preocupações de quase todos os Munícipes da Moita, nomeadamente em termos de

errada política dos solos,
pior desordenamento do território concelhio
e transferência de escandalosas mais-valias urbanísticas para meia dúzia de felizes contemplados com o Euromilhões do PDM da Moita,

  • Vota ao abandono o miolo urbano das localidades do Concelho, com zonas centrais envelhecidas, desertificadas, abandonadas, ao ponto de perdurarem em 2007 no Concelho da Moita algumas das localidades originariamente mais belas mas hoje mais degradadas em termos urbanísticos, no nosso País,
  • Ofende por último os direitos das pessoas dos campos particularmente do Sul do Município, e de outras zonas rurais da Moita, garroteando desnecessária e ditatorialmente as suas terras de cultivo hortofrutícola e de cereal, as suas explorações pecuárias e as suas áreas de habitação construídas dentro da lei.

Tudo isso acontece com um só fito:

  • passar quase 400 hectares de Solo Rural em REN e em RAN para novo Solo Urbano sem REN e sem RAN, com novas zonas urbanizáveis para mais e mais Fogos e novos Parques Empresariais.

Ao serviço de meia dúzia de grandes eleitos:

  • O Projecto de novo PDM para a Moita serve os interesses de meia dúzia de grandes especuladores imobiliários que durante estes 11 anos de Processo de Revisão do PDM actuaram do modo seguinte:
  • com uma mão compraram de véspera Solo Rural em REN e RAN*,
    com a outra mão assinaram no dia seguinte Protocolos com a Câmara para a reclassificação de tais solos como urbanizáveis(*), e
  • com as duas mãos foram a correr levantar dinheiro na Banca sobre a hipoteca desses tais terrenos, já "valorizados" com uma carimbadela e uma assinatura no sítio certo, e
  • generosamente também com ambas as mãos distribuíram migalhas por vezes bem visíveis e reais a certos dos seus ajudantes estrategicamente bem colocados na Administração Pública

(continua...)

domingo, maio 13, 2007

E a vítima foi...




... o tipo distraído que ia a passar, como resultado de uma imensa vaga de fundo que conseguiu travar, na nossa sondagem, a ascensão de João III, o Faim, ao poder na CMM, quando João II, o Lobo se for embora, aposentado ou apeado, isso logo se vê.

O pobre do incauto cidadão, que vinha inocentemente trazer uma encomenda clandestina ao AVP, ficou com cerca de 35% dos votos contra 31% do Faim. O Broncas não esteve mal, abeirando-se mesmo dos 10% do voto popular.

Entretanto manifesto a minha supresa pela votação baixa em Rui Garcia, o delfim do regime, mal batendo o seu opositor interno Carlos Santos, assim como em Fernanda Gaspar, a já não muito delfina do regime, ou mesmo em José Paleta, um dos responsáveis por esta grande bandalheira, ao dar cobertura ao que se vai passando, ao que parece graças ao sentido de certos fluxos contabilísticos.

sexta-feira, abril 27, 2007

Catrapum...

Do Público:
«Presidente da Câmara de Setúbal constituída arguida no caso das reformas compulsivas
A presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, foi constituída arguida no âmbito das suspeitas de conluio entre autarcas e trabalhadores devido à reforma compulsiva de dezenas de funcionários da autarquia.
"Já prestei declarações na Polícia Judiciária e já fui constituída arguida", disse hoje à Lusa Maria das Dores Meira, adiantando que todos os vereadores em exercício na altura em que foram aprovadas as reformas compulsivas (os 60 trabalhadores que beneficiaram das mesmas e duas juristas da autarquia) já foram, ou vão ser, ouvidos pela Polícia judiciária.»


... mais um tiro naquela coisa do trabalho, competência e não sei o quê mais.
Já agora, quem é que vem a seguir na lista?
Ou para Lisboa pedem-se eleições, mas para Setúbal nadica de nada?
Ou há coerência ou comem todos pela medida grande.

Mas por um lado, isto podem ser boas notícias e um balão de oxigénio, para o poder moiteiro, porque nunca é conveniente acumularem-se dois empurrões pela borda fora muito próximos.
Por isso deve haver quem esfregue as mãos por aí, pois há males...

Beijo na Boca

O que foi dado hoje por José Sócrates aos autarcas em pleno debate mensal no Parlamento.
Agora os PDM's já podem ser aprovados com menos controle e os licenciamentos e planos de pormenor, idem, idem, aspas, aspas.
Diz que é para descentralizar, aligeirar e modernizar.
Neste caso, certamente que não teremos a situação local moiteira e amoitada a dizer que é o papão do Neo-Liberalismo.
Embora seja a mesma lógica do recuo do Estado Central na Saúde, Justiça, Educação e Segurança Pública.
Depois, quando as coisas correrem mal e ficar tudo uma manta de retalhos, a culpa será obviamente dos autarcas e de quem os elegeu.
E estes é que se lixam, porque os outros aposentam-se novos.

sábado, março 24, 2007

A I Romaria Marxista-Leninista da Santinha do Pau Moiteiro



Que não haja confusão.
Aqui no AVP ninguém gosta de romarias, por variadas razões, desde as ideológicas às pragmáticas.
Nenhum de nós é religioso, pelo que a noção de ir de um lado para o outro de santa atrás mete-nos impressão.
No meu caso particular o desconforto da deslocação então é mesmo o pior. Caramba, sou preguiçoso e comodista. Nunca acampei na vida. Sou um urbanito nesse aspecto.
Não quero saber de coisas very typical, desde que isso implique engolir poeira, transpirar pelo caminho e aturar conversas avinhadas.
Portanto, aqui ninguém está assim muito a favor de romarias ou romeiros.
Apenas temos respeito pelas crenças e hábitos de cada um, por estranho que nos pareçam.
Como disse atrás, até percebo que muita gente seja do Benfica.
O mau gosto é algo democrático.
Não é por isso que queremos fechar o Estádio da Luz.
E muito menos fazer outro.
Chiça...

Ora é aqui que o poder moiteioro torce o rabo.
Sendo manifestamente anti-religioso e anti-clerical, o poder moiteiro e amoitado, enquanto poder público, não deve obstaculizar a realização de manifestações religiosas e, em nome de uma equidade de tratamento devida pelo Estado (sim, que as autarquias são Estado...) a todos os credos, nem sequer coloco em causa que apoie de uma forma ou outra romarias. Pior mesmo é comprar bilhetes em série para ajudar a pagar a coima do Pedrito de Portugal.
Isso sim é desvario.
Mas voltando às romarias.
O estranho é que um poder político que advoga a separação entre política e religião, que critica abertamente as ligações do antigo regime com a Igreja Católica, agora surja a promover activamente, para mais com técnicas de dumping no preço das inscrições, algo que é tão simplesmente uma procissão.

É certo que já vimos como um presidente-candidato se travestiiu em marialva boiófilo, aparecendo de braço dado com tudo o que é moiteiro ligados às lides.
Foi algo estratégico, para desviar boa parte dos votos da malta dos bois.
Mas agora virarem-se para a beatice?
O quê?
A dupla dinâmica vai desfilar de andor ao ombro?
Ou vão encomendar isso aos assessores que esperam por lugar no quadro e devem humilhar-se publicamente para o conseguir?
Isto mais do que surreal é o total absurdo.
Para fazer guerra a adversários políticos e fingir que têm interesse nas causas populares, o poder moiteiro já se agarra a tudo.
Mais um bocadinho, depois da deriva taurina e beata, ainda se tornam monárquicos.
Tão parvo quanto isto só pensar que o Paulinho Portas iria aparecer de tez bronzeada, madeixa alourada ao vento e pelinho do peito à mostra em Congresso Nacional do CDS.
Mas até já isso fomos obrigados a ver.
Portanto, uma romaria comunista de santinha atrelada para levá-la à terra de outra santinha, com o apoio de outra autarquia que se diz comunista é uma daquelas coisas que só no filme mais parvo dos 3 Estarolas seria possível imaginar.
É que não chega a ser irónico.
É apenas e simplesmente idiota.
Muito.

domingo, fevereiro 11, 2007

A Enjeitada da Margem Sul - Drama Folhetinesco em Forma de Tetralogia com Apenas 3 Episódios que o Último Está para Vir

EPISÓDIO 3 e EPÍLOGO

Por tanto clamarem, os amigos da REN só tiveram uma resposta
“Sai uma, entram duas, foi-lhes respondido.
Aguentem com a REN à força toda e a dobrar.
Não refilem, o vosso caso está perdido.
A tramóia parece nobre, mas é só para vos lixar.”

Essa foi de facto a resposta recebida sistematicamente por amigos e familiares da Rosa Eduarda, sempre com charanga e fanfarra a acompanhar.
De pouco lhes valeu argumentarem e explicarem por A + B que a REN lá onde se supunha que deveria estar e onde era precisa, era um gosto e uma mais valia vê-la viva e actuante, isso sim era importante.
De menos ainda lhes valeu demonstrarem com profusão de argumentos que, ao invés, a REN morta e enterrada a dobrar nas terras do Sul da Moita de nada valeria, nada acrescentaria.
Explicaram, falaram, demonstraram com muito engenho e muita arte, mas o muro das lamentações onde durante meses se dirigiram era afinal um muro de betão, de muito mas muito betão mesmo, pelo que de nada adiantou a sua objecção.

Meses e anos sem notícias, salvo ao de leve uma referência a 2004
Seguiram-se longos meses de pesar, de aflição, mas também de revolta pela triste sorte da Rosa Eduarda e contra os contornos obscuros que rodearam o seu trágico desaparecimento.
E nada.
Falaram com toda a gente, queixaram-se em todos os lugares, bateram a todas as portas, tocaram a todas as campainhas.
Ao de leve, ouviram falar de uma certidão de óbito às escondidas em 2004, coisa estranha, pois os tipos do Registo e os próprios coveiros, ao que se diz, seriam alegadamente os seus supostos defensores, acabando por fazer o papel de matadores.
E isso o povo não quer crer, a ser verdade, será coisa de estarrecer.
Não pode, não pode ser.
Mas, iremos ver.

Pais e amigos que amam, não desistem nunca
O desgosto era enorme, mas a revolta e a vontade de vencer maiores ainda.
Até que finalmente surgem notícias esperançosas.
Com efeito, para esperança e alegria de muitos, e parece que com o desagrado e sob os protestos azedos de uns poucos, as últimas notícias publicadas em jornais de perto e de longe, apontam finalmente para a hipótese de todo este drama poder vir a ter um final feliz:

A menina Rosa Eduarda Nunes, chamemos-lhe tão só de REN, das iniciais do seu nome, desaparecida teria uns 17 aninhos ou nem isso ainda, e hoje se estiver viva certamente já uma linda mulher, poderá afinal ainda estar viva, e bem viva.

É verdade que o seu paradeiro é por enquanto ainda desconhecido de todos, quer da família e dos vizinhos, quer sobretudo das Autoridades.
Aliás, falando de Autoridades, deve referir-se que o trabalho ou mais propriamente a ausência dele, e o desinteresse e a incúria mesmo, por parte de algumas Autoridades, ao longo de todo o desenrolar deste drama, tem desagradado e muito a quase toda a gente no Município.
As pessoas dizem em voz alta, pois perderam há muitos anos o medo e outras nunca o tiveram, que com amigos e defensores e Autoridades dessa laia, por toda a parte a REN vai seguramente dar toda raia.

Expectativas redobradas e novo alento
Mas para tal, urge que todo o mundo se mantenha muito vivo e muito atento.
A expectativa geral é enorme. A imprensa não conhece outro lugar.
A Moita não pára de dar que falar.
É verdadeiramente uma nova centralidade, como alguém um dia disse desta terra.
E disse-o bem, sei lá, sem o saber, pois aqui na Moita factos mais centrais não há.
A história ainda pode vir a ter um final feliz.
Final clássico, mas feliz. A menina pode ser reencontrada. E viva, sem estar morta nem menos ainda enterrada.
Os familiares, amigos e vizinhos ainda podem vir a ganhar um sorriso de orelha a orelha.
E os malandros que tão grandes males engendraram contra ela, é a voz que corre, ainda se podem ver tramados.
E serem todos envoltos em grande alvoroço e com as maiores incertezas a pairar sobre as suas ricas e tão espertas cabecinhas. Tão espertas, quão descuidadas e tolinhas.


Leitor (com um pequeno título e imagens do AVP)

sábado, fevereiro 10, 2007

A Mentalidade do Cerco ou a Coreização Moiteira

Há um par de dias deixava a interrogação sobre qual seria a razão porque a CMM e o seu presidente preferiram não reclamar qualquer direito de resposta às notícias do Público e, em vez disso, espalhar um comunicado em forma de pretenso "esclarecimento" por alguns órgãos de comunicação social meramente de âmbito local.
Para mim as razões são óbvias e são poucas.

A primeira delas é que exercendo aquele direito, habilitavam-se a ter de demonstrar que as afirmações feitas eram falsas e baseadas em documentação não verídica. O que não é o caso. Na tertúlia dos amoitados banheirense entretiveram-se uns dias a escavar discussões em torno de peças passadas do Jornalista JACerejo, mas em nenhum momento desmentiram nada do que ele afirmou sobre os esquemas moiteiros. Numa estratégia usual, tentaram atacar pessoalmente o mensageiro, não desmentindo a mensagem, usando a técnica ultrapassada de apontar o dedo e dizer, se ele ontem meteu o dedo no nariz é porque mete sempre o dedo no nariz. Triste e limitado como argumentação, mas não dá para mais. Para além de que, reagindo no Público, o shôr Presidente apareceria exposto em órgão de comunicação nacional em todas as suas pequenezas retóricas. O poder moiteiro quer estar no mapa, mas certamente que não por estas razões, e reagindo de tal forma só se exporia ainda mais ao escrutínio da opinião pública.

A segunda razão é porque o poder moiteiro aposta numa espécie de orgulhosa coreização - ou albanização, se recuarmos umas décadas - da vida política local, procurando isolá-la do exterior e falando apenas para "dentro", para as próprias hostes. Porque a verdade é que aquele "esclarecimento" é antes de mais uma tentativa de justificar ao seu próprio eleitorado, que se acredita ser ainda vagamente crente nos ideais do marxismo-leninismo ortodoxo e anti-capitalista, porque é que o poder local anda de braço tão bem dado como os "empresários de sucesso" da região, aqueles que multiplicam milhões com base na especulação. Já repararam que o tipo de discurso de João Lobo (e do seu assessor jurídico Encarnação) em relação aos empresários - e nem contesto a sua validade, neste caso - é perfeitamente contraditório em relação ás inflamadas prosas anti-capitalistas dos opinadores ligados à Situação local? Leiam os textos tonitruantes de Manuel Madeira contra o capitalismo selvagem e comparem-nos depois com a prática dos negócios da CMM e acabam num paradoxo insanável. Como é possível ser contra o mundo dos negócios e da especulação lá "fora" e depois promovê-lo cá "dentro"?

Por estas duas razões - receio de maior exposição mediática e necessidade de justificação interna - o poder moiteiro preferiu reagir apenas a nível local, fugindo a contraditar as peças de JACerejo no espaço em que elas foram divulgadas.
O poder moiteiro funciona em circuito fechado, como na bela Coreia do Norte, onde o poder chegou a mandar cortar a electricidade numa província da fronteira com a China, seguindo-se uma busca policial, para apanhar dentro dos vídeos da população cassetes com novelas sul-coreanas obtidas através de contrabando.
Por aqui, se pudessem, também mandariam cortar a internet, só para que as coisas não circulassem.
Como nos regimes assentes no absoluto controle da informação e opinião, por aqui o poder procura apenas legitimar-se por meio da fidelização e clientelização tentacular fechada. Nunca o poder autárquico foi tão adepto da autarcia e do isolamento do exterior, encarado como ameaçador (a menos que seja para veranear ao sol).
Mas existe um problema "interno" por resolver, pelo menos em termos de coerência. Até que ponto os ortodoxos defensores da pureza ideológica anti-capitalista convivem com a evidente complacência perante a especulação imbiliária?
Como justificam perante uma população empobrecida, vítima das deslocalizações e da inexistência de um projecto de desenvolvimento local, as mirabolantes margens de lucro de um grupo pequeno de "empresários de sucesso" especuladores?
Photobucket - Video and Image HostingOnde está a coerência ideológica de criticar os lucros da Banca, acusando o Poder Central de a favorecer perante os consumidores, quando se aceitam e se negoceiam protocolos que asseguram lucros proporcionalmente muito maiores a algumas empresas, ao nível do Poder Local, colaborando com o prejuízo de pequenos proprietários?
Os senhores Paletas, Pataratas, Madeiras e outros que tais acham isso normal?
Consideram que é o caminho certo?
Têm opinião ou não?
Se não a têm - e já passou tempo suficiente para juntarem 2+2 - porque será que a não têm?
Há "rabos de palha"?
Quero sinceramente acreditar que não, mas confesso que vou ficando estupefacto.
A manutenção do poder para alimentar clientelas justifica tudo?
Os lugarinhos no quadro para família, parentes e amigos provoca cegueira?
Os "olhos vidrados pelo poder" serão afinal de quem?
É que se assim é, afinal no que se distinguem dos "outros" em termos de prática política?
É que ou há coerência ou comem todos e não só alguns que multiplicam os lucros à ordem dos 200% ao anos.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Alvará ou não Alvará, eis a Questão!

Do Público de hoje, de novo pela pena de José António Cerejo, o desmontar de um oportuníssimo "lapso" camarário:

«CM da Moita invocou documento inexistente para alterar a REN
José António Cerejo
A referência a um alvará já existente justificaria esse pedido como um "lapso"

A Câmara da Moita fundamentou o pedido de desanexação da Reserva Ecológica Nacional (REN) de uma zona contígua ao perímetro urbano da aldeia do Penteado com um documento inexistente. Segundo o chefe de gabinete do presidente da autarquia, a invocação de um alvará pré-existente para justificar esse pedido - cuja aprovação permitirá a urbanização de terrenos em que tem interesse o consultor jurídico da câmara - foi "um lapso".
Em vigor desde 1993, a carta da REN da Moita foi objecto de uma redelimitação, por iniciativa da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), que teve a aprovação da Comissão Nacional da REN em Abril de 2004. Nessa altura foi integrada na reserva ecológica uma área a sul de Penteado, ficando a formalização desse alargamento dependente da aprovação da proposta de revisão do PDM, em curso desde 1996.
Perante o novo mapa, que abarcava 3534 hectares em todo o concelho, contra 2612 de 1993, a autarquia propôs à CCDR a exclusão de 42 manchas espalhadas pelo município, num total de cerca de 250 hectares. A proposta foi condensada num dossier em que a autarquia identificava as manchas a excluir e enunciava as razões de ser de cada um dos pedidos.
Uma dessas manchas, a nº 18, incidia sobre um total de 29.000 m2, situados a sul do perímetro urbano do Penteado (uma pequena parcela da área que ali fora acrescida à REN) sendo a sua maior parte, 17 mil m2, propriedade da empresa Montiterras e nela foi construída uma moradia de luxo em que reside o consultor jurídicoda Câmara, Rui Encarnação (PÚBLICO de 28/01/07). Como justificação desse pedido de desanexação, a câmara indicou à CCDR o objectivo de integrar no perímetro urbano "um loteamento com alvará em vigor", acrescentando na ficha que o alvará em questão constava do "Anexo 3".
Face a este pedido, a CCDR emitiu parecer favorável em Agosto de 2005, sendo a exclusão aprovada dois meses depois pela comissão nacional da REN. No seu parecer, ainda que favorável, a REN não deixou de observar que o pedido camarário "não se encontra devidamente fundamentado".
O PÚBLICO constatou nos serviços da comissão da REN, que o fundamento insuficiente é, afinal, inexistente: no Anexo 3 não existe alvará de loteamento relativo à mancha 18. Perguntado ao presidente João Lobo, se haveria algum lapso no pedido, a resposta do seu chefe de gabinete foi a seguinte: "Não existe nenhum alvará de loteamento, apenas posso concluir tal como V. Exª que se trata de um lapso."
Graças a este "lapso", os 17.000 m2 da Montiterras/Rui Encarnação escaparam à integração definitiva na REN, caso em que ali seria vedada toda e qualquer construção. E a proposta de revisão do PDM, em vias de aprovação, integra-os no perímetro urbano, permitindo, caso venha a ser ratificada pelo Governo, a sua urbanização.»

O texto fica aqui todo, pois o Público pode voltar a esgotar por estas partes e a partir de amanhã o link poderá ser desactivado.

Para os vossos arquivos e memória futura (ou será para memória a curto prazo?).