Sabemos que foge um bocado ao nosso âmbito mas não resistimos a incluir esta peça de actualidade sobre as difíceis relações luso-holandesas que circula na net.
Testicles on Waves
O barco tripulado pela organização portuguesa Testicles On Waves abandonou hoje a sua missão na Holanda.Tendo chegado, uma semana antes, ao limite das águas territoriais holandesas, este grupo de homens portugueses pretendia libertar as mulheres holandesas, sendo que neste pais elas engravidam muito pouco e existe um enorme número de lésbicas.
O presidente da organização, Zézé Camarinha falara-nos da sua missão "Epá, eu adoro lésbicas. ..daa-se, quem é que não adora?? Mas agora, desde que um gajo depois possa entrar no meio, duas mulas suecas aos pinotes e estes frouxos não entram na brincadeira? É uma vergonha pá, é o terceiro mundo. Isto lá na pátria não é assim".
O governo Holandês não permitiu a entrada do barco nas suas águas territoriais, alegando que havia intenção copulatória por parte dos seus tripulantes, usando como prova o elevado nível de testosterona, evidente na cobertura em pêlo do calcanhar até aos ombros de todos os tripulantes.
O Ministro da Defesa enviou mesmo uma fragata para defender o direito das mulheres holandesas ao lesbianismo. Após uma semana de intensa polémica, Zézé Camarinha, bem como os restantes membros dos Testicles on Waves, mostravam-se conformados. "É pá, que posso fazer?" perguntava Zézé. “Já deixámos no nosso site informações sobre em que praias do Algarve as Holandesas podem vir arranjar um macho latino. Temos pena que a deslesbianização seja criminalizada neste país. É o terceiro mundo, que mais posso dizer. Lá na Praia da Rocha nenhuma lésbica dura mais de dez minutos... heh, ai não, que não...!"
sábado, setembro 18, 2004
Tréguas
Fizemos as pazes com O Rio.
Percebemos os problemas técnicos que impediram que o texto do nosso colaborador António da Costa chegasse à direcção do jornal.
O nosso bem haja sr. Brito Apolónia.
Percebemos os problemas técnicos que impediram que o texto do nosso colaborador António da Costa chegasse à direcção do jornal.
O nosso bem haja sr. Brito Apolónia.
sexta-feira, setembro 17, 2004
Surprise !!!
No último Boletim Municipal da Moita (nº 32 de Ago/Set de 2004) o excelentíssimo Shôr Presidente da Câmara João Lobo - o nosso Santana, para os habitués deste blog - só aparece em três (!?) fotografias.
Será, por fim, algum decoro ou será que alguém do gabinete editorial vai levar valentemente nas orelhas ?
Será, por fim, algum decoro ou será que alguém do gabinete editorial vai levar valentemente nas orelhas ?
Hipocrisias taurinas
Em todo este triste assunto que rodeia as alegadas práticas menos próprias do presidente/professor/etc da Escola de Toureio da Moita, mais do que o julgamento do indivíduo e dos seus comportamentos (para a sua averiguação e punição existem os tribunais), interessam-me em especial as questões envolventes bem mais importantes e que nos revelam muito do que é a hipocrisia e o cinismo do mundo taurino moiteiro.
Centremo-nos em dois aspectos de importância fundamental:
Em primeiro lugar, no facto de a Escola de Toureio da Moita ter sido a menina dos olhos da chamada aficcion taurina moiteira até à bem pouco tempo, ou seja, até ao momento em que transpareceu para o exterior algo de mais incómodo para as “boas” consciências. Antes de mais, foi o esforço para esconder, para ocultar, para evitar que se soubesse. Pelo que afirma o director do jornal As Farpas foram muitos os silêncios sobre o assunto e muitas as pressões para o abafar.
Em seguida, quando os boatos ganharam amplitude nos mentideros e, muito em especial, quando tiveram ampla divulgação pública, muitos dos que antes surgiam a rodear Armando Soares em todo o tipo de oportunidades e eventos (e o registo fotográfico existe de muitas dessas ocasiões, bem como de textos encomiásticos que alguns talvez gostassem agora de apagar) apressaram-se a demarcar-se dele e a erigi-lo como único responsável pelo que não pode deixar de se considerar um escândalo.
Significa isto que no mundo taurino da Moita, em situação de crise, a primeira solução é a ocultação dos factos e a tentativa de os subtrair ao conhecimento público e, na sua impossibilidade, a rapidez em isolar o bode expiatório e sacrificá-lo sumariamente.
Não é nosso interesse defender Armando Soares; muito pelo contrário, tudo parece apontar para a existência de comportamentos altamente reprováveis em quem se pretende um mentor e formador de jovens.
No entanto, parece-nos igualmente importante sublinhar a actuação dúplice, cínica e hipócrita daqueles que, num ápice, afirmam que o futuro das actividades taurinas na Moita não tem nada a ver com o passado – leia-se, com a Escola de Toureio da Moita - , que o problema daquela instituição era estar centrada numa única pessoas que se aponta como responsável por tudo o que lá se passava e que é necessário criar outra estrutura, como que se esquecendo dos seus próprios papéis naquele mesmo passado.
Até já há quem tenha anunciado o fim da festa taurina na Moita, depois de ter gasto uns bons (maus?) parágrafos a defendê-la com denodo. Dizem que só os burros não mudam de ideias, mas...
Pois, porque as declarações de Carlos Martins ao jornal As Farpas revelam que já há algum tempo se acumulavam indícios de mal-estar entre os ex-alunos daquela Escola, os quais dificilmente escapariam aos conhecedores do meio. Só que, como nada parecia transpirar para fora, fingia-se que tudo corria no melhor dos mundos. Nada contra os vícios privados, desde que se aparentassem públicas virtudes.
Agora, com o caldo entornado, todos procuram sacudir as responsabilidades das costas e reescrever o passado, com pressa em apagar o elemento incómodo da fotografia, lançando-o sozinho para a fogueira.
Resta saber se mais ninguém lhe deveria fazer companhia, por acção, por encobrimento, ou por voluntária indiferença.
Miguel Alvarenga escreve e bem que A. Soares deve enfrentar a realidade dos seus actos.
Mas isso deveriam fazer muitos outros, desde os que procuraram ocultar tão graves ocorrências e desculpabilizá-lo aos que o querem linchar na praça pública e apagá-lo de uma história que com ele têm em comum.
Como em quase tudo em Portugal, oscilamos entre os brandos costumes que tudo toleram em nome de um bem-estar colectivo bafiento e os fogachos de justicialismo sumário, mais preocupado com a aparência do que com a essência da justiça.
Assim se vê a coragem dos homens, em especial daqueles que muito a apregoam.
António da Costa
Centremo-nos em dois aspectos de importância fundamental:
Em primeiro lugar, no facto de a Escola de Toureio da Moita ter sido a menina dos olhos da chamada aficcion taurina moiteira até à bem pouco tempo, ou seja, até ao momento em que transpareceu para o exterior algo de mais incómodo para as “boas” consciências. Antes de mais, foi o esforço para esconder, para ocultar, para evitar que se soubesse. Pelo que afirma o director do jornal As Farpas foram muitos os silêncios sobre o assunto e muitas as pressões para o abafar.
Em seguida, quando os boatos ganharam amplitude nos mentideros e, muito em especial, quando tiveram ampla divulgação pública, muitos dos que antes surgiam a rodear Armando Soares em todo o tipo de oportunidades e eventos (e o registo fotográfico existe de muitas dessas ocasiões, bem como de textos encomiásticos que alguns talvez gostassem agora de apagar) apressaram-se a demarcar-se dele e a erigi-lo como único responsável pelo que não pode deixar de se considerar um escândalo.
Significa isto que no mundo taurino da Moita, em situação de crise, a primeira solução é a ocultação dos factos e a tentativa de os subtrair ao conhecimento público e, na sua impossibilidade, a rapidez em isolar o bode expiatório e sacrificá-lo sumariamente.
Não é nosso interesse defender Armando Soares; muito pelo contrário, tudo parece apontar para a existência de comportamentos altamente reprováveis em quem se pretende um mentor e formador de jovens.
No entanto, parece-nos igualmente importante sublinhar a actuação dúplice, cínica e hipócrita daqueles que, num ápice, afirmam que o futuro das actividades taurinas na Moita não tem nada a ver com o passado – leia-se, com a Escola de Toureio da Moita - , que o problema daquela instituição era estar centrada numa única pessoas que se aponta como responsável por tudo o que lá se passava e que é necessário criar outra estrutura, como que se esquecendo dos seus próprios papéis naquele mesmo passado.
Até já há quem tenha anunciado o fim da festa taurina na Moita, depois de ter gasto uns bons (maus?) parágrafos a defendê-la com denodo. Dizem que só os burros não mudam de ideias, mas...
Pois, porque as declarações de Carlos Martins ao jornal As Farpas revelam que já há algum tempo se acumulavam indícios de mal-estar entre os ex-alunos daquela Escola, os quais dificilmente escapariam aos conhecedores do meio. Só que, como nada parecia transpirar para fora, fingia-se que tudo corria no melhor dos mundos. Nada contra os vícios privados, desde que se aparentassem públicas virtudes.
Agora, com o caldo entornado, todos procuram sacudir as responsabilidades das costas e reescrever o passado, com pressa em apagar o elemento incómodo da fotografia, lançando-o sozinho para a fogueira.
Resta saber se mais ninguém lhe deveria fazer companhia, por acção, por encobrimento, ou por voluntária indiferença.
Miguel Alvarenga escreve e bem que A. Soares deve enfrentar a realidade dos seus actos.
Mas isso deveriam fazer muitos outros, desde os que procuraram ocultar tão graves ocorrências e desculpabilizá-lo aos que o querem linchar na praça pública e apagá-lo de uma história que com ele têm em comum.
Como em quase tudo em Portugal, oscilamos entre os brandos costumes que tudo toleram em nome de um bem-estar colectivo bafiento e os fogachos de justicialismo sumário, mais preocupado com a aparência do que com a essência da justiça.
Assim se vê a coragem dos homens, em especial daqueles que muito a apregoam.
António da Costa
quinta-feira, setembro 16, 2004
A esquecida zona ribeirinha de Alhos Vedros
Como esta parece ser uma questão que mais ninguém se sente muito confortável ou com interesse em abordar, gostaríamos de lançar a partir deste espaço e do Alhos Vedros Visual um debate sobre a situação e o destino da zona ribeirinha da freguesia de Alhos Vedros, deixada ao abandono (ou pior do que isso) nas últimas três décadas.
A situação que se vive na vasta faixa fluvial de Alhos Vedros é absolutamente intolerável e simboliza o desprezo a que têm sido votadas pelo poder moiteiro questões de natureza ambiental e patrimonial absolutamente essenciais para quem defenda um desenvolvimento integrado, sustentado e equilibrado da freguesia e do concelho.
Num espaço onde ainda na minha infância, e por maioria de razão na de gerações anteriores,
existia a possibilidade de um saudável contacto com a natureza com salinas, viveiros piscícolas, pequenas enseadas arenosas onde se podia tomar banho, pontões rochosos para a apanha do caranguejo ou lameiros para a apanha da lamejinha, passou a ser possível encontrar detritos ferrosos, águas crescentemente poluídas, lixeiras de “monos”
O que ganhámos em troca com as transformações operadas na década de 70 e mantidas desde então ?
Por vezes, a mudança é feita em nome do progresso e, em alguns casos, a realidade que se constrói até pode justificar que se elimine o que antes existia. Mas esse não é o caso.
O desastre ambiental em que se transformou a zona do “Cais Novo” não tem qualquer desculpa e os poderes autárquicos que se sucederam desde o 25 de Abril foram coniventes, por acção ou omissão, na perpetuação de uma vergonha sem limites.
O desenvolvimento trazido à freguesia pela instalção de um mega ferro-velho a céu aberto foi nulo. Quem está em condições de dizer quantos empregos gerou para os alhosvedrenses ? Que receitas ou vantagens económicas trouxe para a vila ? Em suma, que contrapartidas, trouxe a instalação daquela pseudo-indústria para além da poluição do rio, a destruição da fauna e flora do sapal, para não falar no atentado visual para a paisagem ?
Alhos Vedros que, durante séculos, viveu virada para o rio ficou obrigada a virar-lhe costas. O desleixo, o abandono, a incompetência técnica e a cobardia política têm permitido a inexistência da criação de alternativas para que os alhosvedrenses possam fruir, de forma lúdica, de algo que teve e (ainda) tem um valor inestimável.
No contexto do concelho, a freguesia de Alhos Vedros é a que tem maior faixa ribeirinha mas, porém, é aquela em que a ligação com o rio é mais problemática. Os investimentos feitos no Parque da Baixa da Banheira ou os que se vão fazer na Moita, no que o poder moiteiro quer fazer crer que é uma zona ribeirinha (e que no fundo não passa de umas curtas centenas de metros entre a porta de água do “cais” e os vestígios da caldeira do velho moinho de maré do Álimo), não podem ter qualquer comparação com os feitos em Alhos Vedros, porque aqui eles simplesmente não existiram.
O nóvel Parque das Salinas de Alhos Vedros, com todas as suas incongruências, aí está como testemunho dos equívocos e como monumento à incompetência de um poder que carece de visão e de capacidade de intervenção efectiva na requalificação da zonha ribeirinha de Alhos Vedros.
Não nos esqueçamos que da Igreja ao “Cais Novo”, passando pelos moinho de maré, pelo “cais velho”, pelas antigas salinas e pelo sapal se estende uma longa faixa ribeirinha cuja recuperação e, como agora está na moda dizer, requalificação, poderia representar uma enorme mais-valia para a freguesia (para não fizer para o concelho); só que, infelizmente, os dinheiros (perto de 6 milhões de euros, mais de 3,5 de financimento através do programa Polis) só estão disponíveis para a faixa ribeirinha moiteira.
Pode ser que desta vez alguém tenha a presciência divina de colocar os bancos no passeio envolvente à caldeira de forma a apanharem a sombra das árvores na hora de maior calor, ao contrário do que acontece agora, em que os bancos que lá estão ficar á torreira do sol desde o fim da manhã, enquanto a zona de sombra do passeio serve para estacionar carros.
Mas não estamos aqui contra a realização de investimentos na Moita.
O que estamos é contra a sua concentração na faixa ribeirinha moiteira, deixando alhos Vedros na penúria e no abandono a que toda a gente se vai, a bem ou a mal, acostumando e acomodando.
E, infelizmente, cada vez surgem menos vozes em Alhos Vedros a reclamar contra este estado de coisas e a pedir contas ao poder autárquico da Moita, ultimamente mais atraído pelos bois.
Em Alhos Vedros o desânimo impera e quem ainda se indigna cada vez sente que é cada vez mais difícil fazer-se ouvir.
Só para dar um exemplo, mesmo num jornal que, nascido em Alhos Vedros, se reclamou do nome de O Rio, quantas vezes nos últimos anos se encontrou um texto sobre este tipo de problemática, essencial para a manutenção de uma identidade própria em Alhos Vedros e que não passa por largadas de bois e cheiro a bosta em Maio e Setembro.
Mas as coisas não podem ficar assim.
Indignem-se (já dizia o outro) e partilhem connosco essa indignação (dizemos nós).
O debate é necessário e para isso precisamos do vosso contributo.
Mandem-nos os vossos comentários (e imagens que possuam) para o nosso mail (avedros@clix.pt) ou insiram-nos directamento no nosso fotoblog (www.phlog.net/user/AVedrosVisual).
António da Costa
José Silva
Manuel Pedro
Paulo
A situação que se vive na vasta faixa fluvial de Alhos Vedros é absolutamente intolerável e simboliza o desprezo a que têm sido votadas pelo poder moiteiro questões de natureza ambiental e patrimonial absolutamente essenciais para quem defenda um desenvolvimento integrado, sustentado e equilibrado da freguesia e do concelho.
Num espaço onde ainda na minha infância, e por maioria de razão na de gerações anteriores,
existia a possibilidade de um saudável contacto com a natureza com salinas, viveiros piscícolas, pequenas enseadas arenosas onde se podia tomar banho, pontões rochosos para a apanha do caranguejo ou lameiros para a apanha da lamejinha, passou a ser possível encontrar detritos ferrosos, águas crescentemente poluídas, lixeiras de “monos”
O que ganhámos em troca com as transformações operadas na década de 70 e mantidas desde então ?
Por vezes, a mudança é feita em nome do progresso e, em alguns casos, a realidade que se constrói até pode justificar que se elimine o que antes existia. Mas esse não é o caso.
O desastre ambiental em que se transformou a zona do “Cais Novo” não tem qualquer desculpa e os poderes autárquicos que se sucederam desde o 25 de Abril foram coniventes, por acção ou omissão, na perpetuação de uma vergonha sem limites.
O desenvolvimento trazido à freguesia pela instalção de um mega ferro-velho a céu aberto foi nulo. Quem está em condições de dizer quantos empregos gerou para os alhosvedrenses ? Que receitas ou vantagens económicas trouxe para a vila ? Em suma, que contrapartidas, trouxe a instalação daquela pseudo-indústria para além da poluição do rio, a destruição da fauna e flora do sapal, para não falar no atentado visual para a paisagem ?
Alhos Vedros que, durante séculos, viveu virada para o rio ficou obrigada a virar-lhe costas. O desleixo, o abandono, a incompetência técnica e a cobardia política têm permitido a inexistência da criação de alternativas para que os alhosvedrenses possam fruir, de forma lúdica, de algo que teve e (ainda) tem um valor inestimável.
No contexto do concelho, a freguesia de Alhos Vedros é a que tem maior faixa ribeirinha mas, porém, é aquela em que a ligação com o rio é mais problemática. Os investimentos feitos no Parque da Baixa da Banheira ou os que se vão fazer na Moita, no que o poder moiteiro quer fazer crer que é uma zona ribeirinha (e que no fundo não passa de umas curtas centenas de metros entre a porta de água do “cais” e os vestígios da caldeira do velho moinho de maré do Álimo), não podem ter qualquer comparação com os feitos em Alhos Vedros, porque aqui eles simplesmente não existiram.
O nóvel Parque das Salinas de Alhos Vedros, com todas as suas incongruências, aí está como testemunho dos equívocos e como monumento à incompetência de um poder que carece de visão e de capacidade de intervenção efectiva na requalificação da zonha ribeirinha de Alhos Vedros.
Não nos esqueçamos que da Igreja ao “Cais Novo”, passando pelos moinho de maré, pelo “cais velho”, pelas antigas salinas e pelo sapal se estende uma longa faixa ribeirinha cuja recuperação e, como agora está na moda dizer, requalificação, poderia representar uma enorme mais-valia para a freguesia (para não fizer para o concelho); só que, infelizmente, os dinheiros (perto de 6 milhões de euros, mais de 3,5 de financimento através do programa Polis) só estão disponíveis para a faixa ribeirinha moiteira.
Pode ser que desta vez alguém tenha a presciência divina de colocar os bancos no passeio envolvente à caldeira de forma a apanharem a sombra das árvores na hora de maior calor, ao contrário do que acontece agora, em que os bancos que lá estão ficar á torreira do sol desde o fim da manhã, enquanto a zona de sombra do passeio serve para estacionar carros.
Mas não estamos aqui contra a realização de investimentos na Moita.
O que estamos é contra a sua concentração na faixa ribeirinha moiteira, deixando alhos Vedros na penúria e no abandono a que toda a gente se vai, a bem ou a mal, acostumando e acomodando.
E, infelizmente, cada vez surgem menos vozes em Alhos Vedros a reclamar contra este estado de coisas e a pedir contas ao poder autárquico da Moita, ultimamente mais atraído pelos bois.
Em Alhos Vedros o desânimo impera e quem ainda se indigna cada vez sente que é cada vez mais difícil fazer-se ouvir.
Só para dar um exemplo, mesmo num jornal que, nascido em Alhos Vedros, se reclamou do nome de O Rio, quantas vezes nos últimos anos se encontrou um texto sobre este tipo de problemática, essencial para a manutenção de uma identidade própria em Alhos Vedros e que não passa por largadas de bois e cheiro a bosta em Maio e Setembro.
Mas as coisas não podem ficar assim.
Indignem-se (já dizia o outro) e partilhem connosco essa indignação (dizemos nós).
O debate é necessário e para isso precisamos do vosso contributo.
Mandem-nos os vossos comentários (e imagens que possuam) para o nosso mail (avedros@clix.pt) ou insiram-nos directamento no nosso fotoblog (www.phlog.net/user/AVedrosVisual).
António da Costa
José Silva
Manuel Pedro
Paulo
Apontamento sobre o Estado da Nação
* Mira Amaral trabalha 21 meses na Caixa geral de Depósitos, contribuindo para uma queda de 25% dos lucros. É demitido e reforma-se com 18.000 euros mensais.
* Pela enésima vez o Ministério da Educação adia a colocação de 50.000 professores, quando o ano lectivo já devia ter sido iniciado.
Feliz Nação esta que sobrevive com tanta incompetência e tanto prémio a essa mesma incompetência.
* Pela enésima vez o Ministério da Educação adia a colocação de 50.000 professores, quando o ano lectivo já devia ter sido iniciado.
Feliz Nação esta que sobrevive com tanta incompetência e tanto prémio a essa mesma incompetência.
quarta-feira, setembro 15, 2004
Perplexidades taurinas
Ainda antes de análise mais detalhada do assunto, gostaríamos de deixar aqui alguns apontamentos sobre a questão do momento no mundo taurino moiteiro, ou seja, o escândalo que envolve o (demissionário) presidente da Escola de Toureio da Moita (ETM).
a) Quem andou a esconder e atentar esconder o que à boca pequena já se falava há algum tempo por estes ambientes ? Que pressões foram essas sobre a divulgação da notícia ?
b) Porque será que, apesar destas sombras, a CMM não se coibiu de ainda recentemente dar apoio financeiro a tal instituição (3250 euros de acordo com o jornal O Rio deste mês) ? Será que a fome de apoio nas próximas eleições já chegou a este ponto de desvario e lambe-botismo ao lobby taurino ?
c) Porque será que aqueles que ainda há pouco tempo engalanavam com as conquistas da ETM já andam a tentar sacudir as responsabilidades do seu capote e a declararem que “o futuro não passa pelo passado” e a falarem na criação de uma Escola Municipal de Tauromaquia (EMT), como é o caso da última revista Tauromaquia ? Não andará aqui excessiva pressa em fugir a um escândalo onde não existirá apenas um único responsável, mais que não seja por omissão ?
d) Seria a este tipo de questões que, entre outras e por meias-palavras, se referiria um candidato a toureiro (“Damazo” de alcunha acastelhanada) quando falava da dificuldade em seguir carreira profissional em entrevista dada ao nóvel colunista Luís Castro n’O Rio nº 155 ?
e) Será que sunstituir a ETM pela EMT não é mudar apenas o nome das moscas, e a mosca varejeira mais destacada, para que (o cheiro e a essência d)a bosta continue na mesma ?
f) E, finalmente, será que os “adesivos” oportunistas de última hora ao lobby taurino moiteiro não se sentirão um bocadito incomodados com o lamaçal para o qual se atiraram de braços abertos ?
a) Quem andou a esconder e atentar esconder o que à boca pequena já se falava há algum tempo por estes ambientes ? Que pressões foram essas sobre a divulgação da notícia ?
b) Porque será que, apesar destas sombras, a CMM não se coibiu de ainda recentemente dar apoio financeiro a tal instituição (3250 euros de acordo com o jornal O Rio deste mês) ? Será que a fome de apoio nas próximas eleições já chegou a este ponto de desvario e lambe-botismo ao lobby taurino ?
c) Porque será que aqueles que ainda há pouco tempo engalanavam com as conquistas da ETM já andam a tentar sacudir as responsabilidades do seu capote e a declararem que “o futuro não passa pelo passado” e a falarem na criação de uma Escola Municipal de Tauromaquia (EMT), como é o caso da última revista Tauromaquia ? Não andará aqui excessiva pressa em fugir a um escândalo onde não existirá apenas um único responsável, mais que não seja por omissão ?
d) Seria a este tipo de questões que, entre outras e por meias-palavras, se referiria um candidato a toureiro (“Damazo” de alcunha acastelhanada) quando falava da dificuldade em seguir carreira profissional em entrevista dada ao nóvel colunista Luís Castro n’O Rio nº 155 ?
e) Será que sunstituir a ETM pela EMT não é mudar apenas o nome das moscas, e a mosca varejeira mais destacada, para que (o cheiro e a essência d)a bosta continue na mesma ?
f) E, finalmente, será que os “adesivos” oportunistas de última hora ao lobby taurino moiteiro não se sentirão um bocadito incomodados com o lamaçal para o qual se atiraram de braços abertos ?
A trombeta e coiso e
São dois blogs que nos fazem sorrir em tempos cinzentos: o já clássico Trombeta do Casal da Burra e o mais jovem Coiso.
Pergunta indiscreta
Ontem (confesso), fui à Festa da Moita.
E ainda bem... pois pude reparar no luxo das decorações e na quantidade de "barraquinhas" e outras que tais que preenchiam um espaço imenso. Assim, como também dei um saltinho às da Baixa da Banheira e de Alhos Vedros fiquei curioso: alguém consegue ter acesso aos números do Orçamento municipal (em especial a sua execução) para podermos comparar as dotações transferidas para cada uma das entidades organizadoras? É que acredito que aplicado ao número de população servida, o "ratio" seria deveras interessante!
Ainda que eu tenha muuuitas dúvidas sobre a seriedade destes apoios... principalmente quando o saneamento básico do concelho (em especial o da Baixa da Banheira - e a breve prazo o de Alhos Vedros) e tantos outros problemas ameaçam entrar em ruptura! Cumprimentos
João Titta Maurício
E ainda bem... pois pude reparar no luxo das decorações e na quantidade de "barraquinhas" e outras que tais que preenchiam um espaço imenso. Assim, como também dei um saltinho às da Baixa da Banheira e de Alhos Vedros fiquei curioso: alguém consegue ter acesso aos números do Orçamento municipal (em especial a sua execução) para podermos comparar as dotações transferidas para cada uma das entidades organizadoras? É que acredito que aplicado ao número de população servida, o "ratio" seria deveras interessante!
Ainda que eu tenha muuuitas dúvidas sobre a seriedade destes apoios... principalmente quando o saneamento básico do concelho (em especial o da Baixa da Banheira - e a breve prazo o de Alhos Vedros) e tantos outros problemas ameaçam entrar em ruptura! Cumprimentos
João Titta Maurício
segunda-feira, setembro 13, 2004
Não há como evitar
Nós não queríamos ir por aí, mas não nos deixam alternativa.
A polémica sobre as práticas de alguns vultos taurinos da Moita nas páginas d'As Farpas é incontornável para que, como nós, acha que grande parte dos vícios moiteiros radica na sua dúbia relação com os bois.
Para breve anuncia-se a nossa lide sobre o assunto.
A polémica sobre as práticas de alguns vultos taurinos da Moita nas páginas d'As Farpas é incontornável para que, como nós, acha que grande parte dos vícios moiteiros radica na sua dúbia relação com os bois.
Para breve anuncia-se a nossa lide sobre o assunto.
sábado, setembro 11, 2004
Propaganda
O que acham os alhosvedrenses desta peça de propaganda que a CMM forneceu ao Diário do Barreiro (não vai aqui o link porque aquilo anda sempre a mudar) ?
Quando será que a nós nos cabe qualquer coisa ?
A nós não nos faltará bem estar ?
Ou será que nos acomodámos demasiado rapidamenteà mediocridade moiteira?
Requalificação do Vale da Amoreira e Baixa da Banheira
Autarquia quer proporcionar bem-estar à população
As freguesias da Baixa da Banheira e do Vale da Amoreira estão a ser alvo de recuperação urbana. Em marcha está a Operação de Revitalização Urbana da Vila da Baixa da Banheira (ORUVBB), inserida no PROQUAL (Programa Integrado de Qualificação das Áreas Suburbanas da Área Metropolitana de Lisboa). “Esta operação inclui-se num processo de 10 anos de revitalização, iniciado em 1996 e que termina em 2006”, explicou João Lobo, presidente da Câmara Municipal da Moita.
Quando será que a nós nos cabe qualquer coisa ?
A nós não nos faltará bem estar ?
Ou será que nos acomodámos demasiado rapidamenteà mediocridade moiteira?
Requalificação do Vale da Amoreira e Baixa da Banheira
Autarquia quer proporcionar bem-estar à população
As freguesias da Baixa da Banheira e do Vale da Amoreira estão a ser alvo de recuperação urbana. Em marcha está a Operação de Revitalização Urbana da Vila da Baixa da Banheira (ORUVBB), inserida no PROQUAL (Programa Integrado de Qualificação das Áreas Suburbanas da Área Metropolitana de Lisboa). “Esta operação inclui-se num processo de 10 anos de revitalização, iniciado em 1996 e que termina em 2006”, explicou João Lobo, presidente da Câmara Municipal da Moita.
sexta-feira, setembro 10, 2004
A Festa da Boita
Lá vai começar hoje a festa da Boita.
Todos os Setembros todos os boiteiros (de 2 e 4 cascos) têm a sua festa, porque a de Maio é muito curtinha.
A única vantagem é que temos desculpa para contornar a Moita e não fazer o caminho mais curto a caminho dos lados do Montijo porque oficialmente o trânsito está condicionado (o facto de nenhum boiteiro respeitar esse condicionamento e tornar a circulação infernal não vem ao caso).
Este ano parece que vejo aquelas protecções em madeira que tradicionalmente são instaladas na “avenida” espalhadas por muito mais vias da terra. Não sei a razão: será que os bois vão andar a passear por todo o lado ou será que aquilo já é usado para todos os boiteiros saberem o caminho ?
Logo se vê.
Em toda a minha vida de alhosvedrense com voto na matéria (desde prái os 10 – 12 anos) fui duas vezes à noite à festa da Boita e uma vez a uma largada.
À festa fui uma vez ter com uns amigos da Moita - que não m(b)oiteiros – para petiscarmos um bocado e nos divertirmos um pouco (claro que acabámos em outro lado) e a outra, há meia dúzia de anos, por mero interesse antropológico e sociológico. À largada fui uma vez para poder dizer mal com conhecimento de causa. Fiquei em cima de uma camioneta de caixa aberta estacionada junto à rotunda/redondel envolvente da Praça de Bois e observei duas horas o comportamento das ululantes massas presentes. Foi educativo pois devemos sempre ter conhecimento directo dos hábitos de qualquer população indígena bárbara, para melhor os podermos legitimamente recusar.
Quanto a boiadas (“touradas” na terminologia local) só pela TV e só quando há garantias do boi ferrar umas boas cacetadas em alguém pois acho, a par da caça, que esta é uma das actividades humanas mais cobardes, pois o pobre boi se encontra numa situação em que nunca pode ganhar. Parece que alguns confundem palermice com coragem. Tudo bem. Aliás eu não estou contra a tourada como manifestação lúdica e de entretenimento com tradição em Portugal, desde que não a cubram com mantos de mitologias marialvas.
Infelizmente, na Boita a boiada parece servir principalmente para exibir vaidades e para animar quem tem a testosterona murcha no resto do ano.
Todos os Setembros todos os boiteiros (de 2 e 4 cascos) têm a sua festa, porque a de Maio é muito curtinha.
A única vantagem é que temos desculpa para contornar a Moita e não fazer o caminho mais curto a caminho dos lados do Montijo porque oficialmente o trânsito está condicionado (o facto de nenhum boiteiro respeitar esse condicionamento e tornar a circulação infernal não vem ao caso).
Este ano parece que vejo aquelas protecções em madeira que tradicionalmente são instaladas na “avenida” espalhadas por muito mais vias da terra. Não sei a razão: será que os bois vão andar a passear por todo o lado ou será que aquilo já é usado para todos os boiteiros saberem o caminho ?
Logo se vê.
Em toda a minha vida de alhosvedrense com voto na matéria (desde prái os 10 – 12 anos) fui duas vezes à noite à festa da Boita e uma vez a uma largada.
À festa fui uma vez ter com uns amigos da Moita - que não m(b)oiteiros – para petiscarmos um bocado e nos divertirmos um pouco (claro que acabámos em outro lado) e a outra, há meia dúzia de anos, por mero interesse antropológico e sociológico. À largada fui uma vez para poder dizer mal com conhecimento de causa. Fiquei em cima de uma camioneta de caixa aberta estacionada junto à rotunda/redondel envolvente da Praça de Bois e observei duas horas o comportamento das ululantes massas presentes. Foi educativo pois devemos sempre ter conhecimento directo dos hábitos de qualquer população indígena bárbara, para melhor os podermos legitimamente recusar.
Quanto a boiadas (“touradas” na terminologia local) só pela TV e só quando há garantias do boi ferrar umas boas cacetadas em alguém pois acho, a par da caça, que esta é uma das actividades humanas mais cobardes, pois o pobre boi se encontra numa situação em que nunca pode ganhar. Parece que alguns confundem palermice com coragem. Tudo bem. Aliás eu não estou contra a tourada como manifestação lúdica e de entretenimento com tradição em Portugal, desde que não a cubram com mantos de mitologias marialvas.
Infelizmente, na Boita a boiada parece servir principalmente para exibir vaidades e para animar quem tem a testosterona murcha no resto do ano.
quinta-feira, setembro 09, 2004
A inexistente UICVT perde o seu inexistente presidente
Com o final das férias os nossos colaboradores vão retomando a actividade.
Agora é a vez do Manuel Pedro.
(Só esperamos que o link do Diário do Barreiro ainda esteja activo, porque ele andam sempre a mexer naquilo).
Confirma-se o que já tinha previsto...
A inexistente Confederação Mundial das Cidades Taurinas, que como se sabe nunca existiu, deixou de existir para dar lugar à ainda não existente União Internacional de Cidades e Vilas Taurinas, a qual perdeu o seu inexistente primeiro presidente, Maurício do Vale.
Mauricio do Vale demitiu-se por “razões de foro profissional” e apresentou uma carta a João Lobo formalizando a demissão do seu cargo na confederação, no passado dia 23 de Julho. O crítico tauromáquico vai assumir novas funções na actividade que desenvolve há já 20 anos no Sporting Clube de Portugal, no Gabinete de Comunicação do Sporting SAD, no âmbito das quais terá de “acompanhar a equipa nos estágios”, depois de se ter demitido Mauricio do Vale soltou um desabafo:" Bolas ! agora finalmente vou trabalhar em alguma coisa que existe verdadeiramente... " e abandonou a sala gritando "Eu existo ! Eu existo !”
Quem quiser ler toda a notícia aqui vai o link: http://www.diariodobarreiro.pt/primeira%20pagina/xartigo2.asp
Manuel Pedro
Agora é a vez do Manuel Pedro.
(Só esperamos que o link do Diário do Barreiro ainda esteja activo, porque ele andam sempre a mexer naquilo).
Confirma-se o que já tinha previsto...
A inexistente Confederação Mundial das Cidades Taurinas, que como se sabe nunca existiu, deixou de existir para dar lugar à ainda não existente União Internacional de Cidades e Vilas Taurinas, a qual perdeu o seu inexistente primeiro presidente, Maurício do Vale.
Mauricio do Vale demitiu-se por “razões de foro profissional” e apresentou uma carta a João Lobo formalizando a demissão do seu cargo na confederação, no passado dia 23 de Julho. O crítico tauromáquico vai assumir novas funções na actividade que desenvolve há já 20 anos no Sporting Clube de Portugal, no Gabinete de Comunicação do Sporting SAD, no âmbito das quais terá de “acompanhar a equipa nos estágios”, depois de se ter demitido Mauricio do Vale soltou um desabafo:" Bolas ! agora finalmente vou trabalhar em alguma coisa que existe verdadeiramente... " e abandonou a sala gritando "Eu existo ! Eu existo !”
Quem quiser ler toda a notícia aqui vai o link: http://www.diariodobarreiro.pt/primeira%20pagina/xartigo2.asp
Manuel Pedro
terça-feira, setembro 07, 2004
Roldão Preto de volta
As férias retemperaram o vigor ao Roldão Preto que regressa mais impetuoso que nunca, com um texto que assinala o nosso duocentésimo post.
A Vergonha do "Cais Novo"
Retomando a luta voltei da Galiza para unirmos forças e conseguirmos finalmente acabar com o poder moiteiro, a Independência do concelho de Alhos Vedros é o combate da minha vida.
O “Cais Novo” foi construído nos príncipios da décadas de 1970. Por informações recolhidas, o cais novo foi parte integrante do projecto de construção da 1ª fase da Urbanização da Quinta da Fonte da Prata e o seu objectivo seria o de fazer outra ligação entre a Margem Sul do Tejo e Lisboa, para ligações fluviais entre as duas margens do Rio.
O porquê dessa construção: nas décadas de 50 e 60 do século passado, o movimento oposicionista ao Estado Novo estava muito activo no Barreiro, devido ao seu colectivo ser de base proletária, que alimentava de mão de obra a CUF e as fábricas de cortiça.
Esse poder de reinvindicação, organizado na sua maior parte pelo PCP, estava em risco de alastrar e chegar a povoações vizinhas, como Alhos Vedros e Moita, como aconteceu.
A ideia principal foi construir uma cidade tampão situada entre Alhos Vedros e a Moita, que servisse para "colonizar" com pessoas de outras proveniências. O nome da empresa era e ainda é penso eu de que, Comitur. Se repararem no tipo de arquitectura da urbanização, notarão que todos os andares são ligados interiormente por corredores externos, como se pode também observar nas Bandas da Torralta em Tróia ( são os blocos de apartamentos de até ao máximo 3 andares ) que têm também essa ligação interior.
Penso que isso indicia que o propósito desses apartamentos não era serem de primeira habitação, mas sim uma segunda habitação de férias, o que implica que as caractrísticas da população migrante seriam da classe média, como se possa entendé-la em 1972.
Mas em 25 de Abril de 1974, Portugal saiu de uma época, ( A época do Império ) e entrou numa nova época, ( A época da Imperial ).
Com a Revolução de Abril, aconteceu a descolonização ( uma coisa e outra, são a mesma coisa ), e chegaram a Portugal Continental os retornados, trazendo com eles toda uma cultura construída no Império Ultramarino.
As Urbanizações como a da Fonte da Prata, serviram então para recolher esses nossos compatriotas.
O PCP entrou para o poder no concelho da Moita logo em 1975 com o advento das primeiras eleições Livres de Abril de 1975.
Em 1978 o cais novo foi concessionado à empresa Batista e Irmãos LDA. com sede em Sacavém.
Essa empresa dedica-se ao desmantelamento de barcos...
Muitos governos do PCP local passaram, mas o cais de desmantelamento de barcos lá continua, tendo aumentado a sua zona de influência do cais, que era só ocupado no lado esquerdo em 1978, até agora ocupar uma área superior a 2 Km2, de sucatas e lixo de toda a espécie. Só para terem uma ideia do tamanho, a zona urbana da Baixa da Banheira ocupa +-2 Km2.
Existem carreiras de camionetas de carga que fazem o transporte das sucatas numa média de uma por cada meia hora, imaginem as toneladas e toneladas de sucata que são desmanteladas e recolhidas por dia, isto é só o aspecto visível deste monstro.
Os tanques dos barcos a desmantelar vêm com certeza com restos de combustivéis, a nafta, que será alguma recolhida em bidons e outra pura e simplesmente deixada a escorrer para o Rio...
Desde 1978 estimo que mais de 500 barcos alguns de grandes dimensões, como na década de 80 me lembro de ver alguns da União Soviética, foram ali desmantelados.
Como curiosidade recordo que também o Huíge foi ali desmantelado que como sabemos era o navio-hospital que serviu durante a guerra colonial as nossas tropas.
O cais de desmantelamento de barcos tem uma rede independente de energia eléctrica com dezenas de postes de alta tensão que inclusive têm o nome "Batista & Irmãos" escrito nos postes. A camâra da Moita com certeza deu autorização para a contrução desta rede eléctrica.
Não sei se a água que consomem é da CMM, ou têm furo próprio. Sei que o poder moiteiro sempre lhe interessou este negócio, porque deve ter-lhes dado e continua a dar muito dinheiro, se ensarmos bem é um negócio
de milhões e deve ter enriquecido alguns moiteiros mais espertos...
E tudo isto à conta do sacrifício da zona mais bonita, no plano ambiental, de Alhos Vedros.
Local de antigas salinas e zona de sapal, que deveria ser defendida pelo Partido "Os Verdes", o suplemento "ecológico" do PCP, só que este "partido" nunca se referiu a este caso.
Presumo por isso que também devem estar a receber dinheiro da empresa "Batista & Irmãos",
por isso mantêm o bico calado.
Realmente "Os Verdes" é um partido que nem deveria existir, porque nunca foi a votos sozinho.
Além de serem pseudo ecólogistas só serve mesmo é para dar tacho à sua meia dúzia de dirigentes Nacionais e tachos locais, como por exemplo na Junta de Freguesia de Alhos Vedros, em que um dos seus militantes a coisa mais ecologista que fez, foi a organização das Festas da Quinta da Fonte da Prata: o "Conhecer para Aceitar", nada tenho contra este evento que até reputo de importante, acho é que nada tem a ver com as funções que deveria ter um partido ecológico. Especialmente aqui em Alhos Vedros, onde acontece todos os dias este atentado ao ambiente que é o cais de desmantelamento de barcos do “Cais Novo” !
Se este crime fosse efectuado em território moiteiro, há muito teria acabado ou nem teriam deixado em primeiro lugar, mas como é em Alhos Vedros que se lixe, e se alguns moiteiros ganharem alguma coisa com isso, melhor, porque Alhos Vedros sempre foi espoliado pelo poder moiteiro e menosprezado em relação a todas as outras freguesias da Moita.
Alhos Vedros que foi a mãe destes municípios todos em redor, e estou-me a referir ao Barreiro e à Moita em particular.
O problema é que os Alhosvedrenses também nunca se interessam por estes graves problemas e não temos força reivindicativa para exigir a defesa dos nossos direitos.
E esta situação vem-se arrastando há quase 30 anos.
Nas últimas autárquicas a candidata à Junta de Freguesia de Alhos Vedros prometeu que este problema iria terminar e consequentemente a empresa Batista e Irmãos sairia do “Cais Novo”, porque não lhe seria renovada a licença de exploração.
Mas foi tudo mentira !
Os barcos que chegam para desmantelar são cada vez mais e o pesadelo não tem jeito de acabar.
Só por este facto o PCP merecia ser para sempre expulso do poder aqui em Alhos Vedros.
Vamos lá ver se a população de Alhos Vedros toma vergonha na cara e retira a cadeira ao partido que mais tem feito pela desgraça de Alhos Vedros: o PCP.
O cais novo de Alhos Vedros precisa primeiro de ser expurgado do cancro, o desmantelamento de barcos e depois de presumo anos e anos de limpeza, voltar a ser o espaço lúdico que realmente existiu até 1978, onde as pessoas iam pescar e mergulhar ou simplesmente deitarem-se nas areias daquela prainha que está situada a Este e que naquela altura fazia séria concorrência à Praia da Gorda.
Porque no futuro concelho de Alhos Vedros esta zona terá de ser uma zona de praias fluviais e protegidos os seus valores ambientais de sapal, que é como sabemos a zona dos estuários onde as espécies jovens crescem e se desenvolvem, como deveria ser num ecosistema equilibrado que se pretende para esta zona do estuário do Tejo.
Roldão Preto
A Vergonha do "Cais Novo"
Retomando a luta voltei da Galiza para unirmos forças e conseguirmos finalmente acabar com o poder moiteiro, a Independência do concelho de Alhos Vedros é o combate da minha vida.
O “Cais Novo” foi construído nos príncipios da décadas de 1970. Por informações recolhidas, o cais novo foi parte integrante do projecto de construção da 1ª fase da Urbanização da Quinta da Fonte da Prata e o seu objectivo seria o de fazer outra ligação entre a Margem Sul do Tejo e Lisboa, para ligações fluviais entre as duas margens do Rio.
O porquê dessa construção: nas décadas de 50 e 60 do século passado, o movimento oposicionista ao Estado Novo estava muito activo no Barreiro, devido ao seu colectivo ser de base proletária, que alimentava de mão de obra a CUF e as fábricas de cortiça.
Esse poder de reinvindicação, organizado na sua maior parte pelo PCP, estava em risco de alastrar e chegar a povoações vizinhas, como Alhos Vedros e Moita, como aconteceu.
A ideia principal foi construir uma cidade tampão situada entre Alhos Vedros e a Moita, que servisse para "colonizar" com pessoas de outras proveniências. O nome da empresa era e ainda é penso eu de que, Comitur. Se repararem no tipo de arquitectura da urbanização, notarão que todos os andares são ligados interiormente por corredores externos, como se pode também observar nas Bandas da Torralta em Tróia ( são os blocos de apartamentos de até ao máximo 3 andares ) que têm também essa ligação interior.
Penso que isso indicia que o propósito desses apartamentos não era serem de primeira habitação, mas sim uma segunda habitação de férias, o que implica que as caractrísticas da população migrante seriam da classe média, como se possa entendé-la em 1972.
Mas em 25 de Abril de 1974, Portugal saiu de uma época, ( A época do Império ) e entrou numa nova época, ( A época da Imperial ).
Com a Revolução de Abril, aconteceu a descolonização ( uma coisa e outra, são a mesma coisa ), e chegaram a Portugal Continental os retornados, trazendo com eles toda uma cultura construída no Império Ultramarino.
As Urbanizações como a da Fonte da Prata, serviram então para recolher esses nossos compatriotas.
O PCP entrou para o poder no concelho da Moita logo em 1975 com o advento das primeiras eleições Livres de Abril de 1975.
Em 1978 o cais novo foi concessionado à empresa Batista e Irmãos LDA. com sede em Sacavém.
Essa empresa dedica-se ao desmantelamento de barcos...
Muitos governos do PCP local passaram, mas o cais de desmantelamento de barcos lá continua, tendo aumentado a sua zona de influência do cais, que era só ocupado no lado esquerdo em 1978, até agora ocupar uma área superior a 2 Km2, de sucatas e lixo de toda a espécie. Só para terem uma ideia do tamanho, a zona urbana da Baixa da Banheira ocupa +-2 Km2.
Existem carreiras de camionetas de carga que fazem o transporte das sucatas numa média de uma por cada meia hora, imaginem as toneladas e toneladas de sucata que são desmanteladas e recolhidas por dia, isto é só o aspecto visível deste monstro.
Os tanques dos barcos a desmantelar vêm com certeza com restos de combustivéis, a nafta, que será alguma recolhida em bidons e outra pura e simplesmente deixada a escorrer para o Rio...
Desde 1978 estimo que mais de 500 barcos alguns de grandes dimensões, como na década de 80 me lembro de ver alguns da União Soviética, foram ali desmantelados.
Como curiosidade recordo que também o Huíge foi ali desmantelado que como sabemos era o navio-hospital que serviu durante a guerra colonial as nossas tropas.
O cais de desmantelamento de barcos tem uma rede independente de energia eléctrica com dezenas de postes de alta tensão que inclusive têm o nome "Batista & Irmãos" escrito nos postes. A camâra da Moita com certeza deu autorização para a contrução desta rede eléctrica.
Não sei se a água que consomem é da CMM, ou têm furo próprio. Sei que o poder moiteiro sempre lhe interessou este negócio, porque deve ter-lhes dado e continua a dar muito dinheiro, se ensarmos bem é um negócio
de milhões e deve ter enriquecido alguns moiteiros mais espertos...
E tudo isto à conta do sacrifício da zona mais bonita, no plano ambiental, de Alhos Vedros.
Local de antigas salinas e zona de sapal, que deveria ser defendida pelo Partido "Os Verdes", o suplemento "ecológico" do PCP, só que este "partido" nunca se referiu a este caso.
Presumo por isso que também devem estar a receber dinheiro da empresa "Batista & Irmãos",
por isso mantêm o bico calado.
Realmente "Os Verdes" é um partido que nem deveria existir, porque nunca foi a votos sozinho.
Além de serem pseudo ecólogistas só serve mesmo é para dar tacho à sua meia dúzia de dirigentes Nacionais e tachos locais, como por exemplo na Junta de Freguesia de Alhos Vedros, em que um dos seus militantes a coisa mais ecologista que fez, foi a organização das Festas da Quinta da Fonte da Prata: o "Conhecer para Aceitar", nada tenho contra este evento que até reputo de importante, acho é que nada tem a ver com as funções que deveria ter um partido ecológico. Especialmente aqui em Alhos Vedros, onde acontece todos os dias este atentado ao ambiente que é o cais de desmantelamento de barcos do “Cais Novo” !
Se este crime fosse efectuado em território moiteiro, há muito teria acabado ou nem teriam deixado em primeiro lugar, mas como é em Alhos Vedros que se lixe, e se alguns moiteiros ganharem alguma coisa com isso, melhor, porque Alhos Vedros sempre foi espoliado pelo poder moiteiro e menosprezado em relação a todas as outras freguesias da Moita.
Alhos Vedros que foi a mãe destes municípios todos em redor, e estou-me a referir ao Barreiro e à Moita em particular.
O problema é que os Alhosvedrenses também nunca se interessam por estes graves problemas e não temos força reivindicativa para exigir a defesa dos nossos direitos.
E esta situação vem-se arrastando há quase 30 anos.
Nas últimas autárquicas a candidata à Junta de Freguesia de Alhos Vedros prometeu que este problema iria terminar e consequentemente a empresa Batista e Irmãos sairia do “Cais Novo”, porque não lhe seria renovada a licença de exploração.
Mas foi tudo mentira !
Os barcos que chegam para desmantelar são cada vez mais e o pesadelo não tem jeito de acabar.
Só por este facto o PCP merecia ser para sempre expulso do poder aqui em Alhos Vedros.
Vamos lá ver se a população de Alhos Vedros toma vergonha na cara e retira a cadeira ao partido que mais tem feito pela desgraça de Alhos Vedros: o PCP.
O cais novo de Alhos Vedros precisa primeiro de ser expurgado do cancro, o desmantelamento de barcos e depois de presumo anos e anos de limpeza, voltar a ser o espaço lúdico que realmente existiu até 1978, onde as pessoas iam pescar e mergulhar ou simplesmente deitarem-se nas areias daquela prainha que está situada a Este e que naquela altura fazia séria concorrência à Praia da Gorda.
Porque no futuro concelho de Alhos Vedros esta zona terá de ser uma zona de praias fluviais e protegidos os seus valores ambientais de sapal, que é como sabemos a zona dos estuários onde as espécies jovens crescem e se desenvolvem, como deveria ser num ecosistema equilibrado que se pretende para esta zona do estuário do Tejo.
Roldão Preto
segunda-feira, setembro 06, 2004
Esquecimento imperdoável
Não sei como nos esquecemos, até este momento, do mais óbvio:
A Moita deve passar a ser conhecida como a Boita, pronunciando-se a coisa como se estivéssemos com o nariz entupido de muco (o "rainho" para os boiteiros).
A Moita deve passar a ser conhecida como a Boita, pronunciando-se a coisa como se estivéssemos com o nariz entupido de muco (o "rainho" para os boiteiros).
A formatação da blogosfera
Uma estratégia fundamental de qualquer actividade é o conhecimento da realidade que a envolve e na qual se move.
Como somos muito modernos e actuais fomos, a pedido do nosso editor Paulo, então ver o que se passa com os outros blogs que se apresentam como regionais ou locais.
Há uns 6 meses atrás tínhamos lido um artigo do jornalista Paulo Querido no Expresso sobre o tema que nos tinha deixado, mais que insatisfeitos, verdadeiramente desanimados com a falta de profundidade e esforço do trabalho em causa, mesmo se isso não é coisa invulgar no meio jornalístico que trata a blogosfera. Autor de um blog muito pretensioso a todos os níveis – (o vento lá fora) Paulo Querido (PQ) tinha o mérito de chamar a atenção para uma dimensão menos visível dos blogs, mesmo se de forma muito superficial e politicamente correcta. Nesse artigo destacavam-se uns quantos (escassos e sem critério aparente que não fosse o da quantidade de visitas) blogs e, para início de conversa, lá começámos por alguns desses destaques.
A nossa surpresa não podia ser maior pois realmente andamos por caminhos muito distantes de boa parte daqueles que se apresentam como blogs de natureza local e/ou regional. Façamos então um volta sumária pelo país, deixando de fora dezenas de blogs que se afirmam ou deixam catalogar daquela forma.
O blog O Castelo de Ourém depois de merecer a atenção de PQ no tal artigo envaideceu-se e os seus posts passaram durante algum tempo a versar esse mesmo tema e a destacar os blogs amigos da vizinhança, alguns como o de Tomar bem melhores que o próprio – é do género central informativa, com muitos colaboradores e razoáveis recursos, mesmo se com pouco feedback a avaliar pelos poucos comentários inseridos -, mesmo se nos ignora nos seus numerosíssimos links. No entanto, e voltando a’O Castelo, quem o mantém e alimenta, ultimamente parece ter atinado e voltado a lembrar-se que se diz um blog local.
Ainda por aquelas bandas temos o Ourém, outro daqueles blogs que só por distracção se pode considerar local, pois os temas abordados raramente refletem (sobre) a realidade da sua região antes dissertando sobre a actualidade cósmica e afins..
Mas, apesar de tudo, o centro do país não está perdido e, muito em especial a lezíria tem salvação, pois o Conspirações de Coruche é cá dos nossos: um blog local é um blog local e só, por excepção, deve enveredar por outros caminhos. Do mesmo género, é ainda o nosso perseguidor (nos hits do PTBloggers) da Figueira da Foz, que para além de ter um visual parecido com nosso, mas em verde, também tem um espírito verrinoso que nos apraz registar. Ainda dos nossos, em Celorico da Beira temos o respectivo Nabo e, logo pelo nome, está tudo dito. Má ou boa língua é questão de opinião.
Descendo ao Alentejo encontramos um ninho de blogs; deve ser da interioridade. Beja, Évora e outras vilas alentejanas estão tão bem representadas na blogosfera que não dá para citar tudo.
O Abençoada cama alentejana ganha o prémio do melhor nome, mas é mais generalista que outra coisa. O Abençoada cona alentejana já entra em outra dimensão e custa a encontrar (mudou de endereço, vai-se dar ao Blogger brasileiro, etc, etc), pelo que aqui não vai link. O Évora dos Pequeninos também está tão difícil de entrar que não dá para saber como anda.
Já em Mértola, temos um blog pouco regular na entrada posts mas bom no conteúdo. Também o Chaparro é interessante e merece visita e alguma exploração.
O Algarve, como em tudo, é muito assimétrico: o Algarveglobal não passa de um site generalista algo camuflado; já o bem achado Alcagoita é bem bom e não renega as origens algarvias.
Aqui para os nossos lados, não há muita actividade bloguística mas sempre se acha alguma coisa, mesmo se nem sempre a gosto. Na margem sul, aqui mais próxima de nós, encontramos dois blogs feitos a partir do/sobre o Montijo, com características muito diferentes: um, que já foi fortemente polémico (“Escândalos do Montijo”), quando se entra pelo Ptbloggers está okupado (o K não é gralha) com a epígrafe “Preso Pinto da Costa”, embora continue activo quando se entra pelo endereço correcto; infelizmente transformou-se e agora tem mais características de site de notícias e actualidades do que de outra coisa. O outro (Montijo no Mapa) é daqueles que só pareciam preocupados com as regras da elevação e cortesia nas declarações de intenções e, talvez por isso mesmo, não passou de um nado-morto.
Em Sesimbra encontramos muita erudição e pretenso bom gosto num daqueles blogs que tentam mostrar-se à altura dos mais evoluídos; infelizmente, da realidade local muito pouco se escreve. Outro dos blogs aclamados pela crítica é o Sadinos que mais parece uma página pessoal condimentada com um ou outro post de comentário local; ou seja, a sua natureza local é a excepção e não a regra.
Para Norte temos em Chaves um blog local como deve ser, pois é sobre a cidade que se debruça e não se perde em comentários deslocados e imagens que nada têm que ver com a realidade flaviense.
Continuando em Trás os Montes, o Escorreito fazia jus ao nome mas infelizmente desapareceu, embora deixando-nos os arquivos.
No Minho, e no caso de Braga, as angústias bracarenses dão origem a um óptimo blog que está muito para lá de vários sites de imprensa regional.
No Porto o Fonte das Virtudes é um belíssimo exemplo de um falso blog local, com um autor que prefere mostrar os seus gostos e alinhar com os blogs generalistas em voga. Já o Pobo do Norte é daqueles para quem o Porto é io FêCêPê e mais nada.
Em Ponte de Lima reside um blog local à maneira, como deve ser, onde imagem e palavra servem os seus objectivos como se espera de uma iniciativa deste tipo.
O Aqui é Nordeste merece visita apesar do grafismo pouco convidativo.
Dedicado à nação mirandesa temos o Blogger do Mirandês que não deixa de mostrar como servir uma comunidade local minoritária.
Nos Açores existem blogs interessantes como o de Vila Franca do Campo, simples mas directo ao assunto. Já o Professorices é mais uma extensão da página pessoal de um progfessor universitário local (Ponta Delgada).
No fundo, a blogosfera nacional, regional ou local, só a custo escapa ao mal do país que é o do domínio de um grupo restrito de figurões satisfeitos consigo mesmos, muito respeitadorzinhos das convenções definidas por si, pelos amigos ou por aqueles que os aceitam, virados para dentro do seu grupo, falando em circuito fechado, dando-se ares de erudição, elevação e respeitabilidade, sendo fundamental para a erudição a acumulação de dezenas de links nas margens do blog, para a elevação a utilização de um discurso redondinho e sem arestas ou com as arestas alinhadas com as tendências formatadas na nossa opinião publicada e para a respeitabilidade não colocarem em causa os poderes locais.
Apesar dos esforços e do impacto local, os blogs mais críticos acabam por ter pouca visibilidade, em termos globais, pois quem passa por analista da blogosfera só tende a destacar aqueles blogs que se citam entre si e que se mostram mais cosmopolitas e sofisticados.
Apesar de se dizer que o fenómenos dos blogs «deu voz a quem a não tinha» e que deu maior liberdade de expressão a quem não tinha acesso aos meios convencionais de comunicação social e patati e patatá, o resultado e´que depois só se destacam sempre os mesmos, os quais são normalmente da responsabilidade de personalidades bem destacadas da nossa vida política, social e cultural que já antes tinham capacidade bem acima da média para se fazer ouvir. Veja-se o recente artigo da Visão (nº 600, 2 a 8 de Set/04, pp 36) que aborda esta realidade (dos “blogues” na versão lusitana do termo) e depois destca uma meia dúzia de blogs, todos de reconhecidos protagonistas da nossa (triste) vida partidária, do clássico Pacheco Pereira (PSD) aos nóveis Diogo Feio (CDS-PP) e Jorge Ferreira (Nova Democracia, ex-PP), passando pelo colectivo PS do “causa nossa” (Ana Gomes, Vital Moreira, Vicente Jorge Silva and friends), pelos candidatos actuais à liderança PS (Manuel Alegre, João Soares), ou ao bloquista Daniel Oliveira.
No fundo, fora ou dentro da blogosfera, quem (a)parece (a) mandar são quase sempre os mesmos. E todos são, cada um com o seu traço, muito politicamente corectos, respeitáveis, elevados, respeitáveis e dignos de ser ouvidos/lidos.
E isto é a chamada pescadinha de rabo na boca.
Os amigos citam-se e elogiam-se; um(a) jornalista amigo(a) destaca-os e dizem que são os melhores; com a curiosidade o vulgo vai lá ver e alimenta as estatísticas que alimenta a legitimidade de novo(a) jornalista destacar os mesmo blogs e assim por diante.
E assim se formata artificialmente o que era (e apesar de tudo ainda é) um fenómeno espontâneo de liberdade, criação e crítica.
É pena mas é verdade.
Filipe Fonseca
José Silva
Como somos muito modernos e actuais fomos, a pedido do nosso editor Paulo, então ver o que se passa com os outros blogs que se apresentam como regionais ou locais.
Há uns 6 meses atrás tínhamos lido um artigo do jornalista Paulo Querido no Expresso sobre o tema que nos tinha deixado, mais que insatisfeitos, verdadeiramente desanimados com a falta de profundidade e esforço do trabalho em causa, mesmo se isso não é coisa invulgar no meio jornalístico que trata a blogosfera. Autor de um blog muito pretensioso a todos os níveis – (o vento lá fora) Paulo Querido (PQ) tinha o mérito de chamar a atenção para uma dimensão menos visível dos blogs, mesmo se de forma muito superficial e politicamente correcta. Nesse artigo destacavam-se uns quantos (escassos e sem critério aparente que não fosse o da quantidade de visitas) blogs e, para início de conversa, lá começámos por alguns desses destaques.
A nossa surpresa não podia ser maior pois realmente andamos por caminhos muito distantes de boa parte daqueles que se apresentam como blogs de natureza local e/ou regional. Façamos então um volta sumária pelo país, deixando de fora dezenas de blogs que se afirmam ou deixam catalogar daquela forma.
O blog O Castelo de Ourém depois de merecer a atenção de PQ no tal artigo envaideceu-se e os seus posts passaram durante algum tempo a versar esse mesmo tema e a destacar os blogs amigos da vizinhança, alguns como o de Tomar bem melhores que o próprio – é do género central informativa, com muitos colaboradores e razoáveis recursos, mesmo se com pouco feedback a avaliar pelos poucos comentários inseridos -, mesmo se nos ignora nos seus numerosíssimos links. No entanto, e voltando a’O Castelo, quem o mantém e alimenta, ultimamente parece ter atinado e voltado a lembrar-se que se diz um blog local.
Ainda por aquelas bandas temos o Ourém, outro daqueles blogs que só por distracção se pode considerar local, pois os temas abordados raramente refletem (sobre) a realidade da sua região antes dissertando sobre a actualidade cósmica e afins..
Mas, apesar de tudo, o centro do país não está perdido e, muito em especial a lezíria tem salvação, pois o Conspirações de Coruche é cá dos nossos: um blog local é um blog local e só, por excepção, deve enveredar por outros caminhos. Do mesmo género, é ainda o nosso perseguidor (nos hits do PTBloggers) da Figueira da Foz, que para além de ter um visual parecido com nosso, mas em verde, também tem um espírito verrinoso que nos apraz registar. Ainda dos nossos, em Celorico da Beira temos o respectivo Nabo e, logo pelo nome, está tudo dito. Má ou boa língua é questão de opinião.
Descendo ao Alentejo encontramos um ninho de blogs; deve ser da interioridade. Beja, Évora e outras vilas alentejanas estão tão bem representadas na blogosfera que não dá para citar tudo.
O Abençoada cama alentejana ganha o prémio do melhor nome, mas é mais generalista que outra coisa. O Abençoada cona alentejana já entra em outra dimensão e custa a encontrar (mudou de endereço, vai-se dar ao Blogger brasileiro, etc, etc), pelo que aqui não vai link. O Évora dos Pequeninos também está tão difícil de entrar que não dá para saber como anda.
Já em Mértola, temos um blog pouco regular na entrada posts mas bom no conteúdo. Também o Chaparro é interessante e merece visita e alguma exploração.
O Algarve, como em tudo, é muito assimétrico: o Algarveglobal não passa de um site generalista algo camuflado; já o bem achado Alcagoita é bem bom e não renega as origens algarvias.
Aqui para os nossos lados, não há muita actividade bloguística mas sempre se acha alguma coisa, mesmo se nem sempre a gosto. Na margem sul, aqui mais próxima de nós, encontramos dois blogs feitos a partir do/sobre o Montijo, com características muito diferentes: um, que já foi fortemente polémico (“Escândalos do Montijo”), quando se entra pelo Ptbloggers está okupado (o K não é gralha) com a epígrafe “Preso Pinto da Costa”, embora continue activo quando se entra pelo endereço correcto; infelizmente transformou-se e agora tem mais características de site de notícias e actualidades do que de outra coisa. O outro (Montijo no Mapa) é daqueles que só pareciam preocupados com as regras da elevação e cortesia nas declarações de intenções e, talvez por isso mesmo, não passou de um nado-morto.
Em Sesimbra encontramos muita erudição e pretenso bom gosto num daqueles blogs que tentam mostrar-se à altura dos mais evoluídos; infelizmente, da realidade local muito pouco se escreve. Outro dos blogs aclamados pela crítica é o Sadinos que mais parece uma página pessoal condimentada com um ou outro post de comentário local; ou seja, a sua natureza local é a excepção e não a regra.
Para Norte temos em Chaves um blog local como deve ser, pois é sobre a cidade que se debruça e não se perde em comentários deslocados e imagens que nada têm que ver com a realidade flaviense.
Continuando em Trás os Montes, o Escorreito fazia jus ao nome mas infelizmente desapareceu, embora deixando-nos os arquivos.
No Minho, e no caso de Braga, as angústias bracarenses dão origem a um óptimo blog que está muito para lá de vários sites de imprensa regional.
No Porto o Fonte das Virtudes é um belíssimo exemplo de um falso blog local, com um autor que prefere mostrar os seus gostos e alinhar com os blogs generalistas em voga. Já o Pobo do Norte é daqueles para quem o Porto é io FêCêPê e mais nada.
Em Ponte de Lima reside um blog local à maneira, como deve ser, onde imagem e palavra servem os seus objectivos como se espera de uma iniciativa deste tipo.
O Aqui é Nordeste merece visita apesar do grafismo pouco convidativo.
Dedicado à nação mirandesa temos o Blogger do Mirandês que não deixa de mostrar como servir uma comunidade local minoritária.
Nos Açores existem blogs interessantes como o de Vila Franca do Campo, simples mas directo ao assunto. Já o Professorices é mais uma extensão da página pessoal de um progfessor universitário local (Ponta Delgada).
No fundo, a blogosfera nacional, regional ou local, só a custo escapa ao mal do país que é o do domínio de um grupo restrito de figurões satisfeitos consigo mesmos, muito respeitadorzinhos das convenções definidas por si, pelos amigos ou por aqueles que os aceitam, virados para dentro do seu grupo, falando em circuito fechado, dando-se ares de erudição, elevação e respeitabilidade, sendo fundamental para a erudição a acumulação de dezenas de links nas margens do blog, para a elevação a utilização de um discurso redondinho e sem arestas ou com as arestas alinhadas com as tendências formatadas na nossa opinião publicada e para a respeitabilidade não colocarem em causa os poderes locais.
Apesar dos esforços e do impacto local, os blogs mais críticos acabam por ter pouca visibilidade, em termos globais, pois quem passa por analista da blogosfera só tende a destacar aqueles blogs que se citam entre si e que se mostram mais cosmopolitas e sofisticados.
Apesar de se dizer que o fenómenos dos blogs «deu voz a quem a não tinha» e que deu maior liberdade de expressão a quem não tinha acesso aos meios convencionais de comunicação social e patati e patatá, o resultado e´que depois só se destacam sempre os mesmos, os quais são normalmente da responsabilidade de personalidades bem destacadas da nossa vida política, social e cultural que já antes tinham capacidade bem acima da média para se fazer ouvir. Veja-se o recente artigo da Visão (nº 600, 2 a 8 de Set/04, pp 36) que aborda esta realidade (dos “blogues” na versão lusitana do termo) e depois destca uma meia dúzia de blogs, todos de reconhecidos protagonistas da nossa (triste) vida partidária, do clássico Pacheco Pereira (PSD) aos nóveis Diogo Feio (CDS-PP) e Jorge Ferreira (Nova Democracia, ex-PP), passando pelo colectivo PS do “causa nossa” (Ana Gomes, Vital Moreira, Vicente Jorge Silva and friends), pelos candidatos actuais à liderança PS (Manuel Alegre, João Soares), ou ao bloquista Daniel Oliveira.
No fundo, fora ou dentro da blogosfera, quem (a)parece (a) mandar são quase sempre os mesmos. E todos são, cada um com o seu traço, muito politicamente corectos, respeitáveis, elevados, respeitáveis e dignos de ser ouvidos/lidos.
E isto é a chamada pescadinha de rabo na boca.
Os amigos citam-se e elogiam-se; um(a) jornalista amigo(a) destaca-os e dizem que são os melhores; com a curiosidade o vulgo vai lá ver e alimenta as estatísticas que alimenta a legitimidade de novo(a) jornalista destacar os mesmo blogs e assim por diante.
E assim se formata artificialmente o que era (e apesar de tudo ainda é) um fenómeno espontâneo de liberdade, criação e crítica.
É pena mas é verdade.
Filipe Fonseca
José Silva
sexta-feira, setembro 03, 2004
Bom pró ego
Voltámos de férias e como somos curiosos lá fomos espreitar ao PTBloggers.
Continuamos com o maior número de visitas (hits out) a partir desse apontador. O blog da F. Foz continua em segundo a boa distância.
Não temos hits in (entradas no apontador a partir do blog) porque não temos lista de links amigos.
Foi só para alimentar o ego mas soube bem na mesma.
Continuamos com o maior número de visitas (hits out) a partir desse apontador. O blog da F. Foz continua em segundo a boa distância.
Não temos hits in (entradas no apontador a partir do blog) porque não temos lista de links amigos.
Foi só para alimentar o ego mas soube bem na mesma.
quinta-feira, setembro 02, 2004
Notas sobre a imprensa local
A leitura do nº 160 do jornal O Rio, agora numa versão estival mensal, despertou-me algumas ideias, em particular no que respeita à polémica entre Luís Chula e Lourivaldo Guerreiro e aos avisos à navegação feitos pela Direcção do jornal sobre este tema e também em resposta a uma carta do Secretariado do PS local.
Em primeiro lugar, repara-se que a direcção do jornal não se quer deixar envolver em questões mais incómodas e que foge às opiniões que podem colocar em causa os consensos ou que podem levar os mais distraídos a confundir as opiniões dos articulistas com a linha editorial do jornal. Percebe-se que os equilíbrios que permitem sobreviver o periódico não se compadecem com estas polémicas, mas é pena que não exista espaço para a discussão acesa. O aviso a Lourivaldo Guerreiro para não continuar a polémica é um sinal inequívoco para silenciar a sua voz e opinião, no sentido de salvar a posição do jornal. E os elogios quanto à idoneidade e elevação da argumentação de L. Chula mais do que a despropósito soam a debandada.
Aliás, já tínhamos percebido esta fuga ao que é incómodo quando se silenciaram as reacções favoráveis ao texto do Manuel Pedro sobre o Imposto Taurino e ao não ser publicado um segundo texto do António da Costa sobre o carácter pouco fundamentado das pretensas tradições taurinas seculares da Moita. Embora respeitasse a generalidade dos critérios definidos para a publicação (era inédito, era actual quando foi apresentado, não tinha alinhamento partidário, era bem fundamentado), foi esquecido porque retomava uma crítica ao lobby taurino moiteiro, o que podia “levantar ondas” numa questão que agora parece muito cara ao poder político local.
Não podendo avaliar, no concreto, as razões de queixa do PS quanto à não publicação dos seus comunicados (acho que os jornais não servem para divulgar os documentos de propaganda de cada partido), posso, contudo, criticar abertamente a forma como O Rio gere o seu conteúdo informativo e noticioso, com base nos próprios critérios definidos pelo seu director. Isto porque raramente o seu conteúdo informativo é actual, mesmo para um quinzenário, exceptuando-se o noticiário das festas e sessões partidárias, enquanto o conteúdo de opinião se divide entre a propaganda partidária e artigos de opinião que vulgarmente estão bem para lá do compreensível (caso do meu amigo V. Barros e a sua epopeia de fichas de leitura) ou da extensão tida/dita como aceitável (o texto do Luís Chula no presente número).
Claro que cada jornal tem a sua linha editorial e só publica o que quer ou lhe interessa, mas não se mascare isso com outros argumentos.
Quanto ao texto de desagravo do caríssimo não-aficionado (nas suas palavras) Luís Chula, sauda-se o carácter autobiográfico, justificativo e demonstrativo de raízes culturais que estão para além do cheiro a bosta. No entanto, pouco há a dizer quanto a alguém que considera um marco na sua vida ter participado aos 13 anos no elenco da revista Raparigas em Órbita; se o rídiculo cobrisse a cara e o corpo de alcatrão e penas, o dito senhor pareceria um daqueles batoteiros caricatos que aparecem na histórias do Lucky Luke. Quanto ao resto, e penso que o Lourivaldo Guerreiro não precisa de defensor oficioso, o aparente agravado deveria fundamentar melhor a afirmação da vetustidade das festas da Moita que, de acordo com a vulgata moiteira, têm 300 anos mas que nunca ninguém demonstrou com documentos comprovativos de forma minimamente convincente.
Felizmente, aqui no blog, como os custos de produção são baixos, podemos dar voz a todas as opiniões e manter as polémicas pelo tempo tido como necessário aos intervenientes.
Percebemos pela posição que tem vindo a ser tomada pel' O Rio que mais do que discutir as questões do concelho ou região que pretende representar, é importante não ameaçar o precário status quo local.
Pronto, está percebido.
Pela nossa parte, tentaremos não atrapalhar fora do espaço que é nosso.
O espaço para a opinião tem os seus limites.
Cada um traça os seus.
Em primeiro lugar, repara-se que a direcção do jornal não se quer deixar envolver em questões mais incómodas e que foge às opiniões que podem colocar em causa os consensos ou que podem levar os mais distraídos a confundir as opiniões dos articulistas com a linha editorial do jornal. Percebe-se que os equilíbrios que permitem sobreviver o periódico não se compadecem com estas polémicas, mas é pena que não exista espaço para a discussão acesa. O aviso a Lourivaldo Guerreiro para não continuar a polémica é um sinal inequívoco para silenciar a sua voz e opinião, no sentido de salvar a posição do jornal. E os elogios quanto à idoneidade e elevação da argumentação de L. Chula mais do que a despropósito soam a debandada.
Aliás, já tínhamos percebido esta fuga ao que é incómodo quando se silenciaram as reacções favoráveis ao texto do Manuel Pedro sobre o Imposto Taurino e ao não ser publicado um segundo texto do António da Costa sobre o carácter pouco fundamentado das pretensas tradições taurinas seculares da Moita. Embora respeitasse a generalidade dos critérios definidos para a publicação (era inédito, era actual quando foi apresentado, não tinha alinhamento partidário, era bem fundamentado), foi esquecido porque retomava uma crítica ao lobby taurino moiteiro, o que podia “levantar ondas” numa questão que agora parece muito cara ao poder político local.
Não podendo avaliar, no concreto, as razões de queixa do PS quanto à não publicação dos seus comunicados (acho que os jornais não servem para divulgar os documentos de propaganda de cada partido), posso, contudo, criticar abertamente a forma como O Rio gere o seu conteúdo informativo e noticioso, com base nos próprios critérios definidos pelo seu director. Isto porque raramente o seu conteúdo informativo é actual, mesmo para um quinzenário, exceptuando-se o noticiário das festas e sessões partidárias, enquanto o conteúdo de opinião se divide entre a propaganda partidária e artigos de opinião que vulgarmente estão bem para lá do compreensível (caso do meu amigo V. Barros e a sua epopeia de fichas de leitura) ou da extensão tida/dita como aceitável (o texto do Luís Chula no presente número).
Claro que cada jornal tem a sua linha editorial e só publica o que quer ou lhe interessa, mas não se mascare isso com outros argumentos.
Quanto ao texto de desagravo do caríssimo não-aficionado (nas suas palavras) Luís Chula, sauda-se o carácter autobiográfico, justificativo e demonstrativo de raízes culturais que estão para além do cheiro a bosta. No entanto, pouco há a dizer quanto a alguém que considera um marco na sua vida ter participado aos 13 anos no elenco da revista Raparigas em Órbita; se o rídiculo cobrisse a cara e o corpo de alcatrão e penas, o dito senhor pareceria um daqueles batoteiros caricatos que aparecem na histórias do Lucky Luke. Quanto ao resto, e penso que o Lourivaldo Guerreiro não precisa de defensor oficioso, o aparente agravado deveria fundamentar melhor a afirmação da vetustidade das festas da Moita que, de acordo com a vulgata moiteira, têm 300 anos mas que nunca ninguém demonstrou com documentos comprovativos de forma minimamente convincente.
Felizmente, aqui no blog, como os custos de produção são baixos, podemos dar voz a todas as opiniões e manter as polémicas pelo tempo tido como necessário aos intervenientes.
Percebemos pela posição que tem vindo a ser tomada pel' O Rio que mais do que discutir as questões do concelho ou região que pretende representar, é importante não ameaçar o precário status quo local.
Pronto, está percebido.
Pela nossa parte, tentaremos não atrapalhar fora do espaço que é nosso.
O espaço para a opinião tem os seus limites.
Cada um traça os seus.
quarta-feira, setembro 01, 2004
A polémica do dia
Sobre o barco do aborto - o barco do aboito para os moiteiros - só posso lamentar o seu atraso na chagada a Portugal e o erro de escolha no porto de (desejada) atracagem.
Porque é que não chegou mais cedo e não acostou à Moita ?
Hã ? Hã ??
Já viram o jeito que podia ter dado, hein, hein, hein ?
Porque é que não chegou mais cedo e não acostou à Moita ?
Hã ? Hã ??
Já viram o jeito que podia ter dado, hein, hein, hein ?
Novas
Para além do texto sobre a diva Angelino, prometem-se para breve textos sobre as comemorações do final da II Guerra Mundial em Alhos Vedros, sobre as touradas e a pretensa coragem taurina moiteira (António da Costa) e, pela pena do José Silva, um texto nostálgico sobre o Carnaval alhosvedrense em idos de 70 e 80, quando nesta terra sem lei se emboscavam os carros na esquina da taberna do Zé António e da velha papelaria e se mimoseavam os ocupantes com belos sacos de água estagnada do poço vizinho.
Figuras mediáticas alhosvedrenses (ou aparentadas) - A Diva
Iam os anos 90, salvo erro, nos seus inícios quando na papelaria onde me abastecia regularmente de jornais (em Alhos Vedros, na prática, só existia e existe uma papelaria vagamente digna desse nome), em especial nos fins de semana, me apareceu a ajudar os proprietário e família uma jovem morena, de tez pálida, olhos pró claro e conjunto harmonioso, sempre com uma carranca como se a vida lhe corresse o pior possível.
Por muito prestáveis que os clientes fossem, a cara da santa criatura raramente mudava, oscilando entre o enfado mal encoberto e o desprezo ostensivo.
Então se fosse homem em idade fértil, a rapariga dava-se sempre uns ares como se não houvesse suficiente espaço no mundo para a conter. Para os distraídos podia passar por embaraço, mas para os atentos via-se claramente que achava uns falhados todos aqueles que frequentavam o estabelecimento e a obrigavam a dispender o míniomo esforço.
Com o passar do tempo, acabei por a ignorar e tratá-la na mesma moeda, chegando mesmo a não me aperceber quando ela deixou de aparecer na papelaria.
Qual o meu espanto quando, tempos imprecisos depois, vi uma figura vagamente familiar na televisão, em funções variadas como adereço de programas de entretenimento.
Qual o meu espanto quando li a legenda e o nome de Isabel Angelino e, ao fim de anos, soube finalmente quem me vendeu tantos Expressos e Públicos ao fim de semana.
Confesso que não segui a carreira meteórica da jovem, embora me fosse apercebendo que, à custa de tanto querer sobressair e tanta madeixa loira e maquilhagem, a diva de outrora ia acabando por se tornar uma trintona precoce.
Quando li, em capa de revista light, já há pouco, que a rapariga confessava estar há anos sem namorado e com pouco trabalho na televisão, o meu coração quase sangrou de tanta comoção e lamento.
Então quando a vi, nos últimos meses, a apresentar um programa (semanal ?) com o Eládio Clímaco, fiquei mesmo destroçado.
Como a vida pode ser cruel para os nossos jovens valores alhosvedrenses.
Como se pode descer tão rapidamente !
De diva de papelaria em Alhos Vedros a partenaire do nosso Eládio Clímaco em pouco mais de uma década !
How (much) low(er) can you go ?
Por muito prestáveis que os clientes fossem, a cara da santa criatura raramente mudava, oscilando entre o enfado mal encoberto e o desprezo ostensivo.
Então se fosse homem em idade fértil, a rapariga dava-se sempre uns ares como se não houvesse suficiente espaço no mundo para a conter. Para os distraídos podia passar por embaraço, mas para os atentos via-se claramente que achava uns falhados todos aqueles que frequentavam o estabelecimento e a obrigavam a dispender o míniomo esforço.
Com o passar do tempo, acabei por a ignorar e tratá-la na mesma moeda, chegando mesmo a não me aperceber quando ela deixou de aparecer na papelaria.
Qual o meu espanto quando, tempos imprecisos depois, vi uma figura vagamente familiar na televisão, em funções variadas como adereço de programas de entretenimento.
Qual o meu espanto quando li a legenda e o nome de Isabel Angelino e, ao fim de anos, soube finalmente quem me vendeu tantos Expressos e Públicos ao fim de semana.
Confesso que não segui a carreira meteórica da jovem, embora me fosse apercebendo que, à custa de tanto querer sobressair e tanta madeixa loira e maquilhagem, a diva de outrora ia acabando por se tornar uma trintona precoce.
Quando li, em capa de revista light, já há pouco, que a rapariga confessava estar há anos sem namorado e com pouco trabalho na televisão, o meu coração quase sangrou de tanta comoção e lamento.
Então quando a vi, nos últimos meses, a apresentar um programa (semanal ?) com o Eládio Clímaco, fiquei mesmo destroçado.
Como a vida pode ser cruel para os nossos jovens valores alhosvedrenses.
Como se pode descer tão rapidamente !
De diva de papelaria em Alhos Vedros a partenaire do nosso Eládio Clímaco em pouco mais de uma década !
How (much) low(er) can you go ?
segunda-feira, agosto 30, 2004
Interregno no país real
Continuo em interregno pelo país real (leia-se, interior rural).
Não é que, normalmente, viva no país virtual, mesmo se o poder moiteiro nos deixa um tanto ou quanto sem saber a quantas andamos.
Mas, voltando ao país real só posso dizer que me está a deixar meio deprimido.
O país real está cada vez mais feio.
O país real está cada vez mais deserto.
O país real está cada vez mais queimado.
Há SCUT's mas há muito pouco mais.
Há emigrantes e as suas casas em construção.
Há supermercados, mas não há jornais.
Há espaço, mas a paisagem desapareceu.
Há rotundas, mas não há senso comum.
O país real está cada vez mais amoitado.
O mau gosto venceu em quase toda a linha.
Bem ditos os estrangeiros que nos compram os montes alentejanos e as casas de pedra da serra.
Esses ainda lutam contra a maré.
Os portugueses renderam-se em quase toda a linha ao pior que tinham dentro de si.
Apenas temos aquilo que merecemos.
O país está a transformar-se numa enorme Moita.
Não é que, normalmente, viva no país virtual, mesmo se o poder moiteiro nos deixa um tanto ou quanto sem saber a quantas andamos.
Mas, voltando ao país real só posso dizer que me está a deixar meio deprimido.
O país real está cada vez mais feio.
O país real está cada vez mais deserto.
O país real está cada vez mais queimado.
Há SCUT's mas há muito pouco mais.
Há emigrantes e as suas casas em construção.
Há supermercados, mas não há jornais.
Há espaço, mas a paisagem desapareceu.
Há rotundas, mas não há senso comum.
O país real está cada vez mais amoitado.
O mau gosto venceu em quase toda a linha.
Bem ditos os estrangeiros que nos compram os montes alentejanos e as casas de pedra da serra.
Esses ainda lutam contra a maré.
Os portugueses renderam-se em quase toda a linha ao pior que tinham dentro de si.
Apenas temos aquilo que merecemos.
O país está a transformar-se numa enorme Moita.
quinta-feira, agosto 26, 2004
Interregno
Também temos direito ao descanso.
Estamos em merecido repouso até final do mês, por isso não se esperam grandes novidades até dia 31.
Se puderem façam o mesmo.
Estamos em merecido repouso até final do mês, por isso não se esperam grandes novidades até dia 31.
Se puderem façam o mesmo.
domingo, agosto 22, 2004
Serviço público
O nosso Alhos Vedros Visual está numa de serviço público.
Se lá forem não vos arrependereis. Tem material de grande actualidade.
Se lá forem não vos arrependereis. Tem material de grande actualidade.
sábado, agosto 21, 2004
Paradoxos e interesses
Hoje sinto-me profundo, deve ser do Agosto frescal, pelo que me digno partilhar convosco uma reflexão política digna de um Manuel Pedro ou um António da Costa.
No modelo europeu ocidental do Estado-Providência, todos devem participar com a sua quota-parte para o esforço do Estado em assegurar as suas funções.
Em termos ideais, o modelo redistributivo baseia-se em que os indvíduos, empresas, etc, com mais meios contribuam mais, para assegurar que os que têm menos recebam a ajuda de que necessitam.
Em Portugal existe um modelo alternativo; os que têm pouco contribuem todos para que a redistribuição se faça para os que têm mais, sejam os que fazem grandes negócios com o Estado, sejam aquelas empresas que nunca dão lucros, mas funcionam anos a fio, permitindo visível prosperidade aos seus proprietários.
Porque se passa isto assim ?
Porque após os curtos anos revolucionários em que o chamado «grande capital» foi afastado, se seguiu um longo processo em que aqueles que se opuseram (vitoriosamente) contra a tomada do poder pelas facções marxistas estatizantes se dedicaram a um longo namoro no sentido de fazerem esse grande capital regressar.
Nos últimos 20 anos, mais coisa menos coisa, interesse políticos e económicos emaranharam-se de tal forma que é difícil desmanchar o nó. Os políticos dos partidos à direita do PC entretiveram-se a tentar atrair para seu proveito os dinheiros dos interesses económicos privados sob a promessa de, conquistado o poder, retribuirem com vantagens concorrenciais ou, mais prosaicamente, com o dinheiro do Estado.
A formação dos imberbes grupos económicos nacionais actuais passou quase sempre por este processo.
Os interesses económicos apostam em determinados grupos ou indivíduos para conquistarem o poder político (principalmente nos partidos centrais da nossa democracia, PS e PSD) e depois, quando ele é conquistado rotativamente, a retribuição fica na ordem do dia. O equilíbrio só é ameaçado quando uma determinada facção exagera no desmando ou no tempo em que controla o poder (foi o caso da década cavaquista).
Por isso, Portugal é dificilmente governável, seja a nível nacional ou local.
O problema não está necessariamente nos portugueses, em geral, por serem preguiçosos, pouco produtivos, pouco empenhado numa ética do trabalho ou com má formação (profissional, cultural, etc). Embora isso seja parte do problema, não é todo, ou mesmo o essencial, do problema.
O pior deve-se à ganância das elites que se consideram no direito de dominar o aparato estatal em seu proveito e no daqueles que os conduziram ao poder, via financiamentos chorudos para campanhas eleitorais e outros mimos.
Claro que é isso que impede uma reforma do sistema político a começar pelo financiamento dos partidos e pelos limites de despesas das campanhas.
Em nome da liberdade, movem-se interesses que, a existirem esses limites, perderiam margem de manobra.
Claro que, em primeiroa e última instância, os maiores culpados são os políticos que em vez de dedicação à coisa pública se movem por interesses privados, pessoais, em que o exercício do poder político apenas funciona como meio para atingir objectivos mais elevados.
Um exemplo paradigmático desta atitude, deste estar e depois não estar, estando, na política, é o de Dias Loureiro, bem respaldado nos dividendos da sua actividade privada, conseguida graças aos 10 anos de estadia no poder político, que agora se esquiva ao exercício de cargos executivos mas que não foge a manobrar nos bastidores aqueles que, a seu mando e graças à sua influência, são colocados em postos-chave da governação.
Ao contrário do que dizem alguns, mesmo que com boas intenções, os cargos políticos não são mal remunerados pois essa remuneração, desde a sua criação na Atenas do século V a. C., se destinava apenas a compensar minimamente quem servia o interesse público e não tinha outros meios de subsistência e não a compensar eventuais perdas de rendimentos mais elevados.
Não percebo que um ministro se sinta mal ao ganhar menos do que um gestor de uma empresa, pois a sua posição e autoridade não deve residir na sua capacidade económica mas na dignidade da sua função e da sua acção. E o problema está aí, muitas vezes o exercício das funções públicas é feito de forma indigna por aqueles quie as encaram como mero trampolim no seu currículo, como etapa necessária para conhecer os meandros do aparelho estatal que permitirá, mais tarde, colher dividendos.
O percurso tipo deste género (menoríssimo) de político é o seguinte: até aos vintes dar nas vistas nas jotas, gritando até chegar a ser alguém numa Associação de Estudantes, escrevendo artigos inflamados na imprensa partidária ou local e exercendo cargos locais/regionais de relevo discutível; até aos trintas conseguir um posto de chefia intermédia na estrutura partidária nacional, ascendendo a deputado, assessor ou (sub)secretário de Estado nos casos mais afortunados; aos quarentas chegar a administrador de empresa com participação no Estado ou ministro e, no fim dos quarenta, estar já em posição de viver dos rendimentos, depois de ser chamado para cargo bem pago num grupo económico privado, acidentalmente bafejado pela sorte na sequência da sua acção política.
Assim se constrói uma figura política respeitável de sucesso.
O passo seguinte é passar a ser comentador residente na SIC-Notícias ou no noticiário da noite de um dos canais generalistas, ganhando o estatuto de reserva moral da Nação.
Assim se (nunca) constrói um Portugal de sucesso.
No modelo europeu ocidental do Estado-Providência, todos devem participar com a sua quota-parte para o esforço do Estado em assegurar as suas funções.
Em termos ideais, o modelo redistributivo baseia-se em que os indvíduos, empresas, etc, com mais meios contribuam mais, para assegurar que os que têm menos recebam a ajuda de que necessitam.
Em Portugal existe um modelo alternativo; os que têm pouco contribuem todos para que a redistribuição se faça para os que têm mais, sejam os que fazem grandes negócios com o Estado, sejam aquelas empresas que nunca dão lucros, mas funcionam anos a fio, permitindo visível prosperidade aos seus proprietários.
Porque se passa isto assim ?
Porque após os curtos anos revolucionários em que o chamado «grande capital» foi afastado, se seguiu um longo processo em que aqueles que se opuseram (vitoriosamente) contra a tomada do poder pelas facções marxistas estatizantes se dedicaram a um longo namoro no sentido de fazerem esse grande capital regressar.
Nos últimos 20 anos, mais coisa menos coisa, interesse políticos e económicos emaranharam-se de tal forma que é difícil desmanchar o nó. Os políticos dos partidos à direita do PC entretiveram-se a tentar atrair para seu proveito os dinheiros dos interesses económicos privados sob a promessa de, conquistado o poder, retribuirem com vantagens concorrenciais ou, mais prosaicamente, com o dinheiro do Estado.
A formação dos imberbes grupos económicos nacionais actuais passou quase sempre por este processo.
Os interesses económicos apostam em determinados grupos ou indivíduos para conquistarem o poder político (principalmente nos partidos centrais da nossa democracia, PS e PSD) e depois, quando ele é conquistado rotativamente, a retribuição fica na ordem do dia. O equilíbrio só é ameaçado quando uma determinada facção exagera no desmando ou no tempo em que controla o poder (foi o caso da década cavaquista).
Por isso, Portugal é dificilmente governável, seja a nível nacional ou local.
O problema não está necessariamente nos portugueses, em geral, por serem preguiçosos, pouco produtivos, pouco empenhado numa ética do trabalho ou com má formação (profissional, cultural, etc). Embora isso seja parte do problema, não é todo, ou mesmo o essencial, do problema.
O pior deve-se à ganância das elites que se consideram no direito de dominar o aparato estatal em seu proveito e no daqueles que os conduziram ao poder, via financiamentos chorudos para campanhas eleitorais e outros mimos.
Claro que é isso que impede uma reforma do sistema político a começar pelo financiamento dos partidos e pelos limites de despesas das campanhas.
Em nome da liberdade, movem-se interesses que, a existirem esses limites, perderiam margem de manobra.
Claro que, em primeiroa e última instância, os maiores culpados são os políticos que em vez de dedicação à coisa pública se movem por interesses privados, pessoais, em que o exercício do poder político apenas funciona como meio para atingir objectivos mais elevados.
Um exemplo paradigmático desta atitude, deste estar e depois não estar, estando, na política, é o de Dias Loureiro, bem respaldado nos dividendos da sua actividade privada, conseguida graças aos 10 anos de estadia no poder político, que agora se esquiva ao exercício de cargos executivos mas que não foge a manobrar nos bastidores aqueles que, a seu mando e graças à sua influência, são colocados em postos-chave da governação.
Ao contrário do que dizem alguns, mesmo que com boas intenções, os cargos políticos não são mal remunerados pois essa remuneração, desde a sua criação na Atenas do século V a. C., se destinava apenas a compensar minimamente quem servia o interesse público e não tinha outros meios de subsistência e não a compensar eventuais perdas de rendimentos mais elevados.
Não percebo que um ministro se sinta mal ao ganhar menos do que um gestor de uma empresa, pois a sua posição e autoridade não deve residir na sua capacidade económica mas na dignidade da sua função e da sua acção. E o problema está aí, muitas vezes o exercício das funções públicas é feito de forma indigna por aqueles quie as encaram como mero trampolim no seu currículo, como etapa necessária para conhecer os meandros do aparelho estatal que permitirá, mais tarde, colher dividendos.
O percurso tipo deste género (menoríssimo) de político é o seguinte: até aos vintes dar nas vistas nas jotas, gritando até chegar a ser alguém numa Associação de Estudantes, escrevendo artigos inflamados na imprensa partidária ou local e exercendo cargos locais/regionais de relevo discutível; até aos trintas conseguir um posto de chefia intermédia na estrutura partidária nacional, ascendendo a deputado, assessor ou (sub)secretário de Estado nos casos mais afortunados; aos quarentas chegar a administrador de empresa com participação no Estado ou ministro e, no fim dos quarenta, estar já em posição de viver dos rendimentos, depois de ser chamado para cargo bem pago num grupo económico privado, acidentalmente bafejado pela sorte na sequência da sua acção política.
Assim se constrói uma figura política respeitável de sucesso.
O passo seguinte é passar a ser comentador residente na SIC-Notícias ou no noticiário da noite de um dos canais generalistas, ganhando o estatuto de reserva moral da Nação.
Assim se (nunca) constrói um Portugal de sucesso.
sexta-feira, agosto 20, 2004
História Local
Para os amantes e amadores de História Local, aqui fica o texto introdutório do site da Torre do Tombo sobre o assunto. Não faz mal nenhum seguir algumas das recomendações aí existentes. Sempre se evitam asneiras ou lacunas desnecessárias.
HISTÓRIA LOCAL
Fazer a história de uma localidade ou região implica recuperar memórias disseminadas por um conjunto de vestígios onde o espaço e as sociedades se inscrevem.
Face à diversidade dos temas possíveis de abordar, em consonância com a trajectória da vida das comunidades, a investigação é complexa, exigindo que se percorram arquivos, bibliotecas, museus, etc., ou seja todos os locais onde a memória da presença humana se encontra preservada.
1. Antes mesmo de se procurar um documento de arquivo, e a fim de se obter uma visão de conjunto e se gizarem os contornos do estudo que se pretende fazer, importa conhecer, desde logo, a bibliografia já publicada sobre a localidade ou região, recorrendo, em primeira instância, a obras de índole geral, tais como enciclopédias e dicionários.
De entre outras, consideramos de uma enorme utilidade as seguintes obras de síntese e de referência:
Bibliografia corográfica de Portugal. Lisboa: Biblioteca Popular de Lisboa, 1962-1975;
COSTA, Américo - Dicionário corográfico de Portugal Continental e Insular: hidrográfico, histórico, orográfico, biográfico, arqueológico, heráldico, etimológico, 12 vol. Porto: Livraria Civilização, 1929-1949;
COSTA, Padre António Carvalho da - Corografia portuguesa e descripçam topográfica. Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouvea, 1868;
Dicionário de História de Portugal, dir. de Joel Serrão,4 vol. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1961-1971;
LEAL, Augusto Soares d´Azevedo Barbosa de Pinho . Portugal Antigo e Moderno. 12 vol. Lisboa: Livraria Ed. Matos Moreira, 1873-1890;
LIMA, João Baptista de - Terras Portuguesas, 8 vol. Póvoa do Varzim, 1931;
RODRIGUES, Guilherme; PEREIRA, João Manuel Esteves - Portugal: dicionário histórico, chorográfico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico, 7 vol. Lisboa: João Romano Torres e Cª,1904-1915;
VASCONCELOS, José Leite de - Etnografia Portuguesa: tentame de sistematização, 6 vol. Lisboa: Imprensa Nacional, 1933-1975.
Dever-se-á, em seguida, inventariar a bibliografia especializada, com especial destaque para as monografias.
2. A identificação de documentos de arquivo exige que a investigação se processe em vários fundos. O IAN/TT dispõe de um instrumento indispensável ao investigador, que simultaneamente lhe permite a selecção dos fundos arquivísticos e o orienta no acesso aos documentos, através da indicação dos respectivos IDD (Instrumentos de Descrição Documental). Trata-se dos volumes I e II do Guia Geral dos Fundos da Torre do Tombo, publicados em 1998 e 1999, reportando-se às Instituições do Antigo Regime (os restantes volumes deste Guia estão em curso de elaboração e publicação).
No contexto de uma abordagem global, merece-nos uma referência especial o manuscrito conhecido por Memórias Paroquiais de 1758, organizado alfabeticamente por freguesias. O índice L 321, que se lhe refere, remete de imediato para a localidade pretendida.
Os forais, cuja importância e interesse são por demais reconhecidos, encontram-se dispersos por diversos fundos e colecções, tais como Chancelarias Régias, Gavetas, Leitura Nova, etc. Torna-se, pois, de primordial valor o contributo de Francisco Nunes Franklin, cuja obra Memórias para servir de índice dos forais (...) fornece todas as indicações necessárias. A referida obra encontra-se na Sala de Referência à disposição dos leitores (L 483).
Relativamente à história contemporânea é de grande utilidade o Roteiro das Fontes da História Portuguesa Contemporânea, com coordenação de Joel Serrão e direcção de Maria José da Silva Leal e Miriam Halpern Pereira, disponível igualmente na Sala de Referência (L 534).
Para um estudo mais detalhado revestem-se de grande interesse os seguintes fundos e colecções documentais, existentes no IAN/TT, e aos quais se pode facilmente aceder percorrendo os respectivos instrumentos de descrição disponíveis:
Alfândegas de Lisboa, índice L 266. Inventário publicado;
Alfândega do Funchal, índice F 77;
Alfândega do Porto, índice L 533;
Capelas da Coroa, índices L 11 e F 45;
Casa do Infantado, índices L 13, catálogo C 7;
Casa das Rainhas, índice L 13, catálogo C 8;
Chancelarias das Ordens Militares: Ordem de Cristo, índices L 393 a 434; Ordem de Santiago de Espada, índices L 436 a 444; Ordem de São Bento de Avis, índices L 385 a 392;
Chancelarias régias, índices L 20 a 206, por ordem sequencial de reinados, de D. Afonso I a D. Pedro IV. As Chancelarias de D. Duarte e de D. João II dispõem de índices informatizados e impressos;
Corpo Cronológico, índices L 223 a 234; inventários 299 e 299A, catálogo C 79 a 169A;
Conselho da Fazenda, índices L 212 a 512, C 27. Inventário publicado;
Desembargo do Paço - Repartição da Corte, Estremadura e Ilhas, guia de remessa L 237, índices L 246 a 255; Repartição do Alentejo e Algarve, inventário L 570 e índices L 257 e 258, F 48 a 56; Repartição da Beira, guia de remessa L 237 e índices L 256, F 57 a F59; Repartição do Minho e Trás-os-Montes, guia de remessa L 237, índices L 238 a 242, F 47, F 98 e F 99 e inventário L 569;
Documentos do Reino do Algarve, índice L 487;
Gavetas, índices e catálogo L 267 a 273;
Impostos, índices L 510 e 511;
Inquirições, índices L 278 a 280;
Instituições religiosas, catálogo;
Junta do Comércio, índices L 305, C 466 a C 467 (refere as alfândegas do Alentejo, Algarve, Beira, Minho e Trás--os-Montes);
Leis, índices L 306 a 310A;
Leitura Nova – índices das chancelarias régias;
Ministério da Instrução Pública, índice L 378 a 379;
Ministério do Interior, índice L 497;
Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça,índice L 380;
Ministério do Reino, índices L 210 e 382. Inventário publicado;
Núcleo Antigo, índice L 574. Inventário publicado;
Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal, índices L 266, F 77;
Provedorias de Santarém e Tomar, índice L 446, catálogo C 742 a 916;
Provedoria de Setúbal, catálogo C 917 a 970;
Provedoria de Torres Vedras, catálogo C 791;
Provedorias de Torres Vedras e Ourique, índice L 447;
Registo geral de mercês, informatizado;
Registo geral de testamentos, índices L 479 e 480, catálogo C 992 a 1060;
Registos notariais, índices L 435, 439-443, 388-392, 418-434, C 268, 270, 638-643, 654-656, 730, F 61-67.
3. Para representações iconográficas sugerimos a consulta dos fundos e colecções seguintes:
Armorial de Francisco Coelho, intitulado Thesouro da Nobreza, CF 169, onde se representam brasões de vilas e cidades com assento nas Cortes;
Casa Real. Cartório da Nobreza; maço 73, constituído por uma colecção de gravuras representando brasões municipais;
Casa Cadaval, índice L 523;
Livro das fortalezas situadas no extremo de Portugal e de Castela, fac-símile disponível na Biblioteca de apoio à Referência;
Ministério do Reino. Colecção de plantas, mapas e outros documentos iconográficos, índice L 523. Inventário. Desdobrável;
Colecção Olissiponense, catálogo C 635 a 637.
HISTÓRIA LOCAL
Fazer a história de uma localidade ou região implica recuperar memórias disseminadas por um conjunto de vestígios onde o espaço e as sociedades se inscrevem.
Face à diversidade dos temas possíveis de abordar, em consonância com a trajectória da vida das comunidades, a investigação é complexa, exigindo que se percorram arquivos, bibliotecas, museus, etc., ou seja todos os locais onde a memória da presença humana se encontra preservada.
1. Antes mesmo de se procurar um documento de arquivo, e a fim de se obter uma visão de conjunto e se gizarem os contornos do estudo que se pretende fazer, importa conhecer, desde logo, a bibliografia já publicada sobre a localidade ou região, recorrendo, em primeira instância, a obras de índole geral, tais como enciclopédias e dicionários.
De entre outras, consideramos de uma enorme utilidade as seguintes obras de síntese e de referência:
Bibliografia corográfica de Portugal. Lisboa: Biblioteca Popular de Lisboa, 1962-1975;
COSTA, Américo - Dicionário corográfico de Portugal Continental e Insular: hidrográfico, histórico, orográfico, biográfico, arqueológico, heráldico, etimológico, 12 vol. Porto: Livraria Civilização, 1929-1949;
COSTA, Padre António Carvalho da - Corografia portuguesa e descripçam topográfica. Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouvea, 1868;
Dicionário de História de Portugal, dir. de Joel Serrão,4 vol. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1961-1971;
LEAL, Augusto Soares d´Azevedo Barbosa de Pinho . Portugal Antigo e Moderno. 12 vol. Lisboa: Livraria Ed. Matos Moreira, 1873-1890;
LIMA, João Baptista de - Terras Portuguesas, 8 vol. Póvoa do Varzim, 1931;
RODRIGUES, Guilherme; PEREIRA, João Manuel Esteves - Portugal: dicionário histórico, chorográfico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico, 7 vol. Lisboa: João Romano Torres e Cª,1904-1915;
VASCONCELOS, José Leite de - Etnografia Portuguesa: tentame de sistematização, 6 vol. Lisboa: Imprensa Nacional, 1933-1975.
Dever-se-á, em seguida, inventariar a bibliografia especializada, com especial destaque para as monografias.
2. A identificação de documentos de arquivo exige que a investigação se processe em vários fundos. O IAN/TT dispõe de um instrumento indispensável ao investigador, que simultaneamente lhe permite a selecção dos fundos arquivísticos e o orienta no acesso aos documentos, através da indicação dos respectivos IDD (Instrumentos de Descrição Documental). Trata-se dos volumes I e II do Guia Geral dos Fundos da Torre do Tombo, publicados em 1998 e 1999, reportando-se às Instituições do Antigo Regime (os restantes volumes deste Guia estão em curso de elaboração e publicação).
No contexto de uma abordagem global, merece-nos uma referência especial o manuscrito conhecido por Memórias Paroquiais de 1758, organizado alfabeticamente por freguesias. O índice L 321, que se lhe refere, remete de imediato para a localidade pretendida.
Os forais, cuja importância e interesse são por demais reconhecidos, encontram-se dispersos por diversos fundos e colecções, tais como Chancelarias Régias, Gavetas, Leitura Nova, etc. Torna-se, pois, de primordial valor o contributo de Francisco Nunes Franklin, cuja obra Memórias para servir de índice dos forais (...) fornece todas as indicações necessárias. A referida obra encontra-se na Sala de Referência à disposição dos leitores (L 483).
Relativamente à história contemporânea é de grande utilidade o Roteiro das Fontes da História Portuguesa Contemporânea, com coordenação de Joel Serrão e direcção de Maria José da Silva Leal e Miriam Halpern Pereira, disponível igualmente na Sala de Referência (L 534).
Para um estudo mais detalhado revestem-se de grande interesse os seguintes fundos e colecções documentais, existentes no IAN/TT, e aos quais se pode facilmente aceder percorrendo os respectivos instrumentos de descrição disponíveis:
Alfândegas de Lisboa, índice L 266. Inventário publicado;
Alfândega do Funchal, índice F 77;
Alfândega do Porto, índice L 533;
Capelas da Coroa, índices L 11 e F 45;
Casa do Infantado, índices L 13, catálogo C 7;
Casa das Rainhas, índice L 13, catálogo C 8;
Chancelarias das Ordens Militares: Ordem de Cristo, índices L 393 a 434; Ordem de Santiago de Espada, índices L 436 a 444; Ordem de São Bento de Avis, índices L 385 a 392;
Chancelarias régias, índices L 20 a 206, por ordem sequencial de reinados, de D. Afonso I a D. Pedro IV. As Chancelarias de D. Duarte e de D. João II dispõem de índices informatizados e impressos;
Corpo Cronológico, índices L 223 a 234; inventários 299 e 299A, catálogo C 79 a 169A;
Conselho da Fazenda, índices L 212 a 512, C 27. Inventário publicado;
Desembargo do Paço - Repartição da Corte, Estremadura e Ilhas, guia de remessa L 237, índices L 246 a 255; Repartição do Alentejo e Algarve, inventário L 570 e índices L 257 e 258, F 48 a 56; Repartição da Beira, guia de remessa L 237 e índices L 256, F 57 a F59; Repartição do Minho e Trás-os-Montes, guia de remessa L 237, índices L 238 a 242, F 47, F 98 e F 99 e inventário L 569;
Documentos do Reino do Algarve, índice L 487;
Gavetas, índices e catálogo L 267 a 273;
Impostos, índices L 510 e 511;
Inquirições, índices L 278 a 280;
Instituições religiosas, catálogo;
Junta do Comércio, índices L 305, C 466 a C 467 (refere as alfândegas do Alentejo, Algarve, Beira, Minho e Trás--os-Montes);
Leis, índices L 306 a 310A;
Leitura Nova – índices das chancelarias régias;
Ministério da Instrução Pública, índice L 378 a 379;
Ministério do Interior, índice L 497;
Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça,índice L 380;
Ministério do Reino, índices L 210 e 382. Inventário publicado;
Núcleo Antigo, índice L 574. Inventário publicado;
Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal, índices L 266, F 77;
Provedorias de Santarém e Tomar, índice L 446, catálogo C 742 a 916;
Provedoria de Setúbal, catálogo C 917 a 970;
Provedoria de Torres Vedras, catálogo C 791;
Provedorias de Torres Vedras e Ourique, índice L 447;
Registo geral de mercês, informatizado;
Registo geral de testamentos, índices L 479 e 480, catálogo C 992 a 1060;
Registos notariais, índices L 435, 439-443, 388-392, 418-434, C 268, 270, 638-643, 654-656, 730, F 61-67.
3. Para representações iconográficas sugerimos a consulta dos fundos e colecções seguintes:
Armorial de Francisco Coelho, intitulado Thesouro da Nobreza, CF 169, onde se representam brasões de vilas e cidades com assento nas Cortes;
Casa Real. Cartório da Nobreza; maço 73, constituído por uma colecção de gravuras representando brasões municipais;
Casa Cadaval, índice L 523;
Livro das fortalezas situadas no extremo de Portugal e de Castela, fac-símile disponível na Biblioteca de apoio à Referência;
Ministério do Reino. Colecção de plantas, mapas e outros documentos iconográficos, índice L 523. Inventário. Desdobrável;
Colecção Olissiponense, catálogo C 635 a 637.
quinta-feira, agosto 19, 2004
Propostas de Verão - BD
quarta-feira, agosto 18, 2004
Material alheio (ao quadrado)
Para compensar os horrores que se encontram no blog anterior, e para melhor compreender (verdadeiramente) aquilo que são os actuais «anos de chumbo» (para usar a expressão de TM) temos aqui um poemito de Francisco de Quevedo inserto no blog do Pacheco Pereira.
Mais que não seja prova que de Espanha não vêm só maus ventos e maus casamentos.
Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues, de puro enamorado,
de contino anda amarillo:
que, pues, doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña;
viene a morir en España
y es en Génova enterrado.
Y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
Poderoso caballero
es don Dinero
Es galán y es como un oro,
tiene quebrado el color,
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Son sus padres principales
y es de noble descendiente,
porque en la venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Mas, ¿a quién no maravilla
ver su gloria sin tasa
que es lo menos de su casa
doña Blanca de Castilla?
Pero pues da al baxo silla
y al cobarde hace guerrero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Sus escudos de armas nobles
son siempre tan principales,
que sin sus escudos reales
no hay escudos de armas dobles;
y pues a los mismo robles
da codicia su minero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos,
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos.
Y pues él rompe recatos
y ablanda al juez más severo,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Y es tanta su majestad
(aunque son sus duelos hartos),
que con haberle hecho cuartos
no pierde su autoridad:
pero pues da calidad
al noble y al por diosero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas.
Y pues las hace bravatas
desde una bolsa de cuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Más valen en cualquier tierra,
(mirad si es harto sagaz),
sus escudos en la paz,
que rodelas en la guerra.
Y pues al pobre lo entierra
y hace propio al forastero,
Poderoso caballero
es don Dinero
(Francisco de Quevedo)
Mais que não seja prova que de Espanha não vêm só maus ventos e maus casamentos.
Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues, de puro enamorado,
de contino anda amarillo:
que, pues, doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña;
viene a morir en España
y es en Génova enterrado.
Y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
Poderoso caballero
es don Dinero
Es galán y es como un oro,
tiene quebrado el color,
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Son sus padres principales
y es de noble descendiente,
porque en la venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Mas, ¿a quién no maravilla
ver su gloria sin tasa
que es lo menos de su casa
doña Blanca de Castilla?
Pero pues da al baxo silla
y al cobarde hace guerrero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Sus escudos de armas nobles
son siempre tan principales,
que sin sus escudos reales
no hay escudos de armas dobles;
y pues a los mismo robles
da codicia su minero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos,
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos.
Y pues él rompe recatos
y ablanda al juez más severo,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Y es tanta su majestad
(aunque son sus duelos hartos),
que con haberle hecho cuartos
no pierde su autoridad:
pero pues da calidad
al noble y al por diosero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas.
Y pues las hace bravatas
desde una bolsa de cuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.
Más valen en cualquier tierra,
(mirad si es harto sagaz),
sus escudos en la paz,
que rodelas en la guerra.
Y pues al pobre lo entierra
y hace propio al forastero,
Poderoso caballero
es don Dinero
(Francisco de Quevedo)
Proposta de TM
Segue-se uma proposta do nosso leitor Titta Maurício.
Não faz bem o nosso género de blog, mas gostos não se discutem.
Penso que é um blog... interessante!
Espero que gostem... e que pelo menos possam ter acesso a mais uma fonte de informação! Não sei se é verdade, ou se é mais uma teoria da conspiração... pero que las ay, ay!
De qualquer modo, merece que o leiamos com atenção crítica! Há lá muita informação para melhor compreendermos os "dias de chumbo" que vivemos... e os interesses que se movem!
Não faz bem o nosso género de blog, mas gostos não se discutem.
Penso que é um blog... interessante!
Espero que gostem... e que pelo menos possam ter acesso a mais uma fonte de informação! Não sei se é verdade, ou se é mais uma teoria da conspiração... pero que las ay, ay!
De qualquer modo, merece que o leiamos com atenção crítica! Há lá muita informação para melhor compreendermos os "dias de chumbo" que vivemos... e os interesses que se movem!
terça-feira, agosto 17, 2004
O Foral de Alhos Vedros
Gente amiga comentou off the record que os os nossos reparos sobre a obra de Maria Clara Santso e José Manuel Vargas sobre o foral de Alhos Vedros eram algo injustos na apreciação do estudo, da bibliografia e no comentário algo personalizado sobre o que esperávamos dos autores.
Esclareçamos as questões por pontos:
Quanto ao estudo, se à parte técnica da transcrição e comentário pouco haverá a acrescentar, tirando uma ou outra questão de critério paleográfico, o mesmo se não poderá dizer do estudo de enquadramento histórico pois a primeira parte limita-se a debitar um discurso dezenas de vezes repetido por todo o país sempre que se publica um foral manuelino, sem nada de mais original, enquanto a segunda sobre Alhos Vedros se acomoda aos elementos do próprio foral, aos dados de uma publicação de Ana Leal e Francisco Pires sobre as Visitações e muito pouco mais, sendo bastante pobre, porque meramente descritiva do que as fontes dizem de forma directa e não fazendo um enquadramento espacial no âmbito da região em que Alhos Vedros se inseria.
A propósito da bibliografia mais haverá a dizer, pois são ignoradas positivamente todas as publicações existentes sobre documentos similares da margem sul ou do distrito de Setúbal (já nem falo de outro tipo de textos ou fontes), as quais não sendo muitas sempre são algumas: António Nabais publicou o foral de Alcochete e Aldeia Galega em 1995 para as respectivas Câmaras Municipais; o mesmo autor e Alexandre Flores já tinham publicado um estudo sobre os forais de Palmela em 1992 (CM Palmela); Alexandre Flores também tem obra publicada sobre Almada e até o foral de Canha foi publicado em 1999 pela Câmara do Montijo com transcrição de Rosa Bela Azevedo. Como se vê, tudo publicações anteriores à ques está sob análise e que, sendo da iniciativa de autarquias vizinhas, os autores teriam obrigação de conhecer. Se as não conhecem, talvez estejam no ofício errado; se as conhecem e, por comodidade, preguiça ou imposições externas, as não usaram, o caso talvez até seja pior.
Em relação aos autores, e em atenção aos antecedentes, esperaria certamente que o José Manuel Vargas fosse mais além do que foi, pois há já bastantes anos atrás fez trabalhos de boa qualidade que até já recomendámos neste blog. Quando à Drª Maria Clara Santos não lhe conhecemos obra historiográfica original em extensão suficiente para depositarmos nela mais ou menos esperanças e acreditamos que certamente o trabalho na autarquia lhe deverá ter ocupado o tempo em outras actividades que não o estudo da memória histórica e doo património do antigo concelho de Alhos Vedros.
Justificar-se-ão os autores que esta era uma obra despretensiosa, de divulgação, patati, patátá, sem grandes ambições e todo o rosário que costuma acompanhar estes textos. Ora aí está o problema !
A ambição não pode faltar nestas iniciativas e o comodismo preguiçoso típico da burocracia autárquica não se deve instalar. Se nem com apoio vão lá, como é que querem que se faça alguma coisa. E para que é que servem Núcleos de Amigos da História Local se o trabalho produzido se reduz a papaguear o que já é conhecido e a transcrever facsímiles ?
E depois temos ainda de suportar aqueles textops introdutórios dos Presidentes e Vereadores de serviço que, não percebendo nada da coisa, escrevem sobre esta “maravilhosa obra”. Tenho a sensação que as obras de que percebem são outras e quanto a maravilhas nem se fala.
Esclareçamos as questões por pontos:
Quanto ao estudo, se à parte técnica da transcrição e comentário pouco haverá a acrescentar, tirando uma ou outra questão de critério paleográfico, o mesmo se não poderá dizer do estudo de enquadramento histórico pois a primeira parte limita-se a debitar um discurso dezenas de vezes repetido por todo o país sempre que se publica um foral manuelino, sem nada de mais original, enquanto a segunda sobre Alhos Vedros se acomoda aos elementos do próprio foral, aos dados de uma publicação de Ana Leal e Francisco Pires sobre as Visitações e muito pouco mais, sendo bastante pobre, porque meramente descritiva do que as fontes dizem de forma directa e não fazendo um enquadramento espacial no âmbito da região em que Alhos Vedros se inseria.
A propósito da bibliografia mais haverá a dizer, pois são ignoradas positivamente todas as publicações existentes sobre documentos similares da margem sul ou do distrito de Setúbal (já nem falo de outro tipo de textos ou fontes), as quais não sendo muitas sempre são algumas: António Nabais publicou o foral de Alcochete e Aldeia Galega em 1995 para as respectivas Câmaras Municipais; o mesmo autor e Alexandre Flores já tinham publicado um estudo sobre os forais de Palmela em 1992 (CM Palmela); Alexandre Flores também tem obra publicada sobre Almada e até o foral de Canha foi publicado em 1999 pela Câmara do Montijo com transcrição de Rosa Bela Azevedo. Como se vê, tudo publicações anteriores à ques está sob análise e que, sendo da iniciativa de autarquias vizinhas, os autores teriam obrigação de conhecer. Se as não conhecem, talvez estejam no ofício errado; se as conhecem e, por comodidade, preguiça ou imposições externas, as não usaram, o caso talvez até seja pior.
Em relação aos autores, e em atenção aos antecedentes, esperaria certamente que o José Manuel Vargas fosse mais além do que foi, pois há já bastantes anos atrás fez trabalhos de boa qualidade que até já recomendámos neste blog. Quando à Drª Maria Clara Santos não lhe conhecemos obra historiográfica original em extensão suficiente para depositarmos nela mais ou menos esperanças e acreditamos que certamente o trabalho na autarquia lhe deverá ter ocupado o tempo em outras actividades que não o estudo da memória histórica e doo património do antigo concelho de Alhos Vedros.
Justificar-se-ão os autores que esta era uma obra despretensiosa, de divulgação, patati, patátá, sem grandes ambições e todo o rosário que costuma acompanhar estes textos. Ora aí está o problema !
A ambição não pode faltar nestas iniciativas e o comodismo preguiçoso típico da burocracia autárquica não se deve instalar. Se nem com apoio vão lá, como é que querem que se faça alguma coisa. E para que é que servem Núcleos de Amigos da História Local se o trabalho produzido se reduz a papaguear o que já é conhecido e a transcrever facsímiles ?
E depois temos ainda de suportar aqueles textops introdutórios dos Presidentes e Vereadores de serviço que, não percebendo nada da coisa, escrevem sobre esta “maravilhosa obra”. Tenho a sensação que as obras de que percebem são outras e quanto a maravilhas nem se fala.
segunda-feira, agosto 16, 2004
Léxico moiteiro III
O Manuel Pedro avança um passo e recria diálogos quotidianos em lares moiteiros:
Quando a mãe moiteira vê o filho muito sujo diz-lhe para ele ir tomar BOInho:
- Ó Toinho, vai tomar BOInho e limpa-me esse rainho !
Quando a mãe moiteira vê o filho muito sujo diz-lhe para ele ir tomar BOInho:
- Ó Toinho, vai tomar BOInho e limpa-me esse rainho !
Esclarecimento (tá bem...)
A propósito de um comentário nosso sobre obras coercivas da CMLisboa na sede do CDS-PP o sempre atento leitor Titta Maurício mandou-nos o seguinte esclarecimento (achamos que seja para nós embora ele se dirija a um sr. Pedro, será o Manuel Pedro, nosso colaborador ?):
Meu Caro Pedro (???),
Só umas pequeninas achegas:
1º As obras coercivas não são realizadas na sede do CDS-PP (essa é a forma de vender uma notícia nesta já recorrente "silly season"): se-lo-ão no prédio que, entre outras, também está parcialmente arrendado ao CDS-PP;
2º As obras no imóvel são, supletivamente, responsabilidade do proprietário - ainda que, no caso em concreto, contratualmente, o CDS-PP haja assumido como sua a responsabilidade de o fazer no espaço que arrendou;
3º Porém, subsiste a responsabilidade do proprietário sobre o restante espaço do imóvel;
4º Parte dele (e não parte despicienda) é composta por espaço devoluto ou arrendado (nos quais, como sabe, a realização de obras depende da autorização do proprietário ou de quem o tomou de arrendamento);
5º Assim, não obstante o CDS-PP se ter disponibilizado a proceder a obras de recuperação... só o poderia fazer no seu espaço e, no restante, apenas e só com o acordo e comparticipação financeira quer do proprietário quer dos restantes inquilinos (o que não foi possível por estes não haveram concordado);
6º Agora sim as obras serão realizadas, e o CDS-PP, assim que a conta lhe for apresentada, pagará as despesas efectuadas no espaço que tomou de arrendamento;
7º Assim, se alguém beneficia de um empréstimo sem juros (como alguns acusam), não será o CDS-PP!
Quanto ao que esta ou outras câmaras façam a outros inquilinos não sei, mas esta é a realidade... por muito pouco sumarenta que seja! Ainda não é desta que apanham o CDS e o seu líder... mais uma invenção ou uma tempestade num copo de água! Continua o tiro ao Salvado... e aos que a esquerda extrema e a extrema-esquerda juraram vingança.
Que não o seu caso... que é, sobre o assunto, um exemplo de falta de informação... que espero haja contribuído para debelar!
Com os melhores cumprimentos,
João Titta Maurício
Meu Caro Pedro (???),
Só umas pequeninas achegas:
1º As obras coercivas não são realizadas na sede do CDS-PP (essa é a forma de vender uma notícia nesta já recorrente "silly season"): se-lo-ão no prédio que, entre outras, também está parcialmente arrendado ao CDS-PP;
2º As obras no imóvel são, supletivamente, responsabilidade do proprietário - ainda que, no caso em concreto, contratualmente, o CDS-PP haja assumido como sua a responsabilidade de o fazer no espaço que arrendou;
3º Porém, subsiste a responsabilidade do proprietário sobre o restante espaço do imóvel;
4º Parte dele (e não parte despicienda) é composta por espaço devoluto ou arrendado (nos quais, como sabe, a realização de obras depende da autorização do proprietário ou de quem o tomou de arrendamento);
5º Assim, não obstante o CDS-PP se ter disponibilizado a proceder a obras de recuperação... só o poderia fazer no seu espaço e, no restante, apenas e só com o acordo e comparticipação financeira quer do proprietário quer dos restantes inquilinos (o que não foi possível por estes não haveram concordado);
6º Agora sim as obras serão realizadas, e o CDS-PP, assim que a conta lhe for apresentada, pagará as despesas efectuadas no espaço que tomou de arrendamento;
7º Assim, se alguém beneficia de um empréstimo sem juros (como alguns acusam), não será o CDS-PP!
Quanto ao que esta ou outras câmaras façam a outros inquilinos não sei, mas esta é a realidade... por muito pouco sumarenta que seja! Ainda não é desta que apanham o CDS e o seu líder... mais uma invenção ou uma tempestade num copo de água! Continua o tiro ao Salvado... e aos que a esquerda extrema e a extrema-esquerda juraram vingança.
Que não o seu caso... que é, sobre o assunto, um exemplo de falta de informação... que espero haja contribuído para debelar!
Com os melhores cumprimentos,
João Titta Maurício
domingo, agosto 15, 2004
Léxico moiteiro - II
Continuemos com a parte dos vegetais:
Aboicate - abacate, para as pessoas normais.
Ceboilinho - cebolinho.
Agora parte do corpo começando pela caboiça (é mesmo assim que o moiteiro fala, acentuando bem a sílaba tónica no meio da caboiça):
Boica - a boca, que estão sempre a usar.
Boilhos - os olhinhos, é claro.
Boirelhas - orelhas, que raramente usam quando a conversa lhes não interessa.
Aboicate - abacate, para as pessoas normais.
Ceboilinho - cebolinho.
Agora parte do corpo começando pela caboiça (é mesmo assim que o moiteiro fala, acentuando bem a sílaba tónica no meio da caboiça):
Boica - a boca, que estão sempre a usar.
Boilhos - os olhinhos, é claro.
Boirelhas - orelhas, que raramente usam quando a conversa lhes não interessa.
sábado, agosto 14, 2004
Aleluia
Eis que se não quando nos aparece na net em formato pdf (requere o Acrobat Reader para ler) o texto de uma publicação da CMM, da autoria de Maria Clara Santos e José Manuel Vargas, uma obra sobre "O Foral de Alhos Vedros", datada de 2000.
Bem, àparte as gralhas logo nas primeiras páginas, que acontecem até nas melhores publicações (quanto mais nas da CMM), a obra em si não é má, mesmo se eu nunca a tenha visto em lado algum (problema certamente meu).
A bibliografia é quase boa, embora o estudo seja muito sofrível, pois queda-se por Alhos Vedros no século XVI, pouco indo atrá e nada indo à frente.
E aqui fica o busílis da questão.
Aguardamos a publicação das actas da vereação do concelho de Alhos Vedros, mais de 20 livros que cobrem o período de 1625 a 1855, para percebermos o que se passou no crucial século XVII e dos problemas da elevação da Moita a vila e, no século XIX, da forma como o declínio de Alhos Vedros se acentuou ao ponto de se extinguir enquanto sede de município.
Pelo menos do José Manuel Vargas esperamos um pouco melhor do que este estudo, pouco ousado e convencional até à raíz dos cabelos.
Ficamos à espera da próxima.
Por nós, nem que seja nos 600 anos do Foral (é já em 2014) faremos certamente melhor, esperando já ter devolvido a Alhos Vedros a dignidade municipal vilmente subtraída.
sexta-feira, agosto 13, 2004
Para distrair
Embora as propostas de Verão estejam meio paradas, para quem gosta de BD, e a pedido de várias famílias (foi mais de uma família só, mas...), podem sempre dar um salto ao blog Beco das Imagens. É como o dos Marretas: mesmo não sendo genial, sempre alivia.
quinta-feira, agosto 12, 2004
Brasão
O nosso leitor José Luís Pinto mandou-nos o endereço de um site onde se podem encontrar as imagens das armas e brasão de Alhos Vedros. O endereço é este.
A descrição das armas é a que se segue, prometendo nós que tentaremos incluir as imagens no nosso fotoblog. Veremos só se o formato das imagens é aceite.
Armas - Escudo de prata, dois remos passados em aspa, acompanhados em chefe da cruz da Ordem de Santiago, de púrpura, de duas flores-de-lis de vermelho nos flancos e de uma cabaça de verde em ponta. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas : “ ALHOS VEDROS “.
A descrição das armas é a que se segue, prometendo nós que tentaremos incluir as imagens no nosso fotoblog. Veremos só se o formato das imagens é aceite.
Armas - Escudo de prata, dois remos passados em aspa, acompanhados em chefe da cruz da Ordem de Santiago, de púrpura, de duas flores-de-lis de vermelho nos flancos e de uma cabaça de verde em ponta. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas : “ ALHOS VEDROS “.
terça-feira, agosto 10, 2004
Favores
A Câmara Municipal de Lisboa decidiu assumir a realização de obras coercivas na sede do CDP/PP no Largo do Caldas, apesar de o contrato de arrendamento estipular que seria o inquilino (a dita cuja agremiação política) a responsabilizar-se por tal.
Nada como ver as boas relações P(edro)P(aulo) a funcionar.
Já viram se a moda pega entre nós ?
A quem iria a CMM fazer obras em casa ?
MMMMM!!!!!!!
Nada como ver as boas relações P(edro)P(aulo) a funcionar.
Já viram se a moda pega entre nós ?
A quem iria a CMM fazer obras em casa ?
MMMMM!!!!!!!
Léxico moiteiro
Na esteira do léxico restauracionista (cf. posts do ano de 2003), inauguramos aqui o léxico moiteiro:
Secção de produtos vegetais (algumas achegas):
Boilota - bolota moiteira.
Ceboila - cebola moiteira.
Secção de produtos vegetais (algumas achegas):
Boilota - bolota moiteira.
Ceboila - cebola moiteira.
O que interessa
Só para acalmar os impacientes interessados, assegura-se que o texto sobre a Isabel Angelino ainda estará pronto este mês.
Os ricos que paguem a crise
Alguém se lembra (ou fotografou) daquele mural da UDP que havia à entrada do Campo da Forca, de frente para a estação da CP ?
Ao ler as memórias políticas do José Silva lembrei-me das horas que passei sentado à espera de comboio a olhar para o dito cujo mural
Não tinha a pinta dos do MRPP mas aquele capitalista com um calhau enorme às costas com "Crise" escrita era bem original.
Ao ler as memórias políticas do José Silva lembrei-me das horas que passei sentado à espera de comboio a olhar para o dito cujo mural
Não tinha a pinta dos do MRPP mas aquele capitalista com um calhau enorme às costas com "Crise" escrita era bem original.
sábado, agosto 07, 2004
Fracasso
Eu tentei
Tentei, tentei.
Tentei descarregar o software "Hello/Picasa" que o Blogger disponibiliza para inserir imagens directamente no blog, mas a coisa deu erro de memória no sector xpto e depois a memória não pode ser "writen" e blá-blá-blá e eu não tenho paciência para isto.
Fica como está e acabou-se.
Para me distrair fui ao Blogue dos Marretas, que não sendo genial, também não é mau.
Tentei, tentei.
Tentei descarregar o software "Hello/Picasa" que o Blogger disponibiliza para inserir imagens directamente no blog, mas a coisa deu erro de memória no sector xpto e depois a memória não pode ser "writen" e blá-blá-blá e eu não tenho paciência para isto.
Fica como está e acabou-se.
Para me distrair fui ao Blogue dos Marretas, que não sendo genial, também não é mau.
Mais umas fotos
Embora já estejam novos textos na forja, fiquemo-nos por mais umas fotos no AVedros Visual.
É fim de semana.
Descansemos, porque até o Senhor descansou (mesmo se ao Sábado tenha sido o do Judeus).
É fim de semana.
Descansemos, porque até o Senhor descansou (mesmo se ao Sábado tenha sido o do Judeus).
sexta-feira, agosto 06, 2004
Resposta aos reparos
Aqui vão os esclarecimentos tidos como necessários aos reparos do post anterior:
1) Quanto às estatísticas do PTBloggers convém explicar que os chamados hits out que aí se contabilizam correspondem exactamente às entrdas no blog a partir do apontador. Ou seja, correspondem, em teoria, a novos visitantes, pois os regulares normalmente entrarão a partir dos favoritos ou mesmo digitando o endereço e o administrador do blog entra a partir do site do próprio Blogger usando a sua palavra-passe.
Nós não afirmámos que éramos os maiores do planeta e arredores, apenas sublinhámos que, para nossa surpresa, tínhamos um nível de entradas bem acima da média dos blogs regionais e mesmo bastante bom para qualquer blog generalista, se descontarmos aqueles mais na moda. Claro que nos podem visitar e nunca mais voltar mas, mesmo assim, não podemos deixar de ficar satisfeitos porque na última semana verificámos que o número de hits out tem aumentado com regularidade.
Quanto a outros métodos para contabilizar o tráfego da blogosfera não é nossa prioridade pois não é isso que nos interessa. Apenas fizemos um reparo, que para nós foi uma agradável surpresa.
2) Ao Luís Rodrigues só podemos responder que opiniões não se discutem. No entanto, se ler com atenção alguns dos primeiros posts poderá encontrar a nossa definição de «moiteiro», que não corresponde a qualquer habitante da Moita, mas um seu tipo específico e bem característico, que até pode existir fora da Moita. Já agora, e como conselho adicional, passe a usar alguma pontuação para além das vírgulas, porque não é Saramago quem quer e nós não temos tempo para editar tudo o que nos mandam.
3) Grande falta a nossa, é muito verdade. A Isabel Angelino não merecia o nosso esquecimento. Vamos ver o que se arranja. Um grande obrigado a este leitor atento ao que interessa a sério.
4) A crítica do J. C. Guimarães revela alguma falta de leitura dos nossos arquivos, pois já abordámos algumas destas questões no início da nossa polémica com o nosso leitor/colaborador Titta Maurício.
Realmente o pessoal é muito má língua. O que é que se há-de fazer. Mas garantimos-lhe que não queremos substituir ninguém e a nossa causa é meramente cívico-humorística.
Quanto a mamar, vamos ficar por aqui porque nos ocorrem demasiados trocadilhos fáceis, mesmo se de gosto duvidoso.
Para acabar, apenas um outro reparo: o pessoal escreve, não diz (o blog não tem som). E a propósito disso fiquemo-nos com um pensamento erudito:
Verba volant, scripta manent (em português “as palavras passam, a escrita permanece”, não sei quem disse/escreveu, mas que é bonito e acertado é).
1) Quanto às estatísticas do PTBloggers convém explicar que os chamados hits out que aí se contabilizam correspondem exactamente às entrdas no blog a partir do apontador. Ou seja, correspondem, em teoria, a novos visitantes, pois os regulares normalmente entrarão a partir dos favoritos ou mesmo digitando o endereço e o administrador do blog entra a partir do site do próprio Blogger usando a sua palavra-passe.
Nós não afirmámos que éramos os maiores do planeta e arredores, apenas sublinhámos que, para nossa surpresa, tínhamos um nível de entradas bem acima da média dos blogs regionais e mesmo bastante bom para qualquer blog generalista, se descontarmos aqueles mais na moda. Claro que nos podem visitar e nunca mais voltar mas, mesmo assim, não podemos deixar de ficar satisfeitos porque na última semana verificámos que o número de hits out tem aumentado com regularidade.
Quanto a outros métodos para contabilizar o tráfego da blogosfera não é nossa prioridade pois não é isso que nos interessa. Apenas fizemos um reparo, que para nós foi uma agradável surpresa.
2) Ao Luís Rodrigues só podemos responder que opiniões não se discutem. No entanto, se ler com atenção alguns dos primeiros posts poderá encontrar a nossa definição de «moiteiro», que não corresponde a qualquer habitante da Moita, mas um seu tipo específico e bem característico, que até pode existir fora da Moita. Já agora, e como conselho adicional, passe a usar alguma pontuação para além das vírgulas, porque não é Saramago quem quer e nós não temos tempo para editar tudo o que nos mandam.
3) Grande falta a nossa, é muito verdade. A Isabel Angelino não merecia o nosso esquecimento. Vamos ver o que se arranja. Um grande obrigado a este leitor atento ao que interessa a sério.
4) A crítica do J. C. Guimarães revela alguma falta de leitura dos nossos arquivos, pois já abordámos algumas destas questões no início da nossa polémica com o nosso leitor/colaborador Titta Maurício.
Realmente o pessoal é muito má língua. O que é que se há-de fazer. Mas garantimos-lhe que não queremos substituir ninguém e a nossa causa é meramente cívico-humorística.
Quanto a mamar, vamos ficar por aqui porque nos ocorrem demasiados trocadilhos fáceis, mesmo se de gosto duvidoso.
Para acabar, apenas um outro reparo: o pessoal escreve, não diz (o blog não tem som). E a propósito disso fiquemo-nos com um pensamento erudito:
Verba volant, scripta manent (em português “as palavras passam, a escrita permanece”, não sei quem disse/escreveu, mas que é bonito e acertado é).
Alguns reparos
Os nossos leitores não são só os fãs incondicionais e alguns vão-nos fazendo críticas mais ou menos acertadas. Aqui está uma selecção daquelas que se podem publicar sem ofender sensibilidades.
1.
Li no v/ blog que eram os mais lidos a nível regional de acordo com as estatisticas do Pt bloggers e que estavam nos mais lidos a nível nacional. Isso não é bem assim porque esse apontador não contabiliza o tráfego mas apenas as entradas a partir dele por isso a vossa conclusão é um pouco abusiva. Existem melhores métodos para fazer a estatística dos visitantes que vocês não usam.
Fábio S. Sousa
2.
Venho por este meio dizer-vos que vivo na Moita e não percebo as críticas que fazem aos que vocês chamam «moiteiros» com ar de gozo, tenho muito gosto de viver na Moita e acho que voces gozam mas não sabem do que falam porque a Moita é terra de gente boa e trabalhadora e voces só sabem falar e não fazem nada de util para ninguem era melhor que ficassem calados.
Luís Miguel Rodrigues
3.
Leio-os há uns tempos e não posso deixar de vos fazer o reparo de não terem cumprido uma das vossas promessas de há uns meses que era escreverem sobre a Isabel Angelino. Lembram-se ?
António Mesquita
4.
Aquilo que vos quero dizer é que vocês falam muito e criticam tudo e todos mas não sabemos que vocês são e o que fizeram até hoje para melhorar aquilo de que dizem mal.
Porque dizer mal é muito fácil, mas fazer é outra coisa, o mais certo é terem qualquer interesse só em dizer mal. Dizem que não têm partido mas isso é treta e devem é estar à espera para mamarem como aqueles de que dizem mal.
João Carlos Guimarães
1.
Li no v/ blog que eram os mais lidos a nível regional de acordo com as estatisticas do Pt bloggers e que estavam nos mais lidos a nível nacional. Isso não é bem assim porque esse apontador não contabiliza o tráfego mas apenas as entradas a partir dele por isso a vossa conclusão é um pouco abusiva. Existem melhores métodos para fazer a estatística dos visitantes que vocês não usam.
Fábio S. Sousa
2.
Venho por este meio dizer-vos que vivo na Moita e não percebo as críticas que fazem aos que vocês chamam «moiteiros» com ar de gozo, tenho muito gosto de viver na Moita e acho que voces gozam mas não sabem do que falam porque a Moita é terra de gente boa e trabalhadora e voces só sabem falar e não fazem nada de util para ninguem era melhor que ficassem calados.
Luís Miguel Rodrigues
3.
Leio-os há uns tempos e não posso deixar de vos fazer o reparo de não terem cumprido uma das vossas promessas de há uns meses que era escreverem sobre a Isabel Angelino. Lembram-se ?
António Mesquita
4.
Aquilo que vos quero dizer é que vocês falam muito e criticam tudo e todos mas não sabemos que vocês são e o que fizeram até hoje para melhorar aquilo de que dizem mal.
Porque dizer mal é muito fácil, mas fazer é outra coisa, o mais certo é terem qualquer interesse só em dizer mal. Dizem que não têm partido mas isso é treta e devem é estar à espera para mamarem como aqueles de que dizem mal.
João Carlos Guimarães
quinta-feira, agosto 05, 2004
Memórias Políticas I
Aqui começam as heróicas memórias políticas do José Silva.
O editor do blog agradece tanta colaboração, logo agora que estava a pensar ir de férias.
O Roldão Preto na Galiza, o Manuel Pedro pró Sul, o António da Costa prestes a partir para algures e eu aqui, agarrado ao computador.
Vidas...
Para além da GNR à porta de casa, à espera do meu pai, felizmente sem grande sucesso, antes do 25 de Abril (25/A para alguns), a minha primeira memória política passa pelo meu precoce activismo contra a profusão de cartazes em Alhos Vedros entre 1974 e 1975.
Por todas as fachadas das casa por onde passava a caminho da Primária as paredes passaram a estar cobertas de papelada de todas as cores e formas.
Eu não percebia grande coisa do que aquilo era mas confesso que não gostava por já achar então que aquilo era um bocado de lixo agarrado às paredes.
Digamos que era assim meio antidemocrata, meio ecologista.
Vai daí e toca de arrancar o máximo de cartazes que podia.
Os mais numerosos e mais fáceis de arrancar eram os do MRPP, porque eram colados a uma altura a que eu chegava, a cola usada era aquele mistura de água, farinha e mais não sei o quê e, para mais, colavam os cartazes uns sobre os outros, sobrepondo um dos lados; acho mesmo que aquilo já devia vir assim da sede, tipo faixa pronta a colar. Era uma beleza, porque vbastava puxar um dos cantos de baixo e aquilo ia quase tudo de uma vez.
Claro que fazia a coisa meio às escondidas quando ninguém estava a ver, pois era puto mas não era assim tão parvo. Uma vez distraí-me gabei-me da coisa em casa e foi um alarido, com a minha mãe em pânico, porque então era crime capital arrancar cartazes de partidos do PC para a esquerda (eram práí uns 25 ou mais).
Os cartazes mais irritantes eram os da FEC (m-l) porque, ao contrário da maior parte dos restantes, eram colados mais alto, eram pequenitos e a cola era das boas. Digamos assim, eram poucos e pequenos, mas bons. Um, muito em particular, escapou a toda essa temporada sem eu lhe conseguir pôr as mãos em cima. Lembro-me, como se fosse hoje, da minha sensação de impotência em chegar-lhe por muito que me esticasse. Estava colado num dos vidros superiores da então dependência do BPA, onde agora está uma Igreja Evangêlica, na Avenida Bela Rosa.
Chegava a desviar-me dos meus trajectos normais só para mirar o dito cartaz que não tinha mais de um palmo de largura por menos de dois de altura com uns dizeres a preto sobre um fundo azul ou verde desmaiado.
O sacana do cartaz sobreviveu bem mais do a própria FEC (m-l).
A propósito, quem é que em Alhos Vedros era então da FEC (m-l) ?
E quem é que colou o maldito cartaz que me fez passar por um dos meus maiores traumas de infância e pelo primeiro insucesso da minha carreira política ?
Se eu o apanho ainda lhe colo um autocolante do PDC na testa.
José Silva
O editor do blog agradece tanta colaboração, logo agora que estava a pensar ir de férias.
O Roldão Preto na Galiza, o Manuel Pedro pró Sul, o António da Costa prestes a partir para algures e eu aqui, agarrado ao computador.
Vidas...
Para além da GNR à porta de casa, à espera do meu pai, felizmente sem grande sucesso, antes do 25 de Abril (25/A para alguns), a minha primeira memória política passa pelo meu precoce activismo contra a profusão de cartazes em Alhos Vedros entre 1974 e 1975.
Por todas as fachadas das casa por onde passava a caminho da Primária as paredes passaram a estar cobertas de papelada de todas as cores e formas.
Eu não percebia grande coisa do que aquilo era mas confesso que não gostava por já achar então que aquilo era um bocado de lixo agarrado às paredes.
Digamos que era assim meio antidemocrata, meio ecologista.
Vai daí e toca de arrancar o máximo de cartazes que podia.
Os mais numerosos e mais fáceis de arrancar eram os do MRPP, porque eram colados a uma altura a que eu chegava, a cola usada era aquele mistura de água, farinha e mais não sei o quê e, para mais, colavam os cartazes uns sobre os outros, sobrepondo um dos lados; acho mesmo que aquilo já devia vir assim da sede, tipo faixa pronta a colar. Era uma beleza, porque vbastava puxar um dos cantos de baixo e aquilo ia quase tudo de uma vez.
Claro que fazia a coisa meio às escondidas quando ninguém estava a ver, pois era puto mas não era assim tão parvo. Uma vez distraí-me gabei-me da coisa em casa e foi um alarido, com a minha mãe em pânico, porque então era crime capital arrancar cartazes de partidos do PC para a esquerda (eram práí uns 25 ou mais).
Os cartazes mais irritantes eram os da FEC (m-l) porque, ao contrário da maior parte dos restantes, eram colados mais alto, eram pequenitos e a cola era das boas. Digamos assim, eram poucos e pequenos, mas bons. Um, muito em particular, escapou a toda essa temporada sem eu lhe conseguir pôr as mãos em cima. Lembro-me, como se fosse hoje, da minha sensação de impotência em chegar-lhe por muito que me esticasse. Estava colado num dos vidros superiores da então dependência do BPA, onde agora está uma Igreja Evangêlica, na Avenida Bela Rosa.
Chegava a desviar-me dos meus trajectos normais só para mirar o dito cartaz que não tinha mais de um palmo de largura por menos de dois de altura com uns dizeres a preto sobre um fundo azul ou verde desmaiado.
O sacana do cartaz sobreviveu bem mais do a própria FEC (m-l).
A propósito, quem é que em Alhos Vedros era então da FEC (m-l) ?
E quem é que colou o maldito cartaz que me fez passar por um dos meus maiores traumas de infância e pelo primeiro insucesso da minha carreira política ?
Se eu o apanho ainda lhe colo um autocolante do PDC na testa.
José Silva
Generosidade moiteira
Ainda não tínhamos aqui manifestado o apreço por ter a CMM disponibilizado 6 pavilhões 6 para a Feira do Livro de Alhos Vedros.
Foi tanta a generosidade e simpatia que, dizem os organizadores, só ficaram metade dos livros por desempacotar e expôr.
Já viram o raio de manias da malta de Alhos Vedros ?
Fazer feiras do Livro !
Comprar livros !!
LER LIVROS !!!
Que raio de hábitos estranhos estes.
Nada que cheire a bosta.
Só letras, papel e às vezes uns desenhitos.
Já agora, porque será que, apesar de raízes tidas como tão profundas, existem tão poucos livros sobre a tauromaquia em Portugal e, muito em especial, não tão secular taurina Moita ?
Será que os interessados nos bois não sabem ler ou não conseguem escrever ?
Ou as duas coisas ?
Será que só lá vão com desenhos ?
O azar é que nós, em Alhos Vedros, é que acabamos por ficar a olhar para o boneco.
Foi tanta a generosidade e simpatia que, dizem os organizadores, só ficaram metade dos livros por desempacotar e expôr.
Já viram o raio de manias da malta de Alhos Vedros ?
Fazer feiras do Livro !
Comprar livros !!
LER LIVROS !!!
Que raio de hábitos estranhos estes.
Nada que cheire a bosta.
Só letras, papel e às vezes uns desenhitos.
Já agora, porque será que, apesar de raízes tidas como tão profundas, existem tão poucos livros sobre a tauromaquia em Portugal e, muito em especial, não tão secular taurina Moita ?
Será que os interessados nos bois não sabem ler ou não conseguem escrever ?
Ou as duas coisas ?
Será que só lá vão com desenhos ?
O azar é que nós, em Alhos Vedros, é que acabamos por ficar a olhar para o boneco.
Chulos
Diálogo entre leitores do Jornal da Moita e Baixa da Banheira
- Conheces o Luís Chula ?
- Chula quem ?
- O Luís Chula !
- Chula quem ?
- O Luís Chula, pá, o moiteiro, o dos bois !!!
- Ah, já percebo, o moiteiro Luís que chula os bois.
- Realmente não estás a perceber, ou melhor, se calhar até estás a perceber bem de mais.
- Obrigado... acho eu...
- Conheces o Luís Chula ?
- Chula quem ?
- O Luís Chula !
- Chula quem ?
- O Luís Chula, pá, o moiteiro, o dos bois !!!
- Ah, já percebo, o moiteiro Luís que chula os bois.
- Realmente não estás a perceber, ou melhor, se calhar até estás a perceber bem de mais.
- Obrigado... acho eu...
Correcção do link
O José Luís Pinto enviou-nos a correcção do link que não estava a funcionar.
Tentem este que nós vamos metendo mais uns posts.
Alteraram o artigo e trocaram a foto...
Mas tentem este:
http://www.diariodobarreiro.pt/sociedade/xartigo3.asp
Tentem este que nós vamos metendo mais uns posts.
Alteraram o artigo e trocaram a foto...
Mas tentem este:
http://www.diariodobarreiro.pt/sociedade/xartigo3.asp
quarta-feira, agosto 04, 2004
Curiosidades moiteiras
Reparem na foto ;)
http://www.diariodobarreiro.pt/Primeira%20Pagina/xartigo2.asp
Agora a Moita "do Ribatejo" já se estende até ao Cais Velho ?
Cumprimentos
José Luís Pinto
Nota: O link parece já não estar activo para a notícia que nos interessa, mas quem tiver paciência pode procurar.
http://www.diariodobarreiro.pt/Primeira%20Pagina/xartigo2.asp
Agora a Moita "do Ribatejo" já se estende até ao Cais Velho ?
Cumprimentos
José Luís Pinto
Nota: O link parece já não estar activo para a notícia que nos interessa, mas quem tiver paciência pode procurar.
Os Malucos da Terra - novos dados sobre o #3
No fotoblog Alhos Vedros Visual, inserimos uma foto de um "maluco" sobre o qual não tínhamos quase nenhumas informações.
Eis se não quando o José Luís Pinto aqui nos surge com um esclarecimento em cima da hora e que muito agradecemos.
Que belas noites passei eu no mítico (pelo menos para mim) Mobil Garden a ouvir este "maluco" que costumava parar por lá, a troco duma imperial tinhamos direito a relatos de experiencias com todo o tipo de drogas; fracas, fortes, químícas, era um desenrolar de histórias que parecia não ter fim.
Não tenho a certeza mas acho que se chamava Joaquim e tinha vindo de algures no Alentejo, rejeitado pela família.Durante um tempo teve apoio psicológico no hospital onde lhe trataram das "luzes psicadélicas" e das "unhas com formigas" que ele via, depois foi acolhido no lar de Alhos Vedros, a partir daqui perdi-lhe o rasto, ouvi dizer uns anos mais tarde que teria morrido, mas não posso afirmar que corresponda à verdade.
José Luis Pinto
Eis se não quando o José Luís Pinto aqui nos surge com um esclarecimento em cima da hora e que muito agradecemos.
Que belas noites passei eu no mítico (pelo menos para mim) Mobil Garden a ouvir este "maluco" que costumava parar por lá, a troco duma imperial tinhamos direito a relatos de experiencias com todo o tipo de drogas; fracas, fortes, químícas, era um desenrolar de histórias que parecia não ter fim.
Não tenho a certeza mas acho que se chamava Joaquim e tinha vindo de algures no Alentejo, rejeitado pela família.Durante um tempo teve apoio psicológico no hospital onde lhe trataram das "luzes psicadélicas" e das "unhas com formigas" que ele via, depois foi acolhido no lar de Alhos Vedros, a partir daqui perdi-lhe o rasto, ouvi dizer uns anos mais tarde que teria morrido, mas não posso afirmar que corresponda à verdade.
José Luis Pinto
Os Bois e a Política ou a Política dos Bois
Não há férias para os nossos colaboradores.
Agora é o António da Costa com novo artigo sobre política local
A seguir é o José Luís Pinto com um contributo sobre os Malucos da Terra.
Para os próximos dias são as memórias políticas do José Silva
Até parece que somos pagos para isto.
Como já expus em análise anterior, o PS prepara-se para, em princípio para breve, ver cair-lhe no regaço a Câmara da Moita, sem que para isso tenha feito nada de assinalável mérito.
Um pouco à semelhança do que se passou no Barreiro, também na Moita a incapacidade da gestão autárquica do PC conduziu a uma erosão profunda do seu eleitorado o que, aliando-se a questões demográficas, tem consequências eleitorais naturais e óbvias para qualquer observador.
Neste contexto, o PS apresenta-se como o herdeiro natural do poder autárquico, mesmo que não consiga atingir os resultados das eleições para os Parlamentos Português e Europeu. No entanto,e apesar de uma aparente renovação do aparelhos partidário local, o PS do concelho da Moita caracteriza-se – a avaliar pelos documentos que divulga publicamente – por uma ausência de ideias novas ou mesmo de propostas concretas que só faz jus ao seu alinhamento socrático na luta interna pelo poder.
Mas, apesar desta vacuidade da oposição mais próxima, o PC sente bem a ameaça e, com a gestão presente, procurou inverter a situação de marasmo em que o concelho viveu longamente, em especial fora da sede do poder.
Algumas obras públicas de certo vulto, uma tentativa de patine cultural, e uma renovação dos esforços de relações públicas não se adivinham, apesar do esforço, suficientes para contrariar a força natural das coisas.
Perante o perigo de ver acabar três décadas de poder, os responsáveis autárquicos actuais lançaram mão daquele que é o último recurso disponível para tentar ganhar uns votos-extra em terreno hostil.
Ou seja, e ao arrepio de toda uma ortodoxia com profundas raízes, viraram-se para os bois e abraçaram a causa taurina com a força do desespero
Os aspectos mais caricatos desta viragem já foram denunciados aqui em textos do Manuel Pedro, mas nunca é de mais sublinhar o denodo com que a CMM passou a apoiar já não só as festividades taurinas locais, como a promovê-las com vigor e a subsidiar tudo o que seja organização ou publicação em que surja o rabo de um boi ou a teta de uma vaca.
A imprensa local sobrevive com dificuldades e, tirando as agendas e boletins municipais de propganda oficial, as publicações culturais dignas desse nome inexistem no concelho da Moita. No entanto, a revista Tauromaquia brilha com as suas cores impressas em papel couché conseguindo sobreviver afortunadamente mesmo se a sua distribuição – pasme-se – é gratuita.
Em post recente, noticiava-se neste blog a existência de novas verbas cedidas pela cãmara a organizações locais ligadas aos espectáculos taurinos.
Dirão os entendidos, em especial os que se consideram antropólogos, que é uma forma de projectar a Moita.
Certo.
A Moita projecta-se; o problema é que o resto do concelho fica na sombra.
E, pior, esta aliança política/bois é apenas uma derradeira estratégia dos detentores do poder moiteiro tentarem obter apoios num momento em que eles escasseiam.
E nada melhor que tentar pescá-los (melhor seria escrever “pegá-los”) num terreno tradicionalmente adverso à implantação do PC.
Penso, todavia, que esta é uma pega destinada ao fracasso, porque os bois, mesmo com a aparência de mansos, são falsos e não conhecem a mão que lhes deu de comer.
De certa forma, fazem bem, porque quem os engorda agora, pode querer matá-los amanhã.
Mas deixemo-nos de figuras de estilo de gosto duvidoso.
Peguemos os bois pelos cornos ou passemos a dar os nomes aos ditos cujos:
A CMM actual converteu-se aos bois por conveniência, e os apaniguados locais dos ditos ruminante quadrúpedes muito agradecem, apanhando o que podem, enquanto podem.
Daqui por uns tempos veremos quem se fica a rir.
Eu, pela minha parte, há muito que me rio de forcados de última hora, armados em grandes heróis, que levam a bela da cornada quando menos esperam.
António da Costa
Agora é o António da Costa com novo artigo sobre política local
A seguir é o José Luís Pinto com um contributo sobre os Malucos da Terra.
Para os próximos dias são as memórias políticas do José Silva
Até parece que somos pagos para isto.
Como já expus em análise anterior, o PS prepara-se para, em princípio para breve, ver cair-lhe no regaço a Câmara da Moita, sem que para isso tenha feito nada de assinalável mérito.
Um pouco à semelhança do que se passou no Barreiro, também na Moita a incapacidade da gestão autárquica do PC conduziu a uma erosão profunda do seu eleitorado o que, aliando-se a questões demográficas, tem consequências eleitorais naturais e óbvias para qualquer observador.
Neste contexto, o PS apresenta-se como o herdeiro natural do poder autárquico, mesmo que não consiga atingir os resultados das eleições para os Parlamentos Português e Europeu. No entanto,e apesar de uma aparente renovação do aparelhos partidário local, o PS do concelho da Moita caracteriza-se – a avaliar pelos documentos que divulga publicamente – por uma ausência de ideias novas ou mesmo de propostas concretas que só faz jus ao seu alinhamento socrático na luta interna pelo poder.
Mas, apesar desta vacuidade da oposição mais próxima, o PC sente bem a ameaça e, com a gestão presente, procurou inverter a situação de marasmo em que o concelho viveu longamente, em especial fora da sede do poder.
Algumas obras públicas de certo vulto, uma tentativa de patine cultural, e uma renovação dos esforços de relações públicas não se adivinham, apesar do esforço, suficientes para contrariar a força natural das coisas.
Perante o perigo de ver acabar três décadas de poder, os responsáveis autárquicos actuais lançaram mão daquele que é o último recurso disponível para tentar ganhar uns votos-extra em terreno hostil.
Ou seja, e ao arrepio de toda uma ortodoxia com profundas raízes, viraram-se para os bois e abraçaram a causa taurina com a força do desespero
Os aspectos mais caricatos desta viragem já foram denunciados aqui em textos do Manuel Pedro, mas nunca é de mais sublinhar o denodo com que a CMM passou a apoiar já não só as festividades taurinas locais, como a promovê-las com vigor e a subsidiar tudo o que seja organização ou publicação em que surja o rabo de um boi ou a teta de uma vaca.
A imprensa local sobrevive com dificuldades e, tirando as agendas e boletins municipais de propganda oficial, as publicações culturais dignas desse nome inexistem no concelho da Moita. No entanto, a revista Tauromaquia brilha com as suas cores impressas em papel couché conseguindo sobreviver afortunadamente mesmo se a sua distribuição – pasme-se – é gratuita.
Em post recente, noticiava-se neste blog a existência de novas verbas cedidas pela cãmara a organizações locais ligadas aos espectáculos taurinos.
Dirão os entendidos, em especial os que se consideram antropólogos, que é uma forma de projectar a Moita.
Certo.
A Moita projecta-se; o problema é que o resto do concelho fica na sombra.
E, pior, esta aliança política/bois é apenas uma derradeira estratégia dos detentores do poder moiteiro tentarem obter apoios num momento em que eles escasseiam.
E nada melhor que tentar pescá-los (melhor seria escrever “pegá-los”) num terreno tradicionalmente adverso à implantação do PC.
Penso, todavia, que esta é uma pega destinada ao fracasso, porque os bois, mesmo com a aparência de mansos, são falsos e não conhecem a mão que lhes deu de comer.
De certa forma, fazem bem, porque quem os engorda agora, pode querer matá-los amanhã.
Mas deixemo-nos de figuras de estilo de gosto duvidoso.
Peguemos os bois pelos cornos ou passemos a dar os nomes aos ditos cujos:
A CMM actual converteu-se aos bois por conveniência, e os apaniguados locais dos ditos ruminante quadrúpedes muito agradecem, apanhando o que podem, enquanto podem.
Daqui por uns tempos veremos quem se fica a rir.
Eu, pela minha parte, há muito que me rio de forcados de última hora, armados em grandes heróis, que levam a bela da cornada quando menos esperam.
António da Costa
terça-feira, agosto 03, 2004
Alhos Vedros Visual
O fotoblog Alhos Vedros Visual está actualizado pois mãos amigas fizeram o favor de nos enviar fotos do lendário Mosca assim como de aspectos perdidos da nossa vila.
Maravilha - Parte II
Após exploração atenta do PbBloggers, chegámos à conclusão que se estivéssemos na categoria maior de blogs (generalistas) estávamos nos 15 mais visitados a partir daquele apontador (hits out) e que, em termos globais, estamos certamente no top 30 ou 40 dos mais de 2000 blogs nacionais aí referenciados.
Nada mau para esta terrinha à beira-rio plantada e para esta meia-dúzia de descabelados.
Nada mau para esta terrinha à beira-rio plantada e para esta meia-dúzia de descabelados.
O Tagacha
As minhas recordações do Tagacha são algo diversas da evocação feita pelo Filipe Fonseca, mesmo se reconheço a situação por ele descrita como muito frequente nas ruas de Alhos Vedros dos anos 70 e 80.
Por variadas as razões, a minha relação com ele sempre foi particularmente pacífica.
Nunca o chamei pela alcunha que o irritava, algo que sempre achei muito cruel por ver o estado alterado em que ele ficava. Mas, infelizmente, desde crianças temos uma tendência inata para pisar/desprezar os mais fracos e abusar do nosso poder, seja ele físico, económico, político ou apenas (de ofensa) verbal. Em contrapartida, nunca fui por ele ameaçado ou vagamente molestado.
Ligações algo indirectas faziam com que ele fosse longinquamente aparentado com alguns conhecidos meus e, por via da amizade, com um avô meu. Talvez por isso sempre o tenha visto como alguém merecedor de respeito.
Os seus olhos muito claros e límpidos e a correcção com que tratava quem o tratava com um mínimo de consideração estavam em contradição com as «bocas» que se ouviam sobre o seu comprtamento.
Quando passava por mim, apé, no seu passo algo trôpego ou na sua bicicleta, sempre de casaquinho abotoado só com o botão do meio, cumprimentava-me com aquela sua voz algo entaramelada, ao que eu respondia sem problemas.
Quando ia em grupo, ele evitava-me para escapar ao gozo dos outros, que já sabia que aí vinha, mas muitas vezes era eu que lhe falava, não me incomodando de distribuir umas boas «sapas» por algum amigo que se estendesse no comentário subsequente.
Por isso, embora tenha o seu lugar garantido de pleno direito na vasta galeria dos malucos de Alhos Vedros, o Tagacha é aquele que sempre considerei pior tratado por quase todos nós.
(Outros testemunhos - textos ou fotos - para avedros.clix.pt)
Por variadas as razões, a minha relação com ele sempre foi particularmente pacífica.
Nunca o chamei pela alcunha que o irritava, algo que sempre achei muito cruel por ver o estado alterado em que ele ficava. Mas, infelizmente, desde crianças temos uma tendência inata para pisar/desprezar os mais fracos e abusar do nosso poder, seja ele físico, económico, político ou apenas (de ofensa) verbal. Em contrapartida, nunca fui por ele ameaçado ou vagamente molestado.
Ligações algo indirectas faziam com que ele fosse longinquamente aparentado com alguns conhecidos meus e, por via da amizade, com um avô meu. Talvez por isso sempre o tenha visto como alguém merecedor de respeito.
Os seus olhos muito claros e límpidos e a correcção com que tratava quem o tratava com um mínimo de consideração estavam em contradição com as «bocas» que se ouviam sobre o seu comprtamento.
Quando passava por mim, apé, no seu passo algo trôpego ou na sua bicicleta, sempre de casaquinho abotoado só com o botão do meio, cumprimentava-me com aquela sua voz algo entaramelada, ao que eu respondia sem problemas.
Quando ia em grupo, ele evitava-me para escapar ao gozo dos outros, que já sabia que aí vinha, mas muitas vezes era eu que lhe falava, não me incomodando de distribuir umas boas «sapas» por algum amigo que se estendesse no comentário subsequente.
Por isso, embora tenha o seu lugar garantido de pleno direito na vasta galeria dos malucos de Alhos Vedros, o Tagacha é aquele que sempre considerei pior tratado por quase todos nós.
(Outros testemunhos - textos ou fotos - para avedros.clix.pt)
segunda-feira, agosto 02, 2004
Bem haja, Lourivaldo
O chefe de redacção do jornal O Rio brinda-nos no presente número com um extraordinário e pouco usual texto de opinião sobre aquilo que para os moiteiros (ele chama-lhes moitenses, mas nós percebemos porquê) é cultura, ou seja, os bois e seus anexos, com destaque para a bosta (imagem do texto já disponível no nosso fotoblog).
A propósito de bosta, o texto em causa é motivado por um outro do distinto moiteiro Luís Chula que se queixa de ter a Câmara da Moita organizado uma sessão de homenagem a Carlos Paredes durante as festas da Moita e, por isso, ter desafiado os moitenses para (não) participar numa actividade cultural em dia de «vacada», o que para ele parece ser pecado muito mais do que venial, por violar o 11º mandamento moiteiro – “Não disputeis a primazia da cultura da vaca e do boi em caso algum”.
Mas o melhor é comprarem e lerem logo a 2ª página do jornal porque há muito que a sisuda imprensa local precisava de textos desassombrados como este.
Bem haja, Lourivaldo, e para si vai a medalha honorária (mesmo se virtual) do nosso blog por serviços prestados à causa do bom senso, mesmo com o risco da própria vida (cerebral), perante tais atentados à inteligência humana.
Nota final: Isto pega-se, pois até o Luís Carlos Santos (pg 14) se apresenta ao serviço com um irrevente texto com a sua dose certa de ironia crítica o que, convenhamos, só pode ser bem-vindo.
A propósito de bosta, o texto em causa é motivado por um outro do distinto moiteiro Luís Chula que se queixa de ter a Câmara da Moita organizado uma sessão de homenagem a Carlos Paredes durante as festas da Moita e, por isso, ter desafiado os moitenses para (não) participar numa actividade cultural em dia de «vacada», o que para ele parece ser pecado muito mais do que venial, por violar o 11º mandamento moiteiro – “Não disputeis a primazia da cultura da vaca e do boi em caso algum”.
Mas o melhor é comprarem e lerem logo a 2ª página do jornal porque há muito que a sisuda imprensa local precisava de textos desassombrados como este.
Bem haja, Lourivaldo, e para si vai a medalha honorária (mesmo se virtual) do nosso blog por serviços prestados à causa do bom senso, mesmo com o risco da própria vida (cerebral), perante tais atentados à inteligência humana.
Nota final: Isto pega-se, pois até o Luís Carlos Santos (pg 14) se apresenta ao serviço com um irrevente texto com a sua dose certa de ironia crítica o que, convenhamos, só pode ser bem-vindo.
Os Malucos da Terra - Parte I
A muito custo lá conseguimos arrancar umas linhas ao nosso colaborador Filipe Fonseca sobre o tema.
Aceitam-se todos os contributos que este Agosto permite
Aldemiro, o “Mosca”
Grande figura das ruas de Alhos Vedros durante muitos anos, o Aldemiro foi um dos muitos que vieram da Guerra Colonial com o seu cérebro meio desarranjado.
No entanto, ao contrário de outros, o seu traço principal sempre foi para mim a sua aparente boa disposição e mesmo humor.
Com um estilo muito próprio de se vestir e andar, o Aldemiro merece inteiramente o título de maluco mais elegante da terra. Com o seu andar gingão e, apesar da decadência com o passar dos tempos e quando deixou de ter os cuidados que a família, fatiota a condizer, o Mosca como era conhecido faz parte das memórias de muitos de nós que o vimos nas suas deambulações entre o Campo da Forca (perdão, Bairro Gouveia) e a “vila”.
Bem haja, onde quer que esteja.
O impagável Tagacha
Quem é que, agora entre os trinta e os quarenta anos, não gritou em miúdo “Ta-ta-tagacha” ao vê-lo passar e não fugiu imediatamente debaixo da ameaça de uma pedrade e de uma boa dúzia de impropérios enfurecidos.
Aceitam-se testemunhos.
Filipe Fonseca
Aceitam-se todos os contributos que este Agosto permite
Aldemiro, o “Mosca”
Grande figura das ruas de Alhos Vedros durante muitos anos, o Aldemiro foi um dos muitos que vieram da Guerra Colonial com o seu cérebro meio desarranjado.
No entanto, ao contrário de outros, o seu traço principal sempre foi para mim a sua aparente boa disposição e mesmo humor.
Com um estilo muito próprio de se vestir e andar, o Aldemiro merece inteiramente o título de maluco mais elegante da terra. Com o seu andar gingão e, apesar da decadência com o passar dos tempos e quando deixou de ter os cuidados que a família, fatiota a condizer, o Mosca como era conhecido faz parte das memórias de muitos de nós que o vimos nas suas deambulações entre o Campo da Forca (perdão, Bairro Gouveia) e a “vila”.
Bem haja, onde quer que esteja.
O impagável Tagacha
Quem é que, agora entre os trinta e os quarenta anos, não gritou em miúdo “Ta-ta-tagacha” ao vê-lo passar e não fugiu imediatamente debaixo da ameaça de uma pedrade e de uma boa dúzia de impropérios enfurecidos.
Aceitam-se testemunhos.
Filipe Fonseca
domingo, agosto 01, 2004
Maravilha
Por mera curiosidade narcisista (narcísica ?, isto o calor deixa-nos com o vocabulário emperrado) fui ao PTbloggers ver as estatísticas do nosso blog.
Então não é que na sua categoria (regionais) temos o blog com mais hits/entradas a partir deste apontador, com mais cinco que o 2º classificado (o Amigos da Figueira) e deixando muito longe todos os restantes ?
"Semos" bons !
Qualquer dia até me dou ao trabalho de inserir o Sitemeter aqui no blog (promessa a cumprir apenas quando o calor abrandar e depois de uma auditoria ás contas do anterior executivo, para ver se há condições económicas para cumprir essa mesma promessa).
Isto é para quem diz que ninguém nos lê.
Podem não gostar, mas que lêem, lá isso lêem.
Então não é que na sua categoria (regionais) temos o blog com mais hits/entradas a partir deste apontador, com mais cinco que o 2º classificado (o Amigos da Figueira) e deixando muito longe todos os restantes ?
"Semos" bons !
Qualquer dia até me dou ao trabalho de inserir o Sitemeter aqui no blog (promessa a cumprir apenas quando o calor abrandar e depois de uma auditoria ás contas do anterior executivo, para ver se há condições económicas para cumprir essa mesma promessa).
Isto é para quem diz que ninguém nos lê.
Podem não gostar, mas que lêem, lá isso lêem.
O que (não) ler este Verão
Depois das propostas de leituras, seguem-se as propostas de não-leituras em versão resumida, porque caso contrário não havia espaço.
Desta forma, por favor, não ler, para preservação dos neurónios:
1) Qualquer crónica pseudo-erudito-literária da Clara Ferreira Alves, mais conhecida pela Maria vai a todas do BE ao PSD, passando pelo PS, desde que dê visibilidade, cargo, presença no tempo de antena ou viagens.
2) Qualquer crónica muito, muito, muito, muito sensível e iluminada da Inês Pedrosa, porque corre-se o risco de exceder os limites legais de auto-indulgência.
3) Qualquer crónica do Boaventura Sousa Santos, estilo terceiro-mundista-libertária-fundo-social-mundialista, porque não há pachorra para contestatários do sistema que vivem à custa de subsídios do sistema (vidé Observatório da Justiça e quejandos).
4) Qualquer coisa escrita pelo Manuel Serrão, mesmo se ele só assina, pois quem escreve é outro, não tão estúpido como ele mas que, se é seu assalariado, não pode ser grande coisa.
5) Qualquer dos 235 "Apontamentos Políticos" do Vitor Barros sobre aquele livro de que anda a fazer fichas de leitura há vários meses.
6) Aqueles textos muito sensíveis, melados, pungentres, delicodoces, ingénuos e MAUS da Inês Santos Alves na penúltima página d' O Rio.
Desta forma, por favor, não ler, para preservação dos neurónios:
1) Qualquer crónica pseudo-erudito-literária da Clara Ferreira Alves, mais conhecida pela Maria vai a todas do BE ao PSD, passando pelo PS, desde que dê visibilidade, cargo, presença no tempo de antena ou viagens.
2) Qualquer crónica muito, muito, muito, muito sensível e iluminada da Inês Pedrosa, porque corre-se o risco de exceder os limites legais de auto-indulgência.
3) Qualquer crónica do Boaventura Sousa Santos, estilo terceiro-mundista-libertária-fundo-social-mundialista, porque não há pachorra para contestatários do sistema que vivem à custa de subsídios do sistema (vidé Observatório da Justiça e quejandos).
4) Qualquer coisa escrita pelo Manuel Serrão, mesmo se ele só assina, pois quem escreve é outro, não tão estúpido como ele mas que, se é seu assalariado, não pode ser grande coisa.
5) Qualquer dos 235 "Apontamentos Políticos" do Vitor Barros sobre aquele livro de que anda a fazer fichas de leitura há vários meses.
6) Aqueles textos muito sensíveis, melados, pungentres, delicodoces, ingénuos e MAUS da Inês Santos Alves na penúltima página d' O Rio.
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