Caro Roldão Preto, a visão que temos do Mundo é completamente diferente e não existem pontos de contacto a nível ideológico, quero por isso dizer-lhe que não estou disposto a alimentar discussões estéreis como as que teve com Titta Maurício, as polémicas sobre quem defende melhor a direita ou quem se assume mais integralista ou menos, não me interessam minimamente.
Eu Luís Guerreiro assumo-me como um homem de esquerda.
Por isso vou cingir-me ao tema do meu pretenso colaboracionismo com a Moita, ou o poder moiteiro como no Blog é divulgado.
Escreveu o senhor em 23.9.2004 o seguinte comentário no Alhos Vedros Visual o vosso foto blog:
"Embora aprecie a Arte em Azulejo do Luís Guerreiro, quero aqui frisar que o intuito do Blog: Alhos Vedros ao Poder é em primeiro lugar, a Restauração do Concelho de Alhos Vedros e em segundo lugar a luta contra os Lobbys moiteiros, e se bem sabemos este artista já colaborou com o poder moiteiro fazendo diversos painéis para o mercado da moita, no qual se repararem todos os painéis são temas da Moita (4), e nenhum faz alusão a Alhos Vedros, com as suas actividades corticeiras ou salineiras por exemplo. É esse menosprezo para com Alhos Vedros que a Moita sempre teve, que devemos recordar, mesmo a Luís Guerreiro ou a qualquer outro artista colaboracionista.
Roldão Preto"
As encomendas que recebi da CMM, especialmente dos painéis para o Mercado Municipal da Moita foram escolha do então presidente em exercício em 1992, porque eu até apresentei outros desenhos como opção.
Tem razão em protestar pelos temas serem todos sobre a Moita, mas a culpa não é minha, eu fui apenas o executor da obra.
Esses painéis na altura até deram uma certa polémica porque os Bonjours o pai, já falecido e o filho puseram as fotos dos painéis do Mercado na sua montra, dizendo que eram cópias dos seus arquivos, o que era mentira, pois foram feitos a partir dum postal antigo que existia na Junta de Freguesia da Moita.
Na altura fui lá explicar aos Bonjours o seu equívoco e tudo se resolveu, sendo as fotos e a mensagem retirados da montra da Foto Bonjour.
Uns anos depois em 1996 ou 1997, apresentei ao então vereador, João Lobo uma proposta para completar a obra que está no Mercado Municipal com painéis temáticos trípticos sobre as actividades, história e actualidade, dedicados a cada uma das freguesias do concelho da Moita, sendo a imagem central do tríptico em azulejos a cores e os outros dois de cada tema em sépia , como os que estão lá.
Nem João Lobo nem ninguém da CMM, respondeu a esse meu pedido...Recordo a Roldão Preto que sou profissional de Azulejaria Artística e não tenho outra fonte de rendimentos e Deus sabe as dificuldades que eu tenho tido nos últimos tempos, por causa da crise em que está mergulhado o País e também porque não compartilho a ideologia do poder local, nem nunca a compartilhei, mas só em casos extremos me recuso a aceitar uma encomenda o que também já aconteceu, quando a Firma de desmantelamento de barcos Batista & Irmão que têm, como sabe o concessionamento do Cais Novo de Alhos Vedros, me encomendaram em 1989 um painel em azulejos sobre o tema, para colocarem na sua sede em Sacavém, o meu primeiro impulso foi recusar terminantemente, mas resolvi apenas não lhes dar resposta, como também não me voltaram a comunicar, o caso encerrou por aí.
Perdi essa encomenda, mas fiz o melhor para com a minha consciência...
A verdade é que eu compartilho o seu ódio para com esse monstro que anda a destruir essa zona ribeirinha de Alhos Vedros.
Recordo com saudade os tempos em que ia mergulhar no Cais Novo e nadar naquela praia lá ao fundo, cheia de barcos e pessoas que iam para lá ás dezenas.
Recordo também a apanha de caranguejos, nas tocas ou com camaroeiro.
Os barcos no cais novo eram poucos e as pessoas ainda podiam entrar no cais para pescar. Agora é o que se sabe e tudo o que nem sequer imaginamos.
Eu, o Paulo Gil o Marmota, o Puto Russo o Zé Tó, o Animal, o Cristiano e toda essa malta que formava o grupo da Caverada, em 1977, 78.
Pode por isso o Sr. Roldão Preto, ter a certeza que tem em mim, muito mais um seu apoiante do que um inimigo.
Fiquei particularmente triste quando Roldão Preto afirma que sou colaboracionista com lobbys Moitenses, eu que em todas as exposições que fiz em Portugal e também no Brasil, sempre bem alto o nome de Alhos Vedros, como aliás pode ver junto à minha assinatura em todos os painéis produzidos pela Azulejaria Artística Guerreiro, desde 1989.
Recentemente consegui inclusive meter Alhos Vedros no mapa das “Rotas da Cerâmica”, como em post anterior comuniquei ao vosso Blog.
O Sr. Roldão Preto é colaborador do blog: Alhos Vedros ao Poder, mas as suas opiniões podem também ser questionadas, porque não é Deus nem Cavaco para ter certezas absolutas e nunca se enganar !
O meu percurso como artista não pode ser associado a qualquer ideologia, tenho de servir todos os clientes com a maior imparcialidade e fazer todo o tipo de trabalhos para todo o tipo de pessoas que me contactem.
Os meus parâmetros são apenas a qualidade.
Para lhe dar uma ideia da abrangência que tenho de ter, afirmo-lhe que nunca apreciei a tauromaquia, mas isso não me impediu, nem poderia, de desde 1989, fazer todos os anos os Trofeus para a Tertúlia Tauromáquica Setubalense conseguindo penso eu, abranger o gosto e a estética próprias desse fenómeno que é também artístico.
Podemos não gostar, mas temos de respeitar as suas nuances artísticas.
Poder-lhe-ia dizer que possuo as imagens da revista tauromáquica “La Lídia” que são impressas antes do advento da fotografia com gravuras e são absolutamente lindas num conceito estético pós-Romântico dos finais do séc. XIX que muito aprecio.
Outros conceitos sobre arte eu poderia desenvolver, como por exemplo o Realismo Socialista Soviético e a Arte Nacional –Socialista, que são épicos à força do homem sobre os elementos que eu gosto muito e cujas ideologias detesto e lutaria sempre contra.
O que pretendo dizer-lhe é que a Arte pode valer por ela própria e mesmo que sirva para enaltecer um regime ou uma ideologia, não tem de ser negada por isso mas apenas tem ser entendida por concepção estética do autor.
O “colaboracionismo” com o regime fascista de Salazar que Almada Negreiros teve não impede que as suas obras sejam maravilhosas e uma referência da Arte Moderna Portuguesa e Mundial.
Sei que a sua realidade é muito diferente da minha, pois sou um leitor atento deste Blog, sei por isso que foi militar e voluntariou-se para ir lutar na guerra colonial...
Acredito que seja um homem de convicções, mas eu também o sou e só respeito quem me respeita.
Por isso peço-lhe que pondere melhor antes de começar a criticar a torto e a direito, respeite a minha condição de artista porque acredite que não é nada fácil viver só da Azulejaria aqui no Concelho da Moita e só com muita teimosia e uma ajuda muito grande da minha companheira e da minha família é que a AAG ainda continua.
Mas cá estou para a luta e para continuar engrandecendo na medida do possível o nome da minha terra natal: Alhos Vedros e por acréscimo o concelho a que actualmente pertence: O Concelho da Moita !
Sem mais assunto despeço-me com amizade
Luís Guerreiro
domingo, outubro 10, 2004
sexta-feira, outubro 08, 2004
Macro e micro
Quem pensa que os jogos de influências entre os mundos da política, economia e comunicação social se limitam aos grandes interesses nacionais, revelados agora de forma mais transparente no affaire Marcelo, está muito enganado.
Também a nível micro, se vive assim.
Veja-se o caso das publicações a nível local.
Digno desse nome, temos um jornal – O Rio – que sobrevive a custo.
Qualquer outro tipo de publicação, que não passe pelos órgãos oficiais municipais, nem consegue ver a luz do dia.
Bem, não é bem assim, pois se for coisa sobre bois, aí já há dinheiro à fartazana.
Desde interesses privados ao erário público, agora todos andam por cá com os bois.
Se apresentarmos um projecto, a sério e com gente que não seja dos “aparelhos” e do “sistema”, sobre a história do património do concelho ou sobre as suas actividades tradicionais (económicas, artesanais, etc), não há dinheiro, estamos em crise, os tempos são difíceis, a culpa é go verno.
Agora se aparecer um Vitalino Prudêncio com a ideia se fazer uma história da bosta do boi nas ruas da Moita, com um tipologia das suas formas, cores e texturas (quiçá sabores), aí já os interesses económico-políticos se movem e a coisa se faz.
E ai de quem diga mal dos bois. Se alguém se atreve a escrever ou dizer qualquer coisa contra as boiadas da terra, está a bronca armada. Começam logos as pressõezinhas. Veja-se o que aconteceu com o texto de Lourivaldo Guerreiro n’O Rio ou com as prosas d’As Farpas sobre os hábitos do mentor da Escola de Toureio da Moita.
O que vivemos, por via do professor Marcelo, apenas é a ponta do icebergue de todos os espíritos censores que por aí andam, de lápis azul atrás da orelha, ávidos de exercerem os seus poderzinhos mesquinhos, dos grandes grupos económicos que dominam a comunicação social ao tiranete ou cacique de paróquia.
Nota final: O Contraditório não se quis pronunciar sobre este post, pois está em negociações com a MediaCapital para um lugarzinho mais ao sol do que este humilde blog.
Também a nível micro, se vive assim.
Veja-se o caso das publicações a nível local.
Digno desse nome, temos um jornal – O Rio – que sobrevive a custo.
Qualquer outro tipo de publicação, que não passe pelos órgãos oficiais municipais, nem consegue ver a luz do dia.
Bem, não é bem assim, pois se for coisa sobre bois, aí já há dinheiro à fartazana.
Desde interesses privados ao erário público, agora todos andam por cá com os bois.
Se apresentarmos um projecto, a sério e com gente que não seja dos “aparelhos” e do “sistema”, sobre a história do património do concelho ou sobre as suas actividades tradicionais (económicas, artesanais, etc), não há dinheiro, estamos em crise, os tempos são difíceis, a culpa é go verno.
Agora se aparecer um Vitalino Prudêncio com a ideia se fazer uma história da bosta do boi nas ruas da Moita, com um tipologia das suas formas, cores e texturas (quiçá sabores), aí já os interesses económico-políticos se movem e a coisa se faz.
E ai de quem diga mal dos bois. Se alguém se atreve a escrever ou dizer qualquer coisa contra as boiadas da terra, está a bronca armada. Começam logos as pressõezinhas. Veja-se o que aconteceu com o texto de Lourivaldo Guerreiro n’O Rio ou com as prosas d’As Farpas sobre os hábitos do mentor da Escola de Toureio da Moita.
O que vivemos, por via do professor Marcelo, apenas é a ponta do icebergue de todos os espíritos censores que por aí andam, de lápis azul atrás da orelha, ávidos de exercerem os seus poderzinhos mesquinhos, dos grandes grupos económicos que dominam a comunicação social ao tiranete ou cacique de paróquia.
Nota final: O Contraditório não se quis pronunciar sobre este post, pois está em negociações com a MediaCapital para um lugarzinho mais ao sol do que este humilde blog.
quinta-feira, outubro 07, 2004
Últimas estatísticas
Chegaram ao nosso conhecimento as estatísticas sobre os efeitos económicos da “ponte” de 4 de Outubro na economia moiteira, de acordo com os dados recolhidos e tratados pelo Banco Mundial e OCDE.
Como seria de esperar, o panorama é catastrófico:
Entre todos os serviços da Câmara, não se produziram 2547 toneladas de cera. O polimento das cadeiras, em virtude da fricção do traseiro do(a)s funcionário(a)s, estagnou, não aumentando os habituais 2% diários de brilho. A acumulação de cotão debaixo das secretárias também diminuiu assustadoramente de ritmo.
Quanto aos serviços externos, foi particularmente visível que o lixo não mudou de lugar com o ritmo habitual, ou seja, no caso dos contentores e ecopontos acumulou-se em torno dos mesmos em vez de ficar espalhado de forma irregular, à medida que era mal colocado no interior dos veículos que o vêm recolher. Algo semelhante se passou nas artérias e vias do concelho, tendo cabido apenas ao vento o papel de espalhar poeiras, beatas, pacotes de batatas fritas, cócós secos de cãozinho e outros detritos normalmente varejados pelos varredores municipais. No caso dos serviços de fiscalização de obras, foi verificada uma contracção tremenda da actividade, nomeadamente no que se refere à tomada de bicas e à realização de almoços em alegre confraternização com o sector da construção civil.
No caso dos Correios e do Centro de Distribuição Postal da Moita, ficaram por entregar em destinatário errado cerca de 3124 cartas e encomendas postais, bem como 7653890 folhetos promocionais de diversas entidades comerciais que agora pagam aos CTT para fazerem esse serviço e não aquele que deviam fazer.
Em termos de Saúde, ficaram por ser feitas 269 consultas com meia hora de atraso, 2142 com uma hora de atraso e 3298 com mais de hora e meia de atraso. Também ficaram por ser dados 45680 grunhidos e 3670 informações erradas e enfastiadas pelos funcionários nos guichets dos Centros de Saúde aos respectivos utentes.
No Tribunal e nas Conservatórias dos Registos Civil e Predial, registou-se o melhor desempenho, pois o ritmo de despacho dos assuntos pendentes não diminuiu em relação aos dias de trabalho normais.
Não foi possível recolher informações sobre a performance das forças policiais porque há muito tempo que este indicador se tem mostrado impossível de registar por qualquer método de detecção, por mais avançado e sofisticado que seja.
Como seria de esperar, o panorama é catastrófico:
Entre todos os serviços da Câmara, não se produziram 2547 toneladas de cera. O polimento das cadeiras, em virtude da fricção do traseiro do(a)s funcionário(a)s, estagnou, não aumentando os habituais 2% diários de brilho. A acumulação de cotão debaixo das secretárias também diminuiu assustadoramente de ritmo.
Quanto aos serviços externos, foi particularmente visível que o lixo não mudou de lugar com o ritmo habitual, ou seja, no caso dos contentores e ecopontos acumulou-se em torno dos mesmos em vez de ficar espalhado de forma irregular, à medida que era mal colocado no interior dos veículos que o vêm recolher. Algo semelhante se passou nas artérias e vias do concelho, tendo cabido apenas ao vento o papel de espalhar poeiras, beatas, pacotes de batatas fritas, cócós secos de cãozinho e outros detritos normalmente varejados pelos varredores municipais. No caso dos serviços de fiscalização de obras, foi verificada uma contracção tremenda da actividade, nomeadamente no que se refere à tomada de bicas e à realização de almoços em alegre confraternização com o sector da construção civil.
No caso dos Correios e do Centro de Distribuição Postal da Moita, ficaram por entregar em destinatário errado cerca de 3124 cartas e encomendas postais, bem como 7653890 folhetos promocionais de diversas entidades comerciais que agora pagam aos CTT para fazerem esse serviço e não aquele que deviam fazer.
Em termos de Saúde, ficaram por ser feitas 269 consultas com meia hora de atraso, 2142 com uma hora de atraso e 3298 com mais de hora e meia de atraso. Também ficaram por ser dados 45680 grunhidos e 3670 informações erradas e enfastiadas pelos funcionários nos guichets dos Centros de Saúde aos respectivos utentes.
No Tribunal e nas Conservatórias dos Registos Civil e Predial, registou-se o melhor desempenho, pois o ritmo de despacho dos assuntos pendentes não diminuiu em relação aos dias de trabalho normais.
Não foi possível recolher informações sobre a performance das forças policiais porque há muito tempo que este indicador se tem mostrado impossível de registar por qualquer método de detecção, por mais avançado e sofisticado que seja.
Ainda a propósito de Marcelo
Porque será que os medíocres receiam quem, de forma evidente, os suplanta na inteligência e raciocínio ?
Porque será que se evoca o receio do povo ser mistificado, quando a verdade é outra, exactamente que se desmistifiquem as mentiras mal encobertas ?
Porque será que a cobardia, por vezes, ainda compensa ?
Este triste episódio se alguma vantagem trouxe foi o de mostrar, às escancaras, aquilo que normalmente acontece na sombra, quando os protagonistas são menos luminosos.
Que não se pense que isto só acontece a nível nacional, longe de nós, porque este mal está entranhado por todo o lado. Os “engenheiros das almas” não são apenas de outros tempos. E não são apenas dos que estão no poder agora. Estes apenas são mais toscos e inábeis, para não dizer imbecis mesmo.
Como diria o outro, eu não acredito na censura, mas que ela existe, existe.
PS: A propósito, no Público de hoje, vejam-se as reacções de Cavaco Silva e Pacheco Pereira, dois PSD’s que também não são propriamente grandes amigos do líder da oposição Marcelo.
Porque será que se evoca o receio do povo ser mistificado, quando a verdade é outra, exactamente que se desmistifiquem as mentiras mal encobertas ?
Porque será que a cobardia, por vezes, ainda compensa ?
Este triste episódio se alguma vantagem trouxe foi o de mostrar, às escancaras, aquilo que normalmente acontece na sombra, quando os protagonistas são menos luminosos.
Que não se pense que isto só acontece a nível nacional, longe de nós, porque este mal está entranhado por todo o lado. Os “engenheiros das almas” não são apenas de outros tempos. E não são apenas dos que estão no poder agora. Estes apenas são mais toscos e inábeis, para não dizer imbecis mesmo.
Como diria o outro, eu não acredito na censura, mas que ela existe, existe.
PS: A propósito, no Público de hoje, vejam-se as reacções de Cavaco Silva e Pacheco Pereira, dois PSD’s que também não são propriamente grandes amigos do líder da oposição Marcelo.
quarta-feira, outubro 06, 2004
(Nova) Cedência à actualidade
Em solidariedade com o governo, só emitiremos aqui opiniões e comentários com a existência de contraditório.
Para o efeito contratámos o Joaquim Contraditório, para estar sempre presente, quando escrevermos estes posts.
Mais acrescentamos que renegamos a fé no (falso) profeta e ídolo Marcelo.
Agora só adoramos os verdadeiros ídolos, nomeadamente os que emanam da Central de Comunicação do governo e dos grandes e sempre verdadeiros comunicadores Rui Gomes da Silva e Nuno Morais Sarmento.
Hossana nas alturas, amén e tudo o mais que aprouver aos sôres ministros e o seu amigo contraditório.
Para o efeito contratámos o Joaquim Contraditório, para estar sempre presente, quando escrevermos estes posts.
Mais acrescentamos que renegamos a fé no (falso) profeta e ídolo Marcelo.
Agora só adoramos os verdadeiros ídolos, nomeadamente os que emanam da Central de Comunicação do governo e dos grandes e sempre verdadeiros comunicadores Rui Gomes da Silva e Nuno Morais Sarmento.
Hossana nas alturas, amén e tudo o mais que aprouver aos sôres ministros e o seu amigo contraditório.
terça-feira, outubro 05, 2004
Pensamento do dia
Com a aliança PSD/PPD/CDS/PP a encostar à direita e o PS ao centro, será que a esquerda irá ser maioritariamente ocupada por metade da enorme bunda do Anacleto Rosas ?
Pensamento sinistro que me não deixa dormir há algumas noites.
Acho que prefiro emigrar para a Serra Leoa, quiçá mesmo para a zona de Darfur no Sudão.
Lá é mais seguro.
Pensamento sinistro que me não deixa dormir há algumas noites.
Acho que prefiro emigrar para a Serra Leoa, quiçá mesmo para a zona de Darfur no Sudão.
Lá é mais seguro.
Comentário breve à actualidade
O nosso Presidente da República, aparentemente arrependido pelo seu desvio de direita de há uns meses e com remorsos pelo facto dos amigos agora o considerar um relapso aos ideias de esquerda, desdobra-se em avisos de navegação ao governo, a propósito de tudo e de nada.
Não percebo porquê.
Não se passa nada que se não adivinhasse.
Deixou-os chegar ao governo, agora ature-os e, de preferência, calado.
Se há coisa que não gosto é de pecadores arrependidos que querem mostrar o seu arrependimento em cada esquina por onde passam e a cada transeunte com quem se cruzam.
Agora deixem os homens gozar os seus dois aninhos de governação.
Não hão-de ser suficientes para fazer mal maior do que os últimos 10 ou 12 nos fizeram (aí desde o início da segunda maioria cavaquista).
Por essas e por outras é que não precisamos de presidentes eleitos à esquerda com dramas de consciência.
Não percebo porquê.
Não se passa nada que se não adivinhasse.
Deixou-os chegar ao governo, agora ature-os e, de preferência, calado.
Se há coisa que não gosto é de pecadores arrependidos que querem mostrar o seu arrependimento em cada esquina por onde passam e a cada transeunte com quem se cruzam.
Agora deixem os homens gozar os seus dois aninhos de governação.
Não hão-de ser suficientes para fazer mal maior do que os últimos 10 ou 12 nos fizeram (aí desde o início da segunda maioria cavaquista).
Por essas e por outras é que não precisamos de presidentes eleitos à esquerda com dramas de consciência.
Não resistir à tentação
Resisto ou não resisto ?
Não resisto, não resisto à tentação !!!
Aqui vai um excerto do volume I da obra A Educação Sexual (Guia para Pais e Mães) de António Brandão, publicado em 1950, sem indicação de editora:
«Admira, Teresinha, cheia de reconhecimento e amor, a bondade e generosidade de Deus que tanto ajuda os pais a cumprir os deveres pesadíssimos da lei do matrimónio.
E admira, também, mas cheia de repugnãncia e de horror, a maldade e ingratidão de tantos homens e mulheres unidos pelo casamento e que transtornam completamente o plano estabelecido por Deus, porque, no abraço conjugal, só buscam o prazer do acto gerador, mas rejeitam os encargos que ele lhe traz, que são os filhos, pois matam esses pobres inocentes que Deus queria chamar à vida. Nesses homens e mulheres, há só a ânsia de gozar, o delírio do prazer sensual que neste caso se torna baixo, vil e amaldiçoado por Deus, porque transtorna os planos altíssimos do Criador na obra admirável da multiplicação da espécie humana.
Compreendes agora, minha filha, a razão porque a tal operária, apesar de ser casada e viver com desafogo, encomendou à parteira a droga venenosa que lhe matou o filhinho ? Queria apenas o goso vil dos sentidos e não o encargo honroso da maternidade.» (pp. 197-198)
Não resisto, não resisto à tentação !!!
Aqui vai um excerto do volume I da obra A Educação Sexual (Guia para Pais e Mães) de António Brandão, publicado em 1950, sem indicação de editora:
«Admira, Teresinha, cheia de reconhecimento e amor, a bondade e generosidade de Deus que tanto ajuda os pais a cumprir os deveres pesadíssimos da lei do matrimónio.
E admira, também, mas cheia de repugnãncia e de horror, a maldade e ingratidão de tantos homens e mulheres unidos pelo casamento e que transtornam completamente o plano estabelecido por Deus, porque, no abraço conjugal, só buscam o prazer do acto gerador, mas rejeitam os encargos que ele lhe traz, que são os filhos, pois matam esses pobres inocentes que Deus queria chamar à vida. Nesses homens e mulheres, há só a ânsia de gozar, o delírio do prazer sensual que neste caso se torna baixo, vil e amaldiçoado por Deus, porque transtorna os planos altíssimos do Criador na obra admirável da multiplicação da espécie humana.
Compreendes agora, minha filha, a razão porque a tal operária, apesar de ser casada e viver com desafogo, encomendou à parteira a droga venenosa que lhe matou o filhinho ? Queria apenas o goso vil dos sentidos e não o encargo honroso da maternidade.» (pp. 197-198)
segunda-feira, outubro 04, 2004
Outros assuntos
Embora esta discussão sobre o aborto/IVG esteja a soterrar os outros temas discutidos aqui nos últimos dias, não queríamos deixar de estimular o envio de comentários quer sobre o estado da zona ribeirinha de Alhos Vedros (em oposição aos investimentos faraónicos na Moita), quer sobre a decadência da educação no concelho a avaliar pelo desempenho dos alunos do 12º ano das Secundárias do concelho (análise dos dados sobre esta questão em blog agora quase esquecido lá para baixo).
Não tarda nada
O Roldão Preto está a começar a espumar por causa da discussão em torno do aborto.
Vamos a ver se ele não entra na dança.
Vamos a ver se ele não entra na dança.
Comentário mais longo
Este comentário já estava preparado, mas sai só agora. As citações já estavam incluídas antes dos comentários dos posts anteriores.
Ainda não será agora que poderei desenvolver tudo o que penso sobre o assunto em apreço, mas deixarei aqui três conjuntos de notas, o primeiro sobre alguns aspectos religiosos (por certo, que anedóticos, mas não menos simbólicos), o segundo sobre as questões científicas propriamente ditas que envolvem o que se pode considerar “vida” e “vida humana” e o terceiro, mais breve, sobre a questão filosófica do sofrimento.
Quanto aos aspectos religiosos da argumentação e ao carácter pretensamente humorísticos do meu texto a esse respeito:
Por estranho que pareça, eu não brinco quando falo que os animaizinhos também são criaturas de Deus. Pode parecer caricatura, mas não é. Aliás, penso que lhe não será necessário avivar a memória com citações bíblicas que fundamentam a prioridade da criação de todas as espécies relativamente à humana e, por paradoxal que seja, sendo esta a única que à partida não foi criada com o objectivo de se reproduzir. A questão da reprodução humana, de acordo com o Génesis, é muito ambígua pois se ao sexto dia Deus criou o homem à sua imagem, como macho e fêmea, e o mandou frutificar multiplicar-se, encher e dominar a Terra (Génesis, 1, 21-22), mais adiante afirma-se a posterioridade da criação de Eva (Gn, 2, 22) e, na sequência do episódio mais do que conhecido da serpente e da maçã, a mulher é castigada com as dores do parto e a submissão ao homem por ter desobedecido às indicações divinas (Gn, 3, 16). Numa leitura algo extrema, a reprodução é uma conquista humana, mais concretamente feminina, longamente apresentada como o “pecado original” que toda a espécie está condenada a expiar, etc, etc, pela qual Cristo morreu na cruz, etc, etc. Se a criação do Homem/Mulher foi ou não, do ponto de vista do cristianismo, o ponto mais alto da criação é algo que só o desenvolvimento dos dogmas da religião nos seus primeiros séculos veio tornar mais claro.
Mas isto é tudo lateral e desconfio que mesmo muitos católicos não estejam verdadeiramente preparados para discutir em profundidade estes assuntos (os meus conhecimentos da Bíblia são talvez equivalentes ao dos Capital, ou seja, apanham o essencial e permitem-me fundamentar as minhas críticas ao sistema).
Mas passando a questões de carácter científico, convém desde já avisá-lo, meu caro Titta Maurício, que argumentar com os documentos de uma Conferência de 1967 não é propriamente um modelo de actualidade quanto aos progressos da ciência. Penso que já terão existido um par de iniciativas depois dessa e que se terá dado um ou outro avanço nos nossos conhecimentos.
A este respeito vou-lhe deixar aqui alguns testemunhos, algo generalistas e não motivados pela temática do aborto, sobre o que é a vida, a unidade dos organismos vivos, o sentido da espécie humana, a transitoriedade das certezas, etc, etc, que se devem a cientistas de renome que encontrei na prateleira da minha estante dedicada à divulgação científica.
Não posso deixar de recomendar, embora menos actuais, duas obras clássicas sobre o que é a vida e os seus fundamentos: O Acaso e a Necessidade de Jacques Monod (havia tradução nas Pub. Europa-América), Le Macroscope de Joel de Rosnay (edição na Points da Seuil)
«O que a fisiologia e a biologia mostraram no decurso deste século [XX] foi, em primeiro lugar, a unidade de composição e de funcionamento no mundo vivo. Para além da diversidade de formas e da variedade de realizações, todos os organismos empregam os mesmos materiais para efectuar reacções similares.»
François Jacob, A Lógica da Vida (D. Quixote, 1985, pp 23-24, edição original de 1970, o sr. foi Prémio Nobel em 1965 com J. Monod e A. Zwoff devido a trabalhos sobre o ADN)
«Os moralistas e teólogos dão grande ênfase ao momento da concepção, considerando-o como o instante em que a alma inicia a sua existência. Se, como eu, não fica comovido com tal discurso, tem, no entanto, de considerar este instante específico, nove meses antes do nascimento, como o mais decisivo do seu destino. (...) Naturalmente, o ser embriónico que surge tem ainda de ultrapassar muitos obstáculos. A maior parte dos óvulos termina em aborto prematuro, antes mesmo que a mãe saiba da sua existência, e nós temos todos sorte de não nos ter acontecido o mesmo.»
Richard Dawkins, Decompondo o Arco-Íris (Gradiva, 2000, ed. original de 1998, pp. 17-18)
«A vida é uma coisa traiçoeira de definir, mas consiste em duas capacidades bem distintas: a capacidade de se replicar e a capacidade de criar ordem.»
Matt Ridley, Genoma (Gradiva, 2001, ed. orig. 1999, p. 20)
«Apesar do papa, a espécie humana não é de modo algum o apogeu da criação. A evolução não tem um apogeu e uma coisa como progresso evolutivo não existe. A selecção natural é apenas o processo através do qual as formas vivas se transformam para se ajustarem à miríade de oportunidades fornecidas pelo ambiente físico e pelas outras formas vivas. (...) É claro que os seres humanos são únicos. Têm a máquina biológica mais complicada do planeta empoleirada entre as orelhas. Mas a complexidade não é tudo e não é o objectivo da evolução. Todas as espécies do planeta são únicas.»
Idem, pp. 32-33
«Se sabemos que não temos a certeza, temos a possibilidade de melhorar a situação. (...) A dúvida é claramente um valor em ciência. Se o é também noutros campos, é uma questão em aberto e uma matéria incerta.»
Richard Feynman, O Significado de Tudo (Gradiva, 2001, textos originais de 1963, p. 37)
«Nenhum governo tem o direito de decidir sobre a verdade dos princípios científicos nem de prescrever de algum modo o carácter das questões a investigar. (...) Em vez disso, tem para com os cidadãos o dever de manter a liberdade, de deixar os cidadãos contribuírem para a continuação da aventura e do desenvolvimento da raça humana.»
Idem, p. 65.
Quanto à capacidade de sofrimento, penso que esta é uma questão incrível porque, por estranho que pareça, nunca ninguém a coloca. Para mim, pelo contrário, é fundamental e é uma das que levanta problemas morais e éticos mais relevantes. Porque, para mim, é essencial saber os efeitos dos nossos actos no feto e no sofrimento que lhe é causado. E para isso, preciso de saber a que ritmo se desenvolve o sistema nervoso central do feto, que fases atravessa, o que sente, quando e como.
Só depois da resposta a estas questões me sentirei devidamente informado para definir prazos e todas as condições para a IVG ou aborto, conforme lhe queiramos chamar. E sobre isto, as certezas não existem, quanto muito dispomos de respostas provisórias.
Ensinamentos a recolher de tudo isto: duvidar de respostas feitas apresentadas como absolutas, busca de informação, tolerância para com a a diferença, atenção à especificidade de cada situação/contexto, argumentação baseada em factos enão em crenças, busca de soluções equilibradas.
Ainda não será agora que poderei desenvolver tudo o que penso sobre o assunto em apreço, mas deixarei aqui três conjuntos de notas, o primeiro sobre alguns aspectos religiosos (por certo, que anedóticos, mas não menos simbólicos), o segundo sobre as questões científicas propriamente ditas que envolvem o que se pode considerar “vida” e “vida humana” e o terceiro, mais breve, sobre a questão filosófica do sofrimento.
Quanto aos aspectos religiosos da argumentação e ao carácter pretensamente humorísticos do meu texto a esse respeito:
Por estranho que pareça, eu não brinco quando falo que os animaizinhos também são criaturas de Deus. Pode parecer caricatura, mas não é. Aliás, penso que lhe não será necessário avivar a memória com citações bíblicas que fundamentam a prioridade da criação de todas as espécies relativamente à humana e, por paradoxal que seja, sendo esta a única que à partida não foi criada com o objectivo de se reproduzir. A questão da reprodução humana, de acordo com o Génesis, é muito ambígua pois se ao sexto dia Deus criou o homem à sua imagem, como macho e fêmea, e o mandou frutificar multiplicar-se, encher e dominar a Terra (Génesis, 1, 21-22), mais adiante afirma-se a posterioridade da criação de Eva (Gn, 2, 22) e, na sequência do episódio mais do que conhecido da serpente e da maçã, a mulher é castigada com as dores do parto e a submissão ao homem por ter desobedecido às indicações divinas (Gn, 3, 16). Numa leitura algo extrema, a reprodução é uma conquista humana, mais concretamente feminina, longamente apresentada como o “pecado original” que toda a espécie está condenada a expiar, etc, etc, pela qual Cristo morreu na cruz, etc, etc. Se a criação do Homem/Mulher foi ou não, do ponto de vista do cristianismo, o ponto mais alto da criação é algo que só o desenvolvimento dos dogmas da religião nos seus primeiros séculos veio tornar mais claro.
Mas isto é tudo lateral e desconfio que mesmo muitos católicos não estejam verdadeiramente preparados para discutir em profundidade estes assuntos (os meus conhecimentos da Bíblia são talvez equivalentes ao dos Capital, ou seja, apanham o essencial e permitem-me fundamentar as minhas críticas ao sistema).
Mas passando a questões de carácter científico, convém desde já avisá-lo, meu caro Titta Maurício, que argumentar com os documentos de uma Conferência de 1967 não é propriamente um modelo de actualidade quanto aos progressos da ciência. Penso que já terão existido um par de iniciativas depois dessa e que se terá dado um ou outro avanço nos nossos conhecimentos.
A este respeito vou-lhe deixar aqui alguns testemunhos, algo generalistas e não motivados pela temática do aborto, sobre o que é a vida, a unidade dos organismos vivos, o sentido da espécie humana, a transitoriedade das certezas, etc, etc, que se devem a cientistas de renome que encontrei na prateleira da minha estante dedicada à divulgação científica.
Não posso deixar de recomendar, embora menos actuais, duas obras clássicas sobre o que é a vida e os seus fundamentos: O Acaso e a Necessidade de Jacques Monod (havia tradução nas Pub. Europa-América), Le Macroscope de Joel de Rosnay (edição na Points da Seuil)
«O que a fisiologia e a biologia mostraram no decurso deste século [XX] foi, em primeiro lugar, a unidade de composição e de funcionamento no mundo vivo. Para além da diversidade de formas e da variedade de realizações, todos os organismos empregam os mesmos materiais para efectuar reacções similares.»
François Jacob, A Lógica da Vida (D. Quixote, 1985, pp 23-24, edição original de 1970, o sr. foi Prémio Nobel em 1965 com J. Monod e A. Zwoff devido a trabalhos sobre o ADN)
«Os moralistas e teólogos dão grande ênfase ao momento da concepção, considerando-o como o instante em que a alma inicia a sua existência. Se, como eu, não fica comovido com tal discurso, tem, no entanto, de considerar este instante específico, nove meses antes do nascimento, como o mais decisivo do seu destino. (...) Naturalmente, o ser embriónico que surge tem ainda de ultrapassar muitos obstáculos. A maior parte dos óvulos termina em aborto prematuro, antes mesmo que a mãe saiba da sua existência, e nós temos todos sorte de não nos ter acontecido o mesmo.»
Richard Dawkins, Decompondo o Arco-Íris (Gradiva, 2000, ed. original de 1998, pp. 17-18)
«A vida é uma coisa traiçoeira de definir, mas consiste em duas capacidades bem distintas: a capacidade de se replicar e a capacidade de criar ordem.»
Matt Ridley, Genoma (Gradiva, 2001, ed. orig. 1999, p. 20)
«Apesar do papa, a espécie humana não é de modo algum o apogeu da criação. A evolução não tem um apogeu e uma coisa como progresso evolutivo não existe. A selecção natural é apenas o processo através do qual as formas vivas se transformam para se ajustarem à miríade de oportunidades fornecidas pelo ambiente físico e pelas outras formas vivas. (...) É claro que os seres humanos são únicos. Têm a máquina biológica mais complicada do planeta empoleirada entre as orelhas. Mas a complexidade não é tudo e não é o objectivo da evolução. Todas as espécies do planeta são únicas.»
Idem, pp. 32-33
«Se sabemos que não temos a certeza, temos a possibilidade de melhorar a situação. (...) A dúvida é claramente um valor em ciência. Se o é também noutros campos, é uma questão em aberto e uma matéria incerta.»
Richard Feynman, O Significado de Tudo (Gradiva, 2001, textos originais de 1963, p. 37)
«Nenhum governo tem o direito de decidir sobre a verdade dos princípios científicos nem de prescrever de algum modo o carácter das questões a investigar. (...) Em vez disso, tem para com os cidadãos o dever de manter a liberdade, de deixar os cidadãos contribuírem para a continuação da aventura e do desenvolvimento da raça humana.»
Idem, p. 65.
Quanto à capacidade de sofrimento, penso que esta é uma questão incrível porque, por estranho que pareça, nunca ninguém a coloca. Para mim, pelo contrário, é fundamental e é uma das que levanta problemas morais e éticos mais relevantes. Porque, para mim, é essencial saber os efeitos dos nossos actos no feto e no sofrimento que lhe é causado. E para isso, preciso de saber a que ritmo se desenvolve o sistema nervoso central do feto, que fases atravessa, o que sente, quando e como.
Só depois da resposta a estas questões me sentirei devidamente informado para definir prazos e todas as condições para a IVG ou aborto, conforme lhe queiramos chamar. E sobre isto, as certezas não existem, quanto muito dispomos de respostas provisórias.
Ensinamentos a recolher de tudo isto: duvidar de respostas feitas apresentadas como absolutas, busca de informação, tolerância para com a a diferença, atenção à especificidade de cada situação/contexto, argumentação baseada em factos enão em crenças, busca de soluções equilibradas.
Breve comentário
Um ou dois pontos algo imprecisos:
Eu afirmo que já existia a censura prévia. Não que foi então criada. No entanto, com carácter sistemático, só a parti de 1926/28 é que se institucionaliza.
Na I República, formalmente só durante a participação portuguesa na I Guerra Mundial, por ocasião da (efémera) aliança governamental entre Democráticos, Evolucionistas e Unionistas. e nessa época, os espaços censurados apareciam em branco nas publicações o que não é permitido com a Ditadura Militar e Estado Novo.
Opiniões contra relatórios ?
A obra que cito refere-se também às conclusões de uma reunião científica. O que quero dar a entender é que alegar argumentos (médico-científicos) de 1967 em 2004 leva a pouco.
Naturismo/Comunismo/Nazismo ???
O que é que isso tem a ver ?
Eu até gosto de ir para a praia do Meco, zona não-nudista, no entanto.
Isso fará de mim um cripto-comunista ou cripto-nazi ?
Eu afirmo que já existia a censura prévia. Não que foi então criada. No entanto, com carácter sistemático, só a parti de 1926/28 é que se institucionaliza.
Na I República, formalmente só durante a participação portuguesa na I Guerra Mundial, por ocasião da (efémera) aliança governamental entre Democráticos, Evolucionistas e Unionistas. e nessa época, os espaços censurados apareciam em branco nas publicações o que não é permitido com a Ditadura Militar e Estado Novo.
Opiniões contra relatórios ?
A obra que cito refere-se também às conclusões de uma reunião científica. O que quero dar a entender é que alegar argumentos (médico-científicos) de 1967 em 2004 leva a pouco.
Naturismo/Comunismo/Nazismo ???
O que é que isso tem a ver ?
Eu até gosto de ir para a praia do Meco, zona não-nudista, no entanto.
Isso fará de mim um cripto-comunista ou cripto-nazi ?
Nova resposta de Titta Maurício
Caro Paulo,
O meu texto agradece a deferência do um período de descanso... e o seu autor também. Quanto ao texto de 1967 e a sua relação com um de 1931: - o primeiro é chamado à colação apenas porque o Paulo afirmou que a ciência não consegue «cabalmente» às questões «do que falamos, quando falamos em vida» e «quando é que podemos considerar que a vida “humana” existe». E só serviu para demonstrar que à questão está desde há muito resolvido... ainda que alguns insistam em esquecer o assunto! - o primeiro é, pois, o relato de uma reunião científica e do seu resultado. O segundo é um texto de opinião, naturalmente de um autor respeitável, mas uma opinião sem sustentação científica (nem teria de a ter), e, por isso, uma... opinião! - por outro lado, cuidado com as citações e o contexto: é que a liberdade sexual e (por exemplo) o naturismo são uma (de entre tantas outras coisas) que nazis e comunistas partilharam nos anos 30! - finalmente, a censura prévia das publicações e a polícia política não são invenção da Ditadura Militar... recue lá um bocadinho e recorde-se do Afonso Costa, das "formigas brancas" e da Carbonária. Mas se não quiser ficar por este «cantinho à beira-mar plantado»... be my guest!
De qualquer modo, e só para terminar (estive a reler o texto que nos trouxe), recordo que o mesmo é pré-pilula (que permite, hoje e a priori, uma «ampla liberdade para escolher o pai dos seus filhos e a oportunidade de ser mãe») e que, graças a Deus (permita-me a expressão da minha fé), as casas hoje são bem melhores e, infelizmente, as famílias hoje têm bem menos membros!
Paulo, A conversa para ser frutífera deve andar no mesmo nível: opiniões não são relatórios científicos (quer que lhe forneça as actas dos meus?). E contra relatórios científicos (e suas conclusões) só poderão opôr relatórios científicos mais recentes. Até porque a acusação contra os "pro-life" é que somos fundamentalistas religiosos... afinal apresentamos conclusões científicas onde outros dizem não haver resposta da ciência... e a esta opõem... opinião - que, ainda por cima, sustenta que o aborto é a solução para controlar o quando (e o com quem!?!) se quer ter filhos, apesar de já haver vários e bem mais eficazes métodos de controlo da natalidade! Além disso, nos dias de hoje, com o SIDA, a sexualidade ocasional e... digamos,... destapada,... reconhecerá, é de uma irresponsabilidade inominável).
Desculpe... já me alonguei!
João Titta Maurício
O meu texto agradece a deferência do um período de descanso... e o seu autor também. Quanto ao texto de 1967 e a sua relação com um de 1931: - o primeiro é chamado à colação apenas porque o Paulo afirmou que a ciência não consegue «cabalmente» às questões «do que falamos, quando falamos em vida» e «quando é que podemos considerar que a vida “humana” existe». E só serviu para demonstrar que à questão está desde há muito resolvido... ainda que alguns insistam em esquecer o assunto! - o primeiro é, pois, o relato de uma reunião científica e do seu resultado. O segundo é um texto de opinião, naturalmente de um autor respeitável, mas uma opinião sem sustentação científica (nem teria de a ter), e, por isso, uma... opinião! - por outro lado, cuidado com as citações e o contexto: é que a liberdade sexual e (por exemplo) o naturismo são uma (de entre tantas outras coisas) que nazis e comunistas partilharam nos anos 30! - finalmente, a censura prévia das publicações e a polícia política não são invenção da Ditadura Militar... recue lá um bocadinho e recorde-se do Afonso Costa, das "formigas brancas" e da Carbonária. Mas se não quiser ficar por este «cantinho à beira-mar plantado»... be my guest!
De qualquer modo, e só para terminar (estive a reler o texto que nos trouxe), recordo que o mesmo é pré-pilula (que permite, hoje e a priori, uma «ampla liberdade para escolher o pai dos seus filhos e a oportunidade de ser mãe») e que, graças a Deus (permita-me a expressão da minha fé), as casas hoje são bem melhores e, infelizmente, as famílias hoje têm bem menos membros!
Paulo, A conversa para ser frutífera deve andar no mesmo nível: opiniões não são relatórios científicos (quer que lhe forneça as actas dos meus?). E contra relatórios científicos (e suas conclusões) só poderão opôr relatórios científicos mais recentes. Até porque a acusação contra os "pro-life" é que somos fundamentalistas religiosos... afinal apresentamos conclusões científicas onde outros dizem não haver resposta da ciência... e a esta opõem... opinião - que, ainda por cima, sustenta que o aborto é a solução para controlar o quando (e o com quem!?!) se quer ter filhos, apesar de já haver vários e bem mais eficazes métodos de controlo da natalidade! Além disso, nos dias de hoje, com o SIDA, a sexualidade ocasional e... digamos,... destapada,... reconhecerá, é de uma irresponsabilidade inominável).
Desculpe... já me alonguei!
João Titta Maurício
domingo, outubro 03, 2004
Argumentos com História
Não vou aqui responder já ao texto de TM, para o deixar “respirar” um pouco no blog, embora já tenha alinhavado alguns pontos de discussão.
No entanto, não posso resistir a, já que TM recorreu a um texto de 1967 para fundamentar sua posição, recorrer a um excerto de um estudo publicado em Maio de 1931 em Lisboa (correspondendo a conferências dadas em Fevereiro e Março desse ano na Universidade Popular Portuguesa e na Universidade Livre de Coimbra) quando já se vivia em Ditadura Militar e existia censura prévia às publicações:
«Em Setembro último [de 1930] realisou-se, em Viena, o 4º Congresso da “Liga para a reforma sexual sôbre uma base científica» no qual se reuniram mais de 500 personalidades, interessadas nos estudos de sexologia.
(...) No último Congresso, os mais importantes trabalhos apresentados foram sôbre: a reforma dos costumes; a miséria dos alojamentos, que gera tanta desordem sexual; e, principalmente, a questão, considerada primordial, da regularização dos nascimentos, da economia humana.
Este problema da procriação voluntária, ou procriação consciente, foi dos que maior interesse despertaram. Todos os sexualistas aceitam, - como um mal inevitavel, hoje, - as práticas abortivas, e defendem, como uma necessidade social, as anti-concepcionais.
(...) O que se pretende, porém, não é uma tolerância legal... é a liberdade integral. A procriação voluntária é – deve ser – o primeiro dos direitos da mulher. Tem que se lhe reconhecer ampla liberdade para escolher o pai dos seus filhos e a oportunidade de ser mãe.»
(Jaime Brasil, O Problema Sexual. Lisboa: Editora Portugal-Ultramar, 1931, pp. 42-43)
E assim continua. Estávamos no ano da graça de 1931 e Salazar já era Ministro há 3 anos, preparando-se para redigir a Constituição que formalizaria o início do Estado Novo.
No entanto, não posso resistir a, já que TM recorreu a um texto de 1967 para fundamentar sua posição, recorrer a um excerto de um estudo publicado em Maio de 1931 em Lisboa (correspondendo a conferências dadas em Fevereiro e Março desse ano na Universidade Popular Portuguesa e na Universidade Livre de Coimbra) quando já se vivia em Ditadura Militar e existia censura prévia às publicações:
«Em Setembro último [de 1930] realisou-se, em Viena, o 4º Congresso da “Liga para a reforma sexual sôbre uma base científica» no qual se reuniram mais de 500 personalidades, interessadas nos estudos de sexologia.
(...) No último Congresso, os mais importantes trabalhos apresentados foram sôbre: a reforma dos costumes; a miséria dos alojamentos, que gera tanta desordem sexual; e, principalmente, a questão, considerada primordial, da regularização dos nascimentos, da economia humana.
Este problema da procriação voluntária, ou procriação consciente, foi dos que maior interesse despertaram. Todos os sexualistas aceitam, - como um mal inevitavel, hoje, - as práticas abortivas, e defendem, como uma necessidade social, as anti-concepcionais.
(...) O que se pretende, porém, não é uma tolerância legal... é a liberdade integral. A procriação voluntária é – deve ser – o primeiro dos direitos da mulher. Tem que se lhe reconhecer ampla liberdade para escolher o pai dos seus filhos e a oportunidade de ser mãe.»
(Jaime Brasil, O Problema Sexual. Lisboa: Editora Portugal-Ultramar, 1931, pp. 42-43)
E assim continua. Estávamos no ano da graça de 1931 e Salazar já era Ministro há 3 anos, preparando-se para redigir a Constituição que formalizaria o início do Estado Novo.
Uma resposta à "Proposta de plataforma de acordo"
Segue-se aqui o texto enviado pelo nosso leitor Titta Maurício sobre a temática do aborto/IVG. No original, existem muitos itálicos e sublinhados que, com a transposição para o blog se perdem e que, pelo tempo que acarretam (e os sublinhados não são possíveis, assim à primeira vista), não vou aqui fazer, salvo uma ou outra excepção. Procurei fazer os parágrafos de acordo com o original. Pelo facto, peço desculpa e compreensão, mas a vida não é só isto.
Caro Paulo,
É com imenso agrado que verifico que respondeu favoravelmente ao meu desafio e que o fez usando da elevação que jamais duvidei!
Porém, encurtando elogios, enfrentemos os argumentos.
Relevo que há uma clara disparidade na distribuição dos elogios e adjectivos. Reparou que disse «Não considero válida a afirmação...» para os "pro-choice" e «É profundamente demagógico afirmar...» para os "pro-life"? Percebe as nuances, os cuidados que usa com uns e a apressada classificação com que, de imediato "despacha" os outros? Percebo que não é propositada, mas consequência do condicionamento do politicamente correcto...
Mas, esqueçamos pormenores.
a) concordamos que cabe à mulher (e ao homem) a responsabilidade de definirem o quadro em que pretende enfrentar a realidade importante que é uma gravidez. Responsabilidade que passa pela escolha do "se" se quer e "quando" se quer ser mãe (ou pai)! E também pelo assumir de uma sexualidade responsável.
b) quanto à estratégia “de luta”, ou “de pressão” de grupos que só aparecem nos momentos mediáticos da discussão do assunto, isso (sabemos todos) é fruto de uma táctica bem conhecida e com proveito bem identificável... mas não me vou perder por aí!
c) juntava que se impunha alguma seriedade em relação aos números avançados (em relação à sua dimensão e à recorrente não identificação da fonte - o que prefigura uma situação de absoluta desonestidade intelectual).
Quanto às suas posições sobre os "pro-life":
a) Não pode declarar que é «demagógico afirmar o direito à vida, sem definirem o que entendem por “vida”» quando esse conceito é dos mais bem debatidos e claros. Não há dúvidas de que o feto e o embrião são "vida" e "vida humana"! A questão, se bem entendo o debate, é se o feto e o embrião são "pessoa humana"...
E só mesmo porque o Paulo gosta de imprimir um tom bem humorado aos posts é que a argumentação da vida e dos "animaizinhos" criaturas de Deus é colocada!
Porém, mais interessante é a questão dos «argumentos religiosos»: como sempre, eles são chamados ao debate e nunca pelos "pro-life"! Não acha curioso que se assuma que a defesa da vida humana no estágio intra-uterino é uma questão religiosa?!? Já reparou que quem levanta a questão nunca usa argumentos de ciência, mas argumentos de "reconhecimento de direitos" que, de facto, não existem?!? E já reparou que quem foge à questão científica são os "pro-choice" , mas depois acusam os "pro-life" de serem «fundamentalistas religiosos»? Será para aliviarem a sua consciência e tentarem melhorar a sua posição na "bolsa dos argumentos"?!?
Aliás, grande parte da linha da minha argumentação está na aceitação (para efeitos de discussão) da aceitação dos direitos da mulher e na decisão do confronto entre estes e os do feto e do embrião!
Todavia, não sou hipócrita, nem pretendo esconder que procuro viver na fé. Ou sequer que, sobre a questão, a Igreja apresenta a sua posição de profunda oposição ao aborto (mas guardo para outra altura a sua posição sobre as mulheres que o fazem... de tão incompreendida que é). Mas, desafio o Paulo (ou outro) a encontrar no meu argumentário qualquer referência religiosa...
A questão da defesa do embrião resulta da, desde há muito, maioritária (e quase unânime) posição da comunidade científica que afirma que há autonomia e singularidade da vida humana desde o momento da concepção! Por isso, labora em grave equívoco quem diz que a ciência não consegue estabelecer se o feto é vida humana! Desafio o Paulo (ou outro) a apresentar um trabalho ou artigo científico que afirme que o feto não é vida humana...
Recordo apenas que na Iª Conferência Internacional sobre o Aborto (1967) - onde estiveram autoridades mundiais da época (em Medicina, Direito, Filosofia, etc) -, o grupo da Medicina (com especialistas em Bioquímica, genética, profs universitários de Obsteterícia e Geinecologia, em representação proporcionalpor domínio científico, grupo étnico e religião - a percentagem de católicos era de 20%) concluíu por 19 votos contra 1 que «no decurso do período que vai desde a união do ovo e do espermatozóide - ou pelo menos do estádio blastocístico - ao nascimento da criança, em nenhum momento se pode dizer que não existe vida humana». E mais, que «as modificações que se operam e distinguem o óvulo implantado, o embrião de 6 semanas, o feto de 6 meses, a criança de uma semana e o adulto na maturidade, correspondem a meros estádios de desenvolvimento e de maturação» humanos!
Por isso, labora em grave equívoco quem diz que a ciência não consegue estabelecer se o feto é vida humana: «cada um de nós existiu como um todo [único e irrepetível] desde a concepção; tudo o que nos acontecer desde então tem o nome de maturação»! Desafio o Paulo (ou outro) a apresentar um trabalho ou artigo científico que afirme que o feto não é vida humana... ou que diga qualquer coisa de diferente do que acima trouxe à discussão.
Além disso, «não importa assumir uma posição vaga de que a vida humana é mas humana pós do que pré-natal. Uma lógica de "mais" ou de "menos" [vida] humana leva facilmente à justificação lógica do infanticídio e da eutanásia».
A capacidade para sofrer com a morte (desculpe Paulo, mas é das perguntas mais incríveis que li)... sabia que o sistema nervoso central começa a formar-se às 6 semanas e só está completo dois anos após o nascimento?
Quanto à consciência... tê-la-ão os deficientes mentais profundos?
Foi uma pena que não falasse da autonomia... é que «este ser vivo, implantado num ambiente protector, é independente do fenómeno da concepção, e aos 10 dias de vida assume o total controlo fisiológico do corpo materno, e é responsável pela interrupçõa do fluxo menstrual».
Da imposição da vontade de uma "facção" (de novo a escrita a trair as consciências?) «à força, por via da lei»: acha que se pode afirmar que há uma maioria das pessoas que entendam o aborto como um bem, ou que este não é um mal?... Só então se poderá falar que há a imposição de uma opção ética à força, por via de lei! Se não... estamos a laborar num equívoco... aliás, esse é o problema: esta discussão (não esta aqui no blog) está enquinada à partida porque há uma tolerância total para um lado ("pro-choice") e um profundo preconceito para o outro ("pro-life")... o que permite aos primeiros fazerem todas as piruetas que desejam: os zeros que aparecem e desaparecem nos números e que ninguém questiona; a imputação de afirmações que ninguém demonstra; etc!
b) quanto à questão da Liberdade ela não é total, como sei que sabe e defende. E o seu primeiro limite é a proibição de causar dano injustificado a terceiro. Ora, aceitando que a vida intra-uterina é uma fase da vida humana (igual à infância, à adolescência, etc) sempre se deverá compreender que esta mereça tutela jurídica! Dessa forma, jamais se poderia aceitar o direito ao aborto (quanto mais como natural e irrestrito) porque seria abandonar outra vida humana como nós... e, ainda pior, numa das suas fases mais desprotegidas... e logo por parte daqueles a quem será de esperar os maiores cuidados de protecção. De qualquer modo, e mesmo que se queira considerar um (suposto) direito ao aborto, este sempre teria de ceder perante o direito à vida do feto. Não quer isto dizer que o (suposto) direito ao aborto não possa ser considerado. Mas, como é evidente, se se pretende fazer um confronto caso-a-caso (ponderação subjectiva), então não fazia sentido que se concedesse um direito prévio de realizar aquilo que não poderia ser reposto: o aborto elimina essa vida, que é única e irrepetível! Por isso, o direito à vida, natural e logicamente, tem prevalência!
c) juntava a (sempre calada) questão do pai: qual a sua responsabilidade?!? E se ele se opusesse ao aborto: poderia obrigar ao nascimento e a mãe perder os direitos de paternidade (gostava de ouvir sobre isto aqueles que falam sobre a necessidade de um nascimento ser querido e sobre a necessidade de se consagrar os direitos de adopção mais "criativos")? Ou se ele fosse favorável e a mãe não: poderia ele obrigar a mulher a abortar? E se os pais fossem adolescente menores, a decisão caberia a quem: aos putativos avós? Então, mas a barriguinha não era delas?!?
Por aqui fico... pedindo desculpa pela extensão do texto... e aguardando!
Cumprimentos,
João Titta Maurício
Caro Paulo,
É com imenso agrado que verifico que respondeu favoravelmente ao meu desafio e que o fez usando da elevação que jamais duvidei!
Porém, encurtando elogios, enfrentemos os argumentos.
Relevo que há uma clara disparidade na distribuição dos elogios e adjectivos. Reparou que disse «Não considero válida a afirmação...» para os "pro-choice" e «É profundamente demagógico afirmar...» para os "pro-life"? Percebe as nuances, os cuidados que usa com uns e a apressada classificação com que, de imediato "despacha" os outros? Percebo que não é propositada, mas consequência do condicionamento do politicamente correcto...
Mas, esqueçamos pormenores.
a) concordamos que cabe à mulher (e ao homem) a responsabilidade de definirem o quadro em que pretende enfrentar a realidade importante que é uma gravidez. Responsabilidade que passa pela escolha do "se" se quer e "quando" se quer ser mãe (ou pai)! E também pelo assumir de uma sexualidade responsável.
b) quanto à estratégia “de luta”, ou “de pressão” de grupos que só aparecem nos momentos mediáticos da discussão do assunto, isso (sabemos todos) é fruto de uma táctica bem conhecida e com proveito bem identificável... mas não me vou perder por aí!
c) juntava que se impunha alguma seriedade em relação aos números avançados (em relação à sua dimensão e à recorrente não identificação da fonte - o que prefigura uma situação de absoluta desonestidade intelectual).
Quanto às suas posições sobre os "pro-life":
a) Não pode declarar que é «demagógico afirmar o direito à vida, sem definirem o que entendem por “vida”» quando esse conceito é dos mais bem debatidos e claros. Não há dúvidas de que o feto e o embrião são "vida" e "vida humana"! A questão, se bem entendo o debate, é se o feto e o embrião são "pessoa humana"...
E só mesmo porque o Paulo gosta de imprimir um tom bem humorado aos posts é que a argumentação da vida e dos "animaizinhos" criaturas de Deus é colocada!
Porém, mais interessante é a questão dos «argumentos religiosos»: como sempre, eles são chamados ao debate e nunca pelos "pro-life"! Não acha curioso que se assuma que a defesa da vida humana no estágio intra-uterino é uma questão religiosa?!? Já reparou que quem levanta a questão nunca usa argumentos de ciência, mas argumentos de "reconhecimento de direitos" que, de facto, não existem?!? E já reparou que quem foge à questão científica são os "pro-choice" , mas depois acusam os "pro-life" de serem «fundamentalistas religiosos»? Será para aliviarem a sua consciência e tentarem melhorar a sua posição na "bolsa dos argumentos"?!?
Aliás, grande parte da linha da minha argumentação está na aceitação (para efeitos de discussão) da aceitação dos direitos da mulher e na decisão do confronto entre estes e os do feto e do embrião!
Todavia, não sou hipócrita, nem pretendo esconder que procuro viver na fé. Ou sequer que, sobre a questão, a Igreja apresenta a sua posição de profunda oposição ao aborto (mas guardo para outra altura a sua posição sobre as mulheres que o fazem... de tão incompreendida que é). Mas, desafio o Paulo (ou outro) a encontrar no meu argumentário qualquer referência religiosa...
A questão da defesa do embrião resulta da, desde há muito, maioritária (e quase unânime) posição da comunidade científica que afirma que há autonomia e singularidade da vida humana desde o momento da concepção! Por isso, labora em grave equívoco quem diz que a ciência não consegue estabelecer se o feto é vida humana! Desafio o Paulo (ou outro) a apresentar um trabalho ou artigo científico que afirme que o feto não é vida humana...
Recordo apenas que na Iª Conferência Internacional sobre o Aborto (1967) - onde estiveram autoridades mundiais da época (em Medicina, Direito, Filosofia, etc) -, o grupo da Medicina (com especialistas em Bioquímica, genética, profs universitários de Obsteterícia e Geinecologia, em representação proporcionalpor domínio científico, grupo étnico e religião - a percentagem de católicos era de 20%) concluíu por 19 votos contra 1 que «no decurso do período que vai desde a união do ovo e do espermatozóide - ou pelo menos do estádio blastocístico - ao nascimento da criança, em nenhum momento se pode dizer que não existe vida humana». E mais, que «as modificações que se operam e distinguem o óvulo implantado, o embrião de 6 semanas, o feto de 6 meses, a criança de uma semana e o adulto na maturidade, correspondem a meros estádios de desenvolvimento e de maturação» humanos!
Por isso, labora em grave equívoco quem diz que a ciência não consegue estabelecer se o feto é vida humana: «cada um de nós existiu como um todo [único e irrepetível] desde a concepção; tudo o que nos acontecer desde então tem o nome de maturação»! Desafio o Paulo (ou outro) a apresentar um trabalho ou artigo científico que afirme que o feto não é vida humana... ou que diga qualquer coisa de diferente do que acima trouxe à discussão.
Além disso, «não importa assumir uma posição vaga de que a vida humana é mas humana pós do que pré-natal. Uma lógica de "mais" ou de "menos" [vida] humana leva facilmente à justificação lógica do infanticídio e da eutanásia».
A capacidade para sofrer com a morte (desculpe Paulo, mas é das perguntas mais incríveis que li)... sabia que o sistema nervoso central começa a formar-se às 6 semanas e só está completo dois anos após o nascimento?
Quanto à consciência... tê-la-ão os deficientes mentais profundos?
Foi uma pena que não falasse da autonomia... é que «este ser vivo, implantado num ambiente protector, é independente do fenómeno da concepção, e aos 10 dias de vida assume o total controlo fisiológico do corpo materno, e é responsável pela interrupçõa do fluxo menstrual».
Da imposição da vontade de uma "facção" (de novo a escrita a trair as consciências?) «à força, por via da lei»: acha que se pode afirmar que há uma maioria das pessoas que entendam o aborto como um bem, ou que este não é um mal?... Só então se poderá falar que há a imposição de uma opção ética à força, por via de lei! Se não... estamos a laborar num equívoco... aliás, esse é o problema: esta discussão (não esta aqui no blog) está enquinada à partida porque há uma tolerância total para um lado ("pro-choice") e um profundo preconceito para o outro ("pro-life")... o que permite aos primeiros fazerem todas as piruetas que desejam: os zeros que aparecem e desaparecem nos números e que ninguém questiona; a imputação de afirmações que ninguém demonstra; etc!
b) quanto à questão da Liberdade ela não é total, como sei que sabe e defende. E o seu primeiro limite é a proibição de causar dano injustificado a terceiro. Ora, aceitando que a vida intra-uterina é uma fase da vida humana (igual à infância, à adolescência, etc) sempre se deverá compreender que esta mereça tutela jurídica! Dessa forma, jamais se poderia aceitar o direito ao aborto (quanto mais como natural e irrestrito) porque seria abandonar outra vida humana como nós... e, ainda pior, numa das suas fases mais desprotegidas... e logo por parte daqueles a quem será de esperar os maiores cuidados de protecção. De qualquer modo, e mesmo que se queira considerar um (suposto) direito ao aborto, este sempre teria de ceder perante o direito à vida do feto. Não quer isto dizer que o (suposto) direito ao aborto não possa ser considerado. Mas, como é evidente, se se pretende fazer um confronto caso-a-caso (ponderação subjectiva), então não fazia sentido que se concedesse um direito prévio de realizar aquilo que não poderia ser reposto: o aborto elimina essa vida, que é única e irrepetível! Por isso, o direito à vida, natural e logicamente, tem prevalência!
c) juntava a (sempre calada) questão do pai: qual a sua responsabilidade?!? E se ele se opusesse ao aborto: poderia obrigar ao nascimento e a mãe perder os direitos de paternidade (gostava de ouvir sobre isto aqueles que falam sobre a necessidade de um nascimento ser querido e sobre a necessidade de se consagrar os direitos de adopção mais "criativos")? Ou se ele fosse favorável e a mãe não: poderia ele obrigar a mulher a abortar? E se os pais fossem adolescente menores, a decisão caberia a quem: aos putativos avós? Então, mas a barriguinha não era delas?!?
Por aqui fico... pedindo desculpa pela extensão do texto... e aguardando!
Cumprimentos,
João Titta Maurício
sábado, outubro 02, 2004
The lost tapes
Conseguimos, através de um agente infiltrado, assistir a uma reunião do CACETE, Comité Abrangente para o Combate Eleitoral contra o Totalitarismo de Esquerda, plataforma que inclui todos os partidos que no concelho da Moita estão contra o monopólio do PC na autarquia moiteira.
O registo do debate animado a que aí se assistiu foi registado em fita magnética que divulgaremos por ocasião do nosso primeiro aniversário.
Entre outros, aí encontraremos as posições de Afrodite Nogueira (pelo PS), Dr. Sottomaior Maravilhas (pelo CDS/PP), Zé-da-Erva (pelo BE), engenheiro Mimoso Desconhecido (pelo PSD), Zé-Toino (militante de base socialista), Catarina Sempre-Revolucionária (activista bloquista, ex-UDP), José Amendoim (intelectual socialista local) Maria Sete Dias (militante de base socialista), Tiago Afonso das Dores (bem-pensante não-alinhado), Manel da Praça (bêbado, enganado no caminho para casa, mas que ficou agradado com o ambiente de tasca que encontrou) e muitos outros, num exclusivo recolhido pelo nosso repórter Zé Berbigão, disfarçado como Joaquim das Couves (municípe eleitor em busca de esclarecimentos).
O registo do debate animado a que aí se assistiu foi registado em fita magnética que divulgaremos por ocasião do nosso primeiro aniversário.
Entre outros, aí encontraremos as posições de Afrodite Nogueira (pelo PS), Dr. Sottomaior Maravilhas (pelo CDS/PP), Zé-da-Erva (pelo BE), engenheiro Mimoso Desconhecido (pelo PSD), Zé-Toino (militante de base socialista), Catarina Sempre-Revolucionária (activista bloquista, ex-UDP), José Amendoim (intelectual socialista local) Maria Sete Dias (militante de base socialista), Tiago Afonso das Dores (bem-pensante não-alinhado), Manel da Praça (bêbado, enganado no caminho para casa, mas que ficou agradado com o ambiente de tasca que encontrou) e muitos outros, num exclusivo recolhido pelo nosso repórter Zé Berbigão, disfarçado como Joaquim das Couves (municípe eleitor em busca de esclarecimentos).
Para breve
O nosso leitor enviou.nos um long post sobre a questão do aborto.
Pensamos inseri-lo já amanhã porque, como é longo e merece alguma atenção, deve ser publicado separadamente dos de hoje.
Pensamos inseri-lo já amanhã porque, como é longo e merece alguma atenção, deve ser publicado separadamente dos de hoje.
Boa lembrança
Tenho verificado que estão a colocar alguns links no vosso blog.
Porque não colocar o do nosso (quase esquecido) único clube de futebol de Alhos Vedros, o C.R.I.?
Cmpts
Guerreiro
(Já está)
Porque não colocar o do nosso (quase esquecido) único clube de futebol de Alhos Vedros, o C.R.I.?
Cmpts
Guerreiro
(Já está)
A Educação por cá
Este fim de semana tivemos direito ao ranking das Escolas no que se refere aos exames do 12º ano, com o Expresso a apresentar aquele que normalmente serve de base para mais análises da questão.
Vejamos então como estamos pelo concelho da Moita, no contexto nacional e da península de Setúbal:
Média dos Concelhos
Superior a 10,5 valores: nenhum.
Entre 9,5 e 10,4: Almada Seixal, Barreiro, Palmela, Setúbal.
Entre 8,5 e 9,4: Alcochete, Moita e Sesimbra.
Abaixo de 8,5: Montijo.
Escolas (num universo de 554 com mais de 100 exames):
ES Moita – 471º lugar (desvio de 4,4 valores entre as notas internas e a dos exames)
ES Baixa da Banheira – 486º lugar (também 4,4 valores de desvio)
Só para dar um ponto de comparação, tão mal no seu conjunto, no contexto da península de Setúbal, só as escolas do Montijo (547ª lugar para a Poeta Joaquim Serra, com um desvio de 4,9 valores e 439º para a Jorge Peixinho, com um desvio de 4,1).
As escolas do Barreiro foram todas melhores (Santo André em 279º lugar, Casquilhos em 313º, Alfredo da Silva em 336º, Santo António em 407º, Augusto Cabrita em 463º); as do concelho de Palmela também (Pinhal Novo em 323º lugar e Palmela em 388º). Até a de Alcochete ficou em 413º lugar.
É fácil tirar as conclusões, apesar das justificações que já se adivinham perante esta desgraça.
Em termos educativos, o concelho da Moita é o pior da região, só com comparação ao Montijo e Alcochete. Curiosamente, são os concelhos que se reclamam de trradições taurinas. Como andam em disputa com os bois, os jovens moiteiros não têm depois tempo para estudar. Eu sei que o pessoal de Alhos Vedros também passa pelas secundárias do concelho mas, por experiência de quem lá andou, sinceramente acho que impedem que as médias ainda sejam piores e fazem o possível num ambiente hostil; passaram já quase 25 anos mas lembro-me bem do que foi resistir à mediocridade moiteira. A custo arranquei uma média de 16 no 10/11º (e muito sofri para o efeito, pois o que era bom na época era chumbar e ser estúpido) mas logo que cheguei à Seundária Alfredo da Silva, no início dos anos 80 uma escola enorme mas minimamente capaz, subi no 12º logo para os 18. A escola da Baixa da Banheira ainda tem a desculpa de ter os alunos carenciados e problemáticos da zona do Vale da Amoreira, mas a escola da Moita só se pode queixar de si própria.
Reparemos ainda que, no caso da Moita e do Montijo, temos os concelhos onde é visível a maior discrepância entre vaidade e capacidade. Não há nada tão vaidoso como um montijense ou um moiteiro de gema. São gabarolas até mais não, quando têm algum dinheirinho são absolutamente insuportáveis, mas são ignorantes como tudo. Aliás, lá para trás já dissertámos (post “O aspecto e o comportamento do moiteiro” no primeiro mês de vida deste blog) sobre este desfasamento entre a confiança do moiteiro em si mesmo e a sua congénita ignorância.
Por tudo isto, e muito mais, o resultado do ranking das escolas não nos surpreendeu.
A falta de qualquer tipo de educação nas suas mais variadas vertentes é, em especial entre as auto-proclamadas elites, um traço definidor dos(as) moiteiros(as).
Vejamos então como estamos pelo concelho da Moita, no contexto nacional e da península de Setúbal:
Média dos Concelhos
Superior a 10,5 valores: nenhum.
Entre 9,5 e 10,4: Almada Seixal, Barreiro, Palmela, Setúbal.
Entre 8,5 e 9,4: Alcochete, Moita e Sesimbra.
Abaixo de 8,5: Montijo.
Escolas (num universo de 554 com mais de 100 exames):
ES Moita – 471º lugar (desvio de 4,4 valores entre as notas internas e a dos exames)
ES Baixa da Banheira – 486º lugar (também 4,4 valores de desvio)
Só para dar um ponto de comparação, tão mal no seu conjunto, no contexto da península de Setúbal, só as escolas do Montijo (547ª lugar para a Poeta Joaquim Serra, com um desvio de 4,9 valores e 439º para a Jorge Peixinho, com um desvio de 4,1).
As escolas do Barreiro foram todas melhores (Santo André em 279º lugar, Casquilhos em 313º, Alfredo da Silva em 336º, Santo António em 407º, Augusto Cabrita em 463º); as do concelho de Palmela também (Pinhal Novo em 323º lugar e Palmela em 388º). Até a de Alcochete ficou em 413º lugar.
É fácil tirar as conclusões, apesar das justificações que já se adivinham perante esta desgraça.
Em termos educativos, o concelho da Moita é o pior da região, só com comparação ao Montijo e Alcochete. Curiosamente, são os concelhos que se reclamam de trradições taurinas. Como andam em disputa com os bois, os jovens moiteiros não têm depois tempo para estudar. Eu sei que o pessoal de Alhos Vedros também passa pelas secundárias do concelho mas, por experiência de quem lá andou, sinceramente acho que impedem que as médias ainda sejam piores e fazem o possível num ambiente hostil; passaram já quase 25 anos mas lembro-me bem do que foi resistir à mediocridade moiteira. A custo arranquei uma média de 16 no 10/11º (e muito sofri para o efeito, pois o que era bom na época era chumbar e ser estúpido) mas logo que cheguei à Seundária Alfredo da Silva, no início dos anos 80 uma escola enorme mas minimamente capaz, subi no 12º logo para os 18. A escola da Baixa da Banheira ainda tem a desculpa de ter os alunos carenciados e problemáticos da zona do Vale da Amoreira, mas a escola da Moita só se pode queixar de si própria.
Reparemos ainda que, no caso da Moita e do Montijo, temos os concelhos onde é visível a maior discrepância entre vaidade e capacidade. Não há nada tão vaidoso como um montijense ou um moiteiro de gema. São gabarolas até mais não, quando têm algum dinheirinho são absolutamente insuportáveis, mas são ignorantes como tudo. Aliás, lá para trás já dissertámos (post “O aspecto e o comportamento do moiteiro” no primeiro mês de vida deste blog) sobre este desfasamento entre a confiança do moiteiro em si mesmo e a sua congénita ignorância.
Por tudo isto, e muito mais, o resultado do ranking das escolas não nos surpreendeu.
A falta de qualquer tipo de educação nas suas mais variadas vertentes é, em especial entre as auto-proclamadas elites, um traço definidor dos(as) moiteiros(as).
sexta-feira, outubro 01, 2004
Estamos quase de parabéns
Foi em Outubro de 2003 que arrancámos com este blog.
Dentro de 20 dias faremos um ano de intervenção e, até ao momento, inserimos cerca de 250 posts. Conseguimos atingir o topo de entradas em blogs regionais registados no PTBloggers durante o Verão. Fomos ultrapassados nos últimos tempos, mas os tipos da Figueira da Foz não perdem pela demora.
Para a data do primeiro aniversário temos previstos contributos dos nossos colaboradores mais regulares (Manuel Pedro, António da Costa, José Silva, Filipe Fonseca, moi-même, vamos ver se o Roldão Preto está para isso).
Quem quiser associar-se à data pode enviar-nos o contributo que considerar mais adquado, de preferência até 20 de Outubro.
Dentro de 20 dias faremos um ano de intervenção e, até ao momento, inserimos cerca de 250 posts. Conseguimos atingir o topo de entradas em blogs regionais registados no PTBloggers durante o Verão. Fomos ultrapassados nos últimos tempos, mas os tipos da Figueira da Foz não perdem pela demora.
Para a data do primeiro aniversário temos previstos contributos dos nossos colaboradores mais regulares (Manuel Pedro, António da Costa, José Silva, Filipe Fonseca, moi-même, vamos ver se o Roldão Preto está para isso).
Quem quiser associar-se à data pode enviar-nos o contributo que considerar mais adquado, de preferência até 20 de Outubro.
A falácia do utilizador-pagador
Na cartilha pseudo neo-liberal dos tempos que correm, e perante a inépcia com que são conduzidas as contas do Estado, foi ganhando popularidade o conceito do “utilizador-pagador” no que se refere a serviços prestados pelo Estado.
De acordo com esta tese peregrina, quem utiliza um determinado serviço (Saúde, Justiça, etc) ou infraestrutura (auto-estradas) do estado deve pagar uma taxa destinada a cobrir parte dos custos da sua execução/funcionamento.
Ora bem, tudo isto é muito bonito mas encrava num par de aspectos básicos que quase todos fazem por ignorar, para não serem apelidados de comunistas.
1) Todos nós já pagamos impostos para que esses serviços ou estruturas se criem e mantenham em funcionamento. Se os impostos não chegam a solução é fácil (aperte-se a fiscalização à evasão fiscal) ou muito fácil (aumentem-se os impostos), mesmo se não é necessariamente popular. Não podemos querer que andemos a pagar impostos ao Estado, para depois dizerem que devemos pagar taxas adicionais quando precisamos das contrapartidas desse mesmo Estado. Ou fazem as contas e decidem o que faz falta ou então dediquem-se a outra actividade. O objectivo da máquina fiscal é prover o Estado dos recursos necessários para colocar em prática políticas NACIONAIS, de que beneficiem TODOS os cidadãos. Quem ganha mais, paga mais (pois, pois... só na teoria), tanto atendendo à base dos rendimentos sobre a qual incide o imposto como à própria progressividade dos escalões do IRS. Se a máquina fiscal funcionar de forma eficiente e imparcial, o modelo é bom. Os seus gestores e/ou executores é que o poderão não ser.
2) Afirmar que só devem pagar um serviço ou infraestrutura aqueles que o(a) utilizam é dar um passo para a completa fragmentação fiscal do país, para não dizer que é a defesa do fim da solidariedade nacional, e social, em termos fiscais. Seguindo essa lógica, e à (falsa) moda da Madeira, passam-se a reter os impostos nas regiões de que são os pagadores e só se usam esses dinheiros em obras regionais ou locais. Por que razão terei eu que contribuir para hospitais por todo o país, se só utilizo o do Barreiro e Setúbal ou o posto de Saúde de Alhos Vedros ? Quero lá saber do de Mondim de Basto, do hospital de Abrantes ou do da Guarda ? É isso que os defensores do princípio do utilizador-pagador pretendem ? É particularmente erróneo este tipo de argumentação, porque assim mais vale voltarmos aos tempos do Antigo Regime, em que os impostos se lançavam só à medida das necessidades; quando era necessário um gasto extraordinário lançava-se uma derrama para o efeito e pronto. É preciso o Aqueduto das Águas Livres, crie-se o real d’água e estamos falados. Esquecem-se os arautos destas “novas” ideias que assim poderemos todos contestar as transferências de dinheiros do Estado para as zonas menos desenvolvidas, ou para cobrir os défices das regiões autónomas, com base no argumento de que não usamos os túneis do Alberto João ou as circulares e rotundas do Carlos César ?
Pelo que fica resumidamente exposto acho que é muito desonesto vir afirmar que o princípio do “utilizador-pagador” é mais justo do que o de contribuirmos todos para aquilo que devem ser políticas NACIONAIS de promoção de um desenvolvimento SOLIDÁRIO. Se as contas do Estado não permitem os gastos indispensáveis ao desenvolvimento do país, expliquem-nos onde foram parar os milhões que a CEE/EU fez pingar todos os anos em Portugal durante quase 20 anos.
Se somarmos tudo bem somadinho, facilmente veremos que o que cá entrou foi bem mais do que o que apareceu feito em prol do bem comum.
O que falta andou muito mal distribuído, enchendo os bolsos (privados) de muitos (boys e girls do sistema mais os friends) que agora aparecem (em público) a carpir mágoas sobre a falta de recursos financeiros do Orçamento de Estado para cobrir despesas que deveriam estar mais do que pagas.
Vergonha é que falta neste país.
O resto, se vergonha houvesse, até se arranjava.
António da Costa
De acordo com esta tese peregrina, quem utiliza um determinado serviço (Saúde, Justiça, etc) ou infraestrutura (auto-estradas) do estado deve pagar uma taxa destinada a cobrir parte dos custos da sua execução/funcionamento.
Ora bem, tudo isto é muito bonito mas encrava num par de aspectos básicos que quase todos fazem por ignorar, para não serem apelidados de comunistas.
1) Todos nós já pagamos impostos para que esses serviços ou estruturas se criem e mantenham em funcionamento. Se os impostos não chegam a solução é fácil (aperte-se a fiscalização à evasão fiscal) ou muito fácil (aumentem-se os impostos), mesmo se não é necessariamente popular. Não podemos querer que andemos a pagar impostos ao Estado, para depois dizerem que devemos pagar taxas adicionais quando precisamos das contrapartidas desse mesmo Estado. Ou fazem as contas e decidem o que faz falta ou então dediquem-se a outra actividade. O objectivo da máquina fiscal é prover o Estado dos recursos necessários para colocar em prática políticas NACIONAIS, de que beneficiem TODOS os cidadãos. Quem ganha mais, paga mais (pois, pois... só na teoria), tanto atendendo à base dos rendimentos sobre a qual incide o imposto como à própria progressividade dos escalões do IRS. Se a máquina fiscal funcionar de forma eficiente e imparcial, o modelo é bom. Os seus gestores e/ou executores é que o poderão não ser.
2) Afirmar que só devem pagar um serviço ou infraestrutura aqueles que o(a) utilizam é dar um passo para a completa fragmentação fiscal do país, para não dizer que é a defesa do fim da solidariedade nacional, e social, em termos fiscais. Seguindo essa lógica, e à (falsa) moda da Madeira, passam-se a reter os impostos nas regiões de que são os pagadores e só se usam esses dinheiros em obras regionais ou locais. Por que razão terei eu que contribuir para hospitais por todo o país, se só utilizo o do Barreiro e Setúbal ou o posto de Saúde de Alhos Vedros ? Quero lá saber do de Mondim de Basto, do hospital de Abrantes ou do da Guarda ? É isso que os defensores do princípio do utilizador-pagador pretendem ? É particularmente erróneo este tipo de argumentação, porque assim mais vale voltarmos aos tempos do Antigo Regime, em que os impostos se lançavam só à medida das necessidades; quando era necessário um gasto extraordinário lançava-se uma derrama para o efeito e pronto. É preciso o Aqueduto das Águas Livres, crie-se o real d’água e estamos falados. Esquecem-se os arautos destas “novas” ideias que assim poderemos todos contestar as transferências de dinheiros do Estado para as zonas menos desenvolvidas, ou para cobrir os défices das regiões autónomas, com base no argumento de que não usamos os túneis do Alberto João ou as circulares e rotundas do Carlos César ?
Pelo que fica resumidamente exposto acho que é muito desonesto vir afirmar que o princípio do “utilizador-pagador” é mais justo do que o de contribuirmos todos para aquilo que devem ser políticas NACIONAIS de promoção de um desenvolvimento SOLIDÁRIO. Se as contas do Estado não permitem os gastos indispensáveis ao desenvolvimento do país, expliquem-nos onde foram parar os milhões que a CEE/EU fez pingar todos os anos em Portugal durante quase 20 anos.
Se somarmos tudo bem somadinho, facilmente veremos que o que cá entrou foi bem mais do que o que apareceu feito em prol do bem comum.
O que falta andou muito mal distribuído, enchendo os bolsos (privados) de muitos (boys e girls do sistema mais os friends) que agora aparecem (em público) a carpir mágoas sobre a falta de recursos financeiros do Orçamento de Estado para cobrir despesas que deveriam estar mais do que pagas.
Vergonha é que falta neste país.
O resto, se vergonha houvesse, até se arranjava.
António da Costa
quarta-feira, setembro 29, 2004
Proposta de plataforma de acordo
Para discutirmos aqui as questões do aborto ou IVG (conforme as sensibilidades) e apesar de esse ser um tema que foge aos propósitos primeiros do blog, gostaria de deixar aqui um punhado de princípios básicos para ser entendida a minha posição pessoal.
Contra os defensores do aborto, quase a qualquer preço, tenho as seguintes reservas:
a) Não considero válida a afirmação de que isso corresponde ao “direito da mulher dispôr livremente do seu corpo”. Quando interrompe a gravidez, a mulher não está apenas a agir sobre o seu corpo, mas igualmente sobre um outro corpo dentro de si. Salvo submissão a violência física, violação, grassa ignorância ou grave acidente nos meios anticonsepcionais, o direito da mulher a dispôr do seu corpo devia ter sido posto em prática antes de ficar grávida. Não tenho nada contra o sexo pré-conjugal, (pratiquei-o, quando possível) ou contra um alargado leque de prazeres sexuais em qualquer altura da vida (idem, aspas, aspas), mas acho que a m(p)aternidade é demasiado séria para acontecer por acaso ou acidente, como já algumas pessoas que conheço me afirmaram, com ar meio displicente.
b) Discordo frontalmente da estratégia “de luta”, ou “de pressão” de grupos que só aparecem nos momentos mediáticos da discussão do assunto, do género daquelas meninas/senhoras a que chamaria “Bloquetes”, da Catarina Portas à Margarida Martins (em ordem crescente de volume), passando por Margaridas e Claras Pinto Correia, etc, etc, que vão em romaria à Assembleia da República para ficarem no retratro e mostrarem como têm consciência social. No resto do tempo, não fazem nada para resolver o drama dos abortos ilegais, mas pronto.
Contra quem se opõe ao aborto, penso que:
a) É profundamente demagógico afirmar o direito à vida, sem definirem o que entendem por “vida”. Se é no sentido lato, estamos tramados, porque vida é muita coisa. Os animaizinhos também são criaturas de Deus e penso que até as plantas. Não é por isso que os deixamos de comer ou dizimar. Se é vida no sentido restrito de “vida humana”, podemos cair numa de duas situações: ou estamos apenas a defender a nossa espécie por oposição às outras, que também representam vida; ou estamos a valorizar a vida humana acima de qualquer outra com base em argumentos religiosos que, como me parece evidente, são bastante relativos e oscilam com os indivíduos, não devendo ser impostos à força, por via da lei.
b) A Liberdade, que muitos apregoam, é a liberdade de cada um de nós agir livremente, desde que não limitemos a liberdade alheia ou então a acção livre resultante de um compromisso consensualmente aceite pela sociedade. Sei que os mecanismos formais para a legitimação desta segunda opção são complexos, mas penso que se percebe a ideia. Portanto, uma facção não deve impôr a sua forma de ver as coisas e de agir aos outros. Nesta perspectiva, a limitação da IVG de acordo com os padrões dos grupos “pró-vida”é claramente uma limitação da Liberdade de parte da sociedade. Penso que se percebe que não estou a dizer que um grupo que defenda massacres em massa deve ser respeitado pelo resto da sociedade porque, aqui, está claramente a violar a liberdade alheia.
De tudo isto, resulta que é necessário esclarecer dois pontos: Do que falamos, quando falamos em vida (humana, com consciência de si enquanto matéria viva e com capacidade para sofrer com a morte) e quando é que podemos considerar que a vida “humana” existe.
Essas são questões centrais, que a ciência ainda não consegue responder cabalmente. No entanto, não é por isso, que devemos deixar que a decisão seja tomada unilateralmente com base em dogmas religiosos, por vezes tão relativos, localizados e transitórios como os paradigmas científicos. E nunca devemos deixar que sejam decisões meramente de conveniência, agenda política e/ou estratégia partidária, mais ou menos “fracturante”, a decidir questões desta amplitude.
Sobre estes aspectos (ciência vs religião vs política), mais fundos, da questão escreverei mais tarde.
Contra os defensores do aborto, quase a qualquer preço, tenho as seguintes reservas:
a) Não considero válida a afirmação de que isso corresponde ao “direito da mulher dispôr livremente do seu corpo”. Quando interrompe a gravidez, a mulher não está apenas a agir sobre o seu corpo, mas igualmente sobre um outro corpo dentro de si. Salvo submissão a violência física, violação, grassa ignorância ou grave acidente nos meios anticonsepcionais, o direito da mulher a dispôr do seu corpo devia ter sido posto em prática antes de ficar grávida. Não tenho nada contra o sexo pré-conjugal, (pratiquei-o, quando possível) ou contra um alargado leque de prazeres sexuais em qualquer altura da vida (idem, aspas, aspas), mas acho que a m(p)aternidade é demasiado séria para acontecer por acaso ou acidente, como já algumas pessoas que conheço me afirmaram, com ar meio displicente.
b) Discordo frontalmente da estratégia “de luta”, ou “de pressão” de grupos que só aparecem nos momentos mediáticos da discussão do assunto, do género daquelas meninas/senhoras a que chamaria “Bloquetes”, da Catarina Portas à Margarida Martins (em ordem crescente de volume), passando por Margaridas e Claras Pinto Correia, etc, etc, que vão em romaria à Assembleia da República para ficarem no retratro e mostrarem como têm consciência social. No resto do tempo, não fazem nada para resolver o drama dos abortos ilegais, mas pronto.
Contra quem se opõe ao aborto, penso que:
a) É profundamente demagógico afirmar o direito à vida, sem definirem o que entendem por “vida”. Se é no sentido lato, estamos tramados, porque vida é muita coisa. Os animaizinhos também são criaturas de Deus e penso que até as plantas. Não é por isso que os deixamos de comer ou dizimar. Se é vida no sentido restrito de “vida humana”, podemos cair numa de duas situações: ou estamos apenas a defender a nossa espécie por oposição às outras, que também representam vida; ou estamos a valorizar a vida humana acima de qualquer outra com base em argumentos religiosos que, como me parece evidente, são bastante relativos e oscilam com os indivíduos, não devendo ser impostos à força, por via da lei.
b) A Liberdade, que muitos apregoam, é a liberdade de cada um de nós agir livremente, desde que não limitemos a liberdade alheia ou então a acção livre resultante de um compromisso consensualmente aceite pela sociedade. Sei que os mecanismos formais para a legitimação desta segunda opção são complexos, mas penso que se percebe a ideia. Portanto, uma facção não deve impôr a sua forma de ver as coisas e de agir aos outros. Nesta perspectiva, a limitação da IVG de acordo com os padrões dos grupos “pró-vida”é claramente uma limitação da Liberdade de parte da sociedade. Penso que se percebe que não estou a dizer que um grupo que defenda massacres em massa deve ser respeitado pelo resto da sociedade porque, aqui, está claramente a violar a liberdade alheia.
De tudo isto, resulta que é necessário esclarecer dois pontos: Do que falamos, quando falamos em vida (humana, com consciência de si enquanto matéria viva e com capacidade para sofrer com a morte) e quando é que podemos considerar que a vida “humana” existe.
Essas são questões centrais, que a ciência ainda não consegue responder cabalmente. No entanto, não é por isso, que devemos deixar que a decisão seja tomada unilateralmente com base em dogmas religiosos, por vezes tão relativos, localizados e transitórios como os paradigmas científicos. E nunca devemos deixar que sejam decisões meramente de conveniência, agenda política e/ou estratégia partidária, mais ou menos “fracturante”, a decidir questões desta amplitude.
Sobre estes aspectos (ciência vs religião vs política), mais fundos, da questão escreverei mais tarde.
Muito bem
O nosso amigo Paulo Guinote conseguiu ver o seu texto sobre “O Estado da Educação”, aqui publicado pela primeira vez, inserido no blog do programa A Quadratura do Círculo (o link está algures do vosso lado direito).
Sempre é uma voz das nossas a chegar a outros públicos.
Um bem-haja e ficamos à espera de novas colaborações.
Sempre é uma voz das nossas a chegar a outros públicos.
Um bem-haja e ficamos à espera de novas colaborações.
domingo, setembro 26, 2004
Socrático ?
Os trocadilhos com o nome do novo líder do PS são injustos.
O pensamento do homem é tudo menos socrático.
É meramente pragmático.
Como conseguir o apoio da malta ?
Prometendo-lhes o poder.
A facção xuxalista do PS corre logo em tropel ao cheiro da maminha do Estado.
Veja-se a declaração de afecto e esperança da líder local Eurídice Pereira no Distrito Online.
É um chegar à frente para ver se se fica no retrato que até aflige.
Pelo menos, foi possível saber que socialistas no PS são menos de 20%.
Os outros apenas querem ter a sensação de poderem alcançar umas raspinhas do Orçamento de 2007.
O pensamento do homem é tudo menos socrático.
É meramente pragmático.
Como conseguir o apoio da malta ?
Prometendo-lhes o poder.
A facção xuxalista do PS corre logo em tropel ao cheiro da maminha do Estado.
Veja-se a declaração de afecto e esperança da líder local Eurídice Pereira no Distrito Online.
É um chegar à frente para ver se se fica no retrato que até aflige.
Pelo menos, foi possível saber que socialistas no PS são menos de 20%.
Os outros apenas querem ter a sensação de poderem alcançar umas raspinhas do Orçamento de 2007.
sábado, setembro 25, 2004
O mundo está perigoso...
A democracia dá nisto.
No Alhos Vedros Visual deixámos ficar a funcionalidade de serem inseridos comentários directos.
A propósito de uma "boca" feita a uma notícia do Distritonline, fui atacado selvaticamente por uma Cesaltina, que me acusa de não fazer nada de útil e só fazer comentários estúpidos.
Em primeiro lugar, no Alhos Vedros Visual não sou só eu que insiro comentários.
Em segundo lugar, realmente podemos nem sempre ter razão no que escrevemos. Não somos assim tão omniscientes.
Em terceiro lugar, é sempre bom ver com que elegância os nossos críticos reagem, quando nos acusam da falta dessa mesma elegância.
Em quarto lugar, agarrem a senhora Cesaltina se não ela põe-me todo negro (isto não é nenhuma alusão racista, é "negro" no sentido de ficar com nódoas negras), com a raiva toda que me parece ter.
Bolas, que é preciso explicar tudo.
Arre, burro (a)...
No Alhos Vedros Visual deixámos ficar a funcionalidade de serem inseridos comentários directos.
A propósito de uma "boca" feita a uma notícia do Distritonline, fui atacado selvaticamente por uma Cesaltina, que me acusa de não fazer nada de útil e só fazer comentários estúpidos.
Em primeiro lugar, no Alhos Vedros Visual não sou só eu que insiro comentários.
Em segundo lugar, realmente podemos nem sempre ter razão no que escrevemos. Não somos assim tão omniscientes.
Em terceiro lugar, é sempre bom ver com que elegância os nossos críticos reagem, quando nos acusam da falta dessa mesma elegância.
Em quarto lugar, agarrem a senhora Cesaltina se não ela põe-me todo negro (isto não é nenhuma alusão racista, é "negro" no sentido de ficar com nódoas negras), com a raiva toda que me parece ter.
Bolas, que é preciso explicar tudo.
Arre, burro (a)...
sexta-feira, setembro 24, 2004
Zé Berbigão dá-se a conhecer
Obtida a devida autorização, aqui incluímos um texto de Zé Berbigão, figura típica do lamaçal alhosvedrense, que inicialmente o tinha feito aparecer no Alhos Vedros Visual como comentário a uma das imagens lá existentes.
Para quem quiser verificar o slogan " a Moita é um Concelho de qualidade", visite o merdaçal, convida a Associação amigos do merdaçal, também denominado por uma facção dissidente, mas igualmente representativa, conhecida como o grupo "Cagões e companhia", que se distinguem dos restantes por uma especial característica que se resume essencialmente por defecarem proficuamente e de denominarem o referido local, com o nome que lhes sai das entranhas, parido diariamente com satisfação e alívio, o cagaçal. Terra mítica, fecunda e inspiradora, o santuário, o Cagaçal.
Mas onde fica situado o merdaçal? Pergunta o povo afinal.
O merdaçal, eventualmente, pode estender-se ao resto do mundo. Podemos, no entanto, circunscrevê-lo a uma área onde a vida dificilmente medra. Meus amigos, o merdaçal, cagaçal e outras merdas, a crescerem exponencialmente, situa-se no cais velho de Alhos Vedros. Se forem audazes, jovens e saudáveis, ou então, suicidas temerários, vão ver e cheirar.
Eu, graças a Deus, tenho menos quatro dioptrias no olho esquerdo e uma sinusite que me têm permitido sobreviver. Sou mesmo um felizardo, agora até já me andam a estudar o esperma, para que as futuras gerações fiquem imunizadas.
Chama-se a isto desenvolvimento sustentável.Podíamos até criar um novo slogan para o Concelho da Moita, que seria: "Medra no merdaçal, bem-estar à beira do forno da cal".
Zé Berbigão
Para quem quiser verificar o slogan " a Moita é um Concelho de qualidade", visite o merdaçal, convida a Associação amigos do merdaçal, também denominado por uma facção dissidente, mas igualmente representativa, conhecida como o grupo "Cagões e companhia", que se distinguem dos restantes por uma especial característica que se resume essencialmente por defecarem proficuamente e de denominarem o referido local, com o nome que lhes sai das entranhas, parido diariamente com satisfação e alívio, o cagaçal. Terra mítica, fecunda e inspiradora, o santuário, o Cagaçal.
Mas onde fica situado o merdaçal? Pergunta o povo afinal.
O merdaçal, eventualmente, pode estender-se ao resto do mundo. Podemos, no entanto, circunscrevê-lo a uma área onde a vida dificilmente medra. Meus amigos, o merdaçal, cagaçal e outras merdas, a crescerem exponencialmente, situa-se no cais velho de Alhos Vedros. Se forem audazes, jovens e saudáveis, ou então, suicidas temerários, vão ver e cheirar.
Eu, graças a Deus, tenho menos quatro dioptrias no olho esquerdo e uma sinusite que me têm permitido sobreviver. Sou mesmo um felizardo, agora até já me andam a estudar o esperma, para que as futuras gerações fiquem imunizadas.
Chama-se a isto desenvolvimento sustentável.Podíamos até criar um novo slogan para o Concelho da Moita, que seria: "Medra no merdaçal, bem-estar à beira do forno da cal".
Zé Berbigão
Reparos mesmo muito curtos a TM
Caramba, não tenho fôlego para tanto.
De vez em quando preciso de trabalhar e não consigo dar despacho a tudo.
Por isso, um par de curtas:
a) Como sabe, a tradução de Opus Dei é a Obra de Deus. Sendo neutro em latim e não existindo neutro em português, julgo que terá maior legitimidade usar o artigo definido no género do termo em português.
b) Fatos azul-celeste nos anos 80 houve-os e o marido de uma prima minha casou-se assim e eu sempre que vejo a foto percebo a razão do divórcio que se seguiu, poucos anos depois.
c) As questões em torno do sr. dr. Paulo Portas não me interessam. As opiniões mudam, mesmo para alguns burros. E quanto a comportamentos íntimos não quero saber deles. Aliás, ninguém melhor que o irmão dele para o defender, em quaisquer circunstâncias e modalidades. Este não é o lugar, nem este o momento, porque não é ele o interlocutor.
O problema é, de acordo com a própria "doutrina Portas" de há meia dúzia de anos, o uso que se faz da governação e da coisa pública e da (in)coerência entre os valores apregoados e os praticados. Lembrar-se-á que o back to the basics, em termos de valores familares, do John Major e do Partido Conservador inglês caiu pela base quando se achou um ou outro deputado em companhias menos próprias ou, inclusivamente, um sufocado na sequência de práticas prazenteiras assaz sofisticadas.
d) Um dia explico-lhe a minha defesa fundamentada do direito à abstenção como arma (quase) última para lutar contra classes políticas de duvidosa qualidade e ao serviço apenas de ambições pessoais.
e) Por fim, o problema da drª Celeste Cardona e dos outros 12 é semelhante à questão semântica do aborto, nos termos em que o TM a colocou. Podemos elaborar muito à volta do problema, mas o essencial que é transmitido e que o vulgo assimila se calhar é o que corresponde mais à verdade. E para discutir o currículo da senhora seria, porventura e para encurtar, educativo analisar a sua acção à frente do Ministério da Justiça.
Quandto ao demais verei se no fim de semana terei tempo para mais. Afinal, uma pessoa precisa de ganhar a vida e de dar atenção à família.
De vez em quando preciso de trabalhar e não consigo dar despacho a tudo.
Por isso, um par de curtas:
a) Como sabe, a tradução de Opus Dei é a Obra de Deus. Sendo neutro em latim e não existindo neutro em português, julgo que terá maior legitimidade usar o artigo definido no género do termo em português.
b) Fatos azul-celeste nos anos 80 houve-os e o marido de uma prima minha casou-se assim e eu sempre que vejo a foto percebo a razão do divórcio que se seguiu, poucos anos depois.
c) As questões em torno do sr. dr. Paulo Portas não me interessam. As opiniões mudam, mesmo para alguns burros. E quanto a comportamentos íntimos não quero saber deles. Aliás, ninguém melhor que o irmão dele para o defender, em quaisquer circunstâncias e modalidades. Este não é o lugar, nem este o momento, porque não é ele o interlocutor.
O problema é, de acordo com a própria "doutrina Portas" de há meia dúzia de anos, o uso que se faz da governação e da coisa pública e da (in)coerência entre os valores apregoados e os praticados. Lembrar-se-á que o back to the basics, em termos de valores familares, do John Major e do Partido Conservador inglês caiu pela base quando se achou um ou outro deputado em companhias menos próprias ou, inclusivamente, um sufocado na sequência de práticas prazenteiras assaz sofisticadas.
d) Um dia explico-lhe a minha defesa fundamentada do direito à abstenção como arma (quase) última para lutar contra classes políticas de duvidosa qualidade e ao serviço apenas de ambições pessoais.
e) Por fim, o problema da drª Celeste Cardona e dos outros 12 é semelhante à questão semântica do aborto, nos termos em que o TM a colocou. Podemos elaborar muito à volta do problema, mas o essencial que é transmitido e que o vulgo assimila se calhar é o que corresponde mais à verdade. E para discutir o currículo da senhora seria, porventura e para encurtar, educativo analisar a sua acção à frente do Ministério da Justiça.
Quandto ao demais verei se no fim de semana terei tempo para mais. Afinal, uma pessoa precisa de ganhar a vida e de dar atenção à família.
Novo contributo de TM
Meu caro,
Começo pelo fim: a questão do fatinho azul-celeste! É bem verdade que os anos oitenta foram, na minha opinião, pouco dados ao bom-gosto. Mas fatos dessa cor não me recordo... a única coisa de estranho que tinha (e com todo o respeito por esses profissionais) era um fato azul-CP: era tão realista que uma vez interpelaram-me para saber se faltava muito para o barco partir! Ah, e claro (talvez o pior de tudo) as meias turcas brancas! Agora, hoje em dia, prefiro os factos cinzentos muito escuro, ou pretos finamente riscados... e com eles, invariavelmente, meias pretas! Além disso, o que me espantou no seu comentário foi a menção a uma cor: é que a foto que forneci é a preto-e-branco...
Mas, deixemo-nos de diálogos sobre moda e gostos... ou a memória da falta dele!
Primeiro as respostas aos "very short comments" ínsitos no meu texto. - A pergunta era se sabia quais são as convicções pessoais dele sobre o aborto. É que, como sabe, ele é acusado de ter publicado um texto (nos idos tempos de 1983, se não estou em erro - outra vez esta década...) onde expunha uma posição diferente da do CDS. Além disso, é público, alguns dos seus mais próximos e importantes colaboradores não filiados no CDS fizeram publicar no Indy, dois textos em que apelavam a uma liberalização das posições da direita sobre a matéria (bem cá suspeito porque o fizeram e imagino que não hajam desegradado... se é que, para tanto, não foram estimulados a fazê-lo)! Quanto aos "valores da família"... não me parece que eles se apliquem aqui. Parece-me mais que se deva falar do valor da vida humana! - O pedido de respostas às insinuações que fez (e faz) não foram respondidos e, como diria o outro, «você sabe bem do que eu estou a falar»! É que qualquer resposta só pode ser dada se concretizar! Vou ajudar: está a falar do tema que ainda há dias foi tema de um inqualificável editorial de "A Capital"? Eu também conheço alguma malta dos primórdios do Indy (um deles até foi meu aluno)... e depois?!? E qual é o sítio apropriado para falar sobre o "assunto"?!? Acredito que não seja o seu caso, mas acho fantástico a cobardia e (aqui sim!) a hipocrisia daqueles que andam a propor determinadas formas de casamento e depois tem recaídas sob a forma das mais rasteiras fobias! E depois as insinuações... como se isso, a ser verdade, fosse importante para determinar as opções dos eleitores... e quem o faz, julgando que isso aconteceria, é do mais estúpido possível! Volto a dizer (sem ironia ou mera cautela): não o estou a ver adoptar essa postura! Além disso, acha que um tipo que já foi acusado de tudo pelos seus adversários, que lhe inventaram todo o tipo de pecados, se fosse verdade não acha que já teriam arranjado alguém que aparecesse a confirmar o "assunto"?!? Parece que para alguns, a coisa nem é difícil: acreditam que foi possível montar uma "cabala" e arranjar mais de 130 testemunhas...
Mas isso é desviar-me (e muito!) do assunto.
Agora, os «pequenos detalhes - resposta temporária a TM». A questão Paulo Portas... já a respondi. Só acrescentava que conheço muitos casos de quem «sabe de coisas que lhe contaram outras que conhecem quem sabe»... etc! Mas, não quero fazer desta questão tema de conversa. Nisso acompanho-o: o tema é desinteressante e fiquemo-nos por aqui, em nome do bom tom e da decência! Quanto a mim, não tenho nada a esconder e tento (bem sei que não consigo) viver de acordo com aquilo em que acredito. Se o problema é conhecer-me... não estamos tão longe e eu confesso que tenho curiosidade de conhecê-lo! E Paulo, querendo, sabe como. Em relação ao que me levou a entrar na política... se calhar é o mesmo que me poderá levar a partir! Até porque não quero que haja "parcelas de mim que fiquem pelo caminho"... e pactuar... infelizmente sou mais acusado de radicalismo e fundamentalismo do que de cauculismo ou "interesseirismo"! O que pretendo é discutir ideias e tentar influenciar (pela persuasão e bondade das propostas) as decisões que nos afectam a todos! Porém, começo a duvidar que a política seja o espaço adequado... mas ainda não fui capaz de perceber qual seria o outro (a menos que fosse fora da política para influenciar a política)! Além disso, começa a incomodar-me a perspectiva de ser alvo de desconfiança porque digo que não quero nada... começam logo a pensar que quero algo de mais "apetitoso" ou inconfessável! De Fausto tenho muito pouco... ou quase nada... acredite! Agora, que não temo (por falta de calculismo, talvez) tomar partido e dar-a-cara pelo que acredito, também é verdade! Mesmo que seja desagradável ou prejudicial... porque, para mim, o pior é, por excesso de escrúpulos, ficarmos pelo conveniente "nada fazer"! Não o estou a criticar... apenas não gostaria de, no final, chegar à conclusão que as coisas poderiam ter sido diferentes se eu não tivesse guardado o meu pequenino contributo... é por isso que me recordo imensas vezes de Cícero: «A política é suja! E, por isso, as pessoas limpas não se metem nela! Assim, a política continua suja!»... não sou a central das limpezas... talvez me arrependa e me sinta sózinho... espero que consiga manter estas convicções... sem que nada fique pelo caminho! E, por isso, não diria que «há formas de, cedendo aqui e ali, atingir uma situação em que se pode fazer o bem e ajudar a extirpar o mal»... não acredito em soluções intermédias ou de consenso... pela minha profissão (que adoro e tento exercer do modo que me parece adequado) não acredito nas soluções perfeitas, mas acredito que devemos procurá-las... com honestidade e sem que as propostas sejam adequadas a satisfazer o máximo de membros do júri! Quanto à culpa por omissão é uma questão discutível: quem não está não conhece e quem vê e relata é destruído... por aqueles a quem a denúncia se destinava proteger! Esta é outra que não sei a resposta... mas, garanto, até hoje não vi nada que eticamente me incomodasse: será cegueira, falta de oportunidade ou baixos standards de análise?!?
O caso da Dra. Celeste Cardona. Admito a sua incomodidade... não vejo onde a nomeação para o cargo seja «recompensa por fidelidades»?!? Primeiro, uma nomeação não se pode classificar à partida mas pelos resultados (ou ausência destes)! Segundo, pelo que julgo saber, pela declaração de rendimentos da Dra. Maria Celeste Cardona antes de ser ministra, ela auferia mensalmente, em média, mais do dobro do que vai auferir na CGD. E, segundo dizem as más-línguas, sair do governo para a privada é bem pago... dizem até, muito bem pago! Terceiro, ela é uma reputada e reconhecida profissional em matéria económicas e em ramos do Direito ligados com a área fiscal, financeira, bancária e dos contratos! Parece-me uma indicação bem mais razoável e justificável do que a do Armando Vara... Quarto, a remuneração que ela vai auferir, ela foi fixada pelos governos anteriores e são abaixo dos valores que o mesmo argo paga na concorrência privada! Quinto, esclareça-me lá qual seria o seu critério para a escolha dos corpos gerentes de uma empresa controlada pelo estado? Finalmente... já reparou que a questão é só Celeste Cardona?!? E os outros 12?!? Ou será porque a sua presença é mais um espinho encravado no "centrão de interesses", que se sente incomodado porque é mais um lugar que é atribuído a outros que não só os indicados por "eles"?!?
Paulo, pode-se ter horror às forças fácticas, mas devemos conhecê-las...e ter o cuidado de evitar ser porta-voz inadvertido das suas queixas!
Ah, e não se diz "a" Opus Dei, mas "o" Opus Dei (como sabe, a palavra Opus é uma palavra neutra em termos de género e, em latim, para os termos neutros adopta-se o artigo definido no masculino). E muitas vezes, com diz o Povo, "é mais a fama que a rama"!
Mas uma vez mais estou a desviar-me...
Vamos ao tema. Está a dar-me razão quando diz que o termo lhe «soa mal»... mas a questão não é (nem pode ser) estética: os termos expressam realidades... "adocicá-los" é esconder a verdade, é colaborar! É como dizer CDU em vez de PCP...
A excursão pelo dicionário: eu também, com calcula, usei um! E o sentido que pretendemos é conhecido. O problema (e deve ter sido distração) é que os sinónimos que apresentei foram relativos a interrupção (que pressupõe não algo de "definitivo" mas uma "suspensão para continuação posterior"!), a qual me parece... desadequada à questão. E porque assim penso, vai perdoar-me, mas terá que explicitar melhor como esta se adequa à realidade "aborto"! A não ser que seja só por reflexo condiccionado...
E porque mais nada era dito sobre o assunto, aguardo, por isso, por mais desenvolvimentos
Tenho dito... ou escrito!
João Titta Maurício
Começo pelo fim: a questão do fatinho azul-celeste! É bem verdade que os anos oitenta foram, na minha opinião, pouco dados ao bom-gosto. Mas fatos dessa cor não me recordo... a única coisa de estranho que tinha (e com todo o respeito por esses profissionais) era um fato azul-CP: era tão realista que uma vez interpelaram-me para saber se faltava muito para o barco partir! Ah, e claro (talvez o pior de tudo) as meias turcas brancas! Agora, hoje em dia, prefiro os factos cinzentos muito escuro, ou pretos finamente riscados... e com eles, invariavelmente, meias pretas! Além disso, o que me espantou no seu comentário foi a menção a uma cor: é que a foto que forneci é a preto-e-branco...
Mas, deixemo-nos de diálogos sobre moda e gostos... ou a memória da falta dele!
Primeiro as respostas aos "very short comments" ínsitos no meu texto. - A pergunta era se sabia quais são as convicções pessoais dele sobre o aborto. É que, como sabe, ele é acusado de ter publicado um texto (nos idos tempos de 1983, se não estou em erro - outra vez esta década...) onde expunha uma posição diferente da do CDS. Além disso, é público, alguns dos seus mais próximos e importantes colaboradores não filiados no CDS fizeram publicar no Indy, dois textos em que apelavam a uma liberalização das posições da direita sobre a matéria (bem cá suspeito porque o fizeram e imagino que não hajam desegradado... se é que, para tanto, não foram estimulados a fazê-lo)! Quanto aos "valores da família"... não me parece que eles se apliquem aqui. Parece-me mais que se deva falar do valor da vida humana! - O pedido de respostas às insinuações que fez (e faz) não foram respondidos e, como diria o outro, «você sabe bem do que eu estou a falar»! É que qualquer resposta só pode ser dada se concretizar! Vou ajudar: está a falar do tema que ainda há dias foi tema de um inqualificável editorial de "A Capital"? Eu também conheço alguma malta dos primórdios do Indy (um deles até foi meu aluno)... e depois?!? E qual é o sítio apropriado para falar sobre o "assunto"?!? Acredito que não seja o seu caso, mas acho fantástico a cobardia e (aqui sim!) a hipocrisia daqueles que andam a propor determinadas formas de casamento e depois tem recaídas sob a forma das mais rasteiras fobias! E depois as insinuações... como se isso, a ser verdade, fosse importante para determinar as opções dos eleitores... e quem o faz, julgando que isso aconteceria, é do mais estúpido possível! Volto a dizer (sem ironia ou mera cautela): não o estou a ver adoptar essa postura! Além disso, acha que um tipo que já foi acusado de tudo pelos seus adversários, que lhe inventaram todo o tipo de pecados, se fosse verdade não acha que já teriam arranjado alguém que aparecesse a confirmar o "assunto"?!? Parece que para alguns, a coisa nem é difícil: acreditam que foi possível montar uma "cabala" e arranjar mais de 130 testemunhas...
Mas isso é desviar-me (e muito!) do assunto.
Agora, os «pequenos detalhes - resposta temporária a TM». A questão Paulo Portas... já a respondi. Só acrescentava que conheço muitos casos de quem «sabe de coisas que lhe contaram outras que conhecem quem sabe»... etc! Mas, não quero fazer desta questão tema de conversa. Nisso acompanho-o: o tema é desinteressante e fiquemo-nos por aqui, em nome do bom tom e da decência! Quanto a mim, não tenho nada a esconder e tento (bem sei que não consigo) viver de acordo com aquilo em que acredito. Se o problema é conhecer-me... não estamos tão longe e eu confesso que tenho curiosidade de conhecê-lo! E Paulo, querendo, sabe como. Em relação ao que me levou a entrar na política... se calhar é o mesmo que me poderá levar a partir! Até porque não quero que haja "parcelas de mim que fiquem pelo caminho"... e pactuar... infelizmente sou mais acusado de radicalismo e fundamentalismo do que de cauculismo ou "interesseirismo"! O que pretendo é discutir ideias e tentar influenciar (pela persuasão e bondade das propostas) as decisões que nos afectam a todos! Porém, começo a duvidar que a política seja o espaço adequado... mas ainda não fui capaz de perceber qual seria o outro (a menos que fosse fora da política para influenciar a política)! Além disso, começa a incomodar-me a perspectiva de ser alvo de desconfiança porque digo que não quero nada... começam logo a pensar que quero algo de mais "apetitoso" ou inconfessável! De Fausto tenho muito pouco... ou quase nada... acredite! Agora, que não temo (por falta de calculismo, talvez) tomar partido e dar-a-cara pelo que acredito, também é verdade! Mesmo que seja desagradável ou prejudicial... porque, para mim, o pior é, por excesso de escrúpulos, ficarmos pelo conveniente "nada fazer"! Não o estou a criticar... apenas não gostaria de, no final, chegar à conclusão que as coisas poderiam ter sido diferentes se eu não tivesse guardado o meu pequenino contributo... é por isso que me recordo imensas vezes de Cícero: «A política é suja! E, por isso, as pessoas limpas não se metem nela! Assim, a política continua suja!»... não sou a central das limpezas... talvez me arrependa e me sinta sózinho... espero que consiga manter estas convicções... sem que nada fique pelo caminho! E, por isso, não diria que «há formas de, cedendo aqui e ali, atingir uma situação em que se pode fazer o bem e ajudar a extirpar o mal»... não acredito em soluções intermédias ou de consenso... pela minha profissão (que adoro e tento exercer do modo que me parece adequado) não acredito nas soluções perfeitas, mas acredito que devemos procurá-las... com honestidade e sem que as propostas sejam adequadas a satisfazer o máximo de membros do júri! Quanto à culpa por omissão é uma questão discutível: quem não está não conhece e quem vê e relata é destruído... por aqueles a quem a denúncia se destinava proteger! Esta é outra que não sei a resposta... mas, garanto, até hoje não vi nada que eticamente me incomodasse: será cegueira, falta de oportunidade ou baixos standards de análise?!?
O caso da Dra. Celeste Cardona. Admito a sua incomodidade... não vejo onde a nomeação para o cargo seja «recompensa por fidelidades»?!? Primeiro, uma nomeação não se pode classificar à partida mas pelos resultados (ou ausência destes)! Segundo, pelo que julgo saber, pela declaração de rendimentos da Dra. Maria Celeste Cardona antes de ser ministra, ela auferia mensalmente, em média, mais do dobro do que vai auferir na CGD. E, segundo dizem as más-línguas, sair do governo para a privada é bem pago... dizem até, muito bem pago! Terceiro, ela é uma reputada e reconhecida profissional em matéria económicas e em ramos do Direito ligados com a área fiscal, financeira, bancária e dos contratos! Parece-me uma indicação bem mais razoável e justificável do que a do Armando Vara... Quarto, a remuneração que ela vai auferir, ela foi fixada pelos governos anteriores e são abaixo dos valores que o mesmo argo paga na concorrência privada! Quinto, esclareça-me lá qual seria o seu critério para a escolha dos corpos gerentes de uma empresa controlada pelo estado? Finalmente... já reparou que a questão é só Celeste Cardona?!? E os outros 12?!? Ou será porque a sua presença é mais um espinho encravado no "centrão de interesses", que se sente incomodado porque é mais um lugar que é atribuído a outros que não só os indicados por "eles"?!?
Paulo, pode-se ter horror às forças fácticas, mas devemos conhecê-las...e ter o cuidado de evitar ser porta-voz inadvertido das suas queixas!
Ah, e não se diz "a" Opus Dei, mas "o" Opus Dei (como sabe, a palavra Opus é uma palavra neutra em termos de género e, em latim, para os termos neutros adopta-se o artigo definido no masculino). E muitas vezes, com diz o Povo, "é mais a fama que a rama"!
Mas uma vez mais estou a desviar-me...
Vamos ao tema. Está a dar-me razão quando diz que o termo lhe «soa mal»... mas a questão não é (nem pode ser) estética: os termos expressam realidades... "adocicá-los" é esconder a verdade, é colaborar! É como dizer CDU em vez de PCP...
A excursão pelo dicionário: eu também, com calcula, usei um! E o sentido que pretendemos é conhecido. O problema (e deve ter sido distração) é que os sinónimos que apresentei foram relativos a interrupção (que pressupõe não algo de "definitivo" mas uma "suspensão para continuação posterior"!), a qual me parece... desadequada à questão. E porque assim penso, vai perdoar-me, mas terá que explicitar melhor como esta se adequa à realidade "aborto"! A não ser que seja só por reflexo condiccionado...
E porque mais nada era dito sobre o assunto, aguardo, por isso, por mais desenvolvimentos
Tenho dito... ou escrito!
João Titta Maurício
quinta-feira, setembro 23, 2004
Estou cansado, vou fechar a loja
Isto é muita agitação para um dia só.
E ainda falta fazer o reparo que me foi pedido pelo meu amigo João Paulo Pires, professor-assistente da ESE de Setúbal por ter sido ele que me explicou como se inseriam os links que estão ali do lado direito-----------»»».
(É que eu não percebo nada de programação HTML.)
E ainda falta fazer o reparo que me foi pedido pelo meu amigo João Paulo Pires, professor-assistente da ESE de Setúbal por ter sido ele que me explicou como se inseriam os links que estão ali do lado direito-----------»»».
(É que eu não percebo nada de programação HTML.)
Polémica no Alhos Vedros Visual
O nosso colaborador Roldão Preto atirou-se ao nosso amigo Luís Guerreiro em pleno Alhos Vedros Visual a propósito do seu colaboracionismo com o poder moiteiro; a coisa está feia.
Artigos interessantes
No Público de hoje, dois artigos a merecerem atenção Um de carácter histórico-ficcional de Maria Filomena Mónica sobre Paulo Portas e outro de Medina Carreira sobre as ilusões em que vivemos.
A Fome, meus senhores, a fome...
O Primeiro-Ministro anunciou na ONU que ia aumentar em 50% as verbas para combater a fome.
Como primeira medida mandou encher o tacho da ex-ministra Celeste Cardona.
Isto é que é rapidez na implementação de uma política solidária com os desfavorecidos da vida.
Como primeira medida mandou encher o tacho da ex-ministra Celeste Cardona.
Isto é que é rapidez na implementação de uma política solidária com os desfavorecidos da vida.
Novidades
Hoje à noite, 5ª feira, 23, pelas 23.00 horas, SIC Radical. De novo, do início. SEINFELD. Vejam e aprendam como nada pode ser inteligente.
Desde esta semana, em qualquer livraria, Puro Disparate, livro do Steve Martin, esse mesmo, o cómico de cabelo branco. Não é o seu melhor livro, mas sempre serve.
Em qualquer momento, vistar o site Spinsanity. Para mantermos a sanidade no meio de tanto malabarismo verbal dos políticos.
Desde esta semana, em qualquer livraria, Puro Disparate, livro do Steve Martin, esse mesmo, o cómico de cabelo branco. Não é o seu melhor livro, mas sempre serve.
Em qualquer momento, vistar o site Spinsanity. Para mantermos a sanidade no meio de tanto malabarismo verbal dos políticos.
Novidades da Azulejaria Guerreiro
Caros Editores do Blog Alhos Vedros ao Poder, como informação posterior à que vos enviei, comunico que 2 (dois) trabalhos de Azulejaria Artística, foram selecionados para em conjunto com os trabalhos dos outros participantes, ficarem em exposição no Museu do Azulejo, sita na Rua Madre de Deus nº4, em Lisboa.
Esta exposição terá pré-abertura informal no dia 28 de Setembro aquando da visita dos parceiros franceses do projecto das rotas, ficando a inauguração oficial marcada para o fim da tarde do dia 7 de Outubro, em que se espera a presença da Esposa de S. Exa. o Presidente da República e outros convidados.Estará patente de Outubro a Dezembro de 2004.
Junto envio as imagens dos painéis da Azulejaria Artística Guerreiro [NE – vamos tentar colocá-las no Alhos Vedros Visual]
Saudações de Luís Guerreiro
Esta exposição terá pré-abertura informal no dia 28 de Setembro aquando da visita dos parceiros franceses do projecto das rotas, ficando a inauguração oficial marcada para o fim da tarde do dia 7 de Outubro, em que se espera a presença da Esposa de S. Exa. o Presidente da República e outros convidados.Estará patente de Outubro a Dezembro de 2004.
Junto envio as imagens dos painéis da Azulejaria Artística Guerreiro [NE – vamos tentar colocá-las no Alhos Vedros Visual]
Saudações de Luís Guerreiro
Pequenos detalhes - resposta temporária a TM
Resposta mais substancial às questões levantadas por Titta Maurício será dada quando o tempo o permitir, porque estes não são problemas menores, dos quais se fale com ligeireza, à la Bloco de Esquerda e amigos(as).
Quanto ao resto, só um ou dois reparos: realmente não é de si que falo quando escrevo sobre quem não pratica os valores apregoados da família conservadora. Não o conheço pessoalmente e, por maioria de razão, ignoro tudo sobre a sua família. Só conheço o que escreve. Falo, realmente, do líder do seu partido que enche a boca com muito e pratica pouco. Não o critico pelo celibato. Pode ser voto. No entanto, as minhas alusões não são motivadas pelas bocas do vox populi, mas sim pelo conhecimento que tive de muita gente dos primeiros tempos do Indie. Claro que este não é o tempo nem o lugar para atoardas desnecessárias. Fiquemo-nos por aqui, em nome do bom tom e da decência.
Em relação aos ideais que o levaram a entrar na vida política, em tese todos podemos dizer o mesmo. É sempre a Liberdade, a possibilidade de melhorarmos a vida de todos, o serviço à res publica (do Paulo ao Miguel Portas, para ficarmos na mesma família, todos recitarão a mesma ladaínha e nós não podemos saber quem é sincero). O problema é aquilo com que pactuamos, a caminho do que pretendemos. O problema são as parcelas de nós que ficam pelo caminho.
No meu caso pessoal, em tenra idade, percebi aquilo que teria de abdicar se entrasse no jogo político. Pesei os dois pratos da balança e ela pendeu desmesuradamente para o lado contrário ao do que promete prebendas e mercês em troca de um pouco da nossa alma. Se leu o Fausto de Goethe perceberá do que falo. Por isso, tive o cuidadoso escrúpulo de nunca usar símbolos partidários ou procurar esse tipo de guarda-chuva cómodo e protector, mesmo para efeitos profissionais. O mesmo se diga quanto à Maçonaria, à Opus Dei, à Opus Gay, à Trilateral do nosso Alberto João ou ao raio que me parta. O que não impede de ter amigos (e alguns familiares) maçons, supranumerários, homossexuais, penso que uma ou outra lésbica, adeptos da Terceira Via, comunistas, fanáticos pelo Bush, pessoal do Bloco de Esquerda, uma ou outra amiga que gosta de soutien preto sob camisa branca e amigos que usam fato de treino de lycra para irem ao supermercado ao fim de semana.
Dir-me-á que há formas de, cedendo aqui e ali, atingir uma situação em que se pode fazer o bem e ajudar a extirpar o mal (exemplo mais notório que o de Gorbatchov é difícil, mesmo se a herança é muito problemática), ou mesmo que poderemos passar impolutos pelo lamaçal, pairando sobre os aspectos mesquinhos da nossa vida política. Desculpe, mas não creio ser possível passar por certos caminhos sem, pelo menos, ver o que vai pela sarjeta e, nem que seja por omissão, colaborar com a vileza (o vocabulário está assim para o oitocentista, mas é o que sai).
Lá dizia um poeta que “por aí, não vou”. Só a título de exemplo, nunca poderia aceitar que a drª Celeste Cardona fosse nomeada para a administração da CGD. Acho que devia existir um mínimo de decoro na ocupação deste tipo de cargos, Digo-o não por demagogia mas por puro arrepio de desconforto pela baixeza com que se usa o Estado para recompensar fidelidades.
Por fim, a questão semântica. Não gosto do termo aborto, por questões estéticas e não morais. Soa-me mal, acho que não fica bem em lado nenhum, a menos que seja em contextos ofensivos. Mas isso não vem ao caso.
Escreve-se no Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa (de longe, o melhor no mercado) que “aborto” é “acção ou efeito de abortar”, “interrupção prematura de um processo mórbido ou natural”, “que nasceu antes do tempo”, “que é ou foi malsucedido; frustrado, malogrado”; “que faz malograr, falhar”, “que visa interromper instantaneamente o ciclo de uma doença”, “que é anormal, monstruoso, horrendo”. Já há cerca de um século, no Dicionário da Língua Portuguesa, Etimológicxo, Prosódico e Ortográfico das Livrarias Aillaud e Bertrand (pg. 7), descrevia-se “abôrto” como “parto prematuro, móvito, “atrofia nas plantas”, “coisa monstruosa ou disforme”, “pessoa de dotes extraordinários, quer no bem, quer no mal” (!!!), “malôgro”.
Como calculará, nenhum destes significados corresponde bem àquilo de que estamos a falar, pois, mesmo no sentido popular mais lato, “aborto” pode significar muita coisa e do que estamos a falar é dum contexto específico. Por isso mesmo, me recuso a, por comodidade, escrever “aborto” para cá e para lá, pois sei que isso apenas interessa para efeitos de choque. “Interrupção voluntária da gravidez” soará mais asséptica mas, porventura, descreverá melhor do que estamos a falar.
Mas sobre isso escreverei em ocasião futura.
Nota final: Imputei-lhe o uso de fatos azul-celeste, é certo. É ofensa de monta. Mas, de qualquer modo, quem cresceu nos anos 80 certamente que, no passado, usou coisa parecida ou mesmo pior. Eu usei e tenho fotos para o provar.
Quanto ao resto, só um ou dois reparos: realmente não é de si que falo quando escrevo sobre quem não pratica os valores apregoados da família conservadora. Não o conheço pessoalmente e, por maioria de razão, ignoro tudo sobre a sua família. Só conheço o que escreve. Falo, realmente, do líder do seu partido que enche a boca com muito e pratica pouco. Não o critico pelo celibato. Pode ser voto. No entanto, as minhas alusões não são motivadas pelas bocas do vox populi, mas sim pelo conhecimento que tive de muita gente dos primeiros tempos do Indie. Claro que este não é o tempo nem o lugar para atoardas desnecessárias. Fiquemo-nos por aqui, em nome do bom tom e da decência.
Em relação aos ideais que o levaram a entrar na vida política, em tese todos podemos dizer o mesmo. É sempre a Liberdade, a possibilidade de melhorarmos a vida de todos, o serviço à res publica (do Paulo ao Miguel Portas, para ficarmos na mesma família, todos recitarão a mesma ladaínha e nós não podemos saber quem é sincero). O problema é aquilo com que pactuamos, a caminho do que pretendemos. O problema são as parcelas de nós que ficam pelo caminho.
No meu caso pessoal, em tenra idade, percebi aquilo que teria de abdicar se entrasse no jogo político. Pesei os dois pratos da balança e ela pendeu desmesuradamente para o lado contrário ao do que promete prebendas e mercês em troca de um pouco da nossa alma. Se leu o Fausto de Goethe perceberá do que falo. Por isso, tive o cuidadoso escrúpulo de nunca usar símbolos partidários ou procurar esse tipo de guarda-chuva cómodo e protector, mesmo para efeitos profissionais. O mesmo se diga quanto à Maçonaria, à Opus Dei, à Opus Gay, à Trilateral do nosso Alberto João ou ao raio que me parta. O que não impede de ter amigos (e alguns familiares) maçons, supranumerários, homossexuais, penso que uma ou outra lésbica, adeptos da Terceira Via, comunistas, fanáticos pelo Bush, pessoal do Bloco de Esquerda, uma ou outra amiga que gosta de soutien preto sob camisa branca e amigos que usam fato de treino de lycra para irem ao supermercado ao fim de semana.
Dir-me-á que há formas de, cedendo aqui e ali, atingir uma situação em que se pode fazer o bem e ajudar a extirpar o mal (exemplo mais notório que o de Gorbatchov é difícil, mesmo se a herança é muito problemática), ou mesmo que poderemos passar impolutos pelo lamaçal, pairando sobre os aspectos mesquinhos da nossa vida política. Desculpe, mas não creio ser possível passar por certos caminhos sem, pelo menos, ver o que vai pela sarjeta e, nem que seja por omissão, colaborar com a vileza (o vocabulário está assim para o oitocentista, mas é o que sai).
Lá dizia um poeta que “por aí, não vou”. Só a título de exemplo, nunca poderia aceitar que a drª Celeste Cardona fosse nomeada para a administração da CGD. Acho que devia existir um mínimo de decoro na ocupação deste tipo de cargos, Digo-o não por demagogia mas por puro arrepio de desconforto pela baixeza com que se usa o Estado para recompensar fidelidades.
Por fim, a questão semântica. Não gosto do termo aborto, por questões estéticas e não morais. Soa-me mal, acho que não fica bem em lado nenhum, a menos que seja em contextos ofensivos. Mas isso não vem ao caso.
Escreve-se no Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa (de longe, o melhor no mercado) que “aborto” é “acção ou efeito de abortar”, “interrupção prematura de um processo mórbido ou natural”, “que nasceu antes do tempo”, “que é ou foi malsucedido; frustrado, malogrado”; “que faz malograr, falhar”, “que visa interromper instantaneamente o ciclo de uma doença”, “que é anormal, monstruoso, horrendo”. Já há cerca de um século, no Dicionário da Língua Portuguesa, Etimológicxo, Prosódico e Ortográfico das Livrarias Aillaud e Bertrand (pg. 7), descrevia-se “abôrto” como “parto prematuro, móvito, “atrofia nas plantas”, “coisa monstruosa ou disforme”, “pessoa de dotes extraordinários, quer no bem, quer no mal” (!!!), “malôgro”.
Como calculará, nenhum destes significados corresponde bem àquilo de que estamos a falar, pois, mesmo no sentido popular mais lato, “aborto” pode significar muita coisa e do que estamos a falar é dum contexto específico. Por isso mesmo, me recuso a, por comodidade, escrever “aborto” para cá e para lá, pois sei que isso apenas interessa para efeitos de choque. “Interrupção voluntária da gravidez” soará mais asséptica mas, porventura, descreverá melhor do que estamos a falar.
Mas sobre isso escreverei em ocasião futura.
Nota final: Imputei-lhe o uso de fatos azul-celeste, é certo. É ofensa de monta. Mas, de qualquer modo, quem cresceu nos anos 80 certamente que, no passado, usou coisa parecida ou mesmo pior. Eu usei e tenho fotos para o provar.
Breve àparte - Os longos anos 80
Para quem, como eu, se tornou adulto durante os anos 80, passando pelo Secundário, Universidade e início da vida profissional, chegou aquele momento ambiguamente nostálgico de fazer contas à banda sonora da sua vida.
No meu caso, o início dos anos 80 dá-se em 1977 com o “77” dos Talking Heads, mais do que com o “Never Mind the Bollocks” dos Sex Pistols, o “New Boots and Panties” do Ian Dury ou mesmo o “One Step Beyond” dos Madness que acabam por declarar o fim dos tristes 70.
Quanto ao fim dos anos 80 musicais sempre tive as minhas dúvidas.
Hoje, por mero acaso, ouvi na rádio o “Elephant Stone” dos Stone Roses e as minhas dúvidas acabaram.
Tirei o “Stone Roses” (um dos meus primeiros cd’s) dos ditos cujos e fiquei mais tranquilo. Os anos 80 acabaram mesmo em 1989.
No meu caso, o início dos anos 80 dá-se em 1977 com o “77” dos Talking Heads, mais do que com o “Never Mind the Bollocks” dos Sex Pistols, o “New Boots and Panties” do Ian Dury ou mesmo o “One Step Beyond” dos Madness que acabam por declarar o fim dos tristes 70.
Quanto ao fim dos anos 80 musicais sempre tive as minhas dúvidas.
Hoje, por mero acaso, ouvi na rádio o “Elephant Stone” dos Stone Roses e as minhas dúvidas acabaram.
Tirei o “Stone Roses” (um dos meus primeiros cd’s) dos ditos cujos e fiquei mais tranquilo. Os anos 80 acabaram mesmo em 1989.
Esclarecimento... aos esclarecimentos !
Titta Maurício esclarece-nos mas, por carência de tempo, não poderei por enquanto dar resposta apropriada. Para comodidade, vão apenas uns curtos comentários a vermelho em dois em três pontos do seu texto.
Caro Paulo,
Não usando a ordem do seu "esclarecimentos", parece-me justo dizer nem outra coisa eu estava à espera quando lhe apresentei a proposta de aqui se iniciar uma discussão sobre o tema aborto. E, quanto ao pedido para esclarecimento das regras, penso que compreende que me dirigia a outros (e ninguém em concreto) para que haja comedimento e procura de discutir o tema e não de ofender a pessoa!
Quanto às minhas posições... porque é que persiste em dizer que a minha posição é alinhada pela do meu partido e nunca supõe que... quem sabe... talvez... porque não... seja ao contrário?!? Quanto à oportunidade... não se esqueça (e penso que sabe) que a decisão de publicar ou não um artigo de opinião é decidida pelo interesse jornalístico do tema! Bem eu gostaria que fosse ao contrário... mas não é! É bem verdade que pode acusar-me de não deixar de estar a colaborar com esse "sistema"... mas "que fazer"?
Além disso, a abordagem que fiz baseou-se quase exclusivamente em informação recolhida no próprio site do "women on waves"! E isso não vi ninguém fazer: (tentar) desmontar a argumentação delas com base nos dados por elas fornecidos! Mas, pode ter acontecido e eu não ter tido conhecimento...
Mas, deixemos os pormenores.
Eu uso a palavra "aborto" e não o eufemismo "interrupção voluntária da gravidez" que me parece incorrecto. Compreendo a tentativa de dar um ar mais asséptico à coisa, mas um aborto não se trata de interrupção («suspender, parar, deixar de fazer por algum tempo»). Admito que haja uma interpretação mais aproximada daquela que usa, mas há-de reconhecer que a mais usada e adequada é aquela que entende que "interromper" pressupõe um parar com possibilidade de recomeçar... o que, no caso do aborto é manifestamente impossível!
Mas, esta é uma discussão sobre semântica... não é central!
Vejamos sobre o que falamos quando nos referimos a aborto. Conhece descrições dos métodos? Por enquanto, reservo-as para outros momentos! São brutais... são chocantes... são... reais e verdadeiras! E é disso que se trata quando se diz "interrupção voluntária da gravidez" e depois se adopta o completamente anódino "IVG"!
Quanto às imagens de embriões ou fetos, compreendo o que diz... e partilho! Mas, o que mais me impressiona são as incoerências e as "economias com a verdade" que são usadas. Impressiona-me que a adopção de um timming-limite para a liberalização do aborto a pedido seja tido por coisa banal: 10 semanas, 12 semanas, 16 semanas... e nunca explicam o que motiva cada uma destes momentos!
Impressiona-me que raramente ouça do lado dos "pro-life" (e uso o termo por facilidade de identificação) qualquer invocação de motivos de fé... mas que a questão da fé seja sempre invocada pelos "pro-choice" para acusar os outros!
Impressiona-me que se usem argumentos de facto só possíveis numa sociedade pré-pílula e se esqueça que, como todos os defeitos que existam nos métodos em concreto e no sistema de saúde ambolatório, não há possibilidades de tratarmos esta questão como (admito) ela poderia ser vivida há 30 ou 40 anos atrás!
Impressiona-me que o argumento seja o "baixa-bracismo" (adoro estes neologismos!), o dizer-se que, mesmo havendo uma desvaloração ética do acto (ninguém o afirma como Bom - até são apontados o sofrimento e o trauma de quem os faz), o facto de haverem muitos (e isso é bem discutível), justifica-se a sua permissão legal! Não aceito este demissionismo...
Impressiona-me que (aparentemente) desconheçam que um embrião com 8 semanas já sente... mas que o seu sistema nervoso só está completo quando a criança tiver completado... 2 anos de nascimento!
Impressiona-me que queiram tratar uma fase (intra-uterina) da vida de um ser humano como um momento neutro, como um facto puramente desprovido de consequências e valoração ética. Preocupa-me até onde nos levaria esta "coisificação" da vida humana.
Impressiona-me que desconheçam que a moderna ciência médica, pedo-psicologia e demais ramos da ciência ligados à área tomem a gravidez como uma fase da vida humana como o são a adolescência ou a velhice (a única diferença está na autonomia... mas do mesmo modo que não admitimos como eticamente aceitável que uma mãe abandone um filho à morte - porque ele dela depende para se alimentar e sobreviver - não compreendo como se pretender remover a valoração ética-negativa quando o acto é praticado num momento de maior dependência do filho para com a mãe)!
Impressiona-me que acusem os "pro-life" de quererem impor uma concepção ética (e escondam que ela é maioritária e aceite) e que escondam que por detrás das propostas "pro-choice" há uma outra ordem moral que pretendem implantar! Irrita-me que digam (com laivos e ares de certezas) que eu estou errado porque pretendo impôr a minha Moral (!?!) e eles só propõem a escolha livre!
Impressionam-me outras coisas... mas a seu tempo poderão ser tratadas!
Quanto à actuação do ministro da Defesa, há um pequeno equívoco: o uso dos meios militares jamais poderiam sê-lo «ao serviço de convicções pessoais de alguns». E por não o poderem ser... não foram!
Por duas razões:
- primeira, não sei quais as convicções pessoais do Dr. Paulo Portas sobre esta matéria [o homem está farto de falar dos valores da família - NE]. Eu nunca as discuti com ele... e o Paulo?
- segunda, porque a actuação do Governo português apenas serviu para fazer cumprir (e impedir a violação) as regras que legitima e democraticamente vigoram em Portugal! Diga-me o seguinte: imagine que a maioria era "pro-choice" e estava no governo e mantinha-se a actual lei. Se a sua actuação fosse diferente (ou seja, se permitisse e apoiasse a vinda do "Borndiep" e apoiasse a sua acção - e até desse um "subsidiozinho" às organizações que defendem a violação da lei), não seria, ela sim, a utilização do aparelho do Estado ao serviço de convicções particulares e não compatíveis com a lei em vigor?
Quanto às suas insinuações quando diz «em especial de quem apregoa (e não os pratica, perpetuando-os) os valores e costumes da família conservadora», só posso dizer: o que é que quer dizer com isso?!? É comigo [Não, nem sei como é a sua família - NE] ? É com Paulo Portas [É!!!]? Sabe de alguma coisa ou está a juntar a sua à voz das bocas do costume [Conheci muita malta do Indie nos seus primóridos] ? Explique...[Não é o sítio apropriado]! De qualquer maneira, penso que uma discussão sobre um assunto como este não pode ter "àpartes" que apontem ao indivíduo! Destesto a argumentação da "hipocrisia dos católicos", "dos que têm dinheiro e vão fazer abortos a Inglaterra", etc.
Já no que diz respeito aos valores e costumes da família conservadora (acredito que utiliza o termo não como adjectivo), permita-me que lhe aguce a curiosidade: da mesma maneira que vamos adequando e apurando as nossas certezas à medida que vamos experimentando a Vida (p. ex., olhando para as imagens da ecografia), assim acontece com o resto! Os valores (não gosto da palavra) e costumes da família conservadora não resultam de um plano central ou individual... Nem sequer resultam da vontade de uma geração num determinado momento histórico... Muito menos são a emanação super-estrutural dos donos da infra-estrutura! E muito menos são estáticos nem imutáveis! Acredito que são o produto da adaptação aos meios e às realidades (diferentes no tempo e no espaço), mas que mantém um substracto que é inerente à natureza humana e que responde, de modo mais eficaz, ao problema da Vida humana!
O comentário já vai longo... espero que cumpra os objectivos!
João Titta Maurício
Caro Paulo,
Não usando a ordem do seu "esclarecimentos", parece-me justo dizer nem outra coisa eu estava à espera quando lhe apresentei a proposta de aqui se iniciar uma discussão sobre o tema aborto. E, quanto ao pedido para esclarecimento das regras, penso que compreende que me dirigia a outros (e ninguém em concreto) para que haja comedimento e procura de discutir o tema e não de ofender a pessoa!
Quanto às minhas posições... porque é que persiste em dizer que a minha posição é alinhada pela do meu partido e nunca supõe que... quem sabe... talvez... porque não... seja ao contrário?!? Quanto à oportunidade... não se esqueça (e penso que sabe) que a decisão de publicar ou não um artigo de opinião é decidida pelo interesse jornalístico do tema! Bem eu gostaria que fosse ao contrário... mas não é! É bem verdade que pode acusar-me de não deixar de estar a colaborar com esse "sistema"... mas "que fazer"?
Além disso, a abordagem que fiz baseou-se quase exclusivamente em informação recolhida no próprio site do "women on waves"! E isso não vi ninguém fazer: (tentar) desmontar a argumentação delas com base nos dados por elas fornecidos! Mas, pode ter acontecido e eu não ter tido conhecimento...
Mas, deixemos os pormenores.
Eu uso a palavra "aborto" e não o eufemismo "interrupção voluntária da gravidez" que me parece incorrecto. Compreendo a tentativa de dar um ar mais asséptico à coisa, mas um aborto não se trata de interrupção («suspender, parar, deixar de fazer por algum tempo»). Admito que haja uma interpretação mais aproximada daquela que usa, mas há-de reconhecer que a mais usada e adequada é aquela que entende que "interromper" pressupõe um parar com possibilidade de recomeçar... o que, no caso do aborto é manifestamente impossível!
Mas, esta é uma discussão sobre semântica... não é central!
Vejamos sobre o que falamos quando nos referimos a aborto. Conhece descrições dos métodos? Por enquanto, reservo-as para outros momentos! São brutais... são chocantes... são... reais e verdadeiras! E é disso que se trata quando se diz "interrupção voluntária da gravidez" e depois se adopta o completamente anódino "IVG"!
Quanto às imagens de embriões ou fetos, compreendo o que diz... e partilho! Mas, o que mais me impressiona são as incoerências e as "economias com a verdade" que são usadas. Impressiona-me que a adopção de um timming-limite para a liberalização do aborto a pedido seja tido por coisa banal: 10 semanas, 12 semanas, 16 semanas... e nunca explicam o que motiva cada uma destes momentos!
Impressiona-me que raramente ouça do lado dos "pro-life" (e uso o termo por facilidade de identificação) qualquer invocação de motivos de fé... mas que a questão da fé seja sempre invocada pelos "pro-choice" para acusar os outros!
Impressiona-me que se usem argumentos de facto só possíveis numa sociedade pré-pílula e se esqueça que, como todos os defeitos que existam nos métodos em concreto e no sistema de saúde ambolatório, não há possibilidades de tratarmos esta questão como (admito) ela poderia ser vivida há 30 ou 40 anos atrás!
Impressiona-me que o argumento seja o "baixa-bracismo" (adoro estes neologismos!), o dizer-se que, mesmo havendo uma desvaloração ética do acto (ninguém o afirma como Bom - até são apontados o sofrimento e o trauma de quem os faz), o facto de haverem muitos (e isso é bem discutível), justifica-se a sua permissão legal! Não aceito este demissionismo...
Impressiona-me que (aparentemente) desconheçam que um embrião com 8 semanas já sente... mas que o seu sistema nervoso só está completo quando a criança tiver completado... 2 anos de nascimento!
Impressiona-me que queiram tratar uma fase (intra-uterina) da vida de um ser humano como um momento neutro, como um facto puramente desprovido de consequências e valoração ética. Preocupa-me até onde nos levaria esta "coisificação" da vida humana.
Impressiona-me que desconheçam que a moderna ciência médica, pedo-psicologia e demais ramos da ciência ligados à área tomem a gravidez como uma fase da vida humana como o são a adolescência ou a velhice (a única diferença está na autonomia... mas do mesmo modo que não admitimos como eticamente aceitável que uma mãe abandone um filho à morte - porque ele dela depende para se alimentar e sobreviver - não compreendo como se pretender remover a valoração ética-negativa quando o acto é praticado num momento de maior dependência do filho para com a mãe)!
Impressiona-me que acusem os "pro-life" de quererem impor uma concepção ética (e escondam que ela é maioritária e aceite) e que escondam que por detrás das propostas "pro-choice" há uma outra ordem moral que pretendem implantar! Irrita-me que digam (com laivos e ares de certezas) que eu estou errado porque pretendo impôr a minha Moral (!?!) e eles só propõem a escolha livre!
Impressionam-me outras coisas... mas a seu tempo poderão ser tratadas!
Quanto à actuação do ministro da Defesa, há um pequeno equívoco: o uso dos meios militares jamais poderiam sê-lo «ao serviço de convicções pessoais de alguns». E por não o poderem ser... não foram!
Por duas razões:
- primeira, não sei quais as convicções pessoais do Dr. Paulo Portas sobre esta matéria [o homem está farto de falar dos valores da família - NE]. Eu nunca as discuti com ele... e o Paulo?
- segunda, porque a actuação do Governo português apenas serviu para fazer cumprir (e impedir a violação) as regras que legitima e democraticamente vigoram em Portugal! Diga-me o seguinte: imagine que a maioria era "pro-choice" e estava no governo e mantinha-se a actual lei. Se a sua actuação fosse diferente (ou seja, se permitisse e apoiasse a vinda do "Borndiep" e apoiasse a sua acção - e até desse um "subsidiozinho" às organizações que defendem a violação da lei), não seria, ela sim, a utilização do aparelho do Estado ao serviço de convicções particulares e não compatíveis com a lei em vigor?
Quanto às suas insinuações quando diz «em especial de quem apregoa (e não os pratica, perpetuando-os) os valores e costumes da família conservadora», só posso dizer: o que é que quer dizer com isso?!? É comigo [Não, nem sei como é a sua família - NE] ? É com Paulo Portas [É!!!]? Sabe de alguma coisa ou está a juntar a sua à voz das bocas do costume [Conheci muita malta do Indie nos seus primóridos] ? Explique...[Não é o sítio apropriado]! De qualquer maneira, penso que uma discussão sobre um assunto como este não pode ter "àpartes" que apontem ao indivíduo! Destesto a argumentação da "hipocrisia dos católicos", "dos que têm dinheiro e vão fazer abortos a Inglaterra", etc.
Já no que diz respeito aos valores e costumes da família conservadora (acredito que utiliza o termo não como adjectivo), permita-me que lhe aguce a curiosidade: da mesma maneira que vamos adequando e apurando as nossas certezas à medida que vamos experimentando a Vida (p. ex., olhando para as imagens da ecografia), assim acontece com o resto! Os valores (não gosto da palavra) e costumes da família conservadora não resultam de um plano central ou individual... Nem sequer resultam da vontade de uma geração num determinado momento histórico... Muito menos são a emanação super-estrutural dos donos da infra-estrutura! E muito menos são estáticos nem imutáveis! Acredito que são o produto da adaptação aos meios e às realidades (diferentes no tempo e no espaço), mas que mantém um substracto que é inerente à natureza humana e que responde, de modo mais eficaz, ao problema da Vida humana!
O comentário já vai longo... espero que cumpra os objectivos!
João Titta Maurício
quarta-feira, setembro 22, 2004
Azulejaria Guerreiro
Srºs Editores do Alhos Vedros ao Poder, é com prazer e orgulho que lhe comunico que Alhos Vedros, através da Azulejaria Artística Guerreiro, conseguiu entrar finalmente nas Rotas da Cerâmica.
Este é um projecto de turismo Cultural, que tem divulgação internacional e que faz com que excursões de turistas, vocacionados para um turismo de conhecimento sobre as Artes Cerâmicas de todos os tipos, são convidados a passar nas Oficinas, Ateliers Fábricas e Museus que estão relacionados com as Artes do Fogo em todo o País. É também um projecto de intercâmbio o que significa que poderei na minha Oficina receber artístas cerâmicos do Mundo inteiro e eu em troca poderei também ir estagiar em oficinas do Mundo inteiro.
( Faço notar que mesmo antes de ter entrado neste projecto, já Delei, um artista Brasileiro, tinha por 3 vezes estado a produzir Azulejaria na AAG,que levou depois para Brasília e que fez algumas exposições com muito êxito)
A Azulejaria Artística Guerreiro foi integrada nesse projecto pela qualidade do seu trabalho e também pelo respeito que tem pelas técnicas do Azulejo Tradicional Português.
Só os Ateliers e Fábricas de grande qualidade entram neste projecto, como é o caso das Porcelanas Vista Alegre, ou das Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro por exemplo.
Pode ver a página das Rotas da Cerâmica neste endereço: http://www.rotasdeceramica.pt/ateliers.html
Em anexo envio-lhe o Mapa da Grande Lisboa em que Alhos Vedros aparece por causa da minha Oficina: http://www.rotasdeceramica.pt/mapa.html
Espero que me desculpem a minha vaidade, mas penso que este facto é prestigiante para Alhos Vedros e para o concelho da Moita e tão válido como qualquer outra iniciativa tauromáquica, que actualmente é tão valorizada pelo poder local Moitense.
Esperemos que a C.M.M. esteja também atenta a isto...
Sem mais assunto de momento despeço-me com amizade:
Luís Guerreiro
Este é um projecto de turismo Cultural, que tem divulgação internacional e que faz com que excursões de turistas, vocacionados para um turismo de conhecimento sobre as Artes Cerâmicas de todos os tipos, são convidados a passar nas Oficinas, Ateliers Fábricas e Museus que estão relacionados com as Artes do Fogo em todo o País. É também um projecto de intercâmbio o que significa que poderei na minha Oficina receber artístas cerâmicos do Mundo inteiro e eu em troca poderei também ir estagiar em oficinas do Mundo inteiro.
( Faço notar que mesmo antes de ter entrado neste projecto, já Delei, um artista Brasileiro, tinha por 3 vezes estado a produzir Azulejaria na AAG,que levou depois para Brasília e que fez algumas exposições com muito êxito)
A Azulejaria Artística Guerreiro foi integrada nesse projecto pela qualidade do seu trabalho e também pelo respeito que tem pelas técnicas do Azulejo Tradicional Português.
Só os Ateliers e Fábricas de grande qualidade entram neste projecto, como é o caso das Porcelanas Vista Alegre, ou das Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro por exemplo.
Pode ver a página das Rotas da Cerâmica neste endereço: http://www.rotasdeceramica.pt/ateliers.html
Em anexo envio-lhe o Mapa da Grande Lisboa em que Alhos Vedros aparece por causa da minha Oficina: http://www.rotasdeceramica.pt/mapa.html
Espero que me desculpem a minha vaidade, mas penso que este facto é prestigiante para Alhos Vedros e para o concelho da Moita e tão válido como qualquer outra iniciativa tauromáquica, que actualmente é tão valorizada pelo poder local Moitense.
Esperemos que a C.M.M. esteja também atenta a isto...
Sem mais assunto de momento despeço-me com amizade:
Luís Guerreiro
Esclarecimentos ...
Meu caro Titta Maurício,
1) Claro que estamos abertos a todo o tipo de discussões, inclusivamente sobre a interrupção voluntária da gravidez.
2) Penso que as regras são conhecidas e, no seu caso, nem penso ser necessário explicá-las.
3) Quando critico a sua falta de originalidade é porque as suas intervenções de opinião surgem sempre em cima da "espuma do mediatismo" (expressão sua) e sempre muito alinhadinhas com a posição oficial do partido.
4) Em, pessoalmente, desde que vi a ecografia da minha filha com algumas semanas de gestação fiquei ainda menos certo do que penso sobre o assunto, mesmo se tenho algumas convicções básicas que discordarão das suas.
5) O Ministério da Defesa e a Marinha não podem estar ao serviço das convicções pessoais de alguns, em especial de quem apregoa (e não os pratica, perpetuando-os) os valores e costumes da família conservadora.
6) Ainda não percebeu que não abandonámos a nossa veia (mesmo que fraquinha) satírica.
1) Claro que estamos abertos a todo o tipo de discussões, inclusivamente sobre a interrupção voluntária da gravidez.
2) Penso que as regras são conhecidas e, no seu caso, nem penso ser necessário explicá-las.
3) Quando critico a sua falta de originalidade é porque as suas intervenções de opinião surgem sempre em cima da "espuma do mediatismo" (expressão sua) e sempre muito alinhadinhas com a posição oficial do partido.
4) Em, pessoalmente, desde que vi a ecografia da minha filha com algumas semanas de gestação fiquei ainda menos certo do que penso sobre o assunto, mesmo se tenho algumas convicções básicas que discordarão das suas.
5) O Ministério da Defesa e a Marinha não podem estar ao serviço das convicções pessoais de alguns, em especial de quem apregoa (e não os pratica, perpetuando-os) os valores e costumes da família conservadora.
6) Ainda não percebeu que não abandonámos a nossa veia (mesmo que fraquinha) satírica.
Titta Maurício critica-nos
Caro Paulo,
Quando li este seu comentário [NE - Sobre os artigos no Distritonline], duas perplexidades me assaltaram: - uma, por um imputado mau-gosto na escolha do fato: "azul celeste-choc"?!? Azul, quanto muito, nas camisas, bem ténue... e bem equilibrado com o branco; ou em gravatas e jamais do tipo "choque"! - dois, porque o meu Caro, insiste em repetir as únicas coisas que verdadeiramente me aborrecem - para utiizar uma expressão comedida (e sei o quanto é perigoso fazer este tipo de revelações públicas): a insinuação de que não penso pela minha cabeça e que sou aio de qualquer senhor!?! Entenda de uma vez: a questão do aborto (e, quando surgir, a eutanásia e demais questões relacionadas) - e, já agora, a educação e a Liberdade - são para mim a minha motivação para fazer política. Pouco me importam os lugares no partido ou os típicos comportamentos bajulatórios e seguidistas que alguns usam para singrar na política! Se os adoptasse não tomaria as posições que torno públicas... as quais, aliás, são tidas pelos ditos "carreiristas típicos" como demasiado afirmativas, radicais, pouco dadas às conciliações que entendem distinguir os que querem dos que não podem ter "carreira" política!
Paulo, não pretendo de si alguma tolerência especial ou favoritismo... apenas lhe peço que ultrapasse os complexos típicos de quem quer fazer comentário divertido usando a piada fácil, tipo "chapa-4"! Pode discordar de mim... não diga é que a minha opinião é de "aio do seu senhor", porque isso ofende-me e não tem graça!
Quanto à ausência de «novidades, no sentido, de coisas novas, originais», se quiser, podemos aqui debater o assunto do aborto... se calhar, este blog poderá ser um bom espaço, e no momento menos desadequado (agora que a assentou a "espuma" do mediatismo exacerbado que só serve para tudo confundir)! Só tem de informar das regras (que sugiro de civilidade, respeito e seriedade argumentativa), garantir que ou é árbitro ou é parte...
Aceita?!?
João Titta Maurício
Quando li este seu comentário [NE - Sobre os artigos no Distritonline], duas perplexidades me assaltaram: - uma, por um imputado mau-gosto na escolha do fato: "azul celeste-choc"?!? Azul, quanto muito, nas camisas, bem ténue... e bem equilibrado com o branco; ou em gravatas e jamais do tipo "choque"! - dois, porque o meu Caro, insiste em repetir as únicas coisas que verdadeiramente me aborrecem - para utiizar uma expressão comedida (e sei o quanto é perigoso fazer este tipo de revelações públicas): a insinuação de que não penso pela minha cabeça e que sou aio de qualquer senhor!?! Entenda de uma vez: a questão do aborto (e, quando surgir, a eutanásia e demais questões relacionadas) - e, já agora, a educação e a Liberdade - são para mim a minha motivação para fazer política. Pouco me importam os lugares no partido ou os típicos comportamentos bajulatórios e seguidistas que alguns usam para singrar na política! Se os adoptasse não tomaria as posições que torno públicas... as quais, aliás, são tidas pelos ditos "carreiristas típicos" como demasiado afirmativas, radicais, pouco dadas às conciliações que entendem distinguir os que querem dos que não podem ter "carreira" política!
Paulo, não pretendo de si alguma tolerência especial ou favoritismo... apenas lhe peço que ultrapasse os complexos típicos de quem quer fazer comentário divertido usando a piada fácil, tipo "chapa-4"! Pode discordar de mim... não diga é que a minha opinião é de "aio do seu senhor", porque isso ofende-me e não tem graça!
Quanto à ausência de «novidades, no sentido, de coisas novas, originais», se quiser, podemos aqui debater o assunto do aborto... se calhar, este blog poderá ser um bom espaço, e no momento menos desadequado (agora que a assentou a "espuma" do mediatismo exacerbado que só serve para tudo confundir)! Só tem de informar das regras (que sugiro de civilidade, respeito e seriedade argumentativa), garantir que ou é árbitro ou é parte...
Aceita?!?
João Titta Maurício
Alguns reparos (educativos)
Ainda em torno das questões levantadas pelo post anterior do meu conterrâneo Paulo G. quanto à situação da Educação entre nós, gostaria de deixar aqui dois reparos que acho importantes (e muito preocupantes) neste momento:
* Em primeiro lugar, a ideia que vai ganhando alguns adeptos de que a colocação de professores, para não ser tão centralizada e difícil de fazer, deveria ser descentralizada e dado um maior papel às autarquias. Em minha opinião, isto seria o golpe final no nossos sistema educativo. O nosso poder autárquico, nada eivado de caciquismos e clientelas, iria ser um óptimo gestor da colocação de docentes nas escolas !!! É só olhar para algumas das linhagens existentes nos aparelhos técnico-administrativos das Câmaras (ele é o primo, ela é a cunhada, ele é o amigo do genro, ela é a vizinha da amiga) para sabermos o que nos esperaria. Para além de que, quer atendendo à escassa extensão do nosso território, quer ao que isso significaria de incoerência num sistema que se pretende nacional, uniforme e equitativo, essa solução seria o dobre de finados por qualquer esperança de qualidade do nosso ensino. Aliás, seria regredir mais de um século, até bem fundo no século XIX, quando eram as Câmaras e Juntas de Paróquia a deter a capacidade de abrir escolas e apenas ficámos, desde então, no último lugar das estatísticas relativas à alfabetização e literacia. Como a memória é curta, o pessoal não se lembra do que não convém.
* Em segundo lugar, a questão das queixas dos pais quanto ao funcionamento das escolas e à dificuldade que têm em assegurar onde ficam os filhos o máximo de horas, no máximo de dias. Sempre que há qualquer atraso nas aulas ou pausa lectiva, lá temos as mesmas sacramentais queixas. Também sou pai e também sei o que custa tudo isso mas, sinceramente, vejo muito mais almas preocupadas em saber onde “despejar” os filhos do que em lutar pela melhoria da qualidade do ensino e da sua aquisição de competências essenciais para a sua vida. Ou seja, a quantidade sempre à frente da qualidade, menos quando se trata do número de aulas, porque essas são sempre tidas como muitas, mesmo se pelas estatísticas OCDE somos dos países com menor carga lectiva. Ou seja, as crianças devem ficar muito tempo na Escola, desde que não seja para terem aulas. É a solução do mega parque infantil ou parque de diversões para a pequenada (e não só) passar o tempo. Se é assim que acham que está certo, a vossa vontade tem vindo a ser feita. Cada vez estamos mais atrasados, mesmo se temos dos maiores investimentos per capita em Educação da Europa (é verdade, sim senhor). É o que dá a inteligência dos pobres de espírito que nos têm ditado as políticas educativas, mas o que podemos fazer, pobres mexilhões ?
* Em primeiro lugar, a ideia que vai ganhando alguns adeptos de que a colocação de professores, para não ser tão centralizada e difícil de fazer, deveria ser descentralizada e dado um maior papel às autarquias. Em minha opinião, isto seria o golpe final no nossos sistema educativo. O nosso poder autárquico, nada eivado de caciquismos e clientelas, iria ser um óptimo gestor da colocação de docentes nas escolas !!! É só olhar para algumas das linhagens existentes nos aparelhos técnico-administrativos das Câmaras (ele é o primo, ela é a cunhada, ele é o amigo do genro, ela é a vizinha da amiga) para sabermos o que nos esperaria. Para além de que, quer atendendo à escassa extensão do nosso território, quer ao que isso significaria de incoerência num sistema que se pretende nacional, uniforme e equitativo, essa solução seria o dobre de finados por qualquer esperança de qualidade do nosso ensino. Aliás, seria regredir mais de um século, até bem fundo no século XIX, quando eram as Câmaras e Juntas de Paróquia a deter a capacidade de abrir escolas e apenas ficámos, desde então, no último lugar das estatísticas relativas à alfabetização e literacia. Como a memória é curta, o pessoal não se lembra do que não convém.
* Em segundo lugar, a questão das queixas dos pais quanto ao funcionamento das escolas e à dificuldade que têm em assegurar onde ficam os filhos o máximo de horas, no máximo de dias. Sempre que há qualquer atraso nas aulas ou pausa lectiva, lá temos as mesmas sacramentais queixas. Também sou pai e também sei o que custa tudo isso mas, sinceramente, vejo muito mais almas preocupadas em saber onde “despejar” os filhos do que em lutar pela melhoria da qualidade do ensino e da sua aquisição de competências essenciais para a sua vida. Ou seja, a quantidade sempre à frente da qualidade, menos quando se trata do número de aulas, porque essas são sempre tidas como muitas, mesmo se pelas estatísticas OCDE somos dos países com menor carga lectiva. Ou seja, as crianças devem ficar muito tempo na Escola, desde que não seja para terem aulas. É a solução do mega parque infantil ou parque de diversões para a pequenada (e não só) passar o tempo. Se é assim que acham que está certo, a vossa vontade tem vindo a ser feita. Cada vez estamos mais atrasados, mesmo se temos dos maiores investimentos per capita em Educação da Europa (é verdade, sim senhor). É o que dá a inteligência dos pobres de espírito que nos têm ditado as políticas educativas, mas o que podemos fazer, pobres mexilhões ?
terça-feira, setembro 21, 2004
O Estado da Educação
Um nosso amigo e meu homónimo (os Paulos encontram-se sempre) enviou-nos uma reflexão sua sobre a situação a que chegámos neste país no que à Educação respeita. O tema foge um pouco ao tema central do nosso blog, mas pela sua actualidade achámos que interessava a sua divulgação.
É o fim da Educação tal como a conhecemos (and I feel fine) [1]
Paulo Guinote [2]
É difícil descrever o que qualquer cidadão normal minimamente responsável, mesmo que não seja professor, sente ao perceber o completo desvario em que entrou a governação em Portugal.
Após o descalabro em que se tornou a nossa Justiça e o labirinto em que se transformou a Saúde, a Educação contribui agora com a sua quota-parte para a sensação de completo desnorte em que o País mergulhou irremediavelmente.
Para quem é professor há quase duas décadas como eu e, entre aluno, professor e (mais recentemente) investigador na área da História da Educação, está embrenhado no sistema educativo português há quase 35 anos é particularmente triste verificar o estado de regressão a que fomos conduzidos nos últimos dois anos e a irresponsabilidade que assentou arraiais numa área que se proclama estratégica para o desenvolvimento (económico, social, cultural) do nosso país.
Em nome de algumas causas a que, em tese, todos podemos aderir sem grandes dramas – unificação absoluta do concurso para provimento de lugares nas escolas, com regras que (mesmo se discutíveis, de acordo com os diferentes interesses dos docentes) se apresentavam como claras – a anterior equipa do Ministério da Educação decidiu mexer no enquadramento legal e nos instrumentos técnicos do concurso de professores para os Ensinos Básico e Secundário.
Como acima escrevi, a legislação, mesmo se susceptível de desacordo, parecia clara; para garantir a uniformidade da aplicação dos critérios e – pensava-se, então – para acelerar e facilitar todo o processo decidiu optar-se pela aquisição (fora do Ministério) e aplicação (no Ministério, fora do Ministério ?) de um programa informático para tratar toda a informação necessária.
A articulação entre os princípios que norteavam a teoria (legislação) e a prática (programa informático) foi nula ou, se o não foi, foi muito deficiente. O que se seguiu já todos conhecemos nos seus aspectos mais visíveis para o público e não é necessário fazer-lhes a infeliz história.
Os equívocos que se acumularam ao longo do processo foram muitos e, mais imprtante, foram reveladores de grave indiferença, incompetência ou mesmo desconhecimento de aspectos basilares do problema: esqueceu-se o complexo emaranhado das qualificações profissionais dos docentes, não se testou o programa em tempo útil, antes dos concursos, com recurso a amostras de casos reais ou a exemplos fictícios, substituiu-se (a destempo) a equipa política do Ministério responsável pelo início da catástrofe e, por fim, nomeou-se novo pessoal com experiência mais do que escassa na área, soprou-se um pouco, e esperou-se que o fogo ateasse.
É impensável arvorar a Educação como área estruturante do progresso da sociedade portuguesa e como lugar-comum recorrente do discurso político quando se fala da necessidade de recuperar o atraso português em relação à Europa, se é assim que se trata o maior contingente profissional com habilitações de nível superior que existe no país.
É absolutamente demagógico dissertar sobre a necessidade da Escola ser atractiva, apelativa, estimulante, etc, etc, para os alunos que a frequentam, se assim se tratam os docentes que a fazem funcionar e são indispensáveis para lhe darem qualidade.
É atrozmente irresponsável tratar dezenas de milhar de docentes como se fossem carne para canhão e uma massa amorfa de autómatos descaracterizados, disponíveis para qualquer abuso que sobre eles(as) o acaso e a cegueira (técnica e política) fazem cair.
É verdade que a própria classe docente é, em boa parte, responsável pela degradação a que a sua posição social e a sua dignidade profissional chegaram pois as suas associações representativas (leia-se, sindicatos) optaram pela via da fragmentação feudal ou pelo predomínio da reivindicação salarial sobre todas as outras, permitindo a progressiva proletarização daqueles que representam. Todos os anos lá temos as duas greves da praxe, em troca de 0,5% no salário, numa coreografia bem ensaiada com o Ministério e levada ao palco há décadas com um sucesso cada vez mais duvidoso e com efeitos cada vez mais desmobilizadores.
De forma subreptícia, assumiu-se que a Educação é, no caso dos docentes, o refúgio dos licenciados menos empreendedores na sua área científica e, para os alunos, um período de vida cada vez mais alongado destinado a obter credenciais académicas com o máximo de fruição e a menor dose de esforço e empenho.
É triste, mas é verdade e, pior do que isso, corresponde cada vez mais a uma realidade contra a qual cada vez menos de nós lutam.
A situação que se vive na Educação nos dias que passam é de completa calamidade e, num momento em que a população discente está estabilizada, o presente atraso nos concursos dos docentes seria absolutamente incompreensível se não soubessemos todos, mais ou menos a contra-gosto, de forma mais ou menos explícita, que a nossa governação caiu num dos pontos mais fundos de que há memória, em termos de visão política e competência técnica.
Para mim, chegámos ao fundo do poço, à decadência de qualquer ideia válida da Educação e ao fim do Docente como profissional reconhecido na Sociedade.
Resta-nos saber se, numa perspectiva optimista, a partir daqui só podemos melhorar ou se, numa perspectiva pessimista, aqui nos iremos aconchegar e deixar ficar.
Inclino-me para esta última hiótese, pois o nosso pessoal político é menoríssimo e, em virtude dos muitos desvarios pedagógicos na Educação, o pessoal técnico cada vez menos competente. E a tendência não é para melhorar, muito pelo contrário.
Restava-nos até agora a sacramental e tão criticada burocracia que, apesar da falta de imaginação, rotina, redundância e morosidade, ainda ia assegurando os serviços mínimos da Nação.
Ao que parece, agora já nem isso nos resta.
[1] Agradece-se aos REM a (des)inspiração.
[2] Professor do 2º Ciclo do Ensino Básico. Mestre em História Contemporânea.
É o fim da Educação tal como a conhecemos (and I feel fine) [1]
Paulo Guinote [2]
É difícil descrever o que qualquer cidadão normal minimamente responsável, mesmo que não seja professor, sente ao perceber o completo desvario em que entrou a governação em Portugal.
Após o descalabro em que se tornou a nossa Justiça e o labirinto em que se transformou a Saúde, a Educação contribui agora com a sua quota-parte para a sensação de completo desnorte em que o País mergulhou irremediavelmente.
Para quem é professor há quase duas décadas como eu e, entre aluno, professor e (mais recentemente) investigador na área da História da Educação, está embrenhado no sistema educativo português há quase 35 anos é particularmente triste verificar o estado de regressão a que fomos conduzidos nos últimos dois anos e a irresponsabilidade que assentou arraiais numa área que se proclama estratégica para o desenvolvimento (económico, social, cultural) do nosso país.
Em nome de algumas causas a que, em tese, todos podemos aderir sem grandes dramas – unificação absoluta do concurso para provimento de lugares nas escolas, com regras que (mesmo se discutíveis, de acordo com os diferentes interesses dos docentes) se apresentavam como claras – a anterior equipa do Ministério da Educação decidiu mexer no enquadramento legal e nos instrumentos técnicos do concurso de professores para os Ensinos Básico e Secundário.
Como acima escrevi, a legislação, mesmo se susceptível de desacordo, parecia clara; para garantir a uniformidade da aplicação dos critérios e – pensava-se, então – para acelerar e facilitar todo o processo decidiu optar-se pela aquisição (fora do Ministério) e aplicação (no Ministério, fora do Ministério ?) de um programa informático para tratar toda a informação necessária.
A articulação entre os princípios que norteavam a teoria (legislação) e a prática (programa informático) foi nula ou, se o não foi, foi muito deficiente. O que se seguiu já todos conhecemos nos seus aspectos mais visíveis para o público e não é necessário fazer-lhes a infeliz história.
Os equívocos que se acumularam ao longo do processo foram muitos e, mais imprtante, foram reveladores de grave indiferença, incompetência ou mesmo desconhecimento de aspectos basilares do problema: esqueceu-se o complexo emaranhado das qualificações profissionais dos docentes, não se testou o programa em tempo útil, antes dos concursos, com recurso a amostras de casos reais ou a exemplos fictícios, substituiu-se (a destempo) a equipa política do Ministério responsável pelo início da catástrofe e, por fim, nomeou-se novo pessoal com experiência mais do que escassa na área, soprou-se um pouco, e esperou-se que o fogo ateasse.
É impensável arvorar a Educação como área estruturante do progresso da sociedade portuguesa e como lugar-comum recorrente do discurso político quando se fala da necessidade de recuperar o atraso português em relação à Europa, se é assim que se trata o maior contingente profissional com habilitações de nível superior que existe no país.
É absolutamente demagógico dissertar sobre a necessidade da Escola ser atractiva, apelativa, estimulante, etc, etc, para os alunos que a frequentam, se assim se tratam os docentes que a fazem funcionar e são indispensáveis para lhe darem qualidade.
É atrozmente irresponsável tratar dezenas de milhar de docentes como se fossem carne para canhão e uma massa amorfa de autómatos descaracterizados, disponíveis para qualquer abuso que sobre eles(as) o acaso e a cegueira (técnica e política) fazem cair.
É verdade que a própria classe docente é, em boa parte, responsável pela degradação a que a sua posição social e a sua dignidade profissional chegaram pois as suas associações representativas (leia-se, sindicatos) optaram pela via da fragmentação feudal ou pelo predomínio da reivindicação salarial sobre todas as outras, permitindo a progressiva proletarização daqueles que representam. Todos os anos lá temos as duas greves da praxe, em troca de 0,5% no salário, numa coreografia bem ensaiada com o Ministério e levada ao palco há décadas com um sucesso cada vez mais duvidoso e com efeitos cada vez mais desmobilizadores.
De forma subreptícia, assumiu-se que a Educação é, no caso dos docentes, o refúgio dos licenciados menos empreendedores na sua área científica e, para os alunos, um período de vida cada vez mais alongado destinado a obter credenciais académicas com o máximo de fruição e a menor dose de esforço e empenho.
É triste, mas é verdade e, pior do que isso, corresponde cada vez mais a uma realidade contra a qual cada vez menos de nós lutam.
A situação que se vive na Educação nos dias que passam é de completa calamidade e, num momento em que a população discente está estabilizada, o presente atraso nos concursos dos docentes seria absolutamente incompreensível se não soubessemos todos, mais ou menos a contra-gosto, de forma mais ou menos explícita, que a nossa governação caiu num dos pontos mais fundos de que há memória, em termos de visão política e competência técnica.
Para mim, chegámos ao fundo do poço, à decadência de qualquer ideia válida da Educação e ao fim do Docente como profissional reconhecido na Sociedade.
Resta-nos saber se, numa perspectiva optimista, a partir daqui só podemos melhorar ou se, numa perspectiva pessimista, aqui nos iremos aconchegar e deixar ficar.
Inclino-me para esta última hiótese, pois o nosso pessoal político é menoríssimo e, em virtude dos muitos desvarios pedagógicos na Educação, o pessoal técnico cada vez menos competente. E a tendência não é para melhorar, muito pelo contrário.
Restava-nos até agora a sacramental e tão criticada burocracia que, apesar da falta de imaginação, rotina, redundância e morosidade, ainda ia assegurando os serviços mínimos da Nação.
Ao que parece, agora já nem isso nos resta.
[1] Agradece-se aos REM a (des)inspiração.
[2] Professor do 2º Ciclo do Ensino Básico. Mestre em História Contemporânea.
Mitos
Dentro do suplemento do Distritonline dedicado à Moita multiplicam-se os textos propagandísticos, quase todos assinado por um Gonçalo Bofill (assim mesmo com dois “ll”).
Um dos títulos de 1ª página afirma serem “Esperadas milhares de pessoas”.
Deveriam querem dizer serem “Esperados milhares de pessoas”, mas não se pode obrigar o rapaz a fazer o suplemento todo e ainda a saber gramática e regras de concordância nas frases.
(A alguém soa bem uma frase como “esperam-se duas milhares de raparigas” ou “esperam-se dois centenas de rapazes ? Não, pois não ? )
Por outro lado, não se nota nada o chorudo subsídio que a CMM deve ter injectado na publicação.
Lá se perpetuam os mitos das festas da Moita com mais de 300 anos, mas já damos isso como garantido, à conta de mitologia local, para legitimação das práticas contemporâneas.
Só não sei porque é que os alhosvedrenses não reclamam a ancestralidade, com mais de 800 anos, dos “festejos” da terra, esses pelo menos atestados documentalmente com testemunhos que dizem remontarem as festividades religiosas em Alhos Vedros ao tempo da Reconquista em meados do século XII. Aliás, uma das justificações para os moiteiros se quererem separar de Alhos Vedros no final do século XVII era o transtorno que lhes fazia serem obrigados a deslocar-se à Matriz de Alhos Vedros para aí assistirem às festividades mais importantes do calendário cristão.
No entanto, os mitos que permanecem parecem ignorar este facto e as festas em Alhos Vedros andam sempre ao sabor da sorte e do azar dos tempos, com os apoios a escassearem e a “mama” a não dar para todos.
Um dos títulos de 1ª página afirma serem “Esperadas milhares de pessoas”.
Deveriam querem dizer serem “Esperados milhares de pessoas”, mas não se pode obrigar o rapaz a fazer o suplemento todo e ainda a saber gramática e regras de concordância nas frases.
(A alguém soa bem uma frase como “esperam-se duas milhares de raparigas” ou “esperam-se dois centenas de rapazes ? Não, pois não ? )
Por outro lado, não se nota nada o chorudo subsídio que a CMM deve ter injectado na publicação.
Lá se perpetuam os mitos das festas da Moita com mais de 300 anos, mas já damos isso como garantido, à conta de mitologia local, para legitimação das práticas contemporâneas.
Só não sei porque é que os alhosvedrenses não reclamam a ancestralidade, com mais de 800 anos, dos “festejos” da terra, esses pelo menos atestados documentalmente com testemunhos que dizem remontarem as festividades religiosas em Alhos Vedros ao tempo da Reconquista em meados do século XII. Aliás, uma das justificações para os moiteiros se quererem separar de Alhos Vedros no final do século XVII era o transtorno que lhes fazia serem obrigados a deslocar-se à Matriz de Alhos Vedros para aí assistirem às festividades mais importantes do calendário cristão.
No entanto, os mitos que permanecem parecem ignorar este facto e as festas em Alhos Vedros andam sempre ao sabor da sorte e do azar dos tempos, com os apoios a escassearem e a “mama” a não dar para todos.
segunda-feira, setembro 20, 2004
O qu’é qu’é aquilo ?
Saiu um “suplemento impresso” do Distritonline, datado de 12 de Setembro, todo dedicado à Moita, com o shôr Presidente da Câmara em primeira página, sorriso afivelado, com a frase “A Moita é um concelho com qualidade” !!
Pois é, não se esclarece é o que é que tem qualidade.
Ou se a qualidade é boa ou má.
Porque uma coisa pode ter qualidade, pode é ser má.
E já agora, não haverá possibilidade de devolução do poder moiteiro, em virtude de grave defeito ?
Não estará ainda no prazo da garantia ?
Pois é, não se esclarece é o que é que tem qualidade.
Ou se a qualidade é boa ou má.
Porque uma coisa pode ter qualidade, pode é ser má.
E já agora, não haverá possibilidade de devolução do poder moiteiro, em virtude de grave defeito ?
Não estará ainda no prazo da garantia ?
Léxico moiteiro - Parte ?
Continuamos com a epopeia de desvendar os mistérios do vocaboilário moiteiro. Eis mais alguns contributos:
Boião – grande frasco em forma de boi,
Boiboleta – borboleta, ao esvoaçar pela Moita.
Boicó – moiteiro ignorante, o que não deixa de seu um pleonasmo, mas...
Boicotar – empacotar bois.
Boide – o macho da cabra.
Boil – outra designação para a Moita.
Boina – o que os bois usam na caboiça para não apanharem muito sol.
Boisque – bosque na Moita (se o houvesse...).
Boião – grande frasco em forma de boi,
Boiboleta – borboleta, ao esvoaçar pela Moita.
Boicó – moiteiro ignorante, o que não deixa de seu um pleonasmo, mas...
Boicotar – empacotar bois.
Boide – o macho da cabra.
Boil – outra designação para a Moita.
Boina – o que os bois usam na caboiça para não apanharem muito sol.
Boisque – bosque na Moita (se o houvesse...).
Belo par
No Distritonline, na sua versão mesmo online (ver link ao lado), temos direito à opinião política regional no seu melhor.
Como não poderia deixar de ser lá temos aquele que consideramos o par maravilha do nosso concelho: Eurídice Pereira pelo PS (no canto da esquerda em traje rosa-chic) e Titta Maurício pelo CDS/(ainda)PP (no canto da direita em fato azul celeste-choque).
Cada um opina. No seu tom do costume, que é como quem diz, muita parra, pouca uva.
Eurídice disserta vagamente sobre assuntos vagos, de acordo com uma perspectiva vagamente vaga.
Titta Maurício desembainha a espada e acomete, como bom aio do seu senhor, no seu (alvo e puro) corcel alado sobre a questão da interrupção voluntária da gravidez.
Como de costume, ficamos à espera de novidades, no sentido, de coisas novas, originais.
Como não poderia deixar de ser lá temos aquele que consideramos o par maravilha do nosso concelho: Eurídice Pereira pelo PS (no canto da esquerda em traje rosa-chic) e Titta Maurício pelo CDS/(ainda)PP (no canto da direita em fato azul celeste-choque).
Cada um opina. No seu tom do costume, que é como quem diz, muita parra, pouca uva.
Eurídice disserta vagamente sobre assuntos vagos, de acordo com uma perspectiva vagamente vaga.
Titta Maurício desembainha a espada e acomete, como bom aio do seu senhor, no seu (alvo e puro) corcel alado sobre a questão da interrupção voluntária da gravidez.
Como de costume, ficamos à espera de novidades, no sentido, de coisas novas, originais.
sábado, setembro 18, 2004
Novidades
Para quem não reparou, também já aderimos à moda de colocar links permanentes no nosso blog, como podem ver no lado direito do monitor.
Prometemos ser criteriosos e não linkar tudo e mais qualquer coisa, só para parecermos muito eruditos.
Prometemos ser criteriosos e não linkar tudo e mais qualquer coisa, só para parecermos muito eruditos.
Sobre o Cais Novo
Retirado do Alhos Vedros Visual, temos aqui um comentário sobre a expansão do Cais Novo que, qualquer dia, está às portas da Moita.
Não penso que seja importante para os moiteiros que chegue à Moita, uma vez que (de novo) estão a preparar-se para gastar mais uns milhões para "recuperar" e "embelezar" a zona ribeirinha da Moita (claro!).... o que me preocupa é que este ataque não irá parar enquanto todas as pequenas mas (antigamente) bonitas praias de Alhos Vedros, os sapais de Alhos Vedros, os antigos viveiros e salinas de Alhos Vedros não estiverem por completo destruídos. De um lado é o Cais, do outro são os aterros (com a desculpa de construir um campo de futebol para o Banheirense) que nunca mais acabam... tudo, é claro, com a aprovação e conivência da Câmara Municipal da Moita e outros organismos oficiais de defesa do ambiente, a quem foi atempadamente denunciada a situação e nada fizeram! É a inveja dos moiteiros por não terem nada que preste!
Fernanda Gil
Não penso que seja importante para os moiteiros que chegue à Moita, uma vez que (de novo) estão a preparar-se para gastar mais uns milhões para "recuperar" e "embelezar" a zona ribeirinha da Moita (claro!).... o que me preocupa é que este ataque não irá parar enquanto todas as pequenas mas (antigamente) bonitas praias de Alhos Vedros, os sapais de Alhos Vedros, os antigos viveiros e salinas de Alhos Vedros não estiverem por completo destruídos. De um lado é o Cais, do outro são os aterros (com a desculpa de construir um campo de futebol para o Banheirense) que nunca mais acabam... tudo, é claro, com a aprovação e conivência da Câmara Municipal da Moita e outros organismos oficiais de defesa do ambiente, a quem foi atempadamente denunciada a situação e nada fizeram! É a inveja dos moiteiros por não terem nada que preste!
Fernanda Gil
Subscrever:
Mensagens (Atom)
