domingo, janeiro 29, 2006

O Nalguinhas da Moita - III

As razões de conteúdo de um prémio
O Hipócrita em Si

Continuemos, pois, a análise da estarrecedora prosa de V. P. Mendes no Jornal da Moita da passada 5ª feira e que lhe fez merecer a atribuição do primeiro prémio com o título Nalguinhas da Moita.
Vamos a razões de conteúdo do artigo.
A primeira parte do dito é um panegírico ao órgão de informação em que escreve o dito artigo e é algo feito - isso percebe-se com clareza - como contraponto a um texto do Carlos Vardasca sobre o desaparecimento de O Rio e em que são feitas críticas indirectas a outro tipo de imprensa, assim como em reacção a outras posições divulgadas aqui e não só, sobre o mesmo assunto.
Também se percebe de forma ínvia a crítica que faz à forma como o jornal O Rio conduziu a sua vida.
São opiniões, legítimas como quaisquer outras, e merecem todo e o respeito devido a quem tem opiniões.
O problema é quando essas opiniões são incoerentes com o comportamento do seu autor e quando são feitas de forma não assumida.
Em primeiro lugar, VPM usa aquele tipo de ataque indirecto, que não nomeia o atacado, para nunca se comprometer e poder recuar em caso de investida adversária. Nunca refere ninguém em concreto, seja pessoa ou instituição.
Pensará, certamente, que isso é muito politicamente correcto, muito positivo.
Não, não é !
É apenas hipócrita, porque VPM foge ao confronto directo, deixando apenas insinuações no ar quanto a um órgão de informação do qual fez parte do conselho editorial durante anos e até ao último número impresso e no qual colaborou com frequência com textos seus.
VPM estava lá com "reservas mentais" ?
Talvez, mas não o sabemos. Nunca nos anunciou a sua dissidência, antes.
VPM já lá nem estava ?
Pois, mas nunca se ocupou de mandar apagar o seu nome da ficha técnica.
VPM já não lia O Rio ?
Acredito, pois também não deve ler muito mais coisas, de tão atarefado anda em recolher fotos de bois, bostas e moiteiros corneados.

Mas há pior do que isto, na louvaminhice feita ao JM, onde se adivinha passar a ser articulista residente e pau para a defesa daquilo em que a direcção do próprio periódico não se gosta de envolver.
Vejamos duas passagens muito interessantes, de onde a verdade fugiu apressada:

1.
«A verdade é que a dinâmica semanal do Jornal da Moita é garantida única e exclusivamente pelo comércio local, que encontra razões para publicar os seus anúncios nas páginas daquele.»

2.
«... outros menos experientes ou mais sectários seriam facilmente tentados a usar da censura e a cortar opiniões críticas, por ser de "esquerda" ou por de "direita". O facto é que o Jornal da Moita é um jornal que aceita nas suas páginas a pluralidade, princípio basilar de um jornalismo em democracia.»

Quanto a isto, a realidade é inegável, pois:

1 - O Jornal da Moita, e toda a rede de "Jornais" do mesmo género na região de Lisboa, recebeu subsídios estatais para desenvolvimento de conteúdos na net que nunca se viram, tirando um portal comum que não dá acesso a nada. Cada jornalinho papou 1500 contos para fazer algo que demora um par de horas a criar.
2 - O Jornal da Moita, ainda na semana anterior, não publicou um texto do mandatário local da candidatura de Manuel Alegre à Presidência. Isso não foi censura, claro, porque havia coisas muito mais interessantes a publicar, afora os problemas técnicos, por certo. O assunto nem devia ser actual, portanto... A verdade é que a candidatura de Manuel Alegre era excêntrica aos interesses imediatos dos poderes locais, fossem eles do PC jeronimista ou do PS soarista. Visto como alguém isolado e crítico, desalinhado, o Luís Guerreiro foi votado ao ostracismo no JM, facto que VPM ignora na sua visão limitada e moiteira dos acontecimento, porque não lhe interessa e foge ao seu entendimento.
E nem vale a pena cascar muito na forma como, do alto da sua experiência antropológica, insinua a imaturidade do director de O Rio, nunca o nomeando, clero, que é para poder afirmar que nunca disse o que disse. Mas pelo menos o senhor Brito Apolónia teve a coragem de publicar textos do AVP claramente críticos em relação a todos os poderes, sem nenhum tipo de contrapartidas.

Mas o que interessa é que o Jornal da Moita publica artigos de VPM e, de certa forma, isso é garantia de não colagem a nenhum poder específico e sinónimo de pluralidade.
É verdade !!!
Porque VPM sozinho, vai-se tentando colar aos vários poderes, conforme os ventos, e é muito plural nas suas opiniões, pois elas mudam com rapidez estonteante.
É um verdadeiro one-man-show, pelo que o JM até devia prescindir de todo e qualquer outro escriba nas suas páginas.

AV1 (a saborear o sentido da palavra pulhice, para determinar se é mais aplicável ou não do que hipocrisia a tudo isto)

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