domingo, novembro 27, 2005

A citação do dia

«Alexandre Herculano ensinou-nos que Portugal nasceu e se manteve independente pela força e vontade política dos homens - e não por qualquer determinismo geográfico.
No século XXI é preciso mais do que força e vontade política para mantermos a nossa independência. É preciso ter a estratégia certa.
Em vez de favorecer a concentração empresarial - criando companhias com dimensão para competirem no top five ibérico, e manterem centros de decisão, no nosso país - o Governo prefere estimular o aparecimento de empresas bonsai. O exemplo mais acabado desta estratégia suicida é a sua vergonhosa actuação no dossiê energético.
E é patético ver Sócrates sorridente no regresso da cimeira luso-espanhola de Évora (...).
Como toda a gente sabe que a linha de TGV Madrid-Lisboa vai ser uma catástrofe de exploração, pois além de os previsíveis fluxos de passageiros serem manifestamente insuficientes para a viabilizar, a concorrência do avião será demolidora. Pouca gente está disposta a pagar mais por uma viagfem de duas horas e meia de comboio do que por uma viagem de uma hora de avião.
Mas Madrid está disposta a pagar para estar ligada por comboios de alta velocidade a todas as grandes cidades da Ibéria. A Puerta del Sol é o quilómetro zero de todas as estradas da Península. Atocha vai ser o coração da rede ferroviária ibérica, Castela ficou satisfeita. Sócrates não pára de descarrilar.»
(Jorge Fiel in Expresso-Economia, 26/Nov/05, p. 7)

A isto apenas acrescentaria que, à imagem daquele empresário de sucesso Vaz Guedes que, depois de assinar um documento contra a invasão espanhola da nossa economia vendeu a posição maioritária da sua família na Somague a espanhóis em troca de um lugar na administração da empresa-mãe dizendo que era para proporcionar dar mais-valias aos accionistas, há muitos políticos que, em nome do pragmatismo, estão dispostos a obedecer a Madrid se isso se traduzir em ganhos pessoais de curto/médio prazo.
A vontade dos homens de que falaram Alexandre Herculano e Oliveira Martins cada vez viceja menos entre nós e começa a se usual acusar-se de anacronismo e nacionalismo retrógrado quem barafusta com a venda a retalho do nosso país, pela oferta menos má.
Por isso, é interessante vermos até quem, nas próximas eleições presidenciais, não tem rebuço em assumir o seu patriotismo.

AV1

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