segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Coisas que me irritam num Centro Comercial (parte 5602 de 765824)

Por diversas razões que aqui não interessam a ninguém, sou mais vezes do que gostaria ou deveria, obrigado a comer em locais de fast-food.
E em alguns dias, no horário de maior afluência, o que é logo razão para ficar hipertenso e com 100 batidas cardiacas por cada meio minuto.
De qualquer modo, habituei-me a ir apenas a algumas destas redes de comida em série - primeiro lugar às tigelas brutais de sopa da pedra - e a estudar os menus enquanto espero que o resto da fila seja aviado(a).
Ora algo que muito me irrita são aqueles tipos de cliente que foram para ali para preencher o vazio da sua vida ou para tentarem decifrar o funcionamento do seu cérebro ou, mesmo, descobrirem se ainda têm um a funcionar.
No primeiro caso, temos principalmente o cliente masculino que gosta de se armar em engraçadinho e espirituoso com as empregadas e dizer umas gracinhas para se mostrar espirituoso, em especial se sofrer uma jovenzinha sorridente e tenrinha. Há a variedade jovem espertalhaço de gel a pingar do cabelo e a variedade gajo baboso com idade para ter juízo, que a neta tem quase a mesma idade. Em qualquer das situações, a escolha do menu prolonga-se indefinidamente entre graçolas de 4ª divisão e sorrisos entre o apatetado e o forçado das empregadas. E a malta à espera que o grunho decida se quer broa ou não, se quer cerveja ou cola, se quer panado ou apenas um murro no toutiço.
Já no segundo caso, temos predominantemente a cliente feminina, sozinha, em grupo ou à espera de alguém, que quando chega a sua vez tem sempre de provar o galináceo que há em si e que se manifesta das seguintes formas: a) esperar por alguém que ainda não chegou, enquanto se vira para trás a fazer gestos frenéticos, mas não deixa que ninguém seja atendido em seu lugar; b) perguntar tudo o que leva cada menu, apesar de tudo estar escarrapachado em frente do seu nariz; c) gesticular imenso para o(a) colega que está do outro lado da zona de restauração; d) ficar longamente na dúvida se vai querer sobremesa ou não com o menu mais light da ementa; e) deixar cair a carteira ou o seu conteúdo no momento de pagar. No caso de grupos temos ainda as hipóteses f) discussão acalorada sobre quem leva o quê e quem paga o quê e g) quando não saiem da frente enquanto não descobrem onde se sentar.

É verdade, existem ainda outras variedades de clientes irritantes, como as famílias alargadas em que o raio do puto nunca mais decide o que quer, por causa dos brindes infantis, ou os casais em que só no momento de pedirem é que se lembram do que estavam ali a fazer, mas com que fica mal gozar porque já "têm uma certa idade", como eufemisticamente se chama a quem, enfim, tem mesmo "uma certa idade".
Mas isso fica para a parte 5603 das coisas que me irritam no interior de um Centro Comercial

AV1

2 comentários:

AV disse...

Tó a ver que andas bem disposto...

AV2

AV disse...

Ando,
a humanidade anda a atrapalhar um bocadinho, mas com as árvores sempre me dei bem e com as avezinhas e com os gatos e com os peixinhos, etc, etc...

AV1