segunda-feira, agosto 21, 2006

Vocabulário Actual da Gestão Autárquica Moiteira - Letra C

Cassete - infelizmente continua, mesmo se não é um exclusivo moiteiro. Só que aqui atinge níveis de surrealismo particularmente especiais. O essencial é manter sempre a mesma mensagem, custe o que custar, mesmo descolando da realidade como se ela tivesse a peste. Normalmente as primeiras figuras resguardam-se para ocasiões especiais, deixando a outros a missão de espalhar a palavra com base em três linhas-mestras que devm ser respeitadas a todo o custo, mesmo da consciência individual: 1) Os autarcas moiteiros no Poder foram "eleitos" e como tal têm toda a legitimidade para fazerem o que bem entendem, pois para eles o mandato eleitoral é como um cheque em branco que, entre outros atributos, concede presciência e infalibilidade à moda do Papa. Os erros cometidos nunca são erros, são quanto muito falhas de avaliação impossíveis de prever no momento da asneira feita. Como tal, e porque os que discordam, ou a própria oposição, não foi eleita, deve remeter-se ao silêncio e não criticar nada. É a chamada estratégia felgueiriana-valentiniana-isaltiniana segundo a qual a eleição lava tudo mais branco, qual confissão católica, permitindo aos "eleitos" planar por sobre a condição humana normal e a legalidade. 2) Tudo o que corre mal - da falta de emprego à ruptura de uma conduta de água, passando pelas picadas de melga - é sempre culpa de outros, de preferência do Poder Central ou de qualquer organismo de poder intermédio dominado por forças políticas adversárias; a solução para todos os males é a regionalização, mas de preferência aplicada apenas à zona que se estende entre o Tejo e o Algarve. O que corre bem é sempre responsabilidade dos autarcas, da sua acção, da sua resistência "ao lado das populações" e do seu poder de visão estratégica. 3) Os autarcas não têm a obrigação de contactar e dirigir-se aos municípes que os elegeram (e aos outros muito menos), mas sim o contrário, mas com regras e formalismos, que isto do contacto com o Povo está marcado na agenda apenas de 4 em 4 anos. Em vez de divulgar informações sobre as decisões tomadas e o respectivo processo e fundamentação, são os munícipes que devem fazer requerimentos (de resposta com prazo incerto) para saber qualquer coisa; em vez de monitorar as situações problemáticas no concelho, são os munícipes que as devem comunicar às autarquias, sob pena de não resolução. Ou seja, os munícipes dão o voto e, depois, podem ir dar uma volta; se querem algo mais dos seus eleitos devem ser eles a esforçar-se que os eleitos têm mais com que se preocupar, tipo onde é que vamos almoçar hoje.

AV1

3 comentários:

Anónimo disse...

Excelente ,os meus parabéns !

O vosso melhor amigo de alhos vedros disse...

O tipo de paleio que dá para tudo e em especial para quem na área do trabalho não se identifica, não tem exemplos e consequentemente nada faz.
É fácil criticar os outros sem se dar a avaliar.
É de homenzinho!

AV disse...

Eu estou a analisar ironicamente uma gestão autárquica. Posso dar exemplos concretos do que escrevi, apesar da ironia.

Como o meu trabalho está muito, muito longe, de qualquer tipo de acção política, seria um pouco disparatado incluir exemplos da minha vida profissional.

No entanto, poderei dar exemplos de situações locais ou de outras zonas, conhecidas directamente ou em segunda mão fiável, se me fizer o favor de dizer de que tipo pretende.

No entanto, acho interessante que num comentário se refugie em formulações teóricas sobre a substituição de uatarcas, mas aqui queira exemplos concretos.

Não é de homenzinho, é apenas de quem escreve ao sabor da re-acção, para contrariar o que está da maneira que pensa mais eficaz.

Nada que a hora do comentário não explique, a vários níveis.
Mas, com toda a sinceridade, não me parece que ganhe qualquer coisa indo por aí, muito pelo contrário.

:D

AV1