domingo, fevereiro 12, 2006

Concertos para a Juventude




Uma das minhas gravíssimas lacunas é o ouvido para a Música Clássica que perdi na infância e nunca voltei a achar por completo, apesar das doses que sofri em puto devido ao especial gosto que o meu pai tinha por umas sessões musicais do género aos fins de semana, no gira-discos lá de casa.
Mas eu sempre fui duro de compreensão e, tirando algo do mais óbvio. distingo com muita dificuldade os movimentos de uma peça, ou algo do Debussy de um Brahms.
O mais perto que tive de lá chegar foi quando passaram na RTP os programas do Leonard Bernstein dedicados aos jovens em que ele, de uma maneira fabulosa, nos comunicava como tudo isso se conseguia.
Mas, maravilhado com o poder de comunicação e o humor do homem, muitas vezes escapou-me o conteúdo.
Felizmente, a RTP Memória anda a repetir esses programas, e foi desta que eu consegui perceber a diferença essencial entre uma peça de Debussy e uma peça de Brahms, com o bónus de perceber como é que cada instrumento pode mudar o seu som, conforme o compositor, o mesmo acontecendo com o som de toda uma orquestra e a forma de a conduzir.
Comunicador nato, Bernstein consegue colar-me uma hora ao televisor, sem outra reacção aparente que não a boca semi-aberta e uma total incapacidade de reagir a outros estímulos exteriores.
A forma de desmontar uma peça, o modo como realça o contributo de cada instrumento, a maneira como nos ensina a reconhecer um compositor e uma época quase me fazem desatar a ouvir música sinfónica pela manhã e não apenas "A Primavera" d'As Quatro Estações de Vivaldi.

AV1

2 comentários:

Ponto Verde disse...

O meu amigo quereria dizer certamente Vivaldi. Parabéns pela reportagem visual dos ultimos posts. Abraço.

AV disse...

Certo, Shame on me...

AV1