
... a nível municipal foi a partir de meados dos anos 80, quando os efeitos da crise da indústria na península de Setúbal estavam no seu auge e era necessário que os concelhos da zona tivessem optado por um modelo de desenvolvimento alternativo que não passasse por serem simples dormitórios.
Quando agora nos dizem que há poucos estímulos para a requalificação de zonas urbanas antigas e recuperação de edifícios, é confessar que se perderam 20 anos nessa matéria.
Por esses tempos eu ainda me interessava a sério por tais assuntos e ainda tinha uma réstia de esperança no que pudesse ser feito, mas cedo me desanimei.
Num dos artigos deste número especial de 1991, da revista Sociedade e Território, dedicado ao Património, Ambiente e Reabilitação Urbana, encontramos a lista das autaquias que há 15 anos já se tinham preocupado em apresentar candidaturas aoPrograma de Reabilitação das Áreas Urbanas Degradadas, em vigor desde 1985.
Na Margem Sul, à data (1991), apenas se tinham candidatado Alcochete, Almada, Palmela e o Seixal, tendo sido seleccionados os projectos de Alcochete e Palmela.
Claro que agora se nota a diferença, quando visitamos o centro histórico desses concelhos e o comparamos com o que temos. Em boa verdade, a Moita não tem grande centro histórico e onde o havia (Alhos Vedros) foi-se deixando degradar antes de passar para a demolição.
Por isso, se constata a imensa falta de visão dos autarcas que nos têm sido servidos nestes últimos 20-25 anos, não me parecendo que os novos tenham uma visão mais desempoeirada das coisas, apenas a tendo superficialmente mais modernaça, o que é diferente de ser moderna.
AV1

1 comentário:
Excelente alusão e resenha.
É curioso que fiz também uma tentativa de paralelismo histórico este fim de semana.
Quando vejo estas publicações sobre desenvolvimento lembro-me daquela pérola que é a revista Made in PCP , Poder Local, so para observar a distância que vai da teoria à prática.
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