

Sempre que ando com neura por motivos de trabalho, dá-me uma de consumismo livresco.
E lá vou eu prás FNAC's da capital, sejam as próprias, a Almedina, a Buchholz, a Bulhosa ou um qualquer alfarrabista de estimação, tipo Barateira.
Mas como os lucros são curtos, um tipo espiolha e procura pelo preço de ocasião.
Ora não é que hoje em plena Fnac dou com uma "ilha" de livros da Wordsworth Classics, edições razoavelmente recentes, dos anos 90 na maioria, em que os clássicos de língua inglesa e muitos outros traduzidos se encontram por pouco mais de 3,5 euros ?
E de outra editora todas as obras da Jane Austen por 10,5€, assim como a edição facsimilada de todas as aventuras de Sherlock Holmes, com as ilustrações originais, pelo mesmo preço ?
Qualquer coisa deste género em Portugal é motivo para edição milionária.
E já nem vou falar das edições de obras originais da língua inglesa, que não precisam de amortizar custos de tradução, mas de edições de obras originalmente em francês, castelhano ou russo.
Em Portugal, se quisermos um D. Quixote, à boleia das comemorações dos 500 anos do Cervantes, levamos com edições de várias dezenas de euros, não existindo qualquer uma a preços decentes.
Cá é sempre preciso retraduzir, reeditar, redobrar os custos.
Lá fora, aproveita-se para popularizar o que caiu no domínio público e tem custos reduzidos de edição.
Cá há sempre mais um amigo a compensar por umas anotações, um tradutor conhecido que muda as vírgulas de sítio, um ilustrador a quem é preciso encomendar uma nova capa.
Resultado: qualquer das obras representadas custa 700 escuditos em Londres, em inglês decente, enquanto em Portugal custa um mínimo de 4 ou 5 contitos redondos, em português que daqui a cinco ou dez anos será necessário remendar de novo.
E depois digam-me que não somos ricos.
AV1

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