quinta-feira, abril 28, 2005

Bloguices

Conforme prometido, iremos iniciar uma pequena série de textos sobre aquilo que achamos ser o papel dos blogs na actual sociedade da informação.
Desde já, e para mais detalhes sobre a história da blogosfera, nada como um saltinho aqui, para ler o que um professor da Universidade da Beira Interior já escreveu e que já recomendámos há uns meses.
Agora passando ao assunto propriamente dito, e começando pelo princípio:

1.
O aparecimento dos blogs (ou blogues, à tuga), quase simbolicamente no final do milénio anterior (0 Blogger aparece em 1999), teve um importante duplo significado.
No contexto mais restrito da net, correspondeu a uma segunda fase da sua expansão e constituiu-se como a etapa que faltava para a sua quase completa democratização, não apenas do lado da utilização-consumo mas também do lado da produção de conteúdos.
No âmbito mais alargado da sociedade da informação, os blogs significaram uma fase - igualmente democratizadora - de expansão das possibilidades de circulação da informação a uma escala global e, principalmente, de expressão das opiniões dos indivíduos afastados dos meios de comunicação de massa tradicionais, tudo com um mínimo de custos directos.
A "blogosfera" foi, assim, uma verdadeira revolução em termos dos requisitos técnicos e financeiros para atingir audiências potencialmente globais por parte de qualquer um de nós. O aparecimento da possibilidade de criar sítios individuais com um mínimo de conhecimentos de informática e recorrendo apenas a um PC comum e uma linha telefónica pode, sem exagero, considerar-se uma fase nova e revolucionária da sociedade da informação pois permitiu furar os monopólios e os poderes que, de maneira mais ou menos disfarçada, controlavam a forma como a informação era disponibilizada e circulava e o conteúdo das opiniões que eram veiculadas a uma escala alargada.
Começando por ser, nos primeiros tempos, meros "diários" pessoais abertos a uma audiência potencialmente mundial, os blogs evoluíram muito rapidamente para uma crescente sofisticação, segmentação e especialização, fosse de objectivos, de conteúdos ou de públicos-alvo. No entanto, e de alguma forma unificando-os, ficou um traço comum à sua maioria que é o de se terem tornado uma nova modalidade de confronto de ideias e de exteriorização de opiniões, sem os espartilhos habituais na comunicação social tradicional, ou seja, uma forma inovadora de comunicação entre gente distante que, de outra forma, teria dificuldade em partilhar gostos, vivências e opiniões sobre de tudo um pouco.
Claro que este fenómeno não se marcou apenas por aspectos positivos e existem aspectos, endógenos e exógenos, que se vieram a mostrar progressivamente negativos.
Embora esse seja tema para desenvolver amanhã, entre os primeiros (externos) temos o esforço externo dos diversos tipos de poder (político, económico, comunicacional) para "enquadrar" a blogosfera, formatá-la e manipulá-la ou arrastá-la para o mainstream, enquanto entre os segundos (internos) temos consequências como a potencial proliferação descontrolada de boatos e de informação pouco credível, bem como um campo fértil para a troca de acusações e ofensas pessoais sem grande conteúdo.

Sobre isso, sobre de que forma os blogs estão na esteira de algumas formas de convívio e debate anteriores e sobre a nossa motivação e experiência pessoal, iremos falando nos próximos dias, ficando à espera dos contributos de quem achar por bem colaborar (textos mais longos, por favor, para o mail que indicamos).

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