
Este é um clássico entre os clássicos do "novo" marxismo dos anos 70, saído directamente do Maio de 68.
Era difícil fazer um curso de Ciências Sociais até aos anos 80 em Portugal sem, mais ou tarde ou mais cedo, tropeçarmos nesta leitura que tem tanto de datada, como de retrospectivamente sedutora. Por vezes, ainda me escorrega a nostalgia para algumas das suas passagens. A edição azul é de 1980 e a laranja de 1974 (primeira em Portugal, salvo prova em contrário).
«1. - Todos os Aparelhos Ideológicos do Estado, sejam eles quais forem, concorrem para um mesmo resultado: a reprodução das relações de produção, isto é, das relações de exploração capitalistas.
2. - Cada um deles concorre para este resultado único da maneira que lhe é própria. O aparelho político sujeitando os indivíduos à ideologia política do Estado, a ideologia "democrática", "indirecta" (parlamentar) ou "directa" (plebiscitária ou fascista). O aparelho de informação embutindo, através da imprensa, da rádio, da televisão, em todos os "cidadãos", doses quotidianas de nacionalismo, chauvinismo, liberalismo, moralismo, etc. O mesmo acontece com o aparelho cultural (o papel do desporto no chauvinismo é de primeira ordem), etc. O aparelho religioso lembrando nos sermões e noutras grandes cerimónias do Nascimento, do Casamento, da Morte, que o homem não é mais do que cinza, a não ser que saiba amar os seus irmãos até ao ponto de oferecer a face esquerda a quem já o esbofeteou na direita.» (pp. 62-63 da edição de 1974)
Não é por nada, mas por estes dias, isto parece voltar a ganhar algum sentido. Em especial a visão cínica do papel passivo, quase adormecido, dos "cidadãos" perante os estímulos exteriores.

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